agora sim, começa a ficar interessante o futebol do cá nosso burgo, perdão os bastidores dessa enorme indústria nacional ...
quanto não pagaria o sr. feliz (josé) para estar na pele do sr. contente (jacob) .. ele há coisas do arco da velha então não é que o sr. contente se dá ao luxo de pedir aos adeptos para mostrarem lenços brancos porque assim que o fizeram ele bate com a porta ... e ao invés o sr. feliz (que até já pode mudar de indústria e por exemplo exercer actividade na área financeira, numa leasing, locadora, factoring, banco, etc ... uma vez que todas elas também têm crédito) tudo tem feito para não o mandarem embora, ou seja, um quer sair e o outro quer entrar respectivamente em cada uma das SAD`s ...
um, o sr. feliz mente aos media e diz que a sua equipa fez sempre um grande jogo e que vai decidir aquilo que for melhor para o grupo, o outro, o sr. contente, mente à equipa e diz que o futebol de ataque é que permite ganhar jogos (com muitos golos, por exemplo 2-3) ...
um tem excelentes intérpretes da modalidade e faz com que eles circulem a bola, o outro tem bons guias intérpretes para as diferentes linguagens utilizadas pelo plantel !
um faz uma gestão do plantel em termos de recursos humanos e diferencia claramente os vários sectores (claro que não repararam bem, o quaresma não estava a jogar a defesa central no golo dos eslovacos), o outro faz uma gestão diferenciada dos recursos humanos, formando nos treinos dois grupos de atletas: os que o mandam levar no c... e os que o mandam para o c...., com a diferença de que relativamente aos primeiros ele entra no dia a seguir junto com eles no treino e pede para da próxima porem vaselina, não os convoca e é aplicada multa, e relativamente aos segundos é aplicada multa e são titulares ... parece democrática e coerente esta gestão do plantel diferenciada, desta forma o jogador só tem que escolher o que quer dizer (uma vez que o sotaque é sempre o mesmo) e em função disso pagar a respectiva multa e esperar a sanção disciplinar correspondente (é brilhante e é o futuro da gestão previsional de recursos humanos !)
o panorama socio-futebolístico (para não dizerem que não uso termos provincianos inventados pela indústria) faz-me lembrar uma rábula dum antigo programa de tv:
"...sr. contente, sr. contente, diga à gente como vai esse país ..."
sexta-feira, 30 de setembro de 2005
José Peseiro
Imagino que, para muitos dos habituais frequentadores deste blog, este seja o post que, secretamente, desejavam que eu escrevesse. Vários, senão todos, estarão convencidos de que sou um acérrimo defensor de José Peseiro, pese embora, por diversas vezes, tenha tentado explicar o contrário.
Tenho-me por um defensor do bom-senso e, de uma forma genérica, dos treinadores, habitualmente incompreendidos na sua missão. Se, no caso de Fernando Santos, Manuel José ou Quinito, a postura como líderes de um clube com ambições é sobejamente conhecida, permitindo aferir da sua utilidade ao serviço de um grande, numa determinada conjuntura, os técnicos em ascensão - podemos incluir aqui homens como José Peseiro, Vítor Pontes, Carlos Carvalhal, Carlos Brito ou, até, Manuel Machado - merecem, no meu entender, que lhes seja atribuído o benefício da dúvida, pelo menos até que seja possível retirar conclusões sobre a forma de trabalhar de cada um, ou seja, das suas características.
Sou da opinião - e mantenho-a - de que Peseiro tem sido criticado injustamente ou, sobretudo, pelas razões erradas. Ontem, assumiu responsabilidade pelo desastre, embora acredite que esta tem de ser partilhada com os jogadores - muitos aparentaram desejar estar bem longe dali - e com todos aqueles que, desprovidos de motivo, vaiaram a equipa e o seu treinador durante o confronto com o Vitória de Setúbal, numa atitude que transmitiu à equipa uma incompreensível dose de ansiedade.
Há, porém, uma plêiade de motivos para questionar o papel do técnico no arranque da presente temporada. Afirmei, neste espaço, em inúmeras ocasiões, que considerava como positiva a época transacta e que só a perspectiva de evolução - ou não - poderia conceder aos críticos informação suficiente para uma opinião devidamente fundamentada.
Tal como fundamentei aqui, deveria bastar ao leão uma clara preocupação em erradicar os defeitos identificados ao longo da pretérita temporada, complementada pelo esforço de assegurar a progressão das inegáveis qualidades evidenciadas. Aliás, como José Peseiro sustentou numa entrevista que nos concedeu, o fundamental passaria pela manutenção da identidade criada, "temperada" por uma maior solidez nos processos defensivos, de acordo com a margem de progressão que o próprio técnico reclamava para a sua equipa.
Pelo contrário, depois de falhar o acesso à Liga dos Campeões, esta equipa técnica afastou-se do caminho até então trilhado, enveredando por uma estratégia alternativa - sedimentada num 4-3-3 - que privilegiava os movimentos de penetração pelas alas e o alargar da frente de ataque.
O que tinha sido aventado como mera solução de recurso, para ultrapassar as dificuldades sentidas frente a adversários "fechados" junto da sua baliza, foi conquistando espaço como modelo prioritário, em detrimento das reconhecidas vantagens do sistema anterior.
No meu entender, José Peseiro sacrificou a identidade do "seu" Sporting a uma ilusão de pragmatismo, na esperança de conseguir chegar ao golo - e aos pontos - com menor envolvimento colectivo: isto é, tal como o Benfica campeão, marcar sem construir.
A decisão, mais ou menos consciente, fê-lo refém da desejada eficácia e, sobretudo, dos resultados. Se, no passado, o seu "crédito" não dependia exclusivamente do desfecho das partidas - a criação de um modelo de jogo, o espectáculo atractivo e a promoção da imagem do clube enquanto paradigma do futebol atacante garantiam-lhe margem de manobra -, este novo rumo concede-lhe um estatuto semelhante ao de Fernando Santos: ou seja, a sua utilidade é aferida na exclusiva medida dos resultados, no curto prazo.
Agora, em circunstâncias difíceis, a partida de Paços de Ferreira será decisiva para determinar o futuro do técnico. Mais do que uma eventual decisão da SAD relativamente à sua continuidade, em causa está um factor fundamental: na capital do móvel ficará claro até que ponto os jogadores estão dispostos a defender o seu líder. Uma exibição ao nível da protagonizada ontem, em Alvalade, será a garantia de que nada mais José Peseiro terá a dar a este Sporting.
PS - Sabendo que é na hora da derrota que se revela o carácter de um homem, ontem, mais do que nunca, exigia-se uma postura diferente por parte de alguns responsáveis leoninos. Se, ao intervalo, se impunha uma atitude - que não podia partir exclusivamente do treinador - junto do balneário, no final da partida era necessária uma decisão sólida e concertada: a manutenção de José Peseiro no comando técnico obrigava a uma inequívoca manifestação de solidariedade e confiança, ausente das declarações de Rui Meireles e, sobretudo, de Paulo de Andrade. Independentemente do desfecho deste processo, não poderão fugir às suas responsabilidades.
Tenho-me por um defensor do bom-senso e, de uma forma genérica, dos treinadores, habitualmente incompreendidos na sua missão. Se, no caso de Fernando Santos, Manuel José ou Quinito, a postura como líderes de um clube com ambições é sobejamente conhecida, permitindo aferir da sua utilidade ao serviço de um grande, numa determinada conjuntura, os técnicos em ascensão - podemos incluir aqui homens como José Peseiro, Vítor Pontes, Carlos Carvalhal, Carlos Brito ou, até, Manuel Machado - merecem, no meu entender, que lhes seja atribuído o benefício da dúvida, pelo menos até que seja possível retirar conclusões sobre a forma de trabalhar de cada um, ou seja, das suas características.
