sexta-feira, 30 de setembro de 2005

tristezas não pagam divídas

agora sim, começa a ficar interessante o futebol do cá nosso burgo, perdão os bastidores dessa enorme indústria nacional ...

quanto não pagaria o sr. feliz (josé) para estar na pele do sr. contente (jacob) .. ele há coisas do arco da velha então não é que o sr. contente se dá ao luxo de pedir aos adeptos para mostrarem lenços brancos porque assim que o fizeram ele bate com a porta ... e ao invés o sr. feliz (que até já pode mudar de indústria e por exemplo exercer actividade na área financeira, numa leasing, locadora, factoring, banco, etc ... uma vez que todas elas também têm crédito) tudo tem feito para não o mandarem embora, ou seja, um quer sair e o outro quer entrar respectivamente em cada uma das SAD`s ...

um, o sr. feliz mente aos media e diz que a sua equipa fez sempre um grande jogo e que vai decidir aquilo que for melhor para o grupo, o outro, o sr. contente, mente à equipa e diz que o futebol de ataque é que permite ganhar jogos (com muitos golos, por exemplo 2-3) ...


um tem excelentes intérpretes da modalidade e faz com que eles circulem a bola, o outro tem bons guias intérpretes para as diferentes linguagens utilizadas pelo plantel !

um faz uma gestão do plantel em termos de recursos humanos e diferencia claramente os vários sectores (claro que não repararam bem, o quaresma não estava a jogar a defesa central no golo dos eslovacos), o outro faz uma gestão diferenciada dos recursos humanos, formando nos treinos dois grupos de atletas: os que o mandam levar no c... e os que o mandam para o c...., com a diferença de que relativamente aos primeiros ele entra no dia a seguir junto com eles no treino e pede para da próxima porem vaselina, não os convoca e é aplicada multa, e relativamente aos segundos é aplicada multa e são titulares ... parece democrática e coerente esta gestão do plantel diferenciada, desta forma o jogador só tem que escolher o que quer dizer (uma vez que o sotaque é sempre o mesmo) e em função disso pagar a respectiva multa e esperar a sanção disciplinar correspondente (é brilhante e é o futuro da gestão previsional de recursos humanos !)


o panorama socio-futebolístico (para não dizerem que não uso termos provincianos inventados pela indústria) faz-me lembrar uma rábula dum antigo programa de tv:

"...sr. contente, sr. contente, diga à gente como vai esse país ..."

José Peseiro

Imagino que, para muitos dos habituais frequentadores deste blog, este seja o post que, secretamente, desejavam que eu escrevesse. Vários, senão todos, estarão convencidos de que sou um acérrimo defensor de José Peseiro, pese embora, por diversas vezes, tenha tentado explicar o contrário.

Tenho-me por um defensor do bom-senso e, de uma forma genérica, dos treinadores, habitualmente incompreendidos na sua missão. Se, no caso de Fernando Santos, Manuel José ou Quinito, a postura como líderes de um clube com ambições é sobejamente conhecida, permitindo aferir da sua utilidade ao serviço de um grande, numa determinada conjuntura, os técnicos em ascensão - podemos incluir aqui homens como José Peseiro, Vítor Pontes, Carlos Carvalhal, Carlos Brito ou, até, Manuel Machado - merecem, no meu entender, que lhes seja atribuído o benefício da dúvida, pelo menos até que seja possível retirar conclusões sobre a forma de trabalhar de cada um, ou seja, das suas características.

Sou da opinião - e mantenho-a - de que Peseiro tem sido criticado injustamente ou, sobretudo, pelas razões erradas. Ontem, assumiu responsabilidade pelo desastre, embora acredite que esta tem de ser partilhada com os jogadores - muitos aparentaram desejar estar bem longe dali - e com todos aqueles que, desprovidos de motivo, vaiaram a equipa e o seu treinador durante o confronto com o Vitória de Setúbal, numa atitude que transmitiu à equipa uma incompreensível dose de ansiedade.

Há, porém, uma plêiade de motivos para questionar o papel do técnico no arranque da presente temporada. Afirmei, neste espaço, em inúmeras ocasiões, que considerava como positiva a época transacta e que só a perspectiva de evolução - ou não - poderia conceder aos críticos informação suficiente para uma opinião devidamente fundamentada.

Tal como fundamentei aqui, deveria bastar ao leão uma clara preocupação em erradicar os defeitos identificados ao longo da pretérita temporada, complementada pelo esforço de assegurar a progressão das inegáveis qualidades evidenciadas. Aliás, como José Peseiro sustentou numa entrevista que nos concedeu, o fundamental passaria pela manutenção da identidade criada, "temperada" por uma maior solidez nos processos defensivos, de acordo com a margem de progressão que o próprio técnico reclamava para a sua equipa.

Pelo contrário, depois de falhar o acesso à Liga dos Campeões, esta equipa técnica afastou-se do caminho até então trilhado, enveredando por uma estratégia alternativa - sedimentada num 4-3-3 - que privilegiava os movimentos de penetração pelas alas e o alargar da frente de ataque.

O que tinha sido aventado como mera solução de recurso, para ultrapassar as dificuldades sentidas frente a adversários "fechados" junto da sua baliza, foi conquistando espaço como modelo prioritário, em detrimento das reconhecidas vantagens do sistema anterior.

No meu entender, José Peseiro sacrificou a identidade do "seu" Sporting a uma ilusão de pragmatismo, na esperança de conseguir chegar ao golo - e aos pontos - com menor envolvimento colectivo: isto é, tal como o Benfica campeão, marcar sem construir.

A decisão, mais ou menos consciente, fê-lo refém da desejada eficácia e, sobretudo, dos resultados. Se, no passado, o seu "crédito" não dependia exclusivamente do desfecho das partidas - a criação de um modelo de jogo, o espectáculo atractivo e a promoção da imagem do clube enquanto paradigma do futebol atacante garantiam-lhe margem de manobra -, este novo rumo concede-lhe um estatuto semelhante ao de Fernando Santos: ou seja, a sua utilidade é aferida na exclusiva medida dos resultados, no curto prazo.

