quarta-feira, 31 de agosto de 2005

E no último dia... Muda tudo

Afinal, os grandes de Lisboa gostam mesmo de "suspense"...

O Benfica esperou pelo último dia do período de transferências para assegurar os reforços prometidos - e não só - enquanto, do outro lado da segunda circular, um plantel que se pretendia fechado está prestes a sofrer uma pequena... revolução.

Wender é apenas a face óbvia do que poderá ser um leão de cara renovada.

Resta saber se para melhor...

PS - Acredito que os adeptos verde e brancos tenham um valente susto pela manhã, mas não sei quantos ataques cardíacos poderão acontecer entre os encarnados...

sábado, 27 de agosto de 2005

Será que a crise atravessou a segunda circular?

O Benfica perdeu em casa com o Gil Vicente, por 2-0, num encontro que poderia ter resolvido a seu favor, tranquilamente, nos primeiros vinte minutos.

À passagem da segunda jornada, os encarnados contabilizam apenas um magro pontinho, numa altura em que são obrigados a preparar a visita a Alvalade.

Não me parece que se trate de um problema grave, nem muito menos de uma crise, contudo, por "pecados" menores, os vizinhos de verde e branco - nomeadamente o seu treinador - seriam crucificados...

Não vou, certamente - e ainda bem -, ouvir pedidos para que um "período de reflexão" seja imposto a Simão ou Anderson, nem insinuações sobre a guilhotina que pende sobre a cabeça de um treinador que, em apenas dois encontros, deitou cinco pontos pela janela...

Haja bom senso... para todos!

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

O insustentável peso de decidir

Acabo de chegar de Udine, monótona vila perdida num enclave entre Friuli e a Eslovénia e, confesso, não estou lá muito bem disposto...

Habituei-me, ao longo de muitos anos de experiência competitiva, a viver com intensidade os momentos decisivos, já que estes proporcionam sensações e emoções ímpares. Há poucas horas, quando as equipas entravam no relvado, as minhas mãos tremiam e, apesar de não ser o futebol a modalidade que pratiquei, verifiquei, mais uma vez, que isto me está no sangue: tal como em 2003/2004, no Benfica - Lázio, disputado no Estádio do Bessa, daria tudo para trocar de lugar com um daqueles tipos, para ter a oportunidade de voltar a viver um momento daqueles.

A responsabilidade pesa, sim, mas de forma diferente para cada um. Se, para alguns, serve de "combustível", de factor de superação, para outros constitui-se como insuportável fardo. O "triunfo" dos segundos incomoda-me. É um desperdício.

Irritação à parte, uma palavra para as causas do desastre leonino. Tenho, aqui e noutros locais, com assinalável regularidade, defendido o técnico do Sporting e a qualidade da sua equipa. Hoje, como não podia deixar de ser, reconheço os erros do primeiro e o fracasso da segunda.

Este binómio revela uma inquietante tendência para claudicar nos momentos decisivos - podem ler mais aqui, perdoando a recorrente publicidade - e os sintomas da "maleita" foram, em Udine, mais evidentes que nunca.

Ao contrário do que é habitual, José Peseiro condicionou a estratégia em função das características do adversário, optando por incluir Luís Loureiro num onze onde pontificava um meio-campo de "combate" - Sá Pinto, João Moutinho e Rochemback (na meia esquerda?!). Douala, esse, foi fazer companhia a Liedson na frente, procurando ocupar a faixa esquerda.

Apesar de conhecer os motivos que levaram à sua utilização, parece-me um claro equívoco a aposta em Loureiro, um atleta sem ritmo competitivo - não estou para discutir, a esta hora, a qualidade intrínseca do jogador - e pouco ou nada identificado com o elaborado modelo de jogo verde e branco. Os principais lances de perigo gerados pela Udinese no primeiro tempo não tiveram origem em contra-ataques, mas sim em recuperações de bola em pleno meio-campo adversário. À falta de elementos capazes de criar linhas de passe - e/ou utilizá-las -, as tentativas de ultrapassar a primeira linha de pressão dos italianos em progressão esbarravam em erros sistemáticos.