Sou da opinião - e mantenho-a - de que Peseiro tem sido criticado injustamente ou, sobretudo, pelas razões erradas. Ontem, assumiu responsabilidade pelo desastre, embora acredite que esta tem de ser partilhada com os jogadores - muitos aparentaram desejar estar bem longe dali - e com todos aqueles que, desprovidos de motivo, vaiaram a equipa e o seu treinador durante o confronto com o Vitória de Setúbal, numa atitude que transmitiu à equipa uma incompreensível dose de ansiedade.
Há, porém, uma plêiade de motivos para questionar o papel do técnico no arranque da presente temporada. Afirmei, neste espaço, em inúmeras ocasiões, que considerava como positiva a época transacta e que só a perspectiva de evolução - ou não - poderia conceder aos críticos informação suficiente para uma opinião devidamente fundamentada.
Tal como fundamentei aqui, deveria bastar ao leão uma clara preocupação em erradicar os defeitos identificados ao longo da pretérita temporada, complementada pelo esforço de assegurar a progressão das inegáveis qualidades evidenciadas. Aliás, como José Peseiro sustentou numa entrevista que nos concedeu, o fundamental passaria pela manutenção da identidade criada, "temperada" por uma maior solidez nos processos defensivos, de acordo com a margem de progressão que o próprio técnico reclamava para a sua equipa.
Pelo contrário, depois de falhar o acesso à Liga dos Campeões, esta equipa técnica afastou-se do caminho até então trilhado, enveredando por uma estratégia alternativa - sedimentada num 4-3-3 - que privilegiava os movimentos de penetração pelas alas e o alargar da frente de ataque.
O que tinha sido aventado como mera solução de recurso, para ultrapassar as dificuldades sentidas frente a adversários "fechados" junto da sua baliza, foi conquistando espaço como modelo prioritário, em detrimento das reconhecidas vantagens do sistema anterior.
No meu entender, José Peseiro sacrificou a identidade do "seu" Sporting a uma ilusão de pragmatismo, na esperança de conseguir chegar ao golo - e aos pontos - com menor envolvimento colectivo: isto é, tal como o Benfica campeão, marcar sem construir.
A decisão, mais ou menos consciente, fê-lo refém da desejada eficácia e, sobretudo, dos resultados. Se, no passado, o seu "crédito" não dependia exclusivamente do desfecho das partidas - a criação de um modelo de jogo, o espectáculo atractivo e a promoção da imagem do clube enquanto paradigma do futebol atacante garantiam-lhe margem de manobra -, este novo rumo concede-lhe um estatuto semelhante ao de Fernando Santos: ou seja, a sua utilidade é aferida na exclusiva medida dos resultados, no curto prazo.
Agora, em circunstâncias difíceis, a partida de Paços de Ferreira será decisiva para determinar o futuro do técnico. Mais do que uma eventual decisão da SAD relativamente à sua continuidade, em causa está um factor fundamental: na capital do móvel ficará claro até que ponto os jogadores estão dispostos a defender o seu líder. Uma exibição ao nível da protagonizada ontem, em Alvalade, será a garantia de que nada mais José Peseiro terá a dar a este Sporting.
PS - Sabendo que é na hora da derrota que se revela o carácter de um homem, ontem, mais do que nunca, exigia-se uma postura diferente por parte de alguns responsáveis leoninos. Se, ao intervalo, se impunha uma atitude - que não podia partir exclusivamente do treinador - junto do balneário, no final da partida era necessária uma decisão sólida e concertada: a manutenção de José Peseiro no comando técnico obrigava a uma inequívoca manifestação de solidariedade e confiança, ausente das declarações de Rui Meireles e, sobretudo, de Paulo de Andrade. Independentemente do desfecho deste processo, não poderão fugir às suas responsabilidades.
Peseiro é melhor que o "Bet and Win"
Ontem com um investimento de apenas 15 Euros, ganhei 160. Foi fantástico!
Senão vejamos. O ano passado gastei (se não estou em erro):
Rapid - 15 Euros
Panionos - 20 Euros
Sochaux - 20 Euros
Feyenord - 20 Euros
Boro - 20 Euros
Newcastle - 20 Euros
Az- 25 Euros
CSKA - 35 Euros
Total: 175 Euros
Esta época, gastei apenas 15, pois o jogo com a Udinese foi a borla.
Esta época o Sporting está-se a revelar um grande investimento.
P.S. Eu sei que culpar unicamente Peseiro do descalabro de ontem é um exagero, mas é obviamente um dos maiores culpados
Senão vejamos. O ano passado gastei (se não estou em erro):
Rapid - 15 Euros
Panionos - 20 Euros
Sochaux - 20 Euros
Feyenord - 20 Euros
Boro - 20 Euros
Newcastle - 20 Euros
Az- 25 Euros
CSKA - 35 Euros
Total: 175 Euros
Esta época, gastei apenas 15, pois o jogo com a Udinese foi a borla.
Esta época o Sporting está-se a revelar um grande investimento.
P.S. Eu sei que culpar unicamente Peseiro do descalabro de ontem é um exagero, mas é obviamente um dos maiores culpados
quinta-feira, 29 de setembro de 2005
O preço da braçadeira
A escola de formação dos dragões é há muito conhecida como uma verdadeira fábrica de defesas-centrais, tradição materializada nos inúmeros atletas de enorme qualidade que saíram da "cantera" do FC Porto - de Lima Pereira a Fernando Couto, de Jorge Costa a Ricardo Carvalho, entre muitos outros.
Infelizmente, como noutras actividades, nem sempre a qualidade do produto fabricado corresponde aos requisitos impostos ao fabricante. Como tantas vezes sucede nesta economia de mercado, a deficiente produção é muitas vezes escamoteada com acções de marketing, "opinion-making" e promoção diversa.
Existe, na actual formação azul e branca, um paradigma desta distorção capitalista.
Não me entendam mal: das equipas da Liga portuguesa, o FC Porto é, de longe, a que mais me impressionou, quer pela diversidade de soluções de enorme qualidade, quer pela intensidade da sua fase ofensiva.
Tem, porém, claras dificuldades na organização do processo defensivo, agravadas pelas soluções individuais no quarteto que compõe o sector recuado.
Órfão de laterais de raiz, Adriaanse recorreu a adaptações para as alas, mas é, sobretudo, no eixo que encontra obstáculos ao sucesso. A utilização de César Peixoto ou Bosingwa, elementos de características muito ofensivas, exige uma sólida dupla de centrais - e, já agora, um médio capaz de efectuar as indispensáveis compensações, inexistente desde que o holandês abdicou de Raul Meireles.
Há vários anos que, constantemente, me tentam "vender" o novo Fernando Couto, aquele que será, também, o sucessor de Jorge Costa na liderança do balneário. Com pouco mais de vinte anos, já foi seleccionador nacional de Sub-21, já orientou a turma das Quinas nuns Jogos Olímpicos e, hoje, enverga a braçadeira dos campeões mundiais. O futuro, garantem-me, chama-se Ricardo Costa.
Ora, como há também quem diga que, no futebol, o que hoje é verdade amanhã poderá ser mentira, vou tentar simplificar: esta mentira continuará a ser, amanhã ou depois, uma mentira.
Bem sei que fala tanto como Jorge Costa e que bate tanto como Fernando Couto, mas nunca terá qualidade para chegar aos calcanhares de qualquer um dos seus antecessores.
Vejo, em Ricardo Costa, arrogância, prepotência e incapacidade para assumir responsabilidades, predicados esses que não convivem amiúde com os verdadeiros líderes.
Vejo, em Ricardo Costa, deficiências no posicionamento, falta de velocidade para as corrigir e dificuldades em lidar com a pressão, faculdades que não habitam nos centrais de classe.
