sábado, 17 de dezembro de 2005

Batalha Naval

O Sporting conquistou três pontos na Figueira da Foz e, se alguma conclusão é possível retirar do triunfo leonino, esta será que, das várias qualidades necessárias para atingir os objectivos traçados, a formação leonina apenas domina uma: vencer sem jogar bem.

Não deixa de ser sintomático que, ante um dos mais frágeis conjuntos da Liga, persista a incapacidade para dominar os acontecimentos através da gestão da posse de bola, carecendo ainda de volume ofensivo que possa garantir qualquer espécie de tranquilidade.

Perguntavam-me, num comentário a um post no Sector, quais as razões para as insuficiências da produção verde e branca e, no meu entender, a partida de hoje é suficientemente reveladora.

Para entender o que se passa é necessário assumir que o fundamental se centra nas acções do colectivo, independentemente de estas dependerem, em larga medida, das características individuais.

Este Sporting revela enormes dificuldades na recuperação da bola no meio-campo adversário, lacuna que não pode ser dissociada da irregularidade evidenciada quando em posse da bola.

Para fugir às frase feitas e à utilização de termos pseudo-técnicos, permitam-me só um esclarecimento que, apesar de óbvio, ajuda ao enquadramento adequado.

Utilizam-se com frequência as expressões "transição ofensiva" e "transição defensiva", termos em voga graças à evolução académica do estudo da modalidade e que, além de representarem a evidência, traduzem a alteração de mentalidades na orientação técnica do futebol. Não se trata aqui apenas da recuperação no terreno depois de uma perda de bola nem do antigo e bem conhecido "sair a jogar". No futebol actual, o momento decisivo é, frequentemente, o que coexiste com a mudança da posse de bola. Ou seja, a atitude do atleta tem de mudar instantaneamente, aliás, antecipadamente. O posicionamento de um atacante - ou seja, qualquer dos onze jogadores cuja equipa detém a bola - tem de ter em conta a necessidade de passar para uma atitude defensiva ainda antes de um "turnover", assim como, no instante da recuperação, este tem de adaptar a sua movimentação e postura à necessidade de aproveitamento dos espaços. Este é um processo colectivo que, como qualquer outro, tem de ser mecanizado.

Só assim, cumprindo ambas as missões, é possível actuar no meio-campo adversário.

Apenas uma equipa consciente do seu posicionamento ofensivo pode pressionar o oponente no momento da perda de bola, cerceando o tempo e o espaço de que o defensor disponha para iniciar um eventual ataque, o que se torna impossível se os sectores estiverem dispersos ou desorganizados. É este desequilíbrio que gera a necessidade de recuar - correr para trás - e o perigo potencial dos contra-ataques. O futebol faz-se, hoje mais do que nunca, do domínio dos tempos e dos espaços, sendo as equipas de Mourinho o melhor exemplo desta premissa fundamental.

É, portanto, neste capítulo que o Sporting peca em demasia, mesmo quando possui alguns elementos - Custódio, João Moutinho e, em determinadas circunstâncias, Carlos Martins ou João Alves - capazes de providenciar alguma liderança em ambos os processos - defensivo e ofensivo. Esta é, porém, uma faculdade que depende da acção de TODOS os protagonistas.

Por mais que Paulo Bento queira implementar solidez na construção de duas linhas de pressão, com blocos sólidos e solidários, a inexperiência - ou ausência de trabalho adequado, só o tempo dirá qual - de alguns atletas acaba por trair o esforço o que, aliado à falta de qualidade durante os períodos de posse de bola, redunda num efeito claro: a distância entre os sectores, que leva à concessão de espaços, ao recuo territorial e ao maior esforço para recuperar o esférico. Isto para além de, no momento da recuperação, ser muito maior o caminho a percorrer até à baliza adversária: maior desgaste, menor controlo... maior distância entre os sectores.

Este conjunto de factores é mais facilmente compreensível se recordarmos que, ao contrário do que sucedeu com Peseiro - à época com outros jogadores -, o melhor futebol do Sporting de Paulo Bento tenha surgido em 4-3-3: com três avançados, as deficiências de Nani e Douala - encarregues então das alas - nos capítulos acima referidos são mais facilmente atenuadas e João Moutinho pode exercer maior influência no centro do terreno.

Apesar de compreender a opção do técnico, que tem entregue o jovem 28 a constantes missões de sacrifício, à direita ou à esquerda, não posso concordar com a solução. Paulo Bento sabe que, assim, conta com um atleta eficaz e abnegado no plano defensivo, capaz de pressionar e garantir recuperações, mas perde inteligência e organização na construção da manobra ofensiva. Ou seja, a meu ver, obriga todo o conjunto a maior e desnecessário desgaste, adiando a indispensável mecanização do único processo que, com os atletas disponíveis, pode levar ao sucesso.

Claro que, ao contrário de mim, é bem possível que Paulo Bento saiba muito bem com que outras armas poderá lutar a partir de Janeiro, o que justificaria o sacrifício de mais alguns encontros... em troca dos pontos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Recordações

Para não me acusarem mais de facciosismos, gostava de recordar hoje o jogo em que, há 19 anos, Wando marcou um golo no Estádio de Alvalade, ao serviço do benfica.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Arte Mínima

Em primeiro lugar, peço desculpa pela ausência prolongada e pela mania dos títulos pseudo-engraçados - deformação profissional.

Antes que tenham vontade de me esganar, passo a explicar a razão do actual: na semana que agora termina, o serviço mínimo marcou a prestação dos três grandes do futebol português - os adeptos encarnados podem continuar a ler, que já vão perceber o que quero dizer.

O FC Porto sofreu, no Leste da Europa, o castigo a que se habilitou no Dragão, depois dos incompreensíveis desaires ante Rangers e Artmedia. Em Bratislava, as deploráveis condições do terreno - e a não menos debilitada força anímica - conduziram a uma paupérrima demonstração do talento que inegavelmente possuem, "oferecendo" aos seus adeptos uma rara desilusão: em pleno Dezembro, estão arredados dos grandes palcos e, em casa, não podem aspirar a mais que um FC Porto - Braga...

Concedi, durante muito tempo, o benefício da dúvida a Co Adriaanse, por cuja atitude nutro, aliás, alguma simpatia. Não posso, porém, deixar de constatar o óbvio: se fosse português, já não estaria no comando técnico dos azuis e brancos.

Para o Benfica fica reservada uma análise semelhante, mas de sentido contrário: a águia agigantou-se e reduziu à mais ínfima expressão a "arte" de que se gabam os "Red Devils" de Manchester. O mérito cresce na directa proporção das circunstâncias, pois não se tratava de um encontro banal para os homens de Alex Ferguson, que também jogavam na Luz o apuramento. Posso não apreciar a forma como o feito foi alcançado, mas tiro o meu chapéu ao insuperável espírito de sacrifício evidenciado pelos jogadores que bateram o colosso inglês: isto de ter um gigante chamado Petit, acaba por se pegar...

O leão, há muito arredado destas lides, foi chamado a actuar na sexta-feira no primeiro de um conjunto de três compromissos que, em teoria, lhe poderiam permitir o sedimentar de uma posição entre os primeiros. Num festival de oportunidades falhadas - quem, há poucas semanas, poderia pensar que Deivid faria tanta falta, mesmo quando pelo relvado passeava um 31 sem Norte - o Sporting deixou-se surpreender por um Estrela da Amadora bem organizado.

Ocasiões de golo à parte, a formação verde e branca foi incapaz de produzir o volume ofensivo que se exigia a um conjunto obrigado a vencer um oponente mais débil, ficando no ar a ideia de que as opções do técnico não contribuíram para o inverter dos acontecimentos. Se, por um lado, não se pode exigir muito a quem tem Wender - um verdadeiro desastre - e Varela como opções mais ofensivas no banco de suplentes, a verdade é que a saída de João Moutinho votou ao ostracismo qualquer movimento de ruptura em progressão ou tentativa de organização da manobra ofensiva.

Neste jogo, umas notas finais para o que de melhor - e pior - se viu em Alvalade:

- mais uma demonstração de carácter e eficiência de Ricardo - sei que me estou a repetir, mas se tantos puderam apontar os erros, verdadeiros ou não, durante tanto tempo, também me considero livre de elogiar;

- o reafirmar das qualidades de Manu, extremo emprestado pelo Benfica que insiste nas exibições convincentes;

- a inacreditável postura de Amoreirinha que, tal como no passado, continua a preferir as quezílias e as agressões ao futebol. Prejudicou a equipa com um penálti ridículo - valeu Bruno Vale... e Liedson - e só por manifesta benevolência escapou de uma merecida expulsão sem ver, sequer, um cartão amarelo. Nem com os anos aprende.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Clubismos à parte, logo à noite sejamos patriotas

Força Cristiano!
Força Carlos!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

O estado de graça de Paulo Bento

É no minimo curioso que depois do Sporting empatar no estádio do Dragão, a capa de um dos três diários desportivos nacionais tenha escrito na capa "Deivid Resolve".
Então o Sporting não ganhou (ainda pior, esteve a ganhar e não ganhou) e o Deivid resolveu? Mas isto faz algum sentido?
Parece-me que o Paulo Bento está em alta na comunicação social e o Liedson em baixa, mas isto é um bocadinho demais, não?

sábado, 3 de dezembro de 2005

Consistência

O FC Porto dominou o clássico do Dragão, mas a verdade é que, superando as minhas expectativas, o Sporting deu mostras de uma consistência defensiva que há muito iludia os homens de Alvalade.

Paulo Bento está a construir a sua equipa com base na necessidade de organização e, se na construção da manobra ofensiva há ainda muito que evoluir, a verdade é que os alicerces de uma formação equilibrada estão lançados.

O mérito é mais colectivo que individual - excelente o desdobramento que permitia anular os desequilíbrios provocados, nas alas, por Quaresma e Lisandro Lopez - mas nem por isso posso deixar de destacar a ponderada exibição de Sá Pinto e a imperial confiança de Ricardo - não parece o guarda-redes que, há poucos meses, sucumbiu à crítica.

Sendo certo que, em Alvalade, não existem ainda armas que permitam discutir, de igual para igual, 90 minutos com os de azul e branco, é também indiscutível que, apesar do domínio exercido durante a quase totalidade do referido período, aqueles não foram capazes de criar oportunidades de golo dignas de nota - leia-se triunfo.

No Dragão, mais do que um ponto, Paulo Bento deu mais um passo para ganhar tempo e... uma equipa.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

E Deivid... resolve

Muitas serão as possíveis considerações a tecer sobre a ausência de Liedson - que até pode ser de duração indefinida - mas a verdade é que Paulo Bento recolheu a devida recompensa da sua atitude através da prestação de... Deivid.

Depois de exibições deprimentes, o técnico concedeu-lhe nova oportunidade - e enorme responsabilidade - e o 23... resolveu.

Merecido destaque ainda para Carlos Martins e Ricardo: o primeiro confirmou - principalmente na segunda parte - o potencial para desempenhar um papel fundamental neste Sporting enquanto, no caso do segundo, já se nota a influência da renovada equipa técnica. Uma exibição para calar alguns detractores...

A última nota não pode deixar de ir para a formação vimaranense: o Vitória tem um plantel recheado de qualidade e merece outro lugar na tabela classificativa.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

A verdadeira estória do gesto de Nuno Gomes

Tudo não passou de um mal entendido. De facto, o gesto de Nuno Gomes era para Ronald Koeman e fazia parte de uma conversa que os dois estavam a ter.

Diz RK: "Oh Nuno, que parvoíce foi aquela de ires a correr buscar a bola dentro da baliza, quando já tinhamos empatado? Achaste que podíamos ganhar? Não viste que os rapazes estavam a correr muito mais que nós e que empatámos por milagre?"

Ao que Nuno respondeu "Desculpe Mister, devo estar drogado para ter feito um disparate tão grande".

E pronto, está explicada a atitude do (na altura) capitão do Benfica. Ele nunca insinuaria que os jogadores do braga estavam dopados. Tal como Petit o ano passado não o fez no jogo contra o Rio Ave. Apenas elogiou o prepador fisico do clube de Vila do Conde por ter conseguido por os seus rapazes a correr durante 90 minutos.

sábado, 19 de novembro de 2005

José Veiga é que sabe

Depois de, na passada jornada, ter exigido com sucesso o regresso da proverbial "jarra" para os árbitros prevaricadores, o irrepreensível José Veiga irá agora, certamente, pedir para João Ferreira o mesmo destino que garantiu a Augusto Duarte e Paulo Pereira.