Compensará, num encontro decisivo em que a vitória é uma obrigação, proceder a tantas mudanças estruturais - Loureiro, Douala, Rochemback...? A meu ver, e diria o mesmo antes do apito inicial, a resposta é um rotundo não!

As alterações ao figurino não ficaram, contudo, por aqui. Perante as persistentes situações de igualdade - ou inferioridade - numérica no sector defensivo, Peseiro optou por uma solução que, como revelou no final da partida, já havia sido ensaiada: Luís Loureiro passou a desempenhar as funções de terceiro central, de forma a garantir a presença de três elementos para fazer face às incursões de Di Natale e Iaquinta, enquanto os laterais receberam "ordem de soltura". Conclusão: Rogério, Tello, Edson e, até, Deivid (?!) nunca foram capazes de alargar o futebol leonino e o meio-campo continuou órfão de um "pivot" defensivo que ajudasse ao equilíbrio e apoiasse as linhas de passe.

Ora, se o que mais admiro no que o técnico de Coruche conseguiu em Alvalade se prende com a criação de uma inequívoca identidade colectiva - na época transacta, os leões assumiram-na em terrenos tão difíceis como os de Feyenoord, Middlesbrough ou Newcastle - não posso deixar de ficar chocado com a esquizofrenia de Udine: ao fazer concessões ao adversário numa partida que precisava de vencer, perdeu a iniciativa e, consequentemente, a oportunidade de pressionar - no sentido figurado, bem como no literal. No confronto táctico e psicológico entre o carismático Serse Cosmi e José Peseiro... vantagem de lá...

Em suma, numa ocasião em que bastava vencer para - pelo menos - evitar a eliminação, a excessiva preocupação com as qualidades do oponente hipotecou a qualidade futebolística que tantas vezes aqui louvei.

Consciente que, depois do jogo, é fácil criticar e analisar, esta não deixa de ser uma boa ocasião para clarificar a minha opinião nesta matéria: posso ser o primeiro a apelar ao bom senso quando vejo que uma equipa fez tudo o que estava ao seu alcance para vencer e, até, o suficiente para o conseguir - como o Sporting na final da Taça UEFA ou o Benfica no empate em Leiria - mas não deixo de apontar os erros quando eles existem.

O Sporting não perdeu por ser ingénuo e privilegiar a hipotética qualidade do seu futebol, mas sim porque abdicou dessas características. Ao ignorar a sua identidade, permitiu que a Udinese fosse, efectivamente, melhor e a verdade é que os transalpinos conquistaram uma inédita presença na Liga dos Campeões com inteira justiça.

PS - Sou um confesso admirador das qualidades de Ricardo mas, como é óbvio, o montijense atravessa um período extremamente difícil. Sendo certo que, em dois jogos consecutivos, cometeu dois erros inacreditáveis - enormes "frangos", em bom "futebolês" - a verdade é que está longe de ser o responsável pela eliminação do Sporting. Espero, claro, a crucificação habitual...

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Luís Campos

Bem sei que há muito não aparece por aqui um antigo "cliente habitual", mas não resisto a voltar a este tema.

A especulação sobre a duração do consulado dos vários treinadores da SuperLiga tem sido assunto privilegiado na blogosfera e nas redacções dos jornais - as apostas fervem -, mas há outro "mistério" que me parece merecedor de alguma atenção.

Aproveitando para mencionar a Liga Zandinga, louvável iniciativa dos nossos colegas do QQ2 - fui surpreendido pela ausência de acesso à Internet, o que impediu de proceder à minha inscrição - aqui deixo o meu "palpite" sobre os dois técnicos que poderão ter maior dificuldade em segurar o lugar: José Gomes (Leiria) e Norton de Matos (Setúbal).

De qualquer forma, eis o repto que pretendo lançar:

- acham que Luís Campos ainda vai orientar uma equipa da SuperLiga na temporada 2005/06?

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Lição holandesa

Bem sei que aquilo que me preparo para escrever não é pacífico, nem muito menos presumo estar na posse absoluta da razão. Pelo contrário, trata-se de um tema relativamente ao qual a opinião de cada um diverge em função de valores e princípios inteiramente legítimos, por serem pessoais.