Vejo, em Ricardo Costa, a braçadeira de capitão do FC Porto, enquanto o seu legítimo dono - que é, ainda, sem sombra de dúvidas, o melhor dos cinco centrais do plantel - "apodrece", por decisão do técnico, nos balneários do Dragão.
Confesso que a postura e a filosofia de Co Adriaanse me agradam - não me estou a referir à disciplina -, mas esta é uma opção que não consigo entender. Pelo caminho, vão ficando os pontos que o líder pré-fabricado distribui com generosidade...
Infelizmente, como noutras actividades, nem sempre a qualidade do produto fabricado corresponde aos requisitos impostos ao fabricante. Como tantas vezes sucede nesta economia de mercado, a deficiente produção é muitas vezes escamoteada com acções de marketing, "opinion-making" e promoção diversa.
Existe, na actual formação azul e branca, um paradigma desta distorção capitalista.
Não me entendam mal: das equipas da Liga portuguesa, o FC Porto é, de longe, a que mais me impressionou, quer pela diversidade de soluções de enorme qualidade, quer pela intensidade da sua fase ofensiva.
Tem, porém, claras dificuldades na organização do processo defensivo, agravadas pelas soluções individuais no quarteto que compõe o sector recuado.
Órfão de laterais de raiz, Adriaanse recorreu a adaptações para as alas, mas é, sobretudo, no eixo que encontra obstáculos ao sucesso. A utilização de César Peixoto ou Bosingwa, elementos de características muito ofensivas, exige uma sólida dupla de centrais - e, já agora, um médio capaz de efectuar as indispensáveis compensações, inexistente desde que o holandês abdicou de Raul Meireles.
Há vários anos que, constantemente, me tentam "vender" o novo Fernando Couto, aquele que será, também, o sucessor de Jorge Costa na liderança do balneário. Com pouco mais de vinte anos, já foi seleccionador nacional de Sub-21, já orientou a turma das Quinas nuns Jogos Olímpicos e, hoje, enverga a braçadeira dos campeões mundiais. O futuro, garantem-me, chama-se Ricardo Costa.
Ora, como há também quem diga que, no futebol, o que hoje é verdade amanhã poderá ser mentira, vou tentar simplificar: esta mentira continuará a ser, amanhã ou depois, uma mentira.
Bem sei que fala tanto como Jorge Costa e que bate tanto como Fernando Couto, mas nunca terá qualidade para chegar aos calcanhares de qualquer um dos seus antecessores.
Vejo, em Ricardo Costa, arrogância, prepotência e incapacidade para assumir responsabilidades, predicados esses que não convivem amiúde com os verdadeiros líderes.
Vejo, em Ricardo Costa, deficiências no posicionamento, falta de velocidade para as corrigir e dificuldades em lidar com a pressão, faculdades que não habitam nos centrais de classe.
Vejo, em Ricardo Costa, a braçadeira de capitão do FC Porto, enquanto o seu legítimo dono - que é, ainda, sem sombra de dúvidas, o melhor dos cinco centrais do plantel - "apodrece", por decisão do técnico, nos balneários do Dragão.
Confesso que a postura e a filosofia de Co Adriaanse me agradam - não me estou a referir à disciplina -, mas esta é uma opção que não consigo entender. Pelo caminho, vão ficando os pontos que o líder pré-fabricado distribui com generosidade...
quarta-feira, 28 de setembro de 2005
o indomável ...
back in action bem podia ser o título deste post ... mas decidi não perder mais tempo e acertar contas com o insurdecedor silêncio das teclas ("que perro está isto!)deste maldito pc (afinal desde nove de fevereiro de dois mil e cinco que não vinha a esta antena!!!)...
também me podia fazer rogado e dizer que volto a pedido de várias famílias (ou pseudo ou seja lá o que forem) ... agradeço e aconselho todos os leitores que chegaram até aqui a não continuarem a ler porque vou ser chato (estratégia contrária ao suspense escrito por dan brown ou apresentado no programa televisivo - fiel ou infiel)...
numa atitude enganosa para uns e cobarde para outros confesso que me enganei acerca do que poderia ser um blog (tenho a única atenuante de ninguém ter até hoje conseguido definir tal espaço ... pelo menos de forma inequívoca!) e muito especificamente sobre este em concreto !
pensei que poderia ser um espaço de fanáticos onde quem entra a escrever ou a comentar pudesse ser radical e singular ... mas ao invés começa a ser plural, onde existe uma diversidade de cores clubísticas representadas ... e preenchido de visionários ... cada tiro cada melro .. desde as contratações até ao clube que vai ser campeão .. passando pelos métodos de cada treinador, até ao julgamento de cada falta, de cada lançe, e até no estabelecimento do percurso e da carreira de um qualquer desgraçado jogador de bola ... enfim, um espaço onde só falta jogarmos, porque acertavam de certeza, no euro milhões !
"quem" tem pretensões de preencher ou ocupar espaço público devia ter preocupações éticas e não devia poder mandar o treinador ... peço desculpa ... o companheiro de equipa levar no c......., que é como quem diz segmentar e desprezar uma grande parte dos leitores ...
mas pior ainda, estou tão ressabiado (claro que foi pelo slb ter sido campeão)que utilizando esse estilo especulativo tão em voga e depois de ter feito uma análise de conteúdo aos 202 posts e respectivos contraditórios (que ideia mais atrasada mental!) cheguei à conclusão que uma parte substancial deles deviam pagar imposto para ajudar o país a sair da crise (qual - a de sempre?)... isto porque ou são racionais ou são objectivos ou conseguem advinhar o futuro !!! esta tendência (a "direcção" dos comentários ao longo do tempo também pode ser medida e até lhe podemos chamar econometria aplicada ao espaço público, ou seja, neste caso, ao blog ! uff, que fino, que erudito, que isto está ! devia ser proibido escrever estes termos num blog de bola...!) parece clara e difícil de contrariar (até pode ser uma desculpa para as teclas deste pc estarem a precisar de "óleo")
no entanto temos que reconhecer que é o que vende e é o que o tal segmento que infelizmente me parece ser só um (de dimensão a apurar, isto é, a direcção dos comentários que lhes interessa ler) procura (170 leitores por dia)! os media são assim ! depois do infotainment em TV la información vasura en el BLOG ...
moral da história: erámos um grupo só malucos ... pá ! era eu, era ó ..., o ....!
e agora sou só eu !
também me podia fazer rogado e dizer que volto a pedido de várias famílias (ou pseudo ou seja lá o que forem) ... agradeço e aconselho todos os leitores que chegaram até aqui a não continuarem a ler porque vou ser chato (estratégia contrária ao suspense escrito por dan brown ou apresentado no programa televisivo - fiel ou infiel)...
numa atitude enganosa para uns e cobarde para outros confesso que me enganei acerca do que poderia ser um blog (tenho a única atenuante de ninguém ter até hoje conseguido definir tal espaço ... pelo menos de forma inequívoca!) e muito especificamente sobre este em concreto !
pensei que poderia ser um espaço de fanáticos onde quem entra a escrever ou a comentar pudesse ser radical e singular ... mas ao invés começa a ser plural, onde existe uma diversidade de cores clubísticas representadas ... e preenchido de visionários ... cada tiro cada melro .. desde as contratações até ao clube que vai ser campeão .. passando pelos métodos de cada treinador, até ao julgamento de cada falta, de cada lançe, e até no estabelecimento do percurso e da carreira de um qualquer desgraçado jogador de bola ... enfim, um espaço onde só falta jogarmos, porque acertavam de certeza, no euro milhões !