Razão tinha o inefável dirigente/empresário/proprietário/accionista em solicitar a pronta intervenção das instâncias reguladoras, uma vez que estas pareciam estar esquecidas das suas obrigações.

Agora que João Ferreira conseguiu ser a única pessoa no Municipal de Braga a "descobrir" um penálti no período de compensação, estou certo de que José Veiga não se irá coibir de criticar o juiz pelo... "off-side" milimétrico que ficou por assinalar no terceiro dos minhotos.

Só a mim é que ninguém me leva ao colo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Particulares

Os encontros de carácter particular disputados pela Selecção Nacional servem, aparentemente, para perceber quem não deve ir ao Mundial...

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Manobras da Televisão

Os desenvolvimentos da tecnologia resultam em que a televisão mostre coisas que nunca existiram ou nunca foram ditas. Imagine-se que a televisão mostrou:
O Co Adriaanse a dizer que se ia embora se visse lenços brancos, que toda a gente sabe que ele não disse.
O Luis Filipe Vieira a dizer que se não tivesse 300 mil sócios em Outubro se ia embora, quando ele era incapaz de fazer uma coisa dessas aos sócios do Benfica.
O Ricardo Rocha a abraçar o Gaucho dentro da área de uma maneira que não se via na luz entre dois homens desde que o capitão Calado saiu do clube, quando toda a gente sabe que o RRocha é um jogador muito correcto e nem gosta de homens.
O Fábio Felicio a pisar o João Moutinho e a rasteirar o Liedson pelas costas, quando foi o Sá Pinto que agrediu os jogadores da própria equipa.

E depois disto tudo querem fazer crer que só porque a televisão mostrou a bola do Leiria dentro da baliza do Sporting devia ter sido golo. Claro que não foi. Foi só mais uma manobra televisiva para prejudicar a imagem do Ricardo.

sábado, 5 de novembro de 2005

Toda a gente sabe que...

... só é golo quando a bola bate na rede!

Produto dos Media

O ano passado os jornalistas portugueses devem ter decidido inventar um jogador de futebol. Juntaram-se todos e decidiram que a partir desse altura em todos (ou quase todos) os jogos do Sporting de Braga iriam dizer que o melhor jogodor em campo seria o João Alves.

Só isso pode justificar que um jogador tão elogiado na época passada, não faça uma coisa certa este ano.O rapaz em 10 jogos (mais coisa menos coisa, embora a maioria não completos) e tudo o que fez foi um remate ao poste contra o halmstads. Desde aí é uma completa nulidade. Não faz um passe decente, um remate perigoso, não corta bolas a meio campo, nada.

Parece que os jornalistas impingiram ao Sporting um barrete (quem é o responsável por ter sido enfiado?) de 5 milhões de Euros (penso que seja este o valor).
Ontem Scolari convocou-o novamente para a selecção. Cada vez mais acho que tenho razão.

Os iluminados

A incompetência não tem, definitivamente, qualquer limite.

O senhor Augusto Duarte deu, em Alvalade, um importante contributo para a evolução da ciência, só ao alcance dos verdadeiros iluminados - não confundir com as alarvidades de Dan Brown.

Aos 30', com a indispensável colaboração de António Neiva, seu assistente, demonstrou como os 25 046 espectadores - aos quais há que acrescentar dezenas de jornalistas, "stewards", polícias, 36 jogadores, equipas técnicas e, provavelmente, o outro assistente, José Ramalho, que se encontrava a mais de 50 metros do lance - não percebiam nada disto: um guarda-redes, deitado, de costas, no fundo da sua baliza, defendeu sem que a bola ultrapassasse a linha de golo.

Haja democracia: aqueles dois "profissionais" do apito foram os únicos a achar que Renato não tinha marcado... logo... qual golo, qual carapuça!

Sempre fui um defensor da utilização de tecnologia capaz de auxiliar ao trabalho dos árbitros mas, hoje, confesso a inutilidade de tal medida: com gente desta, não há milagre que nos salve!

Como se tal não bastasse, Augusto Duarte converteu em asneira a esmagadora maioria das suas intervenções, sobretudo no que ao capítulo disciplinar diz respeito. A título de exemplo, diga-se que Fábio Felício foi poupado a uma expulsão que se impunha em... TRÊS ocasiões...

Assim, não há quem aguente...

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

E o prémio "Monty Python" da semana vai para...

Raul Meireles.
Pela sua hilariante prestação no segundo golo do Inter.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Admirável mundo novo

Sabendo que me afasto um bocado do futuro antecipado por Aldous Huxley, não posso deixar de registar - com algum agrado - a invulgar conjuntura que marca a actualidade do futebol português.

À passagem da nona jornada, o Sporting de Braga lidera o Campeonato com cinco pontos de vantagem sobre o FC Porto, segundo classificado - Benfica, em quarto, está a seis pontos e o Sporting, a nove, no grupo dos quintos colocados - e demonstra, com regularidade, ser a formação mais consistente em competição.

Como se tal não bastasse - note-se que não pretendo retirar qualquer mérito à equipa de Jesualdo Ferreira, apenas assinalar algo que, apesar de natural, dificilmente poderia ter ocorrido em anos recentes -, na última ronda, os minhotos sedimentaram a vantagem pontual enquanto os teóricos "grandes" empatavam, em encontros marcados por erros de arbitragem.

No FC Porto - Setúbal ficou por assinalar uma clara grande-penalidade sobre Jorginho, no Naval - Benfica o lance do golo dos anfitriões pecou por posição irregular - ainda que marginal - de Bruno Fogaça e, no Bessa, João Ferreira voltou a brindar o público com uma exibição ridícula.

Assim, e desde que os equívocos dos juízes se distribuam democraticamente entre os "grandes" e os "outros", podemos ter esperança de que se faça história na principal competição lusa.

Haja Fé, minhotos!

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Contribuição para uma boa causa

Segundo esta notícia do Jornal "A Bola", Bruno Alves e Ricardo Costa estão a renovar até 2010.
Pinto da Costa deverá publicar em breve, no site do clube, o NIB da conta para a qual deveremos fazer a nossa contribuição.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

A festa da Taça

Anderson Polga em mais um momento de rara inteligência (momentos aliás que tem sido muito frequentes nas últimas 2 épocas) conseguiu ser expulso em tempos de desconto num jogo contra uma equipa da segunda divisão, que estava a jogar com 10, num jogo em que o Sporting estava a ganhar por 2-0.

Obrigado Anderson!

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Brincar aos sumarissimos

Após 2 semanas a pensar, decidiram punir Petit com um jogo de suspensão.
O médio do benfica fica assim afastado do importante embate com o..... Leixões.
Nem vale a pena dizer mais nada.

Guerra por um lugar no Campeonato do Mundo

Interessante esta luta que os guarda redes do benfica estão a fazer por um lugar na selecção.

Primeiro foi Moreira, com uma (aparentemente) pequena lesão que o afastou do jogo do Dragão, cedendo a titularidade a Moreira.
A seguir responde Quim, magoando-se no jogo com o Villareal.
Mas Moreira responde rápido, e com uma lesão de 6 meses, entrega de mão beijada a titularidade a Quim, ficando com um pé na Alemanha.
Quim não desarma. E foi agora operado, parando 3 semanas. Parece insuficiente para perder a titualidade e dificilmente vai assegurar a presença no Mundial com esta lesão. Mas aguardam-se as cenas dos próximos capitulos....

sábado, 22 de outubro de 2005

refundar um CONCEITO ...

que grande azar ! ontem à tarde sem querer estava a ver a rtpn quando de repente ligam a alvalade (passo rapidamente os canais porque não queria perder pitada e vejo que não era o único a testemunhar - sic notícias também - o facto surreal que se seguiu e sobretudo a trágica reflexão que o meu mau feitio originou!)

bolas, pensei, estão tramados os leitores do "críticos da bola", como é que os vou convencer daquilo que parece ter sido encoberto até agora no scp, tem servido para encher tantas e tantas "bocas", incluindo neste blog, páginas de jornais e outros espaços de domínio público, e que está completamente errado ...

como é que eu os vou convencer que esta conferênca de imprensa (será?) teve o condão de por a nu algo que nunca foi falado a propósito dos "quadros" do clube das riscas ! sensacional a forma bem conseguida com que passaram a ideia de família, de pessoas humanas (todos pediram desculpas a todos e apelaram à compreensão de todos, que bonito, senti-me tocado, não queria dizer publicamente, mas fiquei lamechas, até me esqueci que os praticantes daquela modalidade mais violenta ainda fazem parte do plantel, uppss, tinha prometido não mais falar nisto mas puxam por mim ...no fundo, um evento que disfarçou o excesso de profissionalismo sempre evocado no scp (comunicado e por isso tornado verdade!) ... porque foi brilhante na forma como roçou o provincianismo (viram a excelência com que o actor principal simulou ter-se esquecido de avançar mais dois pormenores aos amigos jornalistas - um deles era só o novo ex director desportivo!)...

como é que eu os vou convencer que a "crème de la crème" dos gestores que passaram no scp não conseguiram até agora (como de resto nos outros clubes todos, com a diferença que sempre tiveram a fama de mafiosos - incluindo slb e fcp) impor um modelo que levasse ao saneamento, senão atentem no passivo do clube e na conta de exploração, onde claro está o primeiro tem sido uma vítima acumulada do segundo !)...

como é que eu os vou convencer numa atitude desesperada de sobriedade de que aquilo que se tem dito e escrito sobre a estrutura (então não é que uma das grandes mais valias passa a ser o miguel ribeiro telles estar disponível para ajudar! claro, dentro das limitações de tempo e profissionais - aqui na verdadeira acepção da palavra !)e sobre os gestores (então não é que numa atitude magnanime vão dar uma oportunidade ao "coitadinho" do paulo bento - até me fez pena!), não se enquadra na minha visão de profissionalismo (já sei que sou picuinhas, mas o mais recente exemplo também não me entra na cabeça - o número dois do "plantel" passa a assinar e a ostentar a braçadeira de número um !)


como é que eu os vou convencer de que nada do que se tem passado no scp (infelizmente para uns e felizmente para outros) corresponde aquilo que consta de um qualquer modesto manual de teoria organizacional: nem no que toca a pessoas nem no que toca a estrutura !


só eu sei porque que é que não os vou convencer de que podem estar a ficar presos na sua própria teia ...

o conceito está vendido, o equívoco está comprado, as bases são de areia ... profissionalismo !

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Dias da Cunha

Começo a ganhar o hábito de proceder aqui a sucessivas "despedidas".

Ao contrário do que alguns podem pensar, nunca tive qualquer espécie de relação pessoal com Dias da Cunha, pessoa com quem apenas mantive alguns contactos no exercício da minha actividade profissional.

Confesso, porém, que admiro as qualidades do agora ex-presidente do Sporting. Determinado na defesa dos seus princípios, intransigente - por vezes até demasiado - no sustentar das suas convicções, enfrentou com coragem notável desafios homéricos e, na maioria das vezes, soube encontrar forma de atingir os objectivos essenciais.

A construção do novo estádio, bem como da Academia Sporting, dotou o clube de infraestruturas de vanguarda, que se constituem como obra fundamental para o futuro dos leões. Fê-lo, com a colaboração de muitos outros, é certo, ultrapassando colossais dificuldades, mas dotou o emblema verde e branco de excelentes condições - de trabalho e evolução - apesar do difícil panorama financeiro.

"Herdeiro" dos valores preconizados pelo "projecto Roquette", procedeu ao saneamento financeiro do universo leonino e trabalhou para o equilíbrio, sempre com a perspectiva de devolver aos sócios aquilo que hoje depende da colaboração com os bancos.

Pelo caminho ficaram erros nos vários modelos de gestão que implantou na SAD, mas também alguns dos maiores sucessos desportivos das últimas décadas. Hoje apontam-se os equívocos e a responsabilidade no afastamento de Miguel Ribeiro Telles ou José Eduardo Bettencourt, mas já ninguém se lembra que foi Dias da Cunha quem os "recrutou" para o serviço do Sporting.

Não menos importante foi o combate travado pela regeneração do futebol português. Incansável na luta contra o edifício dos poderes estabelecidos, logrou provocar mudanças que muitos julgavam impossíveis. Mesmo se deixa a presidência sem ter alcançado todos os objectivos que, neste campo, estabeleceu, ficam as propostas concretas que apresentou para a reorganização das estruturas que regem o futebol profissional.