Agora, em circunstâncias difíceis, a partida de Paços de Ferreira será decisiva para determinar o futuro do técnico. Mais do que uma eventual decisão da SAD relativamente à sua continuidade, em causa está um factor fundamental: na capital do móvel ficará claro até que ponto os jogadores estão dispostos a defender o seu líder. Uma exibição ao nível da protagonizada ontem, em Alvalade, será a garantia de que nada mais José Peseiro terá a dar a este Sporting.

PS - Sabendo que é na hora da derrota que se revela o carácter de um homem, ontem, mais do que nunca, exigia-se uma postura diferente por parte de alguns responsáveis leoninos. Se, ao intervalo, se impunha uma atitude - que não podia partir exclusivamente do treinador - junto do balneário, no final da partida era necessária uma decisão sólida e concertada: a manutenção de José Peseiro no comando técnico obrigava a uma inequívoca manifestação de solidariedade e confiança, ausente das declarações de Rui Meireles e, sobretudo, de Paulo de Andrade. Independentemente do desfecho deste processo, não poderão fugir às suas responsabilidades.

Peseiro é melhor que o "Bet and Win"

Ontem com um investimento de apenas 15 Euros, ganhei 160. Foi fantástico!

Senão vejamos. O ano passado gastei (se não estou em erro):
Rapid - 15 Euros
Panionos - 20 Euros
Sochaux - 20 Euros
Feyenord - 20 Euros
Boro - 20 Euros
Newcastle - 20 Euros
Az- 25 Euros
CSKA - 35 Euros
Total: 175 Euros

Esta época, gastei apenas 15, pois o jogo com a Udinese foi a borla.
Esta época o Sporting está-se a revelar um grande investimento.


P.S. Eu sei que culpar unicamente Peseiro do descalabro de ontem é um exagero, mas é obviamente um dos maiores culpados

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

O preço da braçadeira

A escola de formação dos dragões é há muito conhecida como uma verdadeira fábrica de defesas-centrais, tradição materializada nos inúmeros atletas de enorme qualidade que saíram da "cantera" do FC Porto - de Lima Pereira a Fernando Couto, de Jorge Costa a Ricardo Carvalho, entre muitos outros.

Infelizmente, como noutras actividades, nem sempre a qualidade do produto fabricado corresponde aos requisitos impostos ao fabricante. Como tantas vezes sucede nesta economia de mercado, a deficiente produção é muitas vezes escamoteada com acções de marketing, "opinion-making" e promoção diversa.

Existe, na actual formação azul e branca, um paradigma desta distorção capitalista.

Não me entendam mal: das equipas da Liga portuguesa, o FC Porto é, de longe, a que mais me impressionou, quer pela diversidade de soluções de enorme qualidade, quer pela intensidade da sua fase ofensiva.

Tem, porém, claras dificuldades na organização do processo defensivo, agravadas pelas soluções individuais no quarteto que compõe o sector recuado.

Órfão de laterais de raiz, Adriaanse recorreu a adaptações para as alas, mas é, sobretudo, no eixo que encontra obstáculos ao sucesso. A utilização de César Peixoto ou Bosingwa, elementos de características muito ofensivas, exige uma sólida dupla de centrais - e, já agora, um médio capaz de efectuar as indispensáveis compensações, inexistente desde que o holandês abdicou de Raul Meireles.

Há vários anos que, constantemente, me tentam "vender" o novo Fernando Couto, aquele que será, também, o sucessor de Jorge Costa na liderança do balneário. Com pouco mais de vinte anos, já foi seleccionador nacional de Sub-21, já orientou a turma das Quinas nuns Jogos Olímpicos e, hoje, enverga a braçadeira dos campeões mundiais. O futuro, garantem-me, chama-se Ricardo Costa.

Ora, como há também quem diga que, no futebol, o que hoje é verdade amanhã poderá ser mentira, vou tentar simplificar: esta mentira continuará a ser, amanhã ou depois, uma mentira.

Bem sei que fala tanto como Jorge Costa e que bate tanto como Fernando Couto, mas nunca terá qualidade para chegar aos calcanhares de qualquer um dos seus antecessores.

Vejo, em Ricardo Costa, arrogância, prepotência e incapacidade para assumir responsabilidades, predicados esses que não convivem amiúde com os verdadeiros líderes.

Vejo, em Ricardo Costa, deficiências no posicionamento, falta de velocidade para as corrigir e dificuldades em lidar com a pressão, faculdades que não habitam nos centrais de classe.

Vejo, em Ricardo Costa, a braçadeira de capitão do FC Porto, enquanto o seu legítimo dono - que é, ainda, sem sombra de dúvidas, o melhor dos cinco centrais do plantel - "apodrece", por decisão do técnico, nos balneários do Dragão.

Confesso que a postura e a filosofia de Co Adriaanse me agradam - não me estou a referir à disciplina -, mas esta é uma opção que não consigo entender. Pelo caminho, vão ficando os pontos que o líder pré-fabricado distribui com generosidade...

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

o indomável ...

back in action bem podia ser o título deste post ... mas decidi não perder mais tempo e acertar contas com o insurdecedor silêncio das teclas ("que perro está isto!)deste maldito pc (afinal desde nove de fevereiro de dois mil e cinco que não vinha a esta antena!!!)...

também me podia fazer rogado e dizer que volto a pedido de várias famílias (ou pseudo ou seja lá o que forem) ... agradeço e aconselho todos os leitores que chegaram até aqui a não continuarem a ler porque vou ser chato (estratégia contrária ao suspense escrito por dan brown ou apresentado no programa televisivo - fiel ou infiel)...

numa atitude enganosa para uns e cobarde para outros confesso que me enganei acerca do que poderia ser um blog (tenho a única atenuante de ninguém ter até hoje conseguido definir tal espaço ... pelo menos de forma inequívoca!) e muito especificamente sobre este em concreto !

pensei que poderia ser um espaço de fanáticos onde quem entra a escrever ou a comentar pudesse ser radical e singular ... mas ao invés começa a ser plural, onde existe uma diversidade de cores clubísticas representadas ... e preenchido de visionários ... cada tiro cada melro .. desde as contratações até ao clube que vai ser campeão .. passando pelos métodos de cada treinador, até ao julgamento de cada falta, de cada lançe, e até no estabelecimento do percurso e da carreira de um qualquer desgraçado jogador de bola ... enfim, um espaço onde só falta jogarmos, porque acertavam de certeza, no euro milhões !