"quem" tem pretensões de preencher ou ocupar espaço público devia ter preocupações éticas e não devia poder mandar o treinador ... peço desculpa ... o companheiro de equipa levar no c......., que é como quem diz segmentar e desprezar uma grande parte dos leitores ...
mas pior ainda, estou tão ressabiado (claro que foi pelo slb ter sido campeão)que utilizando esse estilo especulativo tão em voga e depois de ter feito uma análise de conteúdo aos 202 posts e respectivos contraditórios (que ideia mais atrasada mental!) cheguei à conclusão que uma parte substancial deles deviam pagar imposto para ajudar o país a sair da crise (qual - a de sempre?)... isto porque ou são racionais ou são objectivos ou conseguem advinhar o futuro !!! esta tendência (a "direcção" dos comentários ao longo do tempo também pode ser medida e até lhe podemos chamar econometria aplicada ao espaço público, ou seja, neste caso, ao blog ! uff, que fino, que erudito, que isto está ! devia ser proibido escrever estes termos num blog de bola...!) parece clara e difícil de contrariar (até pode ser uma desculpa para as teclas deste pc estarem a precisar de "óleo")
no entanto temos que reconhecer que é o que vende e é o que o tal segmento que infelizmente me parece ser só um (de dimensão a apurar, isto é, a direcção dos comentários que lhes interessa ler) procura (170 leitores por dia)! os media são assim ! depois do infotainment em TV la información vasura en el BLOG ...
moral da história: erámos um grupo só malucos ... pá ! era eu, era ó ..., o ....!
e agora sou só eu !
O novo Sporting
Bem sei que, em plena jornada europeia, esta não será a melhor altura mas, tendo em conta que me não foi possível ver o jogo do Benfica em Manchester e que estou de folga, aproveito para fazer a há muito prometida análise ao plantel leonino, o único dos grandes ainda em falta.
Remetendo, uma vez mais, para aqui as anteriores apreciações individuais, passamos à acção. Lamento não ter podido, como desejava, publicar este post antes do dérbi da terceira jornada, já que, inevitavelmente, haverá aqui uma disparidade na observação, agora mais influenciada pelas prestações recentes dos leões.
Apesar da manutenção da equipa técnica, este é, efectivamente, um novo Sporting. O ataque apoiado e a circulação de bola deram lugar a um estilo mais directo, fruto das alterações a que o plantel foi sujeito.
DEFESA
O "progresso" na composição do grupo afectou o sector mas, ao contrário do que alguns chegaram a pensar, não haverá diferenças de monta em relação à versão anterior. Se os centrais disponíveis continuam a oferecer garantias de qualidade, é nas faixas laterais que podem surgir algumas contrariedades. Rogério tem evidenciado uma forma deficiente, quando comparada com a da temporada transacta e Edson, para já, não tem qualquer influência no futebol verde e branco. Mais alto que o seu antecessor, o brasileiro não é mais rápido e, sobretudo, não defende. Não quero com isto dizer que não tenha qualidades - espantoso pontapé e capacidades técnicas apreciáveis, mas torna-se evidente porque, em Leiria, se adaptou um extremo a lateral - Alhandra - para que Edson actuasse no meio-campo.
Tonel - A sua contratação acabou por ser uma surpresa mas o bom nível evidenciado nos últimos encontros enquadra-se nas minhas expectativas. Trata-se de um central com escola de "grande" - FC Porto e uma preciosa ajuda da convivência com Mitchell Van der Gaag - e prolongada trajectória nas selecções nacionais. Forte na marcação e no jogo aéreo, tem beneficiado da qualidade do conjunto para elevar a fasquia das suas prestações. Será, ao longo da época, uma alternativa valida para a titularidade.
Semedo - Ganhou a corrida pelo posto de "quarto central" a Miguel Veloso graças a uma enorme capacidade de trabalho e à disponibilidade física e anímica que todos lhe reconhecem. Limitado no capítulo técnico, é um poço de força. Deverá cumprir nas - poucas - ocasiões em que for utilizado.
MEIO-CAMPO
Zona nevrálgica de qualquer formação com orientação ofensiva, foi, também, "coração" e "cérebro" da equipa leonina na época transacta. Agora, objecto de uma profunda "revolução", apresenta características e intérpretes diversos, que lhe concedem diferente "frequência cardíaca". Luís Loureiro surge como uma inédita alternativa a Custódio, enquanto João Alves tem a responsabilidade de devolver ao conjunto a criatividade que as "baixas" do defeso lhe retiraram. A verdade é que, ao contrário do que sucedeu no passado, em que o 4-1-3-2 era o sistema incontestado, José Peseiro recorreu ao 4-3-3, fruto das mais recentes opções para as alas, no ataque, mas também das características dos médios disponíveis: enquanto, em 2004/05, eram entre 6 e 8 os elementos que contribuíam activamente para a circulação em apoio, a versão 2005/06 do leão conta apenas com três atletas vocacionados para o fazer - João Alves, João Moutinho e Carlos Martins. Assim, inevitavelmente, a "filosofia" e os processos são hoje diferentes: construção mais vertical da manobra ofensiva, na tentativa de potenciar as qualidades físicas dos homens da frente, aproveitando os espaços concedidos.
Luís Loureiro - Acompanho há algum tempo a sua carreira e, confesso, estou longe de ser um admirador das qualidades de um jogador que oferece, contudo, pela primeira vez em duas épocas, uma alternativa a Custódio no posto de médio-defensivo. A importante presença física - 1, 88m - era um dos requisitos impostos pelo técnico, mas a falta de velocidade - de deslocamento e, pelo menos para já, de processos - joga contra o - esporádico - internacional português. Resta saber se, face às superiores exigências competitivas, será capaz de elevar as suas capacidades ao nível das expectativas de quem o contratou.
João Alves - Não é, nem virá a ser, um fora-de-série, mas as suas características eram necessárias a este grupo. Médio completo e inteligente na forma de abordar o jogo, possui capacidades técnicas e tácticas que lhe serão úteis na convivência com João Moutinho e/ou Carlos Martins. Acrescenta volume de jogo e qualidade na posse de bola, mesmo se, no plano físico, fica aquém de muitos adversários. Pode constituir-se ainda como um factor a ter em conta no momento do remate.
ATAQUE
O sector ofensivo de uma das equipas que, na pretérita temporada, mais golos marcou no futebol europeu foi, paradoxalmente, o que mais se reforçou para a presente campanha. Se Wender foi o primeiro desejo expresso pelo técnico, a chegada de Deivid representa um forte investimento - sobretudo nos tempos que correm - da SAD leonina. Certo é que, de momento, José Peseiro conta com mais alternativas para a frente de ataque e, pela primeira vez desde que aportou em Alvalade, com alternativas para as alas.
Wender - A sua contratação obedece a uma estratégia que me ultrapassa - jogadores experientes, com perto de 30 anos, que possam render no curto prazo para, depois, dar lugar aos jovens... por um milhão de euros... - mas foi sempre o eleito do técnico para dotar o plantel de um esquerdino que pudesse, em alternativa, ocupar o corredor, quer em 4-1-3-2, quer em 4-3-3. Sendo um atleta evoluído no plano técnico e dotado de razoável velocidade, Wenderson Said - é mesmo o nome do homem -, o "melhor extremo da SuperLiga" em 2004/05, chega a Alvalade numa fase adiantada da sua carreira e afigura-se-me como pouco provável que possa, agora, descobrir no seu futebol a intensidade indispensável a quem precisa de lutar para vencer todas as partidas que disputa.
