sábado, 17 de dezembro de 2005

Batalha Naval

O Sporting conquistou três pontos na Figueira da Foz e, se alguma conclusão é possível retirar do triunfo leonino, esta será que, das várias qualidades necessárias para atingir os objectivos traçados, a formação leonina apenas domina uma: vencer sem jogar bem.

Não deixa de ser sintomático que, ante um dos mais frágeis conjuntos da Liga, persista a incapacidade para dominar os acontecimentos através da gestão da posse de bola, carecendo ainda de volume ofensivo que possa garantir qualquer espécie de tranquilidade.

Perguntavam-me, num comentário a um post no Sector, quais as razões para as insuficiências da produção verde e branca e, no meu entender, a partida de hoje é suficientemente reveladora.

Para entender o que se passa é necessário assumir que o fundamental se centra nas acções do colectivo, independentemente de estas dependerem, em larga medida, das características individuais.

Este Sporting revela enormes dificuldades na recuperação da bola no meio-campo adversário, lacuna que não pode ser dissociada da irregularidade evidenciada quando em posse da bola.

Para fugir às frase feitas e à utilização de termos pseudo-técnicos, permitam-me só um esclarecimento que, apesar de óbvio, ajuda ao enquadramento adequado.

Utilizam-se com frequência as expressões "transição ofensiva" e "transição defensiva", termos em voga graças à evolução académica do estudo da modalidade e que, além de representarem a evidência, traduzem a alteração de mentalidades na orientação técnica do futebol. Não se trata aqui apenas da recuperação no terreno depois de uma perda de bola nem do antigo e bem conhecido "sair a jogar". No futebol actual, o momento decisivo é, frequentemente, o que coexiste com a mudança da posse de bola. Ou seja, a atitude do atleta tem de mudar instantaneamente, aliás, antecipadamente. O posicionamento de um atacante - ou seja, qualquer dos onze jogadores cuja equipa detém a bola - tem de ter em conta a necessidade de passar para uma atitude defensiva ainda antes de um "turnover", assim como, no instante da recuperação, este tem de adaptar a sua movimentação e postura à necessidade de aproveitamento dos espaços. Este é um processo colectivo que, como qualquer outro, tem de ser mecanizado.

Só assim, cumprindo ambas as missões, é possível actuar no meio-campo adversário.

Apenas uma equipa consciente do seu posicionamento ofensivo pode pressionar o oponente no momento da perda de bola, cerceando o tempo e o espaço de que o defensor disponha para iniciar um eventual ataque, o que se torna impossível se os sectores estiverem dispersos ou desorganizados. É este desequilíbrio que gera a necessidade de recuar - correr para trás - e o perigo potencial dos contra-ataques. O futebol faz-se, hoje mais do que nunca, do domínio dos tempos e dos espaços, sendo as equipas de Mourinho o melhor exemplo desta premissa fundamental.

É, portanto, neste capítulo que o Sporting peca em demasia, mesmo quando possui alguns elementos - Custódio, João Moutinho e, em determinadas circunstâncias, Carlos Martins ou João Alves - capazes de providenciar alguma liderança em ambos os processos - defensivo e ofensivo. Esta é, porém, uma faculdade que depende da acção de TODOS os protagonistas.

Por mais que Paulo Bento queira implementar solidez na construção de duas linhas de pressão, com blocos sólidos e solidários, a inexperiência - ou ausência de trabalho adequado, só o tempo dirá qual - de alguns atletas acaba por trair o esforço o que, aliado à falta de qualidade durante os períodos de posse de bola, redunda num efeito claro: a distância entre os sectores, que leva à concessão de espaços, ao recuo territorial e ao maior esforço para recuperar o esférico. Isto para além de, no momento da recuperação, ser muito maior o caminho a percorrer até à baliza adversária: maior desgaste, menor controlo... maior distância entre os sectores.

Este conjunto de factores é mais facilmente compreensível se recordarmos que, ao contrário do que sucedeu com Peseiro - à época com outros jogadores -, o melhor futebol do Sporting de Paulo Bento tenha surgido em 4-3-3: com três avançados, as deficiências de Nani e Douala - encarregues então das alas - nos capítulos acima referidos são mais facilmente atenuadas e João Moutinho pode exercer maior influência no centro do terreno.

Apesar de compreender a opção do técnico, que tem entregue o jovem 28 a constantes missões de sacrifício, à direita ou à esquerda, não posso concordar com a solução. Paulo Bento sabe que, assim, conta com um atleta eficaz e abnegado no plano defensivo, capaz de pressionar e garantir recuperações, mas perde inteligência e organização na construção da manobra ofensiva. Ou seja, a meu ver, obriga todo o conjunto a maior e desnecessário desgaste, adiando a indispensável mecanização do único processo que, com os atletas disponíveis, pode levar ao sucesso.

Claro que, ao contrário de mim, é bem possível que Paulo Bento saiba muito bem com que outras armas poderá lutar a partir de Janeiro, o que justificaria o sacrifício de mais alguns encontros... em troca dos pontos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Recordações

Para não me acusarem mais de facciosismos, gostava de recordar hoje o jogo em que, há 19 anos, Wando marcou um golo no Estádio de Alvalade, ao serviço do benfica.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Arte Mínima

Em primeiro lugar, peço desculpa pela ausência prolongada e pela mania dos títulos pseudo-engraçados - deformação profissional.