"quem" tem pretensões de preencher ou ocupar espaço público devia ter preocupações éticas e não devia poder mandar o treinador ... peço desculpa ... o companheiro de equipa levar no c......., que é como quem diz segmentar e desprezar uma grande parte dos leitores ...


mas pior ainda, estou tão ressabiado (claro que foi pelo slb ter sido campeão)que utilizando esse estilo especulativo tão em voga e depois de ter feito uma análise de conteúdo aos 202 posts e respectivos contraditórios (que ideia mais atrasada mental!) cheguei à conclusão que uma parte substancial deles deviam pagar imposto para ajudar o país a sair da crise (qual - a de sempre?)... isto porque ou são racionais ou são objectivos ou conseguem advinhar o futuro !!! esta tendência (a "direcção" dos comentários ao longo do tempo também pode ser medida e até lhe podemos chamar econometria aplicada ao espaço público, ou seja, neste caso, ao blog ! uff, que fino, que erudito, que isto está ! devia ser proibido escrever estes termos num blog de bola...!) parece clara e difícil de contrariar (até pode ser uma desculpa para as teclas deste pc estarem a precisar de "óleo")

no entanto temos que reconhecer que é o que vende e é o que o tal segmento que infelizmente me parece ser só um (de dimensão a apurar, isto é, a direcção dos comentários que lhes interessa ler) procura (170 leitores por dia)! os media são assim ! depois do infotainment em TV la información vasura en el BLOG ...

moral da história: erámos um grupo só malucos ... pá ! era eu, era ó ..., o ....!

e agora sou só eu !

O novo Sporting

Bem sei que, em plena jornada europeia, esta não será a melhor altura mas, tendo em conta que me não foi possível ver o jogo do Benfica em Manchester e que estou de folga, aproveito para fazer a há muito prometida análise ao plantel leonino, o único dos grandes ainda em falta.

Remetendo, uma vez mais, para aqui as anteriores apreciações individuais, passamos à acção. Lamento não ter podido, como desejava, publicar este post antes do dérbi da terceira jornada, já que, inevitavelmente, haverá aqui uma disparidade na observação, agora mais influenciada pelas prestações recentes dos leões.

Apesar da manutenção da equipa técnica, este é, efectivamente, um novo Sporting. O ataque apoiado e a circulação de bola deram lugar a um estilo mais directo, fruto das alterações a que o plantel foi sujeito.

DEFESA

O "progresso" na composição do grupo afectou o sector mas, ao contrário do que alguns chegaram a pensar, não haverá diferenças de monta em relação à versão anterior. Se os centrais disponíveis continuam a oferecer garantias de qualidade, é nas faixas laterais que podem surgir algumas contrariedades. Rogério tem evidenciado uma forma deficiente, quando comparada com a da temporada transacta e Edson, para já, não tem qualquer influência no futebol verde e branco. Mais alto que o seu antecessor, o brasileiro não é mais rápido e, sobretudo, não defende. Não quero com isto dizer que não tenha qualidades - espantoso pontapé e capacidades técnicas apreciáveis, mas torna-se evidente porque, em Leiria, se adaptou um extremo a lateral - Alhandra - para que Edson actuasse no meio-campo.

Tonel - A sua contratação acabou por ser uma surpresa mas o bom nível evidenciado nos últimos encontros enquadra-se nas minhas expectativas. Trata-se de um central com escola de "grande" - FC Porto e uma preciosa ajuda da convivência com Mitchell Van der Gaag - e prolongada trajectória nas selecções nacionais. Forte na marcação e no jogo aéreo, tem beneficiado da qualidade do conjunto para elevar a fasquia das suas prestações. Será, ao longo da época, uma alternativa valida para a titularidade.

Semedo - Ganhou a corrida pelo posto de "quarto central" a Miguel Veloso graças a uma enorme capacidade de trabalho e à disponibilidade física e anímica que todos lhe reconhecem. Limitado no capítulo técnico, é um poço de força. Deverá cumprir nas - poucas - ocasiões em que for utilizado.

MEIO-CAMPO

Zona nevrálgica de qualquer formação com orientação ofensiva, foi, também, "coração" e "cérebro" da equipa leonina na época transacta. Agora, objecto de uma profunda "revolução", apresenta características e intérpretes diversos, que lhe concedem diferente "frequência cardíaca". Luís Loureiro surge como uma inédita alternativa a Custódio, enquanto João Alves tem a responsabilidade de devolver ao conjunto a criatividade que as "baixas" do defeso lhe retiraram. A verdade é que, ao contrário do que sucedeu no passado, em que o 4-1-3-2 era o sistema incontestado, José Peseiro recorreu ao 4-3-3, fruto das mais recentes opções para as alas, no ataque, mas também das características dos médios disponíveis: enquanto, em 2004/05, eram entre 6 e 8 os elementos que contribuíam activamente para a circulação em apoio, a versão 2005/06 do leão conta apenas com três atletas vocacionados para o fazer - João Alves, João Moutinho e Carlos Martins. Assim, inevitavelmente, a "filosofia" e os processos são hoje diferentes: construção mais vertical da manobra ofensiva, na tentativa de potenciar as qualidades físicas dos homens da frente, aproveitando os espaços concedidos.

Luís Loureiro - Acompanho há algum tempo a sua carreira e, confesso, estou longe de ser um admirador das qualidades de um jogador que oferece, contudo, pela primeira vez em duas épocas, uma alternativa a Custódio no posto de médio-defensivo. A importante presença física - 1, 88m - era um dos requisitos impostos pelo técnico, mas a falta de velocidade - de deslocamento e, pelo menos para já, de processos - joga contra o - esporádico - internacional português. Resta saber se, face às superiores exigências competitivas, será capaz de elevar as suas capacidades ao nível das expectativas de quem o contratou.

João Alves - Não é, nem virá a ser, um fora-de-série, mas as suas características eram necessárias a este grupo. Médio completo e inteligente na forma de abordar o jogo, possui capacidades técnicas e tácticas que lhe serão úteis na convivência com João Moutinho e/ou Carlos Martins. Acrescenta volume de jogo e qualidade na posse de bola, mesmo se, no plano físico, fica aquém de muitos adversários. Pode constituir-se ainda como um factor a ter em conta no momento do remate.