Deivid - Desde Mário Jardel que, em Alvalade, nenhuma contratação gerava tanta expectativa no seio da cúpula dirigente. O avançado brasileiro que fez dupla com Robinho no Santos veio com o rótulo de craque mas as suas primeiras exibições de leão ao peito revelaram alguma inadaptação ao futebol europeu e... ao seu posicionamento no terreno. Com o passar do tempo - sobretudo depois do golo apontado na Choupana - a confiança aumentou e aparece, agora, mais agressivo, sendo possível reconhecer os traços do jogador que, no Brasil, tão boa impressão me tinha causado. As alterações tácticas obrigam-no a deambular pela frente de ataque e a explorar os flancos, mas é na zona de finalização que se sente mais à vontade. Será, desde que bem aproveitado, uma indiscutível mais-valia para o Sporting e para o Campeonato.
CONCLUSÃO
Termino da mesma forma que comecei: este é um Sporting manifestamente diferente. Melhor? No aspecto técnico, certamente que não.
As partidas de Rui Jorge, Pedro Barbosa, Hugo Viana ou Rochemback podem não constituir, individualmente, baixas irreparáveis, mas a verdade é que, ao perder cinco elementos que personificavam a tal "identidade" tão vincada, que o próprio repetidamente referiu, José Peseiro "condenou" a sua equipa a uma metamorfose kafkiana. Não faço aqui a defesa de quem saiu, nem muito menos apelo ao saudosismo: em causa não estão os jogadores que deixaram Alvalade, mas sim as suas características.
Dirá o técnico, com razão, que o grupo possui agora atletas com diferentes capacidades, sobretudo no plano físico, que lhe permitirão colmatar lacunas identificadas ao longo da época transacta.
Peseiro persegue hoje o "graal" cuja natureza esquiva impediu uma temporada de glória - a eficácia - e a ela vincula o seu futuro. Não mais Alvalade verá o espectáculo intermitente do futebol elaborado, que lhe concedeu a margem de manobra que a impaciência dos adeptos e a intolerância da crítica insistem em negar-lhe, ficando apenas por saber se esta abordagem "pragmática" pode, mesmo sem pinceladas de brilhantismo, alcançar o sucesso.
Remetendo, uma vez mais, para aqui as anteriores apreciações individuais, passamos à acção. Lamento não ter podido, como desejava, publicar este post antes do dérbi da terceira jornada, já que, inevitavelmente, haverá aqui uma disparidade na observação, agora mais influenciada pelas prestações recentes dos leões.
Apesar da manutenção da equipa técnica, este é, efectivamente, um novo Sporting. O ataque apoiado e a circulação de bola deram lugar a um estilo mais directo, fruto das alterações a que o plantel foi sujeito.
DEFESA
O "progresso" na composição do grupo afectou o sector mas, ao contrário do que alguns chegaram a pensar, não haverá diferenças de monta em relação à versão anterior. Se os centrais disponíveis continuam a oferecer garantias de qualidade, é nas faixas laterais que podem surgir algumas contrariedades. Rogério tem evidenciado uma forma deficiente, quando comparada com a da temporada transacta e Edson, para já, não tem qualquer influência no futebol verde e branco. Mais alto que o seu antecessor, o brasileiro não é mais rápido e, sobretudo, não defende. Não quero com isto dizer que não tenha qualidades - espantoso pontapé e capacidades técnicas apreciáveis, mas torna-se evidente porque, em Leiria, se adaptou um extremo a lateral - Alhandra - para que Edson actuasse no meio-campo.
Tonel - A sua contratação acabou por ser uma surpresa mas o bom nível evidenciado nos últimos encontros enquadra-se nas minhas expectativas. Trata-se de um central com escola de "grande" - FC Porto e uma preciosa ajuda da convivência com Mitchell Van der Gaag - e prolongada trajectória nas selecções nacionais. Forte na marcação e no jogo aéreo, tem beneficiado da qualidade do conjunto para elevar a fasquia das suas prestações. Será, ao longo da época, uma alternativa valida para a titularidade.
Semedo - Ganhou a corrida pelo posto de "quarto central" a Miguel Veloso graças a uma enorme capacidade de trabalho e à disponibilidade física e anímica que todos lhe reconhecem. Limitado no capítulo técnico, é um poço de força. Deverá cumprir nas - poucas - ocasiões em que for utilizado.
MEIO-CAMPO
Zona nevrálgica de qualquer formação com orientação ofensiva, foi, também, "coração" e "cérebro" da equipa leonina na época transacta. Agora, objecto de uma profunda "revolução", apresenta características e intérpretes diversos, que lhe concedem diferente "frequência cardíaca". Luís Loureiro surge como uma inédita alternativa a Custódio, enquanto João Alves tem a responsabilidade de devolver ao conjunto a criatividade que as "baixas" do defeso lhe retiraram. A verdade é que, ao contrário do que sucedeu no passado, em que o 4-1-3-2 era o sistema incontestado, José Peseiro recorreu ao 4-3-3, fruto das mais recentes opções para as alas, no ataque, mas também das características dos médios disponíveis: enquanto, em 2004/05, eram entre 6 e 8 os elementos que contribuíam activamente para a circulação em apoio, a versão 2005/06 do leão conta apenas com três atletas vocacionados para o fazer - João Alves, João Moutinho e Carlos Martins. Assim, inevitavelmente, a "filosofia" e os processos são hoje diferentes: construção mais vertical da manobra ofensiva, na tentativa de potenciar as qualidades físicas dos homens da frente, aproveitando os espaços concedidos.
Luís Loureiro - Acompanho há algum tempo a sua carreira e, confesso, estou longe de ser um admirador das qualidades de um jogador que oferece, contudo, pela primeira vez em duas épocas, uma alternativa a Custódio no posto de médio-defensivo. A importante presença física - 1, 88m - era um dos requisitos impostos pelo técnico, mas a falta de velocidade - de deslocamento e, pelo menos para já, de processos - joga contra o - esporádico - internacional português. Resta saber se, face às superiores exigências competitivas, será capaz de elevar as suas capacidades ao nível das expectativas de quem o contratou.
João Alves - Não é, nem virá a ser, um fora-de-série, mas as suas características eram necessárias a este grupo. Médio completo e inteligente na forma de abordar o jogo, possui capacidades técnicas e tácticas que lhe serão úteis na convivência com João Moutinho e/ou Carlos Martins. Acrescenta volume de jogo e qualidade na posse de bola, mesmo se, no plano físico, fica aquém de muitos adversários. Pode constituir-se ainda como um factor a ter em conta no momento do remate.
ATAQUE
O sector ofensivo de uma das equipas que, na pretérita temporada, mais golos marcou no futebol europeu foi, paradoxalmente, o que mais se reforçou para a presente campanha. Se Wender foi o primeiro desejo expresso pelo técnico, a chegada de Deivid representa um forte investimento - sobretudo nos tempos que correm - da SAD leonina. Certo é que, de momento, José Peseiro conta com mais alternativas para a frente de ataque e, pela primeira vez desde que aportou em Alvalade, com alternativas para as alas.
Wender - A sua contratação obedece a uma estratégia que me ultrapassa - jogadores experientes, com perto de 30 anos, que possam render no curto prazo para, depois, dar lugar aos jovens... por um milhão de euros... - mas foi sempre o eleito do técnico para dotar o plantel de um esquerdino que pudesse, em alternativa, ocupar o corredor, quer em 4-1-3-2, quer em 4-3-3. Sendo um atleta evoluído no plano técnico e dotado de razoável velocidade, Wenderson Said - é mesmo o nome do homem -, o "melhor extremo da SuperLiga" em 2004/05, chega a Alvalade numa fase adiantada da sua carreira e afigura-se-me como pouco provável que possa, agora, descobrir no seu futebol a intensidade indispensável a quem precisa de lutar para vencer todas as partidas que disputa.