Naquele que deveria ser o ano de consagração do seu percurso como "comandante" da "nau" verde e branca, abrilhantado pelas comemorações do Centenário, Dias da Cunha renuncia ao cargo em litígio com uma franja de adeptos. Sairá sem o reconhecimento que, no meu entender, lhe seria devido, mas não tenho dúvidas que nesta, como em tantas outras ocasiões, a História se encarregará de lhe fazer merecida justiça.

Da mesma forma como aqui repugnei a forma como, em Alvalade, se abdicou dos serviços de Pedro Barbosa e Rui Jorge, sem que lhes fosse prestada a devida homenagem, chamo agora a atenção de todos aqueles que então apontaram o dedo ao presidente: não cometam o mesmo erro com quem, com dignidade e abnegação, serviu o vosso clube.

PS - Estará para breve o regresso de um dos "desejados".

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Sporting, que futuro?

O Sporting atravessa um momento decisivo e que concentra, nas próximas horas, o que bem poderá ser a definição da sua identidade para os próximos anos. Dias da Cunha convocou para quarta-feira uma reunião do plenário dos órgãos sociais, onde deverão ser discutidos alguns dos cenários adiantados aqui, altura em que se saberá ao certo qual o futuro da equipa técnica, do conselho de administração da SAD mas, sobretudo, da actual direcção.

Preferi escrever este post antes de qualquer mudança de fundo, por entender que importa esclarecer a minha opinião sobre a actual envolvente do universo leonino.

A primeira conclusão é simples: o modelo de SAD vigente falhou. Falharam as pessoas escolhidas para o interpretar mas, sobretudo, falhou a organização estrutural. O Sporting não soube sobreviver à saída de Carlos Freitas, como já não tinha conseguido ultrapassar o abandono de Ribeiro Telles e Bettencourt.

As causas da evolução deste processo são de ordem diversa, embora a responsabilidade tenha de recair, institucionalmente, sobre quem tinha a responsabilidade de decidir: o presidente.

É, porém, fundamental clarificar alguns aspectos.

Independentemente do que venha a ocorrer nos próximos dias, o consulado de Dias da Cunha foi extremamente bem sucedido, sobretudo naquilo que era vital para a sobrevivência do emblema verde e branco: liderando o processo de regeneração do futebol português - ainda em fase embrionária -, na sequência do trabalho desenvolvido por José Roquette, o actual presidente promoveu a reestruturação do clube, construiu infraestruturas essenciais ao futuro e garantiu o rumo do equilíbrio financeiro - imprescindível, depois das irresponsabilidades que marcaram o passado, em nome das mais diversas falácias.

Acredito firmemente que a atitude e a coragem demonstradas pelos dirigentes do Sporting contribuíram de forma decisiva para o futuro deste - e de outros - desporto em Portugal e a eles se deve, em grande medida, o inegável progresso registado nos últimos anos. Sem negligenciar os sucessos competitivos, estou convencido de que a solidificação da estrutura é a única garantia de que estes serão alcançados no futuro.

Se subscrevo na íntegra os passos dados na condução da estrutura financeira e empresarial do grupo Sporting, a gestão desportiva tem de ser analisada sob diferente prisma.

Desde 2000, independentemente dos títulos conquistados, é inegável que foram cometidos erros, alguns graves mas, fundamentalmente, desnecessários. Não partilho da tese que aponta para a necessidade do envolvimento do presidente no "mundo do futebol" - Ribeiro Telles e Bettencourt, hoje tidos como exemplos, também estavam longe de ser especialistas quando iniciaram funções - mas estou certo que a complementaridade de funções é imprescindível.

Os citados dirigentes desempenharam o seu papel de forma louvável, mas contavam com os conhecimentos de Carlos Freitas. Este, sozinho, continuou a executar com competência a sua função, mas não foi capaz de colmatar a lacuna provocada pela ausência de liderança efectiva na SAD.

Assim, importa agora tomar decisões para o futuro, tendo por base uma perspectiva global. O que se segue é, apenas e só, a minha opinião, que seria a mesma para qualquer outro dos ditos "grandes".

Parece-me que o mais importante é que os dirigentes e sócios do Sporting sejam capazes de encontrar uma alternativa sólida e eficaz para a gestão do futebol profissional, algo que pode ser alcançado sem demasiadas convulsões.

Estou certo que as tarefas devem ser entregues a quem tem habilitações para as desempenhar. Ou seja, acredito que Dias da Cunha e a sua equipa possuem condições ideais - como já demonstraram - para continuar a assegurar a condução do Grupo Sporting, sempre e quando seja possível encontrar o modelo de gestão desportiva adequado.

É de extrema relevância que o futebol seja liderado por alguém que compreenda o fenómeno desportivo nas suas diversas vertentes - independentemente de competências técnicas, que podem ser fornecidas por um elemento externo ao conselho de administração, tal como sucedia com Carlos Freitas.

Os erros acumulados na transição para a presente temporada são disso paradigma suficiente. Concordo - pelo menos parcialmente - com quem clama pela importância da emoção no quotidiano do clube. A paixão - seja pelo clube ou pelo desporto em si - é o motor de qualquer organização envolvida nesta actividade, mas também da própria equipa. Quem não o perceber, está longe de poder compreender um grupo de alta competição.

Por isso aqui considerei grave a forma como Pedro Barbosa ou Rui Jorge foram tratados - a exemplo do que ocorreu no passado com outros atletas de referência -, mas também por isso seria dramático que o mesmo tratamento fosse agora dedicado a Dias da Cunha. A História se encarregará, contudo, de fazer justiça a todos eles.

Uma última palavra para a actual administração da SAD. Pedi tempo para Paulo de Andrade, por não acreditar nem num D. Sebastião de ocasião, nem na crucificação de alguém como único responsável por todos os males. Achei que era preciso conceder margem suficiente para que ficasse clara a capacidade dos actores para desempenhar os papéis atribuídos.

Agora, está demonstrado que se tratou de um erro de "casting". Para Rui Meireles o balanço terá se ser diferente, uma vez que liberto das responsabilidades no âmbito do futebol, para as quais também não parece estar talhado, terá de regressar às suas funções de origem, no exercício das quais tem merecido elogios, oriundos de diversos sectores, internos e externos ao universo empresarial.

Em suma, Dias da Cunha não pode ficar isento da responsabilidade do recente fracasso, pois foi ele quem concebeu o modelo de SAD que o provocou - como também não lhe pode ser retirado o devido mérito pelos êxitos do passado. Em jeito de balanço, torna-se agora necessário ponderar qual o rumo a seguir, de forma a que seja possível encontrar uma solução eficiente para a gestão desportiva.

Por tudo aquilo que procurei explicar, continuo a acreditar que essa alternativa é viável sob a alçada da actual direcção. Caberá aos dirigentes do Sporting e, em última instância, aos seus sócios, essa decisão.

Uma lição de VIDA

Numa altura em que tantos roçam a histeria por causa de resultados desportivos circunstanciais ou triviais problemas quotidianos, tropeço naquilo que realmente importa.

Para quem de perto viveu a recente tragédia a que me refiro, este será um momento de dor, mas para todos nós, que de longe assistimos com pesar, o exemplo de Daniela tem de ser uma lição de VIDA.

Daniela viverá para sempre no coração dos que lhe eram próximos - aqui ficam os meus sentidos pêsames -, mas todos os que, como eu, não tiveram o privilégio de a conhecer, excepção feita a alguns posts escritos no Futebol de Ataque, têm a obrigação de crescer com tamanha demonstração de coragem, amor à vida e, neste caso, ao desporto.

Leiam e pensem bem no que é realmente importante.

Pela minha parte, um sincero Obrigado.

Que todos saibam viver assim...

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

os "gatekeepers" da informação

ora tomam lá e embrulhem ! a culpa é toda vossa ! vocês comunicação social ! essa quadrilha !

eu já desconfiava que os casos estranhos que se tem passado no futebol português não podiam ter soluções tão simples como as apontadas nos posts "tristezas não pagam divídas" e "de pernas para o ar" e depois de mais uns dias de "black out" verde e de "black in" azul percebi que os erros são dos média ...

mas é tão grave que eu próprio e cada um de nós se deve sentir completamente enganado ... então não é que das duas uma, ou foram feitas montagens com as declarações de jacob e o próprio tem razões para apresentar queixa em tribunal contra a comunicação social ... ou o tradutor da peça pensou que ele estava a falar holandês (e era inglês!) e vai poder ser processado (que falta de profissionalismo!) ...

bom mas o caso não fica por aqui ... depois da conferência de imprensa dada após o final do fcp-slb ficámos com a sensação de que a culpa era dos jornalistas que nos tinham aldrabado, mas vai daí, tanto a sic como a tvi voltaram a passar a peça mais antiga (sim a dos lenços brancos!) e o telespectador mais fluente em inglês pode testemunhar que aquilo que tinha sido gravado parecia desmentir o que o mesmo tinha dito mais recentemente ... no seguimento disto os órgãos de comunicação social vão por sua vez e conjuntamente processar a empresa que forneceu os microfones e os respectivos sistemas de gravação audio (brilhante!)... e já agora por pouco mais dinheiro (advogados, etc ...) estão também a estudar a possibilidade de processar a empresa que fornece as câmaras e os sistemas de captação vídeo (registam a cor azul quando na realidade é encarnado - incrível!)

mas este lobby fortíssimo que é a comunicação social faz chegar o seu poder a todos os campos no sentido literal da palavra ... então não é que conseguiram virar o roberto contra o custódio com clara influência no resultado do último domingo, disse o segundo para o primeiro (enganaram-se aqueles que pensavam que eles não se falavam!) em jeito de vingânça: não admira que me tenha parado o cérebro com o selo que me deste ... agora corre tu atrás desse dr. "brasuca" (deve ser estudante de erasmus !) e vê se evitas o pior (peço desculpa mas ele terá pensado: o melhor, a saída do josé - coincidências !)

ponham-se a pau patrões da comunicação social porque o poder está a mudar de mãos ... que o digam o jacob e o antónio que têm manipulado como querem e melhor do que ninguém estão a passar a pressão ... eles são muito inteligentes na forma como o fazem e estabelecem o agenda setting ("toma lá" para não dizerem que não domino o "mettier") !


sejam bem vindos estes dois novos grupos de comunicação social e como em casa de ferreiro o espeto é de pau ...

domingo, 16 de outubro de 2005

A Amélia e o craque

O Benfica bateu o FC Porto em pleno Estádio do Dragão - de forma justíssima, diga-se - e fico tentado a mais uma exibição da minha evidente modéstia: às vezes, isto de ter razão cansa (estou a brincar, claro... ou talvez não...).

Mesmo se, numa análise global, os encarnados foram indiscutivelmente superiores, a verdade é que o resultado final fica inevitavelmente ligado à prestação de dois jogadores: Nuno Gomes e Ricardo Costa.

Se o primeiro voltou a demonstrar que, em boas condições físicas, é um elemento incontornável neste Benfica, como o seria, certamente, em qualquer equipa portuguesa - Selecção Nacional incluída -, o segundo insistiu em comprovar uma irresistível tendência para decidir jogos de futebol: tem um papel determinante no primeiro tento do camisola 21 e, não contente com isso, fornece a assistência para o segundo.

Confesso, contudo, que fiquei algo surpreendido com o evoluir do encontro. Depois de ver os azuis e brancos frente ao Belenenses - e a primeira parte ante o Artmedia -, entendi que o potencial ofensivo demonstrado poderia ser suficiente, a prazo, para colmatar as lacunas defensivas. Sem querer fazer deste tema o foco deste post - ou dos comentários -, acredito que, excepção feita ao sector recuado, a esmagadora maioria das alternativas ao dispor de Co Adriaanse - Raul Meireles, Ibson, Lucho, Quaresma, Alan, Diego, Lisandro, McCarthy ou Hugo Almeida - teria lugar cativo no onze de qualquer dos adversários directos - sabendo, porém, que estas generalizações são difíceis e sujeitas às necessidades específicas de cada plantel.

Pelo contrário, Ronald Koeman reagiu com inteligência às previsíveis dificuldades: sem descurar a vertente ofensiva, os laterais souberam evitar os lances de 1 para 1, promovendo a contenção até à chegada de auxílio - pelo menos até à entrada de Quaresma - enquanto Petit voltou a ser um gigante - este será, provavelmente, o pior trocadilho que já fiz - na batalha pelo controlo do meio-campo. Sem capacidade de progressão vertical e impedidos de subir em apoio, os dragões perdiam a posse de bola entre linhas e, com o tempo, perderam disponibilidade física e mental no momento da transição defensiva. Assim, o ilusório impasse do primeiro tempo resultou no efectivo domínio na etapa complementar, por parte dos encarnados, capitalizado pela classe de Nuno Gomes. Fundamental na vitória das "águias" foi também a colaboração de Nélson e Karyaka: caso para acrescentar, em mais um ataque de modéstia, "não digam que não avisei..."