ATAQUE

O sector ofensivo de uma das equipas que, na pretérita temporada, mais golos marcou no futebol europeu foi, paradoxalmente, o que mais se reforçou para a presente campanha. Se Wender foi o primeiro desejo expresso pelo técnico, a chegada de Deivid representa um forte investimento - sobretudo nos tempos que correm - da SAD leonina. Certo é que, de momento, José Peseiro conta com mais alternativas para a frente de ataque e, pela primeira vez desde que aportou em Alvalade, com alternativas para as alas.

Wender - A sua contratação obedece a uma estratégia que me ultrapassa - jogadores experientes, com perto de 30 anos, que possam render no curto prazo para, depois, dar lugar aos jovens... por um milhão de euros... - mas foi sempre o eleito do técnico para dotar o plantel de um esquerdino que pudesse, em alternativa, ocupar o corredor, quer em 4-1-3-2, quer em 4-3-3. Sendo um atleta evoluído no plano técnico e dotado de razoável velocidade, Wenderson Said - é mesmo o nome do homem -, o "melhor extremo da SuperLiga" em 2004/05, chega a Alvalade numa fase adiantada da sua carreira e afigura-se-me como pouco provável que possa, agora, descobrir no seu futebol a intensidade indispensável a quem precisa de lutar para vencer todas as partidas que disputa.

Deivid - Desde Mário Jardel que, em Alvalade, nenhuma contratação gerava tanta expectativa no seio da cúpula dirigente. O avançado brasileiro que fez dupla com Robinho no Santos veio com o rótulo de craque mas as suas primeiras exibições de leão ao peito revelaram alguma inadaptação ao futebol europeu e... ao seu posicionamento no terreno. Com o passar do tempo - sobretudo depois do golo apontado na Choupana - a confiança aumentou e aparece, agora, mais agressivo, sendo possível reconhecer os traços do jogador que, no Brasil, tão boa impressão me tinha causado. As alterações tácticas obrigam-no a deambular pela frente de ataque e a explorar os flancos, mas é na zona de finalização que se sente mais à vontade. Será, desde que bem aproveitado, uma indiscutível mais-valia para o Sporting e para o Campeonato.

CONCLUSÃO

Termino da mesma forma que comecei: este é um Sporting manifestamente diferente. Melhor? No aspecto técnico, certamente que não.

As partidas de Rui Jorge, Pedro Barbosa, Hugo Viana ou Rochemback podem não constituir, individualmente, baixas irreparáveis, mas a verdade é que, ao perder cinco elementos que personificavam a tal "identidade" tão vincada, que o próprio repetidamente referiu, José Peseiro "condenou" a sua equipa a uma metamorfose kafkiana. Não faço aqui a defesa de quem saiu, nem muito menos apelo ao saudosismo: em causa não estão os jogadores que deixaram Alvalade, mas sim as suas características.

Dirá o técnico, com razão, que o grupo possui agora atletas com diferentes capacidades, sobretudo no plano físico, que lhe permitirão colmatar lacunas identificadas ao longo da época transacta.

Peseiro persegue hoje o "graal" cuja natureza esquiva impediu uma temporada de glória - a eficácia - e a ela vincula o seu futuro. Não mais Alvalade verá o espectáculo intermitente do futebol elaborado, que lhe concedeu a margem de manobra que a impaciência dos adeptos e a intolerância da crítica insistem em negar-lhe, ficando apenas por saber se esta abordagem "pragmática" pode, mesmo sem pinceladas de brilhantismo, alcançar o sucesso.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Assobios

Faltavam cerca de 10 minutos para o final do Sporting - Vitória de Setúbal quando, perante a entrada de Beto para o lugar de Liedson, as bancadas de Alvalade irromperam numa salva de assobios, complementada pelo coro dedicado ao técnico leonino: "Palhaço! Palhaço!"

Sendo certo que a formação verde e branca não realizou uma grande exibição - está, aliás, a tornar-se um hábito -, o desenrolar do confronto fica marcado por uma série de factores que importa analisar.

Em superioridade numérica e em vantagem no marcador, José Peseiro optou por, aos 55', prescindir de Luís Loureiro, chamando Wender, na tentativa de actuar com dois extremos de raiz. O Sporting passava a actuar apenas com dois médios que eram, no momento, mais que suficientes perante a disposição táctica do adversário. Com Deivid mais próximo de Liedson, na área sadina, esperava-se que as alas fossem capazes de municiar a zona de finalização, mas a inoperância de Wender no flanco esquerdo impediu o sucesso do estratagema.

Confrontado com a opção do seu oponente, Norton de Matos reagiu, e bem, alterando o modelo da sua equipa: a entrada de Heitor dotou o Vitória de um ponta-de-lança, apoiado de perto por Sougou enquanto, alguns minutos depois, Binho era chamado para servir de pivot na saída para o contra-ataque.

As consequências da acção táctica do técnico visitante fizeram-se sentir no relvado e o Sporting perdeu o controlo das operações: o equilíbrio do sector intermédio desapareceu e, a poucos minutos do final, José Peseiro tomou a decisão que se impunha: sacrificou um inexistente Liedson para devolver um cabeça-de-área. Beto passou a actuar ao lado de Tonel e Polga subiu para o posto anteriormente ocupado por Luís Loureiro.

A verdade é que a substituição foi corajosa, pois a reacção da bancada era previsível, mas tratava-se da única decisão racional a tomar.

A tolerância é cada vez menor? Certamente. Até porque, ao contrário do que sucedia na temporada transacta, a contestação começou a surgir... depois do primeiro quarto de hora de jogo.

Este post não é uma defesa intransigente do treinador do Sporting, mas sim uma manifestação de surpresa: se, no passado, Peseiro foi acusado de algum "quixotismo", é agora insultado por preferir equilibrar a equipa, na tentativa de assegurar o tão desejado "pragmatismo".

PS - Há defeitos congénitos na formação leonina, cuja margem de progressão me parece, actualmente, limitada. Mas esse será um tema para outras conversas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Parabéns Pauleta

Correndo o risco de parecer um qualquer árbitro da Liga portuguesa, assumo que este post foi "a pedido" - ver comentários ao post anterior.

Pauleta marcou dois golos ao Lille. Não se procupem, porém, os admiradores do "Açor". Beto, em seu tempo, também marcou dois golos ao Sporting num jogo contra o rival Benfica e nem por isso deixou de ser um grande defesa-central.