Deivid - Desde Mário Jardel que, em Alvalade, nenhuma contratação gerava tanta expectativa no seio da cúpula dirigente. O avançado brasileiro que fez dupla com Robinho no Santos veio com o rótulo de craque mas as suas primeiras exibições de leão ao peito revelaram alguma inadaptação ao futebol europeu e... ao seu posicionamento no terreno. Com o passar do tempo - sobretudo depois do golo apontado na Choupana - a confiança aumentou e aparece, agora, mais agressivo, sendo possível reconhecer os traços do jogador que, no Brasil, tão boa impressão me tinha causado. As alterações tácticas obrigam-no a deambular pela frente de ataque e a explorar os flancos, mas é na zona de finalização que se sente mais à vontade. Será, desde que bem aproveitado, uma indiscutível mais-valia para o Sporting e para o Campeonato.
CONCLUSÃO
Termino da mesma forma que comecei: este é um Sporting manifestamente diferente. Melhor? No aspecto técnico, certamente que não.
As partidas de Rui Jorge, Pedro Barbosa, Hugo Viana ou Rochemback podem não constituir, individualmente, baixas irreparáveis, mas a verdade é que, ao perder cinco elementos que personificavam a tal "identidade" tão vincada, que o próprio repetidamente referiu, José Peseiro "condenou" a sua equipa a uma metamorfose kafkiana. Não faço aqui a defesa de quem saiu, nem muito menos apelo ao saudosismo: em causa não estão os jogadores que deixaram Alvalade, mas sim as suas características.
Dirá o técnico, com razão, que o grupo possui agora atletas com diferentes capacidades, sobretudo no plano físico, que lhe permitirão colmatar lacunas identificadas ao longo da época transacta.
Peseiro persegue hoje o "graal" cuja natureza esquiva impediu uma temporada de glória - a eficácia - e a ela vincula o seu futuro. Não mais Alvalade verá o espectáculo intermitente do futebol elaborado, que lhe concedeu a margem de manobra que a impaciência dos adeptos e a intolerância da crítica insistem em negar-lhe, ficando apenas por saber se esta abordagem "pragmática" pode, mesmo sem pinceladas de brilhantismo, alcançar o sucesso.
segunda-feira, 26 de setembro de 2005
Assobios
Faltavam cerca de 10 minutos para o final do Sporting - Vitória de Setúbal quando, perante a entrada de Beto para o lugar de Liedson, as bancadas de Alvalade irromperam numa salva de assobios, complementada pelo coro dedicado ao técnico leonino: "Palhaço! Palhaço!"
Sendo certo que a formação verde e branca não realizou uma grande exibição - está, aliás, a tornar-se um hábito -, o desenrolar do confronto fica marcado por uma série de factores que importa analisar.
Em superioridade numérica e em vantagem no marcador, José Peseiro optou por, aos 55', prescindir de Luís Loureiro, chamando Wender, na tentativa de actuar com dois extremos de raiz. O Sporting passava a actuar apenas com dois médios que eram, no momento, mais que suficientes perante a disposição táctica do adversário. Com Deivid mais próximo de Liedson, na área sadina, esperava-se que as alas fossem capazes de municiar a zona de finalização, mas a inoperância de Wender no flanco esquerdo impediu o sucesso do estratagema.
Confrontado com a opção do seu oponente, Norton de Matos reagiu, e bem, alterando o modelo da sua equipa: a entrada de Heitor dotou o Vitória de um ponta-de-lança, apoiado de perto por Sougou enquanto, alguns minutos depois, Binho era chamado para servir de pivot na saída para o contra-ataque.
As consequências da acção táctica do técnico visitante fizeram-se sentir no relvado e o Sporting perdeu o controlo das operações: o equilíbrio do sector intermédio desapareceu e, a poucos minutos do final, José Peseiro tomou a decisão que se impunha: sacrificou um inexistente Liedson para devolver um cabeça-de-área. Beto passou a actuar ao lado de Tonel e Polga subiu para o posto anteriormente ocupado por Luís Loureiro.
A verdade é que a substituição foi corajosa, pois a reacção da bancada era previsível, mas tratava-se da única decisão racional a tomar.
A tolerância é cada vez menor? Certamente. Até porque, ao contrário do que sucedia na temporada transacta, a contestação começou a surgir... depois do primeiro quarto de hora de jogo.
Este post não é uma defesa intransigente do treinador do Sporting, mas sim uma manifestação de surpresa: se, no passado, Peseiro foi acusado de algum "quixotismo", é agora insultado por preferir equilibrar a equipa, na tentativa de assegurar o tão desejado "pragmatismo".
PS - Há defeitos congénitos na formação leonina, cuja margem de progressão me parece, actualmente, limitada. Mas esse será um tema para outras conversas.
Sendo certo que a formação verde e branca não realizou uma grande exibição - está, aliás, a tornar-se um hábito -, o desenrolar do confronto fica marcado por uma série de factores que importa analisar.
Em superioridade numérica e em vantagem no marcador, José Peseiro optou por, aos 55', prescindir de Luís Loureiro, chamando Wender, na tentativa de actuar com dois extremos de raiz. O Sporting passava a actuar apenas com dois médios que eram, no momento, mais que suficientes perante a disposição táctica do adversário. Com Deivid mais próximo de Liedson, na área sadina, esperava-se que as alas fossem capazes de municiar a zona de finalização, mas a inoperância de Wender no flanco esquerdo impediu o sucesso do estratagema.
Confrontado com a opção do seu oponente, Norton de Matos reagiu, e bem, alterando o modelo da sua equipa: a entrada de Heitor dotou o Vitória de um ponta-de-lança, apoiado de perto por Sougou enquanto, alguns minutos depois, Binho era chamado para servir de pivot na saída para o contra-ataque.
As consequências da acção táctica do técnico visitante fizeram-se sentir no relvado e o Sporting perdeu o controlo das operações: o equilíbrio do sector intermédio desapareceu e, a poucos minutos do final, José Peseiro tomou a decisão que se impunha: sacrificou um inexistente Liedson para devolver um cabeça-de-área. Beto passou a actuar ao lado de Tonel e Polga subiu para o posto anteriormente ocupado por Luís Loureiro.
A verdade é que a substituição foi corajosa, pois a reacção da bancada era previsível, mas tratava-se da única decisão racional a tomar.
A tolerância é cada vez menor? Certamente. Até porque, ao contrário do que sucedia na temporada transacta, a contestação começou a surgir... depois do primeiro quarto de hora de jogo.
Este post não é uma defesa intransigente do treinador do Sporting, mas sim uma manifestação de surpresa: se, no passado, Peseiro foi acusado de algum "quixotismo", é agora insultado por preferir equilibrar a equipa, na tentativa de assegurar o tão desejado "pragmatismo".
PS - Há defeitos congénitos na formação leonina, cuja margem de progressão me parece, actualmente, limitada. Mas esse será um tema para outras conversas.
quinta-feira, 22 de setembro de 2005
Parabéns Pauleta
Correndo o risco de parecer um qualquer árbitro da Liga portuguesa, assumo que este post foi "a pedido" - ver comentários ao post anterior.
Pauleta marcou dois golos ao Lille. Não se procupem, porém, os admiradores do "Açor". Beto, em seu tempo, também marcou dois golos ao Sporting num jogo contra o rival Benfica e nem por isso deixou de ser um grande defesa-central.
Assim, o futuro de Pauleta continua a ser auspicioso e, em comparação com o 22 dos leões, continua em vantagem: depois de ter conquistado o troféu de melhor central do Euro' 2004, tem fortes possibilidades de ir mais longe e arrebatar o galardão equivalente no Mundial do próximo ano. O capitão verde e branco, esse, nem deve lá estar.
Pauleta marcou dois golos ao Lille. Não se procupem, porém, os admiradores do "Açor". Beto, em seu tempo, também marcou dois golos ao Sporting num jogo contra o rival Benfica e nem por isso deixou de ser um grande defesa-central.