Acredito, porém, que para os adeptos - e agentes - do futebol - e do desporto em geral - o progresso da modalidade deve ser a prioridade, independentemente dos objectivos pessoais ou dos interesses deste ou daquele clube. O que for melhor para a actividade no seu todo trará, inevitavelmente, benefícios aos emblemas nela envolvidos.

Este princípio ultrapassa, no meu entender, a esfera da gestão administrativa e financeira, estendendo-se à área da estratégia desportiva: a forma como uma equipa de um clube de grande dimensão joga não pode ser alheia ao bem-estar da modalidade.

Tenho lido e ouvido diversas opiniões sobre o futebol do Sporting que me deixam confundido, para não dizer chocado. Aos leões são apontadas fragilidades defensivas, problemas de organização e, simultaneamente, deficiências no capítulo da finalização. Ora, se qualquer destas observações é pertinente e legítima, as ilações que daí se retiram são, no mínimo, ridículas.

Quando se aponta a criatividade do sector intermédio e o estilo agradável que caracteriza a filosofia de jogo verde e branca como raiz de todos os males, o meu cérebro recorda instantaneamente as críticas que os mesmos protagonistas dirigiram ao futebol calculista e de contenção que levou a Grécia à vitória no Euro' 2004. Em que ficamos?

O problema do Sporting não é, nem nunca será, a mentalidade ofensiva da sua equipa ou a vontade de agradar ao público que, com assinalável lealdade, acorre às bancadas de Alvalade. Estes devem, aliás, ser parâmetros exigidos pelos dirigentes aos treinadores responsáveis por orientar clubes de topo - no seu universo particular, ou seja, Benfica, FC Porto e Sporting em Portugal, como Real Madrid e Barcelona em Espanha ou Ajax e PSV na Holanda.

A vontade de jogar futebol da forma como este extraordinário desporto deve ser praticado tem de ser mais importante que o imediato sucesso desportivo. Não quero com isto dizer que, perante um encontro decisivo, se sacrifique o resultado a um espectáculo agradável, apenas que, a médio/longo prazo, será sempre preferível construir uma equipa capaz de vencer e encher estádios com um estilo atractivo. Quanto maior for o número de formações a aderir a esta filosofia, maiores benefícios recolherá cada um dos intervenientes nesta actividade.

Utópico? Talvez, mas apenas devido à visão estreita e limitada que os agentes desta indústria - dirigentes, treinadores, empresários, jornalistas e... adeptos - insistem em sustentar.

Recordo-vos que uma das razões pela qual este desporto é capaz de provocar emoções ímpares se prende com a incerteza no resultado: com apenas um erro ou uma acção bem sucedida a separar uma derrota de um triunfo, torna-se possível e, até, frequente, que a melhor equipa não vença. Isto não quer dizer, contudo, que esse conjunto não continue a ser superior e, sobretudo, que o facto de produzir futebol de maior qualidade não lhe permita vencer mais vezes.

Ainda este sábado ouvi um dos técnicos com maior sucesso no futebol actual, Carlos Bianchi, afirmar, em resposta a uma crítica sobre a permeabilidade defensiva do seu Atlético de Madrid, que quem pretende implementar uma mentalidade ofensiva tem de estar preparado para sofrer golos.

Continuando no campo das referências, lembro-me também de uma máxima muito do agrado de um treinador holandês que deixou uma marca indelével no futebol mundial - e na minha forma de conceber esta modalidade: "Não me importo que a minha equipa sofra nove golos, desde que marque sempre mais um do que o adversário". Não me refiro, infelizmente, a nenhum dos representantes do País Baixo na nossa SuperLiga - embora, como eu, tenham sido por ele influenciados - , mas sim a Johann Cruyjff.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Ui... dinese

Antes de mais, penitencio-me pela falta de aviso relativo a esta ausência prolongada, motivada por um (demasiado curto) período de férias. Tencionava manter-me em contacto com a blogosfera mas uma inesperada dificuldade de acesso à Internet não mo permitiu.