Assim, o futuro de Pauleta continua a ser auspicioso e, em comparação com o 22 dos leões, continua em vantagem: depois de ter conquistado o troféu de melhor central do Euro' 2004, tem fortes possibilidades de ir mais longe e arrebatar o galardão equivalente no Mundial do próximo ano. O capitão verde e branco, esse, nem deve lá estar.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Loureiro e as faltas inteligentes...

Eu sei que parece embirração (e é) com o novo trinco do Sporting, mas este rapaz veio esta semana gabar-se que se tinha cartões amarelos em todos os jogos era porque fazia faltas muito inteligentes a parar os contra-ataques adversários.
Ora ontem levou o quarto cartão (em quatro jogos). E parou um contra-ataque? Não. O que é que ele fez? Fez uma falta estúpida que deu origem ao 1ºgolo do Nacional.

Descubra as diferenças...

O Sporting voltou a perder na Choupana, deitando por terra a possibilidade de ascender ao comando do Campeonato. Onde é que já vi isto?

Sendo verdade que o desfecho do embate é em tudo semelhante ao sucedido na temporada transacta, as causas afiguram-se-me como diversas.

Privilegiando o 4-3-3 em detrimento do habitual 4-1-3-2 - tal como em Halmstad -, a formação leonina exibiu uma postura mais pragmática e cautelosa, assentando a manobra ofensiva em acentuadas precauções posicionais, na tentativa de negar o contra-ataque aos insulares.

Legítima, a disposição verde e branca foi menos ambiciosa, mas compreensível... até ao golo de Deivid. Com vantagem no marcador, o leão deu a conhecer o lado negativo da sua nova fase.

Onde existia uma equipa capaz de gerir a posse de bola e os tempos de jogo - pese embora, por vezes, pecasse por excesso de entusiasmo, para quem considere essa característica um pecado -, surge agora um conjunto impreciso no momento do passe e incompetente na circulação do esférico.

Onde pontificava a agressividade nas primeiras linhas de pressão, activas na recuperação da bola, aparece agora uma equipa apostada na organização defensiva, recuada sobre o próprio meio-campo.

Mais extraordinário ainda, de um leão que vivia e morria com o ataque planeado, nasceu um felino dedicado à progressão vertical, sustentada num jogo directo.

Ganharam os críticos, perdeu o futebol e, a meu ver, o Sporting.

O confronto realizado no Estádio Eng. Rui Alves - qualquer das expressões que compõem o nome do recinto provocam riso histérico - acarreta ainda algumas notas de destaque:

- Este é o Deivid que vi jogar no Brasil;

- Miguelito deve perguntar-se todos os dias porque raio não joga num grande;

- Nélson fez uma defesa do outro mundo, para regressar à banalidade do seu na segunda metade;

- Alexandre Goulart e Jorge Luiz são a mesma pessoa, o que só acrescenta ao seu mérito, pois jogar dois dias seguidos, frente a FC Porto e Sporting, não é para todos. Talvez por isso, ontem, preferia o pé esquerdo e, hoje, praticamente só usou o direito.

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Chamem-lhe Amélia...

À quarta jornada, o Benfica conquistou o primeiro triunfo do Campeonato, face a uma muito frágil União de Leiria. A goleada construiu-se com quatro tentos, feito que merece destaque por, até ao encontro de ontem, os encarnados apenas contabilizarem um único sucesso ofensivo, fruto do livre apontado por Simão, em Alvalade.

O triunfo do emblema da águia foi justo e natural, mas assentou, sobretudo, na capacidade de concretização de um dos mais injustiçados jogadores do seu plantel. A "Amélia", o "Quase-golos", ontem, valeu um hat trick e devolveu, por si só, a tranquilidade às bancadas de uma ansiosa Luz.

Nuno Gomes é, no meu entender, o melhor ponta-de-lança português e, mais do que qualquer outro, tem sido o melhor elemento do Benfica em acção ofensiva neste início de temporada. É fácil esquecer os mais de 60 golos que marcou nos três primeiros anos de águia ao peito, como será engraçado, ao longo desta semana, verificar quantos vão redescobrir a sua admiração pelo camisola 21...

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Constatação Curiosa

É engraçado verificar que o Benfica tem mais equipas atrás dele na Liga dos Campeões do que na Super Liga Betandwin.

UEFA

Ao segundo dia em Halmstad, apercebo-me de duas realidades indiscutíveis:

- a Taca UEFA não interessa mesmo a ninguém;

- é óbvio porque a Suécia tem a maior taxa de suicídios da União Europeia.

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Criativo

A atender pelo que se tem passado nos últimos jogos parece que afinal o Benfica já lá tinha o "criativo" que tanto andaram à procura

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Mensagem perdida

O "Criticos da Bola" recebeu esta mensagem por engano e não entendeu muito bem o significado.

"Dank u Jaime. Achting. RK"

Digestão do derby

Os momentos a seguir a estes jogos são sempre muito difíceis para os adeptos da equipa que perde. É muito complicado aceitar a derrota e procura-se sempre encontrar uma justificação para o sucedido, normalmente atacando-se o árbitro.
Mas este deve ter sido pior do que o costume para os adeptos do Benfica, deve ser especialmente lixado perder levando um golo do Loureiro....

domingo, 11 de setembro de 2005

Mais que três pontos

O Sporting venceu o dérbi de ontem que, como muitos fizeram questão de frisar, valeu bem mais que três pontos.

Em jogo estava, como sempre, uma rivalidade ancestral, que eleva a fasquia do confronto ao nível dos grandes "clássicos" do futebol mundial, mas também a primeira oportunidade de aferir da relação de forças entre dois dos principais candidatos ao título.

O desenrolar da partida permite, porém, um conjunto de conclusões que poderão estender a sua influência bem para além desta terceira jornada.

Os leões garantiram a totalidade dos pontos em disputa na presente edição do Campeonato, beneficiando de um grau de felicidade que lhes foi negado na pretérita temporada, mas conquistaram ainda benefícios que transcendem o imediato: na exibição de Tonel, o emblema verde e branco ganhou a tranquilidade de um central que, nos próximos tempos, em virtude da lesão de Beto, está "condenado" à titularidade.

A qualidade e, sobretudo, a serenidade da exibição do ex-dragão vêm mitigar a lacuna que a fissura no perónio do capitão poderia provocar.