Assim, o futuro de Pauleta continua a ser auspicioso e, em comparação com o 22 dos leões, continua em vantagem: depois de ter conquistado o troféu de melhor central do Euro' 2004, tem fortes possibilidades de ir mais longe e arrebatar o galardão equivalente no Mundial do próximo ano. O capitão verde e branco, esse, nem deve lá estar.
terça-feira, 20 de setembro de 2005
Loureiro e as faltas inteligentes...
Eu sei que parece embirração (e é) com o novo trinco do Sporting, mas este rapaz veio esta semana gabar-se que se tinha cartões amarelos em todos os jogos era porque fazia faltas muito inteligentes a parar os contra-ataques adversários.
Ora ontem levou o quarto cartão (em quatro jogos). E parou um contra-ataque? Não. O que é que ele fez? Fez uma falta estúpida que deu origem ao 1ºgolo do Nacional.
Ora ontem levou o quarto cartão (em quatro jogos). E parou um contra-ataque? Não. O que é que ele fez? Fez uma falta estúpida que deu origem ao 1ºgolo do Nacional.
Descubra as diferenças...
O Sporting voltou a perder na Choupana, deitando por terra a possibilidade de ascender ao comando do Campeonato. Onde é que já vi isto?
Sendo verdade que o desfecho do embate é em tudo semelhante ao sucedido na temporada transacta, as causas afiguram-se-me como diversas.
Privilegiando o 4-3-3 em detrimento do habitual 4-1-3-2 - tal como em Halmstad -, a formação leonina exibiu uma postura mais pragmática e cautelosa, assentando a manobra ofensiva em acentuadas precauções posicionais, na tentativa de negar o contra-ataque aos insulares.
Legítima, a disposição verde e branca foi menos ambiciosa, mas compreensível... até ao golo de Deivid. Com vantagem no marcador, o leão deu a conhecer o lado negativo da sua nova fase.
Onde existia uma equipa capaz de gerir a posse de bola e os tempos de jogo - pese embora, por vezes, pecasse por excesso de entusiasmo, para quem considere essa característica um pecado -, surge agora um conjunto impreciso no momento do passe e incompetente na circulação do esférico.
Onde pontificava a agressividade nas primeiras linhas de pressão, activas na recuperação da bola, aparece agora uma equipa apostada na organização defensiva, recuada sobre o próprio meio-campo.
Mais extraordinário ainda, de um leão que vivia e morria com o ataque planeado, nasceu um felino dedicado à progressão vertical, sustentada num jogo directo.
Ganharam os críticos, perdeu o futebol e, a meu ver, o Sporting.
O confronto realizado no Estádio Eng. Rui Alves - qualquer das expressões que compõem o nome do recinto provocam riso histérico - acarreta ainda algumas notas de destaque:
- Este é o Deivid que vi jogar no Brasil;
- Miguelito deve perguntar-se todos os dias porque raio não joga num grande;
- Nélson fez uma defesa do outro mundo, para regressar à banalidade do seu na segunda metade;
- Alexandre Goulart e Jorge Luiz são a mesma pessoa, o que só acrescenta ao seu mérito, pois jogar dois dias seguidos, frente a FC Porto e Sporting, não é para todos. Talvez por isso, ontem, preferia o pé esquerdo e, hoje, praticamente só usou o direito.
Sendo verdade que o desfecho do embate é em tudo semelhante ao sucedido na temporada transacta, as causas afiguram-se-me como diversas.
Privilegiando o 4-3-3 em detrimento do habitual 4-1-3-2 - tal como em Halmstad -, a formação leonina exibiu uma postura mais pragmática e cautelosa, assentando a manobra ofensiva em acentuadas precauções posicionais, na tentativa de negar o contra-ataque aos insulares.
Legítima, a disposição verde e branca foi menos ambiciosa, mas compreensível... até ao golo de Deivid. Com vantagem no marcador, o leão deu a conhecer o lado negativo da sua nova fase.
Onde existia uma equipa capaz de gerir a posse de bola e os tempos de jogo - pese embora, por vezes, pecasse por excesso de entusiasmo, para quem considere essa característica um pecado -, surge agora um conjunto impreciso no momento do passe e incompetente na circulação do esférico.
Onde pontificava a agressividade nas primeiras linhas de pressão, activas na recuperação da bola, aparece agora uma equipa apostada na organização defensiva, recuada sobre o próprio meio-campo.
Mais extraordinário ainda, de um leão que vivia e morria com o ataque planeado, nasceu um felino dedicado à progressão vertical, sustentada num jogo directo.
Ganharam os críticos, perdeu o futebol e, a meu ver, o Sporting.
O confronto realizado no Estádio Eng. Rui Alves - qualquer das expressões que compõem o nome do recinto provocam riso histérico - acarreta ainda algumas notas de destaque:
- Este é o Deivid que vi jogar no Brasil;
- Miguelito deve perguntar-se todos os dias porque raio não joga num grande;
- Nélson fez uma defesa do outro mundo, para regressar à banalidade do seu na segunda metade;
- Alexandre Goulart e Jorge Luiz são a mesma pessoa, o que só acrescenta ao seu mérito, pois jogar dois dias seguidos, frente a FC Porto e Sporting, não é para todos. Talvez por isso, ontem, preferia o pé esquerdo e, hoje, praticamente só usou o direito.
segunda-feira, 19 de setembro de 2005
Chamem-lhe Amélia...
À quarta jornada, o Benfica conquistou o primeiro triunfo do Campeonato, face a uma muito frágil União de Leiria. A goleada construiu-se com quatro tentos, feito que merece destaque por, até ao encontro de ontem, os encarnados apenas contabilizarem um único sucesso ofensivo, fruto do livre apontado por Simão, em Alvalade.
O triunfo do emblema da águia foi justo e natural, mas assentou, sobretudo, na capacidade de concretização de um dos mais injustiçados jogadores do seu plantel. A "Amélia", o "Quase-golos", ontem, valeu um hat trick e devolveu, por si só, a tranquilidade às bancadas de uma ansiosa Luz.
Nuno Gomes é, no meu entender, o melhor ponta-de-lança português e, mais do que qualquer outro, tem sido o melhor elemento do Benfica em acção ofensiva neste início de temporada. É fácil esquecer os mais de 60 golos que marcou nos três primeiros anos de águia ao peito, como será engraçado, ao longo desta semana, verificar quantos vão redescobrir a sua admiração pelo camisola 21...
O triunfo do emblema da águia foi justo e natural, mas assentou, sobretudo, na capacidade de concretização de um dos mais injustiçados jogadores do seu plantel. A "Amélia", o "Quase-golos", ontem, valeu um hat trick e devolveu, por si só, a tranquilidade às bancadas de uma ansiosa Luz.
Nuno Gomes é, no meu entender, o melhor ponta-de-lança português e, mais do que qualquer outro, tem sido o melhor elemento do Benfica em acção ofensiva neste início de temporada. É fácil esquecer os mais de 60 golos que marcou nos três primeiros anos de águia ao peito, como será engraçado, ao longo desta semana, verificar quantos vão redescobrir a sua admiração pelo camisola 21...
quinta-feira, 15 de setembro de 2005
Constatação Curiosa
É engraçado verificar que o Benfica tem mais equipas atrás dele na Liga dos Campeões do que na Super Liga Betandwin.
terça-feira, 13 de setembro de 2005
segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Mensagem perdida
O "Criticos da Bola" recebeu esta mensagem por engano e não entendeu muito bem o significado.
"Dank u Jaime. Achting. RK"
"Dank u Jaime. Achting. RK"
Digestão do derby
Os momentos a seguir a estes jogos são sempre muito difíceis para os adeptos da equipa que perde. É muito complicado aceitar a derrota e procura-se sempre encontrar uma justificação para o sucedido, normalmente atacando-se o árbitro.