Uma palavra final para as opções de Co Adriaanse: sem querer retirar qualquer mérito aos homens da Luz, é difícil de compreender como, tendo em conta as recentes exibições, o holandês preferiu deixar Quaresma no banco de suplentes. E, já agora, alguém podia fornecer ao técnico azul e branco as gravações dos encontros de Sub-21 e da Selecção Olímpica em que Bruno Alves e Ricardo Costa partilharam funções no eixo da defesa... Talvez percebesse alguma coisa...

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

um criativo chamado ...

ele há coisas do arco da velha ! os media endoideceram e desataram a desrespeitar o periodo de silêncio ("black out") estabelecido pelo clube de alvalade ... então não é que o telejornal da rtp dá a notícia que o pugilista (peço desculpa e não é ao custódio ... quero dizer o ex actual futuro jogador) do scp quer sair do clube em dezembro, e até aqui tudo bem, até me parece coerente o facto de querer ir para um campeonato onde são necessários os seus mais recentes e bem demonstrados dotes, quanto mais não seja para enfrentar os adeptos turcos (que o diga o mário jardel ... a propósito lembram-se dele)...

o que é mais complicado perceber é que no mesmo dia o record diz que os jogadores não vão sofrer nenhuma sanção disciplinar e que ambos vão alinhar frente aos estudantes, e que ambos estão empenhados em ganhar jogos e as competições que estão em disputa ...

ora bem ... decidam-se porque na minha modesta opinião assim ninguém vai conseguir trabalhar ! o jogador que hoje é dado como quase certo no besiktas já esteve por diversas ocasiões de saída do clube (esteve quase no madrid), o jogador em causa já esteve quase para ser capitão do clube (o número de jogos até aqui disputados com a bracadeira permite esta má lingua !), o jogador em causa, dizem (e agora é que é a sério) as más linguas, não é compatível com o treinador josé (o primeiro quer ganhar e é um excelente profissional), o jogador em causa até contratou os adeptos (pura especulação) para baterem nos jornalistas esperando com isso que de uma vez por todas o treinador fosse posto na rua (enganou-se!), o jogador em causa foi e está a ser vitíma da política de dispensas da época anterior (o custódio é o braço armado do GARP ... no plantel)!!!


mas mais do que isso, nenhuma destas informações tem fonte revelada ... dei-me ao trabalho de consultar os sites da bola, do record, do jogo, da lusa, do scp, e do besiktas (http://www.bjk.com/), claro está que este último foi lido em turco ! ... e nenhuma destas fontes se refere ao episódio ...


vou processar esta gente toda ... isto é uma cabála ... contra um grande jogador, com espiríto de liderança (os meios justificam os fins) e muito injustiçado quanto a não chamadas à selecção ...


uns são mediáticos outros não ... uns tem os media a favor os outros não ...


isto não fica assim !!! garanto-vos ...


eu abaixo assinado
roberto luis gaspar de deus severo


p.s.: GARP "stands for" grupo de amigos do rui e do pedro, quer dizer, do jorge e do barbosa ...

Obrigado RTP Memória

Pela terceira noite consecutiva adormeci a ver o Benfica perder...

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Beto Vs Custódio

Acho díficil criticar a atitude do capitão leonino. Afinal no dia anterior ele esteve meia hora reunido com as claques. Estavam à espera que ele a seguir fizesse o quê? Beijinhos, não?

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Irreal... Surreal... Ou talvez não...

Legitimamente solidário com seu pai, que acabava de ser reconduzido na presidência do município de Gondomar, João Loureiro não escondeu a satisfação que lhe invadia a alma.

Em directo para as televisões, o ex-BAN garantiu que se tratava de uma vitória da política sobre a justiça...

Palavras para quê?

PS - No seu discurso final, Manuel Maria Carrilho confessou um profundo temor pelo futuro de Lisboa. Percebeu-se a modéstia: o professor não imagina como poderá o Mundo sobreviver sem a sua sábia orientação. Aliás, o grau de humildade e elegância na hora da derrota inaugurou novos padrões.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

Corrigir injustiças

Muitas têm sido as críticas dirigidas a Paulo de Andrade, administrador-executivo da Sporting, SAD. Mesmo eu, num momento de rara falta de lucidez, cheguei a juntar a minha voz à daqueles que condenaram a atitude deste responsável no final da partida frente ao Paços de Ferreira.

Nada poderia ser mais injusto. Afinal, numa rara demonstração de altruísmo, Paulo de Andrade sacrificou a sua imagem em prol do bem comum. Ao abandonar o grupo de trabalho à sua sorte, o administrador-executivo atingiu o objectivo pretendido: unir o plantel em torno do seu treinador.

Não é todos os dias que se assiste a tamanha exibição de coragem e solidariedade, naquele que foi um brilhante exemplo de gestão de recursos humanos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

de pernas para o ar ...

que grande confusão, a que se instalou no reino do leão ! pois bem aquilo que ainda não se disse e que neste momento baralha o presidente do conselho directivo foi onde é que ele errou (isto mesmo estará o próprio a pensar !)

é no mínimo estranho que a cadeia de administrador da sad tenha tantos picos (quantos já lá passaram nos últimos anos)... já sei que o argumento é que se torna muito difícil alguém que consiga blindar o balneário (qual ferreiro !), que consiga aguentar o cheiro a suor ! que consiga aguentar tantos vai levar no c... e vai para o c ....!

mas o problema não me parece ser esse (até me querem fazer querer, a mim e a todos os pobres de espírito que isso em futebol - peço desculpa em alta competição - é normal, e nunca o contrário, ou seja o reflexo de algo que está mal - má gestão, más opções, falta de coerência, mas prometo não mais bater nesta tecla ...)...


o problema é muito mais grave como dão a entender os bons artigos de opinião publicados nos diferentes jornais desportivos e blog`s (tinha que mandar este bitaite) e que vão desde o mais especulativo (nomes de sucessores de josé) até ao mais misterioso (problema de âmbito muito maior - a sad, a estrutura, as condições psico-sociológicas, o país)...


pois é, josé reforçou os seus poderes no final da época passada, pôde mandar embora alguns jogadores e contratar outros e numa clara presença de espírito dizer que com estas características (leia-se grupo de trabalho) o futebol tinha que ser mais directo, ou seja, demonstra que fez uma leitura, estudou e foi profissional... teve confiança, assumiu responsabilidades e agora ninguém lhe diz nada ... quer dizer os rapazes da sad não se dignaram a entrar no mal cheiroso balneário do clube visitante da capital do móvel !!!


este processo está errado desde o início porque se quis seguir a máxima futebolística, e não de gestão, que a equipa se começa a construir de baixo para cima (uuupppsss que me enganei de trás para a frente, ou não, outra vez, da defesa para o ataque !!!)


exmo sr. presidente do conselho directivo pense bem, quer dizer utilize esse tempo mágico chamado "black out" (porque o último já foi a algum tempo) e aceite a modesta visão de que só existem duas hipóteses (claro que não vou ser evidente !), ou o josé assume o enorme poder que tem na estrutura (e que já exerce na prática desde o final da época passada) e ocupa o lugar (formal) do paulo ou do rui (até pode escolher !) e fica a faltar apenas contratar um treinador !, ou "at last but not the least", substitui a adimistração da sad (mantém o treinador, obviamente ...) e como o processo está invertido ... depois, fica apenas a faltar, substituir-se !


P.S.: corolário: não se pode fazer de forma brilhante (tiro-lhe o chapéu !) a defesa do treinador e com isso não passar cartão às estruturas intermédias - o paulo e o rui também são gente, e digo eu, foram escolhidos por si, sr. dr., se não ... ?

terça-feira, 4 de outubro de 2005

It's SAD... so SAD...

Fiz aqui a defesa da estrutura que gere o futebol leonino, da mesma forma que defendi os treinadores de Sporting e Benfica. Acredito que se devem evitar os juízos precipitados sobre o exercício de qualquer função, em qualquer actividade, principalmente quando quem a exerce necessita de um óbvio período de adaptação

Fico, por vezes, chocado com o maniqueísmo que impera em muitas das opiniões expressas nos vários meios de comunicação, pois entendo que raras são as vezes em que, na vida, a responsabilidade cabe exclusivamente a uma pessoa ou a uma entidade.

Não acredito no extremar de posições, na divinização de personagens nem em figuras demoníacas. Creio, contudo, que a crítica é legítima e deve ser exercida de forma responsável, quando a realidade o justifica.

Assim, importa actualizar a minha opinião sobre a acção da SAD leonina, principalmente no momento difícil que a vida desportiva e social do emblema verde e branco atravessa.

A inexistência de uma figura próxima do plantel, capaz de assumir a defesa do grupo e do seu técnico, fundamentalmente na hora das derrotas, foi a lacuna fundamental que muitos identificaram na gestão de Carlos Freitas, enquanto Director-geral para o futebol verde e branco. Foi com esse argumento que, após a sua saída, Paulo de Andrade foi incumbido de desempenhar esse papel. O agora administrador-executivo fez questão de vincar a importância da função, deixando no ar a crítica implícita ao desempenho do antigo gestor de activos.

À passagem da sexta jornada do Campeonato, porém, foi (com Rui Meireles) protagonista de um episódio - que, aliás, não é único - capaz de provocar a indignação de técnicos e jogadores. Em Paços de Ferreira, na altura em que o grupo de trabalho mais precisava da presença, da confiança e do incentivo da estrutura, este foi abandonado.

Até agora, desde a vitória frente ao Setúbal, em Alvalade, não se ouviu ao administrador-executivo uma palavra de confiança relativamente ao técnico, nem muito menos uma posição definida sobre a realidade da equipa de futebol. A postura passa, indiscutivelmente, por palavras ambíguas e desresponsabilização.

A verdade é que o único elemento do Sporting Clube de Portugal que assumiu responsabilidade, capacidade de decisão, uma postura clara - em suma, deu a cara - foi... o presidente. Dias da Cunha defendeu José Peseiro, não apenas como treinador em quem confia, mas como homem que lhe merece respeito e consideração.

Esta é uma realidade que deverá ter consequências a curto prazo. Para quem, insistentemente, me pergunta "o que está mal em Alvalade" - que, à sexta jornada, nem sequer justificará a onda de contestação vigente, provocada, no meu entender, por interesses diversos -, este post poderá ser um princípio de resposta...

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

As opções do leão

Escrevi aqui que a partida de Paços de Ferreira seria decisiva para aferir da utilidade de José Peseiro no comando técnico do Sporting e, independentemente da maioria das opiniões expressas nas últimas horas, quer na imprensa, quer na blogosfera, as conclusões não são lineares.

Era fundamental perceber se os jogadores leoninos estavam dispostos a lutar pelo seu líder e, apesar da pesada derrota sofrida, a resposta dada pelo plantel foi francamente positiva.

Imaginem qual seria o estado de espírito daqueles atletas ao intervalo, a perder por 2-0, com golos encaixados em circunstâncias especialmente cruéis. Seria fácil, sobretudo para os "descontentes", para aqueles que "não respeitam" o treinador, fazer uma segunda parte "tranquila", sabendo que isso significaria a despedida do técnico. Ora, em vez disso, os onze elementos que subiram ao relvado da Mata Real para a etapa complementar lutaram desesperadamente para conquistar um momento de felicidade que lhes permitisse regressar à discussão da contenda. Foram profissionais, dignos e... leais a José Peseiro. Ouçam, ou leiam, com atenção as palavras proferidas por Ricardo após o apito final, através das quais professou a defesa do grupo e do... técnico. O Sporting pode ter perdido três pontos, mas pode ter ganho uma equipa

Não quero com isto dizer que a margem de manobra seja vasta, muito pelo contrário, o treinador verde e branco está numa situação extremamente difícil, sendo vários os argumentos que apontam para o seu afastamento.

Importa, porém, reflectir sobre as opções disponíveis.