Na perspectiva encarnada, um eventual desaire teria sempre como consequência um enorme grau de intranquilidade, já que o desperdiçar de oito dos primeiros nove pontos da competição - principalmente quando os mais directos rivais contam por vitórias todas as partidas - acarreta sempre um grau de pressão adicional para quem tem a obrigação de defender o título.

Infelizmente para os apaniguados do emblema da águia, a derrota em Alvalade encerra episódios de outra natureza: o técnico assumiu riscos que, mais do que o rendimento pontual do colectivo, afectam a identidade do grupo.

Enquanto, no Sporting, José Peseiro privilegiou a estrutura do seu plantel, apostando num onze que traduzia o trabalho desenvolvido nos últimos meses - o mesmo 4-1-3-2 adaptado que constitui aposta desde o início da época -, Ronald Koeman voltou a surpreender na escolha da sua formação.

Faço, aqui, um pequeno hiato para esclarecer algo que a generalidade dos analistas teima em não perceber: os leões mantêm o 4-1-3-2 que lhes serviu de base no último ano, embora seja possível observar que o comportamento da equipa se altera em função da transição ofensiva. Ou seja, a estrutura continua a ser a mesma - quatro defesas, um médio defensivo, uma linha de três centro-campistas e dois avançados - embora, depois da recuperação de bola, se possa desdobrar num 4-3-3, com total mobilidade para os homens da frente: Douala, Deivid e Liedson.

Assim, é totalmente absurdo que praticamente todos os órgãos de informação tenham apontado para a titularidade de Wender: nunca foi, sequer, equacionada. O 4-3-3 de base não será a solução, apenas a alternativa.

No que ao jogo diz respeito, parece-me que o resultado acaba por se ajustar àquilo que os contendores produziram (com o já referido grau de felicidade a favorecer os leões), pese embora o facto de nenhum dos dois ter logrado realizar grande exibição.

Importa, contudo, analisar a forma como o Benfica abordou o encontro. O técnico holandês voltou a insistir em três centrais, entregando os flancos a João Pereira e Nélson - as indicações sucederam-se durante a semana mas, confesso, não acreditava muito nesta opção - mas as surpresas estavam guardadas para outros sectores: no meio-campo, Karagounis foi titular e, na frente de ataque, Miccoli surgiu como (falso) ponta-de-lança - relegando Nuno Gomes para o banco - enquanto Carlitos garantia um lugar no onze à custa de Geovanni.

Independentemente de questionáveis do ponto de vista táctico, as escolhas de Ronald Koeman suscitam sérias dúvidas no que à gestão do plantel diz respeito.

Se, no caso de Miccoli, que trabalhou durante toda a semana com o grupo, existe alguma margem de manobra, a verdade é que as entradas de Karagounis e Carlitos são incompreensíveis e, do meu ponto de vista, graves.

Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador sem qualquer regularidade competitiva conquiste a titularidade num dérbi depois de participar num único treino?! Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador, cuja contribuição para a conquista do título foi praticamente nula e que, há poucos dias, era dado como excedentário, seja subitamente promovido a titular num confronto desta dimensão?!

Sou, como os mais assíduos saberão, defensor do trabalho prévio, realizado durante a semana, razão pela qual não valorizo muito as intervenções dos treinadores durante o jogo - o mais importante é, na minha óptica, o "plano A" -, mas não consigo disfarçar a minha surpresa perante algumas alterações promovidas pelo técnico encarnado: se a entrada de Nuno Gomes, ao intervalo, para o lugar de João Pereira, era previsível antes do apito inicial, a inclusão de Alcides numa altura em que o Benfica perdia por 2-1 deixou-me perplexo... Nem um eventual reequilíbrio do sector recuado, já conseguido com a entrada de Beto, justificaria a opção. O homem está muito "à frente"...

Em suma, creio que a vitória sorriu à equipa mais compacta, que dispôs das melhores - e em maior número - oportunidades. O Sporting chegou à vantagem quando ainda existia igualdade numérica, tendo sofrido o golo do empate num lance fortuito. Penso, porém, que o encontro foi condicionado pela expulsão de Ricardo Rocha. Sabendo já que os árbitros e a generalidade dos comentadores concordam com a decisão de Paulo Costa, à luz das mais recentes instruções da FIFA, confesso que a sanção me parece exagerada, sobretudo se tivermos em conta a forma leal como os atletas estavam a actuar até então.

Reconheço a intenção louvável das novas indicações mas, não tendo havido intenção de atentar contra a integridade física do adversário, afigura-se-me como excessiva a decisão de privar o espectáculo de um dos seus intervenientes.

PS - A resposta de José Veiga às declarações de Walter Marques, presidente do Conselho Fiscal dos encarnados, provocam-me uma estranha sensação de "déja vu". As palavras são graves e prometem sérios desenvolvimentos num futuro próximo...

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Amanhã há derby




FORÇA SPORTING !!!!!

Fantasy League - Criticos da Bola

Para fazer concorrências as diveras ligas organizadas da Liga Record.

Podem aceder aqui à competição.

E o código da liga é
2358-1618

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

O novo Benfica

Como queria despachar esta história antes do dérbi, para evitar a influência sobrevalorizada que as prestações individuais sempre têm neste tipo de confrontos, aqui vai a análise encarnada. No que à apreciação individual diz respeito, limitar-me-ei aos recém chegados, remetendo para aqui os interessados em "conhecer" os restantes elementos do plantel.

As primeiras exibições do Benfica de Ronald Koeman têm sido algo incaracterísticas, consequência, a meu ver, inevitável, tendo em conta as diferenças "filosóficas" que separam o holandês do seu antecessor transalpino.

Não é impunemente - como, aliás, aqui pretendi frisar a quando da sua contratação - que se opta por um técnico tendo como critério exclusivo a dimensão da sua reputação. As diferentes formas de estruturar o jogo preconizadas por Camacho, Trapattoni ou Koeman obrigam a apurada sistematização, sendo necessário tempo para que este pobre grupo assimile mais uma mudança radical. Pela terceira vez em pouco mais de três anos, o plantel do Benfica tem de reaprender a jogar futebol.