Antes que tenham vontade de me esganar, passo a explicar a razão do actual: na semana que agora termina, o serviço mínimo marcou a prestação dos três grandes do futebol português - os adeptos encarnados podem continuar a ler, que já vão perceber o que quero dizer.

O FC Porto sofreu, no Leste da Europa, o castigo a que se habilitou no Dragão, depois dos incompreensíveis desaires ante Rangers e Artmedia. Em Bratislava, as deploráveis condições do terreno - e a não menos debilitada força anímica - conduziram a uma paupérrima demonstração do talento que inegavelmente possuem, "oferecendo" aos seus adeptos uma rara desilusão: em pleno Dezembro, estão arredados dos grandes palcos e, em casa, não podem aspirar a mais que um FC Porto - Braga...

Concedi, durante muito tempo, o benefício da dúvida a Co Adriaanse, por cuja atitude nutro, aliás, alguma simpatia. Não posso, porém, deixar de constatar o óbvio: se fosse português, já não estaria no comando técnico dos azuis e brancos.

Para o Benfica fica reservada uma análise semelhante, mas de sentido contrário: a águia agigantou-se e reduziu à mais ínfima expressão a "arte" de que se gabam os "Red Devils" de Manchester. O mérito cresce na directa proporção das circunstâncias, pois não se tratava de um encontro banal para os homens de Alex Ferguson, que também jogavam na Luz o apuramento. Posso não apreciar a forma como o feito foi alcançado, mas tiro o meu chapéu ao insuperável espírito de sacrifício evidenciado pelos jogadores que bateram o colosso inglês: isto de ter um gigante chamado Petit, acaba por se pegar...

O leão, há muito arredado destas lides, foi chamado a actuar na sexta-feira no primeiro de um conjunto de três compromissos que, em teoria, lhe poderiam permitir o sedimentar de uma posição entre os primeiros. Num festival de oportunidades falhadas - quem, há poucas semanas, poderia pensar que Deivid faria tanta falta, mesmo quando pelo relvado passeava um 31 sem Norte - o Sporting deixou-se surpreender por um Estrela da Amadora bem organizado.

Ocasiões de golo à parte, a formação verde e branca foi incapaz de produzir o volume ofensivo que se exigia a um conjunto obrigado a vencer um oponente mais débil, ficando no ar a ideia de que as opções do técnico não contribuíram para o inverter dos acontecimentos. Se, por um lado, não se pode exigir muito a quem tem Wender - um verdadeiro desastre - e Varela como opções mais ofensivas no banco de suplentes, a verdade é que a saída de João Moutinho votou ao ostracismo qualquer movimento de ruptura em progressão ou tentativa de organização da manobra ofensiva.

Neste jogo, umas notas finais para o que de melhor - e pior - se viu em Alvalade:

- mais uma demonstração de carácter e eficiência de Ricardo - sei que me estou a repetir, mas se tantos puderam apontar os erros, verdadeiros ou não, durante tanto tempo, também me considero livre de elogiar;

- o reafirmar das qualidades de Manu, extremo emprestado pelo Benfica que insiste nas exibições convincentes;

- a inacreditável postura de Amoreirinha que, tal como no passado, continua a preferir as quezílias e as agressões ao futebol. Prejudicou a equipa com um penálti ridículo - valeu Bruno Vale... e Liedson - e só por manifesta benevolência escapou de uma merecida expulsão sem ver, sequer, um cartão amarelo. Nem com os anos aprende.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Clubismos à parte, logo à noite sejamos patriotas

Força Cristiano!
Força Carlos!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

O estado de graça de Paulo Bento

É no minimo curioso que depois do Sporting empatar no estádio do Dragão, a capa de um dos três diários desportivos nacionais tenha escrito na capa "Deivid Resolve".
Então o Sporting não ganhou (ainda pior, esteve a ganhar e não ganhou) e o Deivid resolveu? Mas isto faz algum sentido?
Parece-me que o Paulo Bento está em alta na comunicação social e o Liedson em baixa, mas isto é um bocadinho demais, não?

sábado, 3 de dezembro de 2005

Consistência

O FC Porto dominou o clássico do Dragão, mas a verdade é que, superando as minhas expectativas, o Sporting deu mostras de uma consistência defensiva que há muito iludia os homens de Alvalade.

Paulo Bento está a construir a sua equipa com base na necessidade de organização e, se na construção da manobra ofensiva há ainda muito que evoluir, a verdade é que os alicerces de uma formação equilibrada estão lançados.

O mérito é mais colectivo que individual - excelente o desdobramento que permitia anular os desequilíbrios provocados, nas alas, por Quaresma e Lisandro Lopez - mas nem por isso posso deixar de destacar a ponderada exibição de Sá Pinto e a imperial confiança de Ricardo - não parece o guarda-redes que, há poucos meses, sucumbiu à crítica.

Sendo certo que, em Alvalade, não existem ainda armas que permitam discutir, de igual para igual, 90 minutos com os de azul e branco, é também indiscutível que, apesar do domínio exercido durante a quase totalidade do referido período, aqueles não foram capazes de criar oportunidades de golo dignas de nota - leia-se triunfo.

No Dragão, mais do que um ponto, Paulo Bento deu mais um passo para ganhar tempo e... uma equipa.