Os efeitos da tão famosa "chicotada psicológica" são, na sua maioria, nefastos, sendo uma solução que se aplica apenas a grupos cujos objectivos são já inalcançáveis e/ou a equipas cujo divórcio com o treinador seja irreversível, ao ponto de qualquer evolução positiva se tornar impossível. Nestes casos, a reconstrução das relações psico-sociais e a requalificação do espaço individual pode fornecer uma "injecção" artificial de motivação, útil a quem, por exemplo, tem poucas jornadas para evitar a despromoção.

À sexta jornada, com apenas dois pontos de atraso em relação ao líder, o leão tem contrato com um treinador que ajudou a construir este plantel e que, desde que seja capaz de devolver estabilidade à equipa, tem condições para potenciar as qualidades dos atletas disponíveis. Um eventual substituto teria de passar por um período de adaptação - tal como a equipa -, sendo provável que a medida resultasse no abdicar consciente de qualquer possibilidade de conquistar títulos no ano do centenário do vosso clube.

Assim, a escolha terá de ser feita entre manter a aposta em alguém que, no seu melhor, pode conduzir este conjunto a um nível superior e uma alternativa de recurso - provavelmente, também de transição - a eleger entre o reduzido número de opções disponíveis - leia-se acessíveis.

Quando o lote de alternativas se reduz a... José Couceiro (ou a outro como ele)...

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

tristezas não pagam divídas

agora sim, começa a ficar interessante o futebol do cá nosso burgo, perdão os bastidores dessa enorme indústria nacional ...

quanto não pagaria o sr. feliz (josé) para estar na pele do sr. contente (jacob) .. ele há coisas do arco da velha então não é que o sr. contente se dá ao luxo de pedir aos adeptos para mostrarem lenços brancos porque assim que o fizeram ele bate com a porta ... e ao invés o sr. feliz (que até já pode mudar de indústria e por exemplo exercer actividade na área financeira, numa leasing, locadora, factoring, banco, etc ... uma vez que todas elas também têm crédito) tudo tem feito para não o mandarem embora, ou seja, um quer sair e o outro quer entrar respectivamente em cada uma das SAD`s ...

um, o sr. feliz mente aos media e diz que a sua equipa fez sempre um grande jogo e que vai decidir aquilo que for melhor para o grupo, o outro, o sr. contente, mente à equipa e diz que o futebol de ataque é que permite ganhar jogos (com muitos golos, por exemplo 2-3) ...


um tem excelentes intérpretes da modalidade e faz com que eles circulem a bola, o outro tem bons guias intérpretes para as diferentes linguagens utilizadas pelo plantel !

um faz uma gestão do plantel em termos de recursos humanos e diferencia claramente os vários sectores (claro que não repararam bem, o quaresma não estava a jogar a defesa central no golo dos eslovacos), o outro faz uma gestão diferenciada dos recursos humanos, formando nos treinos dois grupos de atletas: os que o mandam levar no c... e os que o mandam para o c...., com a diferença de que relativamente aos primeiros ele entra no dia a seguir junto com eles no treino e pede para da próxima porem vaselina, não os convoca e é aplicada multa, e relativamente aos segundos é aplicada multa e são titulares ... parece democrática e coerente esta gestão do plantel diferenciada, desta forma o jogador só tem que escolher o que quer dizer (uma vez que o sotaque é sempre o mesmo) e em função disso pagar a respectiva multa e esperar a sanção disciplinar correspondente (é brilhante e é o futuro da gestão previsional de recursos humanos !)


o panorama socio-futebolístico (para não dizerem que não uso termos provincianos inventados pela indústria) faz-me lembrar uma rábula dum antigo programa de tv:

"...sr. contente, sr. contente, diga à gente como vai esse país ..."

José Peseiro

Imagino que, para muitos dos habituais frequentadores deste blog, este seja o post que, secretamente, desejavam que eu escrevesse. Vários, senão todos, estarão convencidos de que sou um acérrimo defensor de José Peseiro, pese embora, por diversas vezes, tenha tentado explicar o contrário.

Tenho-me por um defensor do bom-senso e, de uma forma genérica, dos treinadores, habitualmente incompreendidos na sua missão. Se, no caso de Fernando Santos, Manuel José ou Quinito, a postura como líderes de um clube com ambições é sobejamente conhecida, permitindo aferir da sua utilidade ao serviço de um grande, numa determinada conjuntura, os técnicos em ascensão - podemos incluir aqui homens como José Peseiro, Vítor Pontes, Carlos Carvalhal, Carlos Brito ou, até, Manuel Machado - merecem, no meu entender, que lhes seja atribuído o benefício da dúvida, pelo menos até que seja possível retirar conclusões sobre a forma de trabalhar de cada um, ou seja, das suas características.

Sou da opinião - e mantenho-a - de que Peseiro tem sido criticado injustamente ou, sobretudo, pelas razões erradas. Ontem, assumiu responsabilidade pelo desastre, embora acredite que esta tem de ser partilhada com os jogadores - muitos aparentaram desejar estar bem longe dali - e com todos aqueles que, desprovidos de motivo, vaiaram a equipa e o seu treinador durante o confronto com o Vitória de Setúbal, numa atitude que transmitiu à equipa uma incompreensível dose de ansiedade.

Há, porém, uma plêiade de motivos para questionar o papel do técnico no arranque da presente temporada. Afirmei, neste espaço, em inúmeras ocasiões, que considerava como positiva a época transacta e que só a perspectiva de evolução - ou não - poderia conceder aos críticos informação suficiente para uma opinião devidamente fundamentada.

Tal como fundamentei aqui, deveria bastar ao leão uma clara preocupação em erradicar os defeitos identificados ao longo da pretérita temporada, complementada pelo esforço de assegurar a progressão das inegáveis qualidades evidenciadas. Aliás, como José Peseiro sustentou numa entrevista que nos concedeu, o fundamental passaria pela manutenção da identidade criada, "temperada" por uma maior solidez nos processos defensivos, de acordo com a margem de progressão que o próprio técnico reclamava para a sua equipa.

Pelo contrário, depois de falhar o acesso à Liga dos Campeões, esta equipa técnica afastou-se do caminho até então trilhado, enveredando por uma estratégia alternativa - sedimentada num 4-3-3 - que privilegiava os movimentos de penetração pelas alas e o alargar da frente de ataque.

O que tinha sido aventado como mera solução de recurso, para ultrapassar as dificuldades sentidas frente a adversários "fechados" junto da sua baliza, foi conquistando espaço como modelo prioritário, em detrimento das reconhecidas vantagens do sistema anterior.

No meu entender, José Peseiro sacrificou a identidade do "seu" Sporting a uma ilusão de pragmatismo, na esperança de conseguir chegar ao golo - e aos pontos - com menor envolvimento colectivo: isto é, tal como o Benfica campeão, marcar sem construir.

A decisão, mais ou menos consciente, fê-lo refém da desejada eficácia e, sobretudo, dos resultados. Se, no passado, o seu "crédito" não dependia exclusivamente do desfecho das partidas - a criação de um modelo de jogo, o espectáculo atractivo e a promoção da imagem do clube enquanto paradigma do futebol atacante garantiam-lhe margem de manobra -, este novo rumo concede-lhe um estatuto semelhante ao de Fernando Santos: ou seja, a sua utilidade é aferida na exclusiva medida dos resultados, no curto prazo.

Agora, em circunstâncias difíceis, a partida de Paços de Ferreira será decisiva para determinar o futuro do técnico. Mais do que uma eventual decisão da SAD relativamente à sua continuidade, em causa está um factor fundamental: na capital do móvel ficará claro até que ponto os jogadores estão dispostos a defender o seu líder. Uma exibição ao nível da protagonizada ontem, em Alvalade, será a garantia de que nada mais José Peseiro terá a dar a este Sporting.

PS - Sabendo que é na hora da derrota que se revela o carácter de um homem, ontem, mais do que nunca, exigia-se uma postura diferente por parte de alguns responsáveis leoninos. Se, ao intervalo, se impunha uma atitude - que não podia partir exclusivamente do treinador - junto do balneário, no final da partida era necessária uma decisão sólida e concertada: a manutenção de José Peseiro no comando técnico obrigava a uma inequívoca manifestação de solidariedade e confiança, ausente das declarações de Rui Meireles e, sobretudo, de Paulo de Andrade. Independentemente do desfecho deste processo, não poderão fugir às suas responsabilidades.

Peseiro é melhor que o "Bet and Win"

Ontem com um investimento de apenas 15 Euros, ganhei 160. Foi fantástico!

Senão vejamos. O ano passado gastei (se não estou em erro):
Rapid - 15 Euros
Panionos - 20 Euros
Sochaux - 20 Euros
Feyenord - 20 Euros
Boro - 20 Euros
Newcastle - 20 Euros
Az- 25 Euros
CSKA - 35 Euros
Total: 175 Euros

Esta época, gastei apenas 15, pois o jogo com a Udinese foi a borla.
Esta época o Sporting está-se a revelar um grande investimento.


P.S. Eu sei que culpar unicamente Peseiro do descalabro de ontem é um exagero, mas é obviamente um dos maiores culpados

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

O preço da braçadeira

A escola de formação dos dragões é há muito conhecida como uma verdadeira fábrica de defesas-centrais, tradição materializada nos inúmeros atletas de enorme qualidade que saíram da "cantera" do FC Porto - de Lima Pereira a Fernando Couto, de Jorge Costa a Ricardo Carvalho, entre muitos outros.

Infelizmente, como noutras actividades, nem sempre a qualidade do produto fabricado corresponde aos requisitos impostos ao fabricante. Como tantas vezes sucede nesta economia de mercado, a deficiente produção é muitas vezes escamoteada com acções de marketing, "opinion-making" e promoção diversa.

Existe, na actual formação azul e branca, um paradigma desta distorção capitalista.

Não me entendam mal: das equipas da Liga portuguesa, o FC Porto é, de longe, a que mais me impressionou, quer pela diversidade de soluções de enorme qualidade, quer pela intensidade da sua fase ofensiva.

Tem, porém, claras dificuldades na organização do processo defensivo, agravadas pelas soluções individuais no quarteto que compõe o sector recuado.

Órfão de laterais de raiz, Adriaanse recorreu a adaptações para as alas, mas é, sobretudo, no eixo que encontra obstáculos ao sucesso. A utilização de César Peixoto ou Bosingwa, elementos de características muito ofensivas, exige uma sólida dupla de centrais - e, já agora, um médio capaz de efectuar as indispensáveis compensações, inexistente desde que o holandês abdicou de Raul Meireles.

Há vários anos que, constantemente, me tentam "vender" o novo Fernando Couto, aquele que será, também, o sucessor de Jorge Costa na liderança do balneário. Com pouco mais de vinte anos, já foi seleccionador nacional de Sub-21, já orientou a turma das Quinas nuns Jogos Olímpicos e, hoje, enverga a braçadeira dos campeões mundiais. O futuro, garantem-me, chama-se Ricardo Costa.

Ora, como há também quem diga que, no futebol, o que hoje é verdade amanhã poderá ser mentira, vou tentar simplificar: esta mentira continuará a ser, amanhã ou depois, uma mentira.

Bem sei que fala tanto como Jorge Costa e que bate tanto como Fernando Couto, mas nunca terá qualidade para chegar aos calcanhares de qualquer um dos seus antecessores.

Vejo, em Ricardo Costa, arrogância, prepotência e incapacidade para assumir responsabilidades, predicados esses que não convivem amiúde com os verdadeiros líderes.

Vejo, em Ricardo Costa, deficiências no posicionamento, falta de velocidade para as corrigir e dificuldades em lidar com a pressão, faculdades que não habitam nos centrais de classe.

Vejo, em Ricardo Costa, a braçadeira de capitão do FC Porto, enquanto o seu legítimo dono - que é, ainda, sem sombra de dúvidas, o melhor dos cinco centrais do plantel - "apodrece", por decisão do técnico, nos balneários do Dragão.

Confesso que a postura e a filosofia de Co Adriaanse me agradam - não me estou a referir à disciplina -, mas esta é uma opção que não consigo entender. Pelo caminho, vão ficando os pontos que o líder pré-fabricado distribui com generosidade...