DEFESA

Tratando-se de um dos mais equilibrados sectores do plantel que conquistou o título, temo que a versão 2005/06 venha a encontrar algumas dificuldades para manter os padrões de qualidade. Entre os postes, a gestão deverá ser o único problema, uma vez que Quim e Moreira oferecem garantias suficientes para todas as competições em que as águias estão envolvidas, conclusão extensível ao eixo da defesa, onde Luisão, Ricardo Rocha e Andersson - mais que Alcides - asseguram qualidade e complementaridade.
Realço aqui um aspecto que me parece importante: independentemente do valor do recém-chegado brasileiro, convém não subestimar a influência das características psicológicas do central português na intensidade do colectivo.
As dúvidas surgem apenas nas laterais: estou - há muito - convencido que Nélson tem tudo para ser um dos melhores laterais portugueses mas, por enquanto, está longe de ser Miguel, enquanto, no lado esquerdo, permaneço céptico no que à utilidade de Léo diz respeito.
Excepção feita aos centrais, a envergadura física é um problema.

Nélson - Sou, há muito, um admirador das qualidades deste jovem atleta. A sua versatilidade permite-lhe actuar em qualquer dos flancos - embora prefira vê-lo na direita. Rápido, possante e dotado no aspecto técnico, tem tudo para se impor de imediato numa equipa onde os padrões de exigência são elevados para os estreantes.

Léo - Foi "vendido" como internacional brasileiro mas, tal como a tantos outros, esse é um estatuto que só com muito boa vontade lhe pode ser atribuído. Não deverá constar do generoso lote de opções para a sua posição no "escrete" e, no Benfica, vai encontrar na sua baixa estatura um problema crónico, até porque a envergadura física do onze terá de ser uma preocupação de Koeman, tendo em conta as características dos restantes elementos do plantel. Note-se que não quero com isto dizer que não se trata de um bom jogador, apenas pretendo "avisar" aqueles que esperam que o lateral-esquerdo "faça a diferença". É rápido e evoluído tecnicamente.

MEIO-CAMPO

Vamos resolver, de uma vez por todas, uma questão que já me enerva. Desde Valdo e Rui Costa que os encarnados convivem com um fantasma: não há quem não garanta que o Benfica precisa de um "camisola 10". Não há pachorra! Alguém é capaz de me dizer que equipa, no "mundo ocidental", utiliza um elemento nessas funções?! E, já agora, quantos jogadores com essas características existem no mundo?! Assim de repente, só me lembro de três, e desses, só um exerce a missão com regularidade.
Aquilo de que o Benfica precisa, neste sector, é de alguém que contribua para a gestão da manobra ofensiva e aumente a qualidade da circulação de bola. Karagounis pode vir a ser uma solução para este problema, bem como Karyaka.

Karyaka - Sei que os apaniguados do emblema da águia não estão encantados com o russo, mas continuo convencido da sua qualidade. Não será, certamente, um fora-de-série, mas acredito que possui características que podem vir a ser muito úteis ao colectivo. Em 4-3-3, com um "triângulo" aberto, pode preencher o vértice esquerdo com um lote completo de soluções: qualidade de passe e ocupação do espaço ao centro ou preenchimento do corredor, em função das movimentações de Simão. Ao lado de Manuel Fernandes, ou mesmo de Karagounis, numa versão mais arrojada, oferece outra dimensão a uma tentativa de implementar um estilo de ataque continuado numa equipa há muito habituada a soluções mais directas.

Karagounis - Uma versão semelhante à anterior, onde ponderação e subtileza são substituídas por velocidade e determinação. Não sendo o "camisola 10" que tantos reclamavam, poderá vir a desempenhar uma tarefa fundamental na reconstrução do meio-campo encarnado. Muito forte na transição defensiva, o sector necessitava de alguém que, além de criar linhas de passe, alternasse o transporte de bola - opção primeira de Nuno Assis - com uma circulação eficaz, sem nunca descurar a segunda linha de pressão no momento da recuperação. A minha única dúvida está relacionada com o errático ritmo de utilização de que dispôs nas últimas temporadas.

ATAQUE

Mesmo evitando a piada fácil dos pontas-de-lança que não chegaram, é impossível fugir a uma realidade: a manifesta insuficiência das opções disponíveis para a função. Uma equipa que se prepara para disputar três competições de enorme exigência - Liga dos Campeões incluída - não pode depender apenas de dois elementos, sobretudo quando estes apresentam um preocupante historial clínico. Ainda assim, caso se mantenha saudável, acredito que Nuno Gomes poderá beneficiar muito da filosofia de jogo que Koeman pretende implantar.
Se, no eixo do sector, a escassez de soluções é um problema evidente, as alas mantêm um elevadíssimo padrão de qualidade, sendo obrigatório constatar o acréscimo provocado pela chegada de Miccoli.

Miccoli - Desde que empenhado nesta sua aventura por terras lusas, o italiano constitui uma inegável mais-valia. Pode actuar em qualquer posição na frente de ataque e tem uma natural empatia com as balizas adversárias. Longe de ser um jogador capaz de imprimir permanente intensidade, parece esperar pela ocasião ideal para "explodir": em poucos metros - e menos segundos - é capaz de conquistar o espaço necessário para fazer a diferença.

CONCLUSÃO

Apesar de manter inalterada grande parte da estrutura que lhe garantiu o título, será necessário aguardar algum tempo para aferir o real valor desta equipa. As novas ideias trazidas por Ronald Koeman necessitam de "sedimentação" mas, tudo indica, o holandês dispõe de um grupo mais equilibrado do que aquele que o seu antecessor orientou. Miccoli é um reforço de qualidade superior, mas a chegada de Nélson, Beto, Karyaka ou Karagounis não serão menos importantes, pois oferecem soluções diversas e complementares. Resta saber até quando a saúde de Nuno Gomes e Mantorras poderá aguentar. Uma última reserva: serão muitas as ocasiões em que o Benfica se apresentará com um onze de baixa estatura, o que lhe poderá valer alguns dissabores, principalmente em lances de bola parada.

PS - Peço desculpa pelo aparecimento tardio deste "post-scriptum" - cerca de 24 horas depois da publicação do post - mas vem colmatar um lapso imperdoável: a abortada transferência de Simão.

Independentemente de o negócio ter sido, numa determinada altura, dado por concluido - por 15 milhões de euros -, cenário que só a pressão de certos grupos veio alterar, parece-me que a permanência do camisola 20 é um indiscutível benefício para os encarnados.