Regresso ao trabalho no dia seguinte à estreia do Sporting em encontros de carácter oficial apenas para verificar que, para já, pouco mudou entre os leões no que à relação qualidades/lacunas diz respeito.

Do muito que já tenho lido sobre a partida frente à Udinese e sobre o futuro desta pré-eliminatória, sinto-me inclinado a fazer alguns comentários.

Estava, desde o momento do sorteio, apreensivo quanto ao desfecho do embate que pode permitir o acesso à Liga dos Campeões mas, ao contrário do que muitos poderão pensar, não encaro com qualquer sombra de fatalismo o que falta disputar desta eliminatória.

Sendo verdade que, apesar de razoavelmente inofensiva durante os noventa minutos, a formação italiana garantiu uma vantagem importante para a segunda mão, a inoperância ofensiva dos homens de Udine, provocada pela pressão exercida pelos verde e brancos, deixa antever um interessante desafio às suas capacidades na condição de anfitriões.

Creio que todas as decisões estão ainda em aberto e, tendo em conta o volume ofensivo garantido pelo Sporting em Alvalade - mais de 70 por cento de posse de bola e inúmeras oportunidades de golo - será difícil aos transalpinos aguentar mais 90 minutos sem sofrer qualquer golo.

Uma palavra ainda para as ausências de Rochemback e Edson: ao contrário do que sucedia na época transacta, é no meio-campo - fundamentalmente sobre os flancos - que as opções são, de momento, limitadas, razão pela qual os dois brasileiros poderiam dar outra dimensão ao futebol do Sporting - com Edson, Tello (péssimo, ontem) seria opção para o "miolo" ou vice-versa.

Este dado é tão mais importante quanto se refere a dois elementos que desempenham um papel preponderante na execução de lances de bola parada. É, seguramente, difícil preparar tão importante disputa durante tanto tempo e, em cima da hora, perder opções fundamentais na estratégia montada.

A "hora da verdade", neste caso, são três - 180 minutos, para os mais distraídos - e só em Itália se ficará com a verdadeira imagem deste novo leão. O tempo para solidificar os processos, contudo, escasseia...

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Pequena análise aos 3 grandes

Estou de volta. Após algum tempo de prolongada ausência, por motivos profissionais, volto com um pequeno post a analisar o estado dos três maiores clubes portugueses. Sei que não tenho a capacidade de análise e a excelência da escrita do meu amigo Jean, mas gosto de dizer uns disparates por isso aqui vai uma pequena análise aos três grandes após a pré-temporada.

Sporting
Pelo que tenho visto não está pior do que na época passada. As saídas não foram tantas como se esperavam e os poucos reforços que apareceram (principalmente Deivid e Edson) parecem ser bastante úteis. A minha maior preocupação está nos defesas centrais. O ano passado não estiveram bem e este ano sem Enakarihre temo o pior. Falta um jogador de classe para jogar ao lado de Beto. De resto, Edson parece ser um bom substituto para Rui Jorge (ainda por cima marca golos), o meio campo apesar das saídas continua com bastantes soluções, e o ataque está mais forte com a entra de Deivide (especialmente mais forte se deste modo não tiver que jogar o Sá Pinto).

Porto
Ainda é para mim uma incógnita, o potencial desta equipa. Parece ter muitas soluções do meio campo para a frente e por vez pratica bom futebol. No entanto não podem jogar todos, o que pode vir a trazer confusão no balneário, e a defesa não me parece ter a força de outros anos. Espero que quando as coisas começarem a correr mal comecem todos as cabeçadas e a equipa se destrua.

Benfica
O campeão nacional parece-me o mais forte dos três. Aproveitando a receita da venda de Miguel, contratou Tomasson e Kalou e tem agora um ataque temível. Juventus e Chelsea já sentiram bem o poderio ofensivo desta equipa. De resto, Beto parece uma boa (surpreendente) contratação e a defesa parece a mais segura dos três grandes, com várias alternativas, especialmente no centro da defesa, onde possuem 4 boas alternativas.

Bem, venham os jogos oficiais... FORÇA SPORTING!!!!!