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

o indomável ...

back in action bem podia ser o título deste post ... mas decidi não perder mais tempo e acertar contas com o insurdecedor silêncio das teclas ("que perro está isto!)deste maldito pc (afinal desde nove de fevereiro de dois mil e cinco que não vinha a esta antena!!!)...

também me podia fazer rogado e dizer que volto a pedido de várias famílias (ou pseudo ou seja lá o que forem) ... agradeço e aconselho todos os leitores que chegaram até aqui a não continuarem a ler porque vou ser chato (estratégia contrária ao suspense escrito por dan brown ou apresentado no programa televisivo - fiel ou infiel)...

numa atitude enganosa para uns e cobarde para outros confesso que me enganei acerca do que poderia ser um blog (tenho a única atenuante de ninguém ter até hoje conseguido definir tal espaço ... pelo menos de forma inequívoca!) e muito especificamente sobre este em concreto !

pensei que poderia ser um espaço de fanáticos onde quem entra a escrever ou a comentar pudesse ser radical e singular ... mas ao invés começa a ser plural, onde existe uma diversidade de cores clubísticas representadas ... e preenchido de visionários ... cada tiro cada melro .. desde as contratações até ao clube que vai ser campeão .. passando pelos métodos de cada treinador, até ao julgamento de cada falta, de cada lançe, e até no estabelecimento do percurso e da carreira de um qualquer desgraçado jogador de bola ... enfim, um espaço onde só falta jogarmos, porque acertavam de certeza, no euro milhões !


"quem" tem pretensões de preencher ou ocupar espaço público devia ter preocupações éticas e não devia poder mandar o treinador ... peço desculpa ... o companheiro de equipa levar no c......., que é como quem diz segmentar e desprezar uma grande parte dos leitores ...


mas pior ainda, estou tão ressabiado (claro que foi pelo slb ter sido campeão)que utilizando esse estilo especulativo tão em voga e depois de ter feito uma análise de conteúdo aos 202 posts e respectivos contraditórios (que ideia mais atrasada mental!) cheguei à conclusão que uma parte substancial deles deviam pagar imposto para ajudar o país a sair da crise (qual - a de sempre?)... isto porque ou são racionais ou são objectivos ou conseguem advinhar o futuro !!! esta tendência (a "direcção" dos comentários ao longo do tempo também pode ser medida e até lhe podemos chamar econometria aplicada ao espaço público, ou seja, neste caso, ao blog ! uff, que fino, que erudito, que isto está ! devia ser proibido escrever estes termos num blog de bola...!) parece clara e difícil de contrariar (até pode ser uma desculpa para as teclas deste pc estarem a precisar de "óleo")

no entanto temos que reconhecer que é o que vende e é o que o tal segmento que infelizmente me parece ser só um (de dimensão a apurar, isto é, a direcção dos comentários que lhes interessa ler) procura (170 leitores por dia)! os media são assim ! depois do infotainment em TV la información vasura en el BLOG ...

moral da história: erámos um grupo só malucos ... pá ! era eu, era ó ..., o ....!

e agora sou só eu !

O novo Sporting

Bem sei que, em plena jornada europeia, esta não será a melhor altura mas, tendo em conta que me não foi possível ver o jogo do Benfica em Manchester e que estou de folga, aproveito para fazer a há muito prometida análise ao plantel leonino, o único dos grandes ainda em falta.

Remetendo, uma vez mais, para aqui as anteriores apreciações individuais, passamos à acção. Lamento não ter podido, como desejava, publicar este post antes do dérbi da terceira jornada, já que, inevitavelmente, haverá aqui uma disparidade na observação, agora mais influenciada pelas prestações recentes dos leões.

Apesar da manutenção da equipa técnica, este é, efectivamente, um novo Sporting. O ataque apoiado e a circulação de bola deram lugar a um estilo mais directo, fruto das alterações a que o plantel foi sujeito.

DEFESA

O "progresso" na composição do grupo afectou o sector mas, ao contrário do que alguns chegaram a pensar, não haverá diferenças de monta em relação à versão anterior. Se os centrais disponíveis continuam a oferecer garantias de qualidade, é nas faixas laterais que podem surgir algumas contrariedades. Rogério tem evidenciado uma forma deficiente, quando comparada com a da temporada transacta e Edson, para já, não tem qualquer influência no futebol verde e branco. Mais alto que o seu antecessor, o brasileiro não é mais rápido e, sobretudo, não defende. Não quero com isto dizer que não tenha qualidades - espantoso pontapé e capacidades técnicas apreciáveis, mas torna-se evidente porque, em Leiria, se adaptou um extremo a lateral - Alhandra - para que Edson actuasse no meio-campo.

Tonel - A sua contratação acabou por ser uma surpresa mas o bom nível evidenciado nos últimos encontros enquadra-se nas minhas expectativas. Trata-se de um central com escola de "grande" - FC Porto e uma preciosa ajuda da convivência com Mitchell Van der Gaag - e prolongada trajectória nas selecções nacionais. Forte na marcação e no jogo aéreo, tem beneficiado da qualidade do conjunto para elevar a fasquia das suas prestações. Será, ao longo da época, uma alternativa valida para a titularidade.

Semedo - Ganhou a corrida pelo posto de "quarto central" a Miguel Veloso graças a uma enorme capacidade de trabalho e à disponibilidade física e anímica que todos lhe reconhecem. Limitado no capítulo técnico, é um poço de força. Deverá cumprir nas - poucas - ocasiões em que for utilizado.

MEIO-CAMPO

Zona nevrálgica de qualquer formação com orientação ofensiva, foi, também, "coração" e "cérebro" da equipa leonina na época transacta. Agora, objecto de uma profunda "revolução", apresenta características e intérpretes diversos, que lhe concedem diferente "frequência cardíaca". Luís Loureiro surge como uma inédita alternativa a Custódio, enquanto João Alves tem a responsabilidade de devolver ao conjunto a criatividade que as "baixas" do defeso lhe retiraram. A verdade é que, ao contrário do que sucedeu no passado, em que o 4-1-3-2 era o sistema incontestado, José Peseiro recorreu ao 4-3-3, fruto das mais recentes opções para as alas, no ataque, mas também das características dos médios disponíveis: enquanto, em 2004/05, eram entre 6 e 8 os elementos que contribuíam activamente para a circulação em apoio, a versão 2005/06 do leão conta apenas com três atletas vocacionados para o fazer - João Alves, João Moutinho e Carlos Martins. Assim, inevitavelmente, a "filosofia" e os processos são hoje diferentes: construção mais vertical da manobra ofensiva, na tentativa de potenciar as qualidades físicas dos homens da frente, aproveitando os espaços concedidos.

Luís Loureiro - Acompanho há algum tempo a sua carreira e, confesso, estou longe de ser um admirador das qualidades de um jogador que oferece, contudo, pela primeira vez em duas épocas, uma alternativa a Custódio no posto de médio-defensivo. A importante presença física - 1, 88m - era um dos requisitos impostos pelo técnico, mas a falta de velocidade - de deslocamento e, pelo menos para já, de processos - joga contra o - esporádico - internacional português. Resta saber se, face às superiores exigências competitivas, será capaz de elevar as suas capacidades ao nível das expectativas de quem o contratou.

João Alves - Não é, nem virá a ser, um fora-de-série, mas as suas características eram necessárias a este grupo. Médio completo e inteligente na forma de abordar o jogo, possui capacidades técnicas e tácticas que lhe serão úteis na convivência com João Moutinho e/ou Carlos Martins. Acrescenta volume de jogo e qualidade na posse de bola, mesmo se, no plano físico, fica aquém de muitos adversários. Pode constituir-se ainda como um factor a ter em conta no momento do remate.

ATAQUE

O sector ofensivo de uma das equipas que, na pretérita temporada, mais golos marcou no futebol europeu foi, paradoxalmente, o que mais se reforçou para a presente campanha. Se Wender foi o primeiro desejo expresso pelo técnico, a chegada de Deivid representa um forte investimento - sobretudo nos tempos que correm - da SAD leonina. Certo é que, de momento, José Peseiro conta com mais alternativas para a frente de ataque e, pela primeira vez desde que aportou em Alvalade, com alternativas para as alas.

Wender - A sua contratação obedece a uma estratégia que me ultrapassa - jogadores experientes, com perto de 30 anos, que possam render no curto prazo para, depois, dar lugar aos jovens... por um milhão de euros... - mas foi sempre o eleito do técnico para dotar o plantel de um esquerdino que pudesse, em alternativa, ocupar o corredor, quer em 4-1-3-2, quer em 4-3-3. Sendo um atleta evoluído no plano técnico e dotado de razoável velocidade, Wenderson Said - é mesmo o nome do homem -, o "melhor extremo da SuperLiga" em 2004/05, chega a Alvalade numa fase adiantada da sua carreira e afigura-se-me como pouco provável que possa, agora, descobrir no seu futebol a intensidade indispensável a quem precisa de lutar para vencer todas as partidas que disputa.

Deivid - Desde Mário Jardel que, em Alvalade, nenhuma contratação gerava tanta expectativa no seio da cúpula dirigente. O avançado brasileiro que fez dupla com Robinho no Santos veio com o rótulo de craque mas as suas primeiras exibições de leão ao peito revelaram alguma inadaptação ao futebol europeu e... ao seu posicionamento no terreno. Com o passar do tempo - sobretudo depois do golo apontado na Choupana - a confiança aumentou e aparece, agora, mais agressivo, sendo possível reconhecer os traços do jogador que, no Brasil, tão boa impressão me tinha causado. As alterações tácticas obrigam-no a deambular pela frente de ataque e a explorar os flancos, mas é na zona de finalização que se sente mais à vontade. Será, desde que bem aproveitado, uma indiscutível mais-valia para o Sporting e para o Campeonato.

CONCLUSÃO

Termino da mesma forma que comecei: este é um Sporting manifestamente diferente. Melhor? No aspecto técnico, certamente que não.

As partidas de Rui Jorge, Pedro Barbosa, Hugo Viana ou Rochemback podem não constituir, individualmente, baixas irreparáveis, mas a verdade é que, ao perder cinco elementos que personificavam a tal "identidade" tão vincada, que o próprio repetidamente referiu, José Peseiro "condenou" a sua equipa a uma metamorfose kafkiana. Não faço aqui a defesa de quem saiu, nem muito menos apelo ao saudosismo: em causa não estão os jogadores que deixaram Alvalade, mas sim as suas características.

Dirá o técnico, com razão, que o grupo possui agora atletas com diferentes capacidades, sobretudo no plano físico, que lhe permitirão colmatar lacunas identificadas ao longo da época transacta.

Peseiro persegue hoje o "graal" cuja natureza esquiva impediu uma temporada de glória - a eficácia - e a ela vincula o seu futuro. Não mais Alvalade verá o espectáculo intermitente do futebol elaborado, que lhe concedeu a margem de manobra que a impaciência dos adeptos e a intolerância da crítica insistem em negar-lhe, ficando apenas por saber se esta abordagem "pragmática" pode, mesmo sem pinceladas de brilhantismo, alcançar o sucesso.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Assobios

Faltavam cerca de 10 minutos para o final do Sporting - Vitória de Setúbal quando, perante a entrada de Beto para o lugar de Liedson, as bancadas de Alvalade irromperam numa salva de assobios, complementada pelo coro dedicado ao técnico leonino: "Palhaço! Palhaço!"

Sendo certo que a formação verde e branca não realizou uma grande exibição - está, aliás, a tornar-se um hábito -, o desenrolar do confronto fica marcado por uma série de factores que importa analisar.

Em superioridade numérica e em vantagem no marcador, José Peseiro optou por, aos 55', prescindir de Luís Loureiro, chamando Wender, na tentativa de actuar com dois extremos de raiz. O Sporting passava a actuar apenas com dois médios que eram, no momento, mais que suficientes perante a disposição táctica do adversário. Com Deivid mais próximo de Liedson, na área sadina, esperava-se que as alas fossem capazes de municiar a zona de finalização, mas a inoperância de Wender no flanco esquerdo impediu o sucesso do estratagema.

Confrontado com a opção do seu oponente, Norton de Matos reagiu, e bem, alterando o modelo da sua equipa: a entrada de Heitor dotou o Vitória de um ponta-de-lança, apoiado de perto por Sougou enquanto, alguns minutos depois, Binho era chamado para servir de pivot na saída para o contra-ataque.

As consequências da acção táctica do técnico visitante fizeram-se sentir no relvado e o Sporting perdeu o controlo das operações: o equilíbrio do sector intermédio desapareceu e, a poucos minutos do final, José Peseiro tomou a decisão que se impunha: sacrificou um inexistente Liedson para devolver um cabeça-de-área. Beto passou a actuar ao lado de Tonel e Polga subiu para o posto anteriormente ocupado por Luís Loureiro.

A verdade é que a substituição foi corajosa, pois a reacção da bancada era previsível, mas tratava-se da única decisão racional a tomar.