Vender Simão por 3 milhões de contos seria um bom negócio, mas a relação custo/benefício levantava sérios problemas. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, à época da sua transferência para Manchester, ou mesmo de Rochemback ou Rui Costa, Simão é a principal referência deste Benfica. Além de ser o melhor elemento do plantel e a fundamental fonte de desequilíbrios ofensivos, é um símbolo cuja substituição seria praticamente impossível.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Só mais um

A Selecção Nacional está a apenas um ponto da qualificação para o Mundial da Alemanha.

Num mundo ideal, a nação portuguesa estaria envergonhadamente agradecida ao guarda-redes suplente do Sporting Clube de Portugal...

PS - Força Eusébio. Se aguentares mais noventa minutos o recorde estará seguro!

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Inquérito "Criticos da Bola"

Ao que parece Beto, Edson e Custódio não vão recuperar para o derby. Deste modo, Tonel, Tello e Luis Loureiro vão ser titulares. Pelo (pouco) que vi do Sporting esta época, esta situação deixou-me a pensar na seguinte questão:

A que minuto será expulso Loureiro no próximo sábado?

Eu aposto no min. 41.

domingo, 4 de setembro de 2005

QUO VADIS?

(e não vale responder: "bem obrigadinho"...)

Tenho assistido, nos últimos tempos, a um fenómeno curioso que, confesso, me provoca alguma perplexidade.

Alvo de cerradas críticas na Comunicação Social, na blogosfera e nas bancadas de Alvalade, Ricardo foi entusiasticamente apoiado pelos adeptos da Selecção Nacional, quer nos trabalhos de preparação, quer no encontro frente ao Luxemburgo.

Ao que parece, o incentivo resultou.

Pelo contrário, para os lados do Campo Grande, o camisola 76 transformou-se na razão de todos os males e já não há quem não louve as "inúmeras" qualidades de Nélson...

Assim sendo, não posso deixar de me questionar: quem beneficia com os assobios e os apupos?

Qual será, afinal, a cor clubística de quem tanto critica o guardião leonino?

Saberão quem são? Quem apoiam? Para onde vão?

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

O novo FC Porto

Chegou a altura de cumprir o prometido. Encerrado que está o período de transferências, regresso à análise dos plantéis dos três "grandes".

Para evitar conteúdos redundantes, limitarei a abordagem individual aos elementos que não constam do post de Junho.

A chegada de Co Adriaanse provocou uma pequena revolução no seio do dragão, fruto de uma nova abordagem aos princípios de jogo e de rígidos critérios disciplinares. O cunho da mudança fica bem expresso em algumas opções, das quais o afastamento de Jorge Costa e a tentativa de "domesticar" Ricardo Quaresma são paradigma.

DEFESA

Parece-me ser este o sector em que o FC Porto evidencia maiores debilidades. Na lateral direita, o desconhecido Sonkaya não apresentou ainda credenciais que lhe garantam o estatuto de indiscutível mas a presença de Bosingwa poderá conferir estabilidade ao flanco, bem como ajudar o jovem polivalente a encontrar, definitivamente, uma função específica. O principal problema, quanto a mim, estará no eixo, uma vez que dificilmente uma dupla formada por Pedro Emanuel e Ricardo Costa pode ser vista como complementar. Pepe, o único central rápido no grupo azul e branco, peca ainda por enorme imaturidade, pese embora possuir características que lhe poderiam conceder outra projecção. A incógnita paira sobre o lado esquerdo, onde o adaptado César Peixoto tem dado boa conta de si.

Fatih Sonkaya - Pouco ou nada conheço do percurso deste possante lateral e, tendo em conta aquilo que já foi possível observar, confesso que não fiquei muito impressionado. Terá, neste início de época, o benefício da dúvida.

Marek Cech - Aqui sou obrigado a confessar a minha ignorância. Fica apenas uma vaga impressão de um jogo da selecção de Sub-21, mas só o tempo me permitirá formar uma opinião.

MEIO-CAMPO

Se, no que aos nomes diz respeito, não se registam grandes novidades em relação à referida análise anterior, a verdade é que o técnico holandês promoveu mudanças estruturais importantes. Raul Meireles - para meu contentamento - tem sido uma forte aposta para o posto mais recuado enquanto Lucho González vai confirmando tudo o que dele se esperava. Esgotada que parece estar a ideia peregrina de transformar Postiga num organizador de jogo, Diego regressou ao comando de um sector que promete solidez e versatilidade.

ATAQUE

As saídas suplantaram em larga medida as entradas, mas ninguém poderá dizer que o ataque portista carece de opções. Jorginho tem sido utilizado nas alas, confirmando sempre o valor que há muito alguns lhe reconhecem, enquanto Lizandro López vai "conquistando" o lugar de Derlei, no terreno e no coração dos adeptos. O grau de motivação de McCarthy pode, porém, ser determinante para a capacidade de concretização de uma equipa na qual, para já, Ricardo Quaresma parece talhado a desempenhar um papel secundário.

CONCLUSÃO

Parece-me pacífico afirmar que o FC Porto parte mais forte para esta nova temporada. O plantel azul e branco é mais coeso e equilibrado do que na época transacta e os reajustes efectuados permitiram a chegada de atletas de indiscutível qualidade. Se Co Adriaanse conquistar a dedicação e a lealdade do grupo, serão fortíssimos.

Calhaus

O último dia do período de transferências foi, como se previa, animado, mas mais duro do que eu poderia pensar.

Acabei por passar ao lado dessas emoções já que, enquanto se ultimavam as derradeiras transacções, preferiram transportar-me para o hosptital, não fosse eu exercer alguma má influência sobre os inúmeros negócios em curso...

Aparentemente, os meus rins têm tantos calhaus como o plantel dos três grandes e, acreditem, quando um deles tenta sair - só descobri isto hoje, com 30 anos -, é pior do que a venda do Figo ou do Rui Costa.

Percebo melhor as opiniões mais exaltadas de alguns leitores, plenas de dor pungente, que surgem sempre que se projecta a partida deste ou daquele "craque".

Eu, por mim, limito-me a desejar que o calhau que hoje expeli se chamasse Tello, João Pereira ou Cláudio Pitbull.

PS - Tenciono estar em melhor forma nos próximos dias, para analisar o que de importante se passou neste encerramento de mercado.