A tolerância é cada vez menor? Certamente. Até porque, ao contrário do que sucedia na temporada transacta, a contestação começou a surgir... depois do primeiro quarto de hora de jogo.

Este post não é uma defesa intransigente do treinador do Sporting, mas sim uma manifestação de surpresa: se, no passado, Peseiro foi acusado de algum "quixotismo", é agora insultado por preferir equilibrar a equipa, na tentativa de assegurar o tão desejado "pragmatismo".

PS - Há defeitos congénitos na formação leonina, cuja margem de progressão me parece, actualmente, limitada. Mas esse será um tema para outras conversas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Parabéns Pauleta

Correndo o risco de parecer um qualquer árbitro da Liga portuguesa, assumo que este post foi "a pedido" - ver comentários ao post anterior.

Pauleta marcou dois golos ao Lille. Não se procupem, porém, os admiradores do "Açor". Beto, em seu tempo, também marcou dois golos ao Sporting num jogo contra o rival Benfica e nem por isso deixou de ser um grande defesa-central.

Assim, o futuro de Pauleta continua a ser auspicioso e, em comparação com o 22 dos leões, continua em vantagem: depois de ter conquistado o troféu de melhor central do Euro' 2004, tem fortes possibilidades de ir mais longe e arrebatar o galardão equivalente no Mundial do próximo ano. O capitão verde e branco, esse, nem deve lá estar.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Loureiro e as faltas inteligentes...

Eu sei que parece embirração (e é) com o novo trinco do Sporting, mas este rapaz veio esta semana gabar-se que se tinha cartões amarelos em todos os jogos era porque fazia faltas muito inteligentes a parar os contra-ataques adversários.
Ora ontem levou o quarto cartão (em quatro jogos). E parou um contra-ataque? Não. O que é que ele fez? Fez uma falta estúpida que deu origem ao 1ºgolo do Nacional.

Descubra as diferenças...

O Sporting voltou a perder na Choupana, deitando por terra a possibilidade de ascender ao comando do Campeonato. Onde é que já vi isto?

Sendo verdade que o desfecho do embate é em tudo semelhante ao sucedido na temporada transacta, as causas afiguram-se-me como diversas.

Privilegiando o 4-3-3 em detrimento do habitual 4-1-3-2 - tal como em Halmstad -, a formação leonina exibiu uma postura mais pragmática e cautelosa, assentando a manobra ofensiva em acentuadas precauções posicionais, na tentativa de negar o contra-ataque aos insulares.

Legítima, a disposição verde e branca foi menos ambiciosa, mas compreensível... até ao golo de Deivid. Com vantagem no marcador, o leão deu a conhecer o lado negativo da sua nova fase.

Onde existia uma equipa capaz de gerir a posse de bola e os tempos de jogo - pese embora, por vezes, pecasse por excesso de entusiasmo, para quem considere essa característica um pecado -, surge agora um conjunto impreciso no momento do passe e incompetente na circulação do esférico.

Onde pontificava a agressividade nas primeiras linhas de pressão, activas na recuperação da bola, aparece agora uma equipa apostada na organização defensiva, recuada sobre o próprio meio-campo.

Mais extraordinário ainda, de um leão que vivia e morria com o ataque planeado, nasceu um felino dedicado à progressão vertical, sustentada num jogo directo.

Ganharam os críticos, perdeu o futebol e, a meu ver, o Sporting.

O confronto realizado no Estádio Eng. Rui Alves - qualquer das expressões que compõem o nome do recinto provocam riso histérico - acarreta ainda algumas notas de destaque:

- Este é o Deivid que vi jogar no Brasil;

- Miguelito deve perguntar-se todos os dias porque raio não joga num grande;

- Nélson fez uma defesa do outro mundo, para regressar à banalidade do seu na segunda metade;

- Alexandre Goulart e Jorge Luiz são a mesma pessoa, o que só acrescenta ao seu mérito, pois jogar dois dias seguidos, frente a FC Porto e Sporting, não é para todos. Talvez por isso, ontem, preferia o pé esquerdo e, hoje, praticamente só usou o direito.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Chamem-lhe Amélia...

À quarta jornada, o Benfica conquistou o primeiro triunfo do Campeonato, face a uma muito frágil União de Leiria. A goleada construiu-se com quatro tentos, feito que merece destaque por, até ao encontro de ontem, os encarnados apenas contabilizarem um único sucesso ofensivo, fruto do livre apontado por Simão, em Alvalade.

O triunfo do emblema da águia foi justo e natural, mas assentou, sobretudo, na capacidade de concretização de um dos mais injustiçados jogadores do seu plantel. A "Amélia", o "Quase-golos", ontem, valeu um hat trick e devolveu, por si só, a tranquilidade às bancadas de uma ansiosa Luz.

Nuno Gomes é, no meu entender, o melhor ponta-de-lança português e, mais do que qualquer outro, tem sido o melhor elemento do Benfica em acção ofensiva neste início de temporada. É fácil esquecer os mais de 60 golos que marcou nos três primeiros anos de águia ao peito, como será engraçado, ao longo desta semana, verificar quantos vão redescobrir a sua admiração pelo camisola 21...

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Constatação Curiosa

É engraçado verificar que o Benfica tem mais equipas atrás dele na Liga dos Campeões do que na Super Liga Betandwin.

UEFA

Ao segundo dia em Halmstad, apercebo-me de duas realidades indiscutíveis:

- a Taca UEFA não interessa mesmo a ninguém;

- é óbvio porque a Suécia tem a maior taxa de suicídios da União Europeia.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Criativo

A atender pelo que se tem passado nos últimos jogos parece que afinal o Benfica já lá tinha o "criativo" que tanto andaram à procura

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Mensagem perdida

O "Criticos da Bola" recebeu esta mensagem por engano e não entendeu muito bem o significado.

"Dank u Jaime. Achting. RK"

Digestão do derby

Os momentos a seguir a estes jogos são sempre muito difíceis para os adeptos da equipa que perde. É muito complicado aceitar a derrota e procura-se sempre encontrar uma justificação para o sucedido, normalmente atacando-se o árbitro.
Mas este deve ter sido pior do que o costume para os adeptos do Benfica, deve ser especialmente lixado perder levando um golo do Loureiro....

domingo, 11 de setembro de 2005

Mais que três pontos

O Sporting venceu o dérbi de ontem que, como muitos fizeram questão de frisar, valeu bem mais que três pontos.

Em jogo estava, como sempre, uma rivalidade ancestral, que eleva a fasquia do confronto ao nível dos grandes "clássicos" do futebol mundial, mas também a primeira oportunidade de aferir da relação de forças entre dois dos principais candidatos ao título.

O desenrolar da partida permite, porém, um conjunto de conclusões que poderão estender a sua influência bem para além desta terceira jornada.

Os leões garantiram a totalidade dos pontos em disputa na presente edição do Campeonato, beneficiando de um grau de felicidade que lhes foi negado na pretérita temporada, mas conquistaram ainda benefícios que transcendem o imediato: na exibição de Tonel, o emblema verde e branco ganhou a tranquilidade de um central que, nos próximos tempos, em virtude da lesão de Beto, está "condenado" à titularidade.

A qualidade e, sobretudo, a serenidade da exibição do ex-dragão vêm mitigar a lacuna que a fissura no perónio do capitão poderia provocar.

Na perspectiva encarnada, um eventual desaire teria sempre como consequência um enorme grau de intranquilidade, já que o desperdiçar de oito dos primeiros nove pontos da competição - principalmente quando os mais directos rivais contam por vitórias todas as partidas - acarreta sempre um grau de pressão adicional para quem tem a obrigação de defender o título.

Infelizmente para os apaniguados do emblema da águia, a derrota em Alvalade encerra episódios de outra natureza: o técnico assumiu riscos que, mais do que o rendimento pontual do colectivo, afectam a identidade do grupo.

Enquanto, no Sporting, José Peseiro privilegiou a estrutura do seu plantel, apostando num onze que traduzia o trabalho desenvolvido nos últimos meses - o mesmo 4-1-3-2 adaptado que constitui aposta desde o início da época -, Ronald Koeman voltou a surpreender na escolha da sua formação.

Faço, aqui, um pequeno hiato para esclarecer algo que a generalidade dos analistas teima em não perceber: os leões mantêm o 4-1-3-2 que lhes serviu de base no último ano, embora seja possível observar que o comportamento da equipa se altera em função da transição ofensiva. Ou seja, a estrutura continua a ser a mesma - quatro defesas, um médio defensivo, uma linha de três centro-campistas e dois avançados - embora, depois da recuperação de bola, se possa desdobrar num 4-3-3, com total mobilidade para os homens da frente: Douala, Deivid e Liedson.

Assim, é totalmente absurdo que praticamente todos os órgãos de informação tenham apontado para a titularidade de Wender: nunca foi, sequer, equacionada. O 4-3-3 de base não será a solução, apenas a alternativa.

No que ao jogo diz respeito, parece-me que o resultado acaba por se ajustar àquilo que os contendores produziram (com o já referido grau de felicidade a favorecer os leões), pese embora o facto de nenhum dos dois ter logrado realizar grande exibição.

Importa, contudo, analisar a forma como o Benfica abordou o encontro. O técnico holandês voltou a insistir em três centrais, entregando os flancos a João Pereira e Nélson - as indicações sucederam-se durante a semana mas, confesso, não acreditava muito nesta opção - mas as surpresas estavam guardadas para outros sectores: no meio-campo, Karagounis foi titular e, na frente de ataque, Miccoli surgiu como (falso) ponta-de-lança - relegando Nuno Gomes para o banco - enquanto Carlitos garantia um lugar no onze à custa de Geovanni.

Independentemente de questionáveis do ponto de vista táctico, as escolhas de Ronald Koeman suscitam sérias dúvidas no que à gestão do plantel diz respeito.

Se, no caso de Miccoli, que trabalhou durante toda a semana com o grupo, existe alguma margem de manobra, a verdade é que as entradas de Karagounis e Carlitos são incompreensíveis e, do meu ponto de vista, graves.

Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador sem qualquer regularidade competitiva conquiste a titularidade num dérbi depois de participar num único treino?! Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador, cuja contribuição para a conquista do título foi praticamente nula e que, há poucos dias, era dado como excedentário, seja subitamente promovido a titular num confronto desta dimensão?!

Sou, como os mais assíduos saberão, defensor do trabalho prévio, realizado durante a semana, razão pela qual não valorizo muito as intervenções dos treinadores durante o jogo - o mais importante é, na minha óptica, o "plano A" -, mas não consigo disfarçar a minha surpresa perante algumas alterações promovidas pelo técnico encarnado: se a entrada de Nuno Gomes, ao intervalo, para o lugar de João Pereira, era previsível antes do apito inicial, a inclusão de Alcides numa altura em que o Benfica perdia por 2-1 deixou-me perplexo... Nem um eventual reequilíbrio do sector recuado, já conseguido com a entrada de Beto, justificaria a opção. O homem está muito "à frente"...

Em suma, creio que a vitória sorriu à equipa mais compacta, que dispôs das melhores - e em maior número - oportunidades. O Sporting chegou à vantagem quando ainda existia igualdade numérica, tendo sofrido o golo do empate num lance fortuito. Penso, porém, que o encontro foi condicionado pela expulsão de Ricardo Rocha. Sabendo já que os árbitros e a generalidade dos comentadores concordam com a decisão de Paulo Costa, à luz das mais recentes instruções da FIFA, confesso que a sanção me parece exagerada, sobretudo se tivermos em conta a forma leal como os atletas estavam a actuar até então.

Reconheço a intenção louvável das novas indicações mas, não tendo havido intenção de atentar contra a integridade física do adversário, afigura-se-me como excessiva a decisão de privar o espectáculo de um dos seus intervenientes.

PS - A resposta de José Veiga às declarações de Walter Marques, presidente do Conselho Fiscal dos encarnados, provocam-me uma estranha sensação de "déja vu". As palavras são graves e prometem sérios desenvolvimentos num futuro próximo...

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Amanhã há derby




FORÇA SPORTING !!!!!

Fantasy League - Criticos da Bola

Para fazer concorrências as diveras ligas organizadas da Liga Record.

Podem aceder aqui à competição.

E o código da liga é
2358-1618

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

O novo Benfica

Como queria despachar esta história antes do dérbi, para evitar a influência sobrevalorizada que as prestações individuais sempre têm neste tipo de confrontos, aqui vai a análise encarnada. No que à apreciação individual diz respeito, limitar-me-ei aos recém chegados, remetendo para aqui os interessados em "conhecer" os restantes elementos do plantel.

As primeiras exibições do Benfica de Ronald Koeman têm sido algo incaracterísticas, consequência, a meu ver, inevitável, tendo em conta as diferenças "filosóficas" que separam o holandês do seu antecessor transalpino.

Não é impunemente - como, aliás, aqui pretendi frisar a quando da sua contratação - que se opta por um técnico tendo como critério exclusivo a dimensão da sua reputação. As diferentes formas de estruturar o jogo preconizadas por Camacho, Trapattoni ou Koeman obrigam a apurada sistematização, sendo necessário tempo para que este pobre grupo assimile mais uma mudança radical. Pela terceira vez em pouco mais de três anos, o plantel do Benfica tem de reaprender a jogar futebol.

DEFESA

Tratando-se de um dos mais equilibrados sectores do plantel que conquistou o título, temo que a versão 2005/06 venha a encontrar algumas dificuldades para manter os padrões de qualidade. Entre os postes, a gestão deverá ser o único problema, uma vez que Quim e Moreira oferecem garantias suficientes para todas as competições em que as águias estão envolvidas, conclusão extensível ao eixo da defesa, onde Luisão, Ricardo Rocha e Andersson - mais que Alcides - asseguram qualidade e complementaridade.
Realço aqui um aspecto que me parece importante: independentemente do valor do recém-chegado brasileiro, convém não subestimar a influência das características psicológicas do central português na intensidade do colectivo.
As dúvidas surgem apenas nas laterais: estou - há muito - convencido que Nélson tem tudo para ser um dos melhores laterais portugueses mas, por enquanto, está longe de ser Miguel, enquanto, no lado esquerdo, permaneço céptico no que à utilidade de Léo diz respeito.
Excepção feita aos centrais, a envergadura física é um problema.

Nélson - Sou, há muito, um admirador das qualidades deste jovem atleta. A sua versatilidade permite-lhe actuar em qualquer dos flancos - embora prefira vê-lo na direita. Rápido, possante e dotado no aspecto técnico, tem tudo para se impor de imediato numa equipa onde os padrões de exigência são elevados para os estreantes.

Léo - Foi "vendido" como internacional brasileiro mas, tal como a tantos outros, esse é um estatuto que só com muito boa vontade lhe pode ser atribuído. Não deverá constar do generoso lote de opções para a sua posição no "escrete" e, no Benfica, vai encontrar na sua baixa estatura um problema crónico, até porque a envergadura física do onze terá de ser uma preocupação de Koeman, tendo em conta as características dos restantes elementos do plantel. Note-se que não quero com isto dizer que não se trata de um bom jogador, apenas pretendo "avisar" aqueles que esperam que o lateral-esquerdo "faça a diferença". É rápido e evoluído tecnicamente.

MEIO-CAMPO

Vamos resolver, de uma vez por todas, uma questão que já me enerva. Desde Valdo e Rui Costa que os encarnados convivem com um fantasma: não há quem não garanta que o Benfica precisa de um "camisola 10". Não há pachorra! Alguém é capaz de me dizer que equipa, no "mundo ocidental", utiliza um elemento nessas funções?! E, já agora, quantos jogadores com essas características existem no mundo?! Assim de repente, só me lembro de três, e desses, só um exerce a missão com regularidade.
Aquilo de que o Benfica precisa, neste sector, é de alguém que contribua para a gestão da manobra ofensiva e aumente a qualidade da circulação de bola. Karagounis pode vir a ser uma solução para este problema, bem como Karyaka.

Karyaka - Sei que os apaniguados do emblema da águia não estão encantados com o russo, mas continuo convencido da sua qualidade. Não será, certamente, um fora-de-série, mas acredito que possui características que podem vir a ser muito úteis ao colectivo. Em 4-3-3, com um "triângulo" aberto, pode preencher o vértice esquerdo com um lote completo de soluções: qualidade de passe e ocupação do espaço ao centro ou preenchimento do corredor, em função das movimentações de Simão. Ao lado de Manuel Fernandes, ou mesmo de Karagounis, numa versão mais arrojada, oferece outra dimensão a uma tentativa de implementar um estilo de ataque continuado numa equipa há muito habituada a soluções mais directas.

Karagounis - Uma versão semelhante à anterior, onde ponderação e subtileza são substituídas por velocidade e determinação. Não sendo o "camisola 10" que tantos reclamavam, poderá vir a desempenhar uma tarefa fundamental na reconstrução do meio-campo encarnado. Muito forte na transição defensiva, o sector necessitava de alguém que, além de criar linhas de passe, alternasse o transporte de bola - opção primeira de Nuno Assis - com uma circulação eficaz, sem nunca descurar a segunda linha de pressão no momento da recuperação. A minha única dúvida está relacionada com o errático ritmo de utilização de que dispôs nas últimas temporadas.

ATAQUE

Mesmo evitando a piada fácil dos pontas-de-lança que não chegaram, é impossível fugir a uma realidade: a manifesta insuficiência das opções disponíveis para a função. Uma equipa que se prepara para disputar três competições de enorme exigência - Liga dos Campeões incluída - não pode depender apenas de dois elementos, sobretudo quando estes apresentam um preocupante historial clínico. Ainda assim, caso se mantenha saudável, acredito que Nuno Gomes poderá beneficiar muito da filosofia de jogo que Koeman pretende implantar.
Se, no eixo do sector, a escassez de soluções é um problema evidente, as alas mantêm um elevadíssimo padrão de qualidade, sendo obrigatório constatar o acréscimo provocado pela chegada de Miccoli.

Miccoli - Desde que empenhado nesta sua aventura por terras lusas, o italiano constitui uma inegável mais-valia. Pode actuar em qualquer posição na frente de ataque e tem uma natural empatia com as balizas adversárias. Longe de ser um jogador capaz de imprimir permanente intensidade, parece esperar pela ocasião ideal para "explodir": em poucos metros - e menos segundos - é capaz de conquistar o espaço necessário para fazer a diferença.

CONCLUSÃO

Apesar de manter inalterada grande parte da estrutura que lhe garantiu o título, será necessário aguardar algum tempo para aferir o real valor desta equipa. As novas ideias trazidas por Ronald Koeman necessitam de "sedimentação" mas, tudo indica, o holandês dispõe de um grupo mais equilibrado do que aquele que o seu antecessor orientou. Miccoli é um reforço de qualidade superior, mas a chegada de Nélson, Beto, Karyaka ou Karagounis não serão menos importantes, pois oferecem soluções diversas e complementares. Resta saber até quando a saúde de Nuno Gomes e Mantorras poderá aguentar. Uma última reserva: serão muitas as ocasiões em que o Benfica se apresentará com um onze de baixa estatura, o que lhe poderá valer alguns dissabores, principalmente em lances de bola parada.

PS - Peço desculpa pelo aparecimento tardio deste "post-scriptum" - cerca de 24 horas depois da publicação do post - mas vem colmatar um lapso imperdoável: a abortada transferência de Simão.

Independentemente de o negócio ter sido, numa determinada altura, dado por concluido - por 15 milhões de euros -, cenário que só a pressão de certos grupos veio alterar, parece-me que a permanência do camisola 20 é um indiscutível benefício para os encarnados.

Vender Simão por 3 milhões de contos seria um bom negócio, mas a relação custo/benefício levantava sérios problemas. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, à época da sua transferência para Manchester, ou mesmo de Rochemback ou Rui Costa, Simão é a principal referência deste Benfica. Além de ser o melhor elemento do plantel e a fundamental fonte de desequilíbrios ofensivos, é um símbolo cuja substituição seria praticamente impossível.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Só mais um

A Selecção Nacional está a apenas um ponto da qualificação para o Mundial da Alemanha.

Num mundo ideal, a nação portuguesa estaria envergonhadamente agradecida ao guarda-redes suplente do Sporting Clube de Portugal...

PS - Força Eusébio. Se aguentares mais noventa minutos o recorde estará seguro!

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Inquérito "Criticos da Bola"

Ao que parece Beto, Edson e Custódio não vão recuperar para o derby. Deste modo, Tonel, Tello e Luis Loureiro vão ser titulares. Pelo (pouco) que vi do Sporting esta época, esta situação deixou-me a pensar na seguinte questão:

A que minuto será expulso Loureiro no próximo sábado?

Eu aposto no min. 41.

domingo, 4 de setembro de 2005

QUO VADIS?

(e não vale responder: "bem obrigadinho"...)

Tenho assistido, nos últimos tempos, a um fenómeno curioso que, confesso, me provoca alguma perplexidade.

Alvo de cerradas críticas na Comunicação Social, na blogosfera e nas bancadas de Alvalade, Ricardo foi entusiasticamente apoiado pelos adeptos da Selecção Nacional, quer nos trabalhos de preparação, quer no encontro frente ao Luxemburgo.

Ao que parece, o incentivo resultou.

Pelo contrário, para os lados do Campo Grande, o camisola 76 transformou-se na razão de todos os males e já não há quem não louve as "inúmeras" qualidades de Nélson...

Assim sendo, não posso deixar de me questionar: quem beneficia com os assobios e os apupos?

Qual será, afinal, a cor clubística de quem tanto critica o guardião leonino?

Saberão quem são? Quem apoiam? Para onde vão?

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

O novo FC Porto

Chegou a altura de cumprir o prometido. Encerrado que está o período de transferências, regresso à análise dos plantéis dos três "grandes".

Para evitar conteúdos redundantes, limitarei a abordagem individual aos elementos que não constam do post de Junho.

A chegada de Co Adriaanse provocou uma pequena revolução no seio do dragão, fruto de uma nova abordagem aos princípios de jogo e de rígidos critérios disciplinares. O cunho da mudança fica bem expresso em algumas opções, das quais o afastamento de Jorge Costa e a tentativa de "domesticar" Ricardo Quaresma são paradigma.

DEFESA

Parece-me ser este o sector em que o FC Porto evidencia maiores debilidades. Na lateral direita, o desconhecido Sonkaya não apresentou ainda credenciais que lhe garantam o estatuto de indiscutível mas a presença de Bosingwa poderá conferir estabilidade ao flanco, bem como ajudar o jovem polivalente a encontrar, definitivamente, uma função específica. O principal problema, quanto a mim, estará no eixo, uma vez que dificilmente uma dupla formada por Pedro Emanuel e Ricardo Costa pode ser vista como complementar. Pepe, o único central rápido no grupo azul e branco, peca ainda por enorme imaturidade, pese embora possuir características que lhe poderiam conceder outra projecção. A incógnita paira sobre o lado esquerdo, onde o adaptado César Peixoto tem dado boa conta de si.

Fatih Sonkaya - Pouco ou nada conheço do percurso deste possante lateral e, tendo em conta aquilo que já foi possível observar, confesso que não fiquei muito impressionado. Terá, neste início de época, o benefício da dúvida.

Marek Cech - Aqui sou obrigado a confessar a minha ignorância. Fica apenas uma vaga impressão de um jogo da selecção de Sub-21, mas só o tempo me permitirá formar uma opinião.

MEIO-CAMPO

Se, no que aos nomes diz respeito, não se registam grandes novidades em relação à referida análise anterior, a verdade é que o técnico holandês promoveu mudanças estruturais importantes. Raul Meireles - para meu contentamento - tem sido uma forte aposta para o posto mais recuado enquanto Lucho González vai confirmando tudo o que dele se esperava. Esgotada que parece estar a ideia peregrina de transformar Postiga num organizador de jogo, Diego regressou ao comando de um sector que promete solidez e versatilidade.

ATAQUE

As saídas suplantaram em larga medida as entradas, mas ninguém poderá dizer que o ataque portista carece de opções. Jorginho tem sido utilizado nas alas, confirmando sempre o valor que há muito alguns lhe reconhecem, enquanto Lizandro López vai "conquistando" o lugar de Derlei, no terreno e no coração dos adeptos. O grau de motivação de McCarthy pode, porém, ser determinante para a capacidade de concretização de uma equipa na qual, para já, Ricardo Quaresma parece talhado a desempenhar um papel secundário.

CONCLUSÃO

Parece-me pacífico afirmar que o FC Porto parte mais forte para esta nova temporada. O plantel azul e branco é mais coeso e equilibrado do que na época transacta e os reajustes efectuados permitiram a chegada de atletas de indiscutível qualidade. Se Co Adriaanse conquistar a dedicação e a lealdade do grupo, serão fortíssimos.