Mas este deve ter sido pior do que o costume para os adeptos do Benfica, deve ser especialmente lixado perder levando um golo do Loureiro....
Mas este deve ter sido pior do que o costume para os adeptos do Benfica, deve ser especialmente lixado perder levando um golo do Loureiro....
domingo, 11 de setembro de 2005
Mais que três pontos
O Sporting venceu o dérbi de ontem que, como muitos fizeram questão de frisar, valeu bem mais que três pontos.
Em jogo estava, como sempre, uma rivalidade ancestral, que eleva a fasquia do confronto ao nível dos grandes "clássicos" do futebol mundial, mas também a primeira oportunidade de aferir da relação de forças entre dois dos principais candidatos ao título.
O desenrolar da partida permite, porém, um conjunto de conclusões que poderão estender a sua influência bem para além desta terceira jornada.
Os leões garantiram a totalidade dos pontos em disputa na presente edição do Campeonato, beneficiando de um grau de felicidade que lhes foi negado na pretérita temporada, mas conquistaram ainda benefícios que transcendem o imediato: na exibição de Tonel, o emblema verde e branco ganhou a tranquilidade de um central que, nos próximos tempos, em virtude da lesão de Beto, está "condenado" à titularidade.
A qualidade e, sobretudo, a serenidade da exibição do ex-dragão vêm mitigar a lacuna que a fissura no perónio do capitão poderia provocar.
Na perspectiva encarnada, um eventual desaire teria sempre como consequência um enorme grau de intranquilidade, já que o desperdiçar de oito dos primeiros nove pontos da competição - principalmente quando os mais directos rivais contam por vitórias todas as partidas - acarreta sempre um grau de pressão adicional para quem tem a obrigação de defender o título.
Infelizmente para os apaniguados do emblema da águia, a derrota em Alvalade encerra episódios de outra natureza: o técnico assumiu riscos que, mais do que o rendimento pontual do colectivo, afectam a identidade do grupo.
Enquanto, no Sporting, José Peseiro privilegiou a estrutura do seu plantel, apostando num onze que traduzia o trabalho desenvolvido nos últimos meses - o mesmo 4-1-3-2 adaptado que constitui aposta desde o início da época -, Ronald Koeman voltou a surpreender na escolha da sua formação.
Faço, aqui, um pequeno hiato para esclarecer algo que a generalidade dos analistas teima em não perceber: os leões mantêm o 4-1-3-2 que lhes serviu de base no último ano, embora seja possível observar que o comportamento da equipa se altera em função da transição ofensiva. Ou seja, a estrutura continua a ser a mesma - quatro defesas, um médio defensivo, uma linha de três centro-campistas e dois avançados - embora, depois da recuperação de bola, se possa desdobrar num 4-3-3, com total mobilidade para os homens da frente: Douala, Deivid e Liedson.
Assim, é totalmente absurdo que praticamente todos os órgãos de informação tenham apontado para a titularidade de Wender: nunca foi, sequer, equacionada. O 4-3-3 de base não será a solução, apenas a alternativa.
No que ao jogo diz respeito, parece-me que o resultado acaba por se ajustar àquilo que os contendores produziram (com o já referido grau de felicidade a favorecer os leões), pese embora o facto de nenhum dos dois ter logrado realizar grande exibição.
Importa, contudo, analisar a forma como o Benfica abordou o encontro. O técnico holandês voltou a insistir em três centrais, entregando os flancos a João Pereira e Nélson - as indicações sucederam-se durante a semana mas, confesso, não acreditava muito nesta opção - mas as surpresas estavam guardadas para outros sectores: no meio-campo, Karagounis foi titular e, na frente de ataque, Miccoli surgiu como (falso) ponta-de-lança - relegando Nuno Gomes para o banco - enquanto Carlitos garantia um lugar no onze à custa de Geovanni.
Independentemente de questionáveis do ponto de vista táctico, as escolhas de Ronald Koeman suscitam sérias dúvidas no que à gestão do plantel diz respeito.
Se, no caso de Miccoli, que trabalhou durante toda a semana com o grupo, existe alguma margem de manobra, a verdade é que as entradas de Karagounis e Carlitos são incompreensíveis e, do meu ponto de vista, graves.
Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador sem qualquer regularidade competitiva conquiste a titularidade num dérbi depois de participar num único treino?! Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador, cuja contribuição para a conquista do título foi praticamente nula e que, há poucos dias, era dado como excedentário, seja subitamente promovido a titular num confronto desta dimensão?!
Sou, como os mais assíduos saberão, defensor do trabalho prévio, realizado durante a semana, razão pela qual não valorizo muito as intervenções dos treinadores durante o jogo - o mais importante é, na minha óptica, o "plano A" -, mas não consigo disfarçar a minha surpresa perante algumas alterações promovidas pelo técnico encarnado: se a entrada de Nuno Gomes, ao intervalo, para o lugar de João Pereira, era previsível antes do apito inicial, a inclusão de Alcides numa altura em que o Benfica perdia por 2-1 deixou-me perplexo... Nem um eventual reequilíbrio do sector recuado, já conseguido com a entrada de Beto, justificaria a opção. O homem está muito "à frente"...
Em suma, creio que a vitória sorriu à equipa mais compacta, que dispôs das melhores - e em maior número - oportunidades. O Sporting chegou à vantagem quando ainda existia igualdade numérica, tendo sofrido o golo do empate num lance fortuito. Penso, porém, que o encontro foi condicionado pela expulsão de Ricardo Rocha. Sabendo já que os árbitros e a generalidade dos comentadores concordam com a decisão de Paulo Costa, à luz das mais recentes instruções da FIFA, confesso que a sanção me parece exagerada, sobretudo se tivermos em conta a forma leal como os atletas estavam a actuar até então.
Reconheço a intenção louvável das novas indicações mas, não tendo havido intenção de atentar contra a integridade física do adversário, afigura-se-me como excessiva a decisão de privar o espectáculo de um dos seus intervenientes.
PS - A resposta de José Veiga às declarações de Walter Marques, presidente do Conselho Fiscal dos encarnados, provocam-me uma estranha sensação de "déja vu". As palavras são graves e prometem sérios desenvolvimentos num futuro próximo...
Em jogo estava, como sempre, uma rivalidade ancestral, que eleva a fasquia do confronto ao nível dos grandes "clássicos" do futebol mundial, mas também a primeira oportunidade de aferir da relação de forças entre dois dos principais candidatos ao título.
O desenrolar da partida permite, porém, um conjunto de conclusões que poderão estender a sua influência bem para além desta terceira jornada.
Os leões garantiram a totalidade dos pontos em disputa na presente edição do Campeonato, beneficiando de um grau de felicidade que lhes foi negado na pretérita temporada, mas conquistaram ainda benefícios que transcendem o imediato: na exibição de Tonel, o emblema verde e branco ganhou a tranquilidade de um central que, nos próximos tempos, em virtude da lesão de Beto, está "condenado" à titularidade.
A qualidade e, sobretudo, a serenidade da exibição do ex-dragão vêm mitigar a lacuna que a fissura no perónio do capitão poderia provocar.
Na perspectiva encarnada, um eventual desaire teria sempre como consequência um enorme grau de intranquilidade, já que o desperdiçar de oito dos primeiros nove pontos da competição - principalmente quando os mais directos rivais contam por vitórias todas as partidas - acarreta sempre um grau de pressão adicional para quem tem a obrigação de defender o título.
Infelizmente para os apaniguados do emblema da águia, a derrota em Alvalade encerra episódios de outra natureza: o técnico assumiu riscos que, mais do que o rendimento pontual do colectivo, afectam a identidade do grupo.
Enquanto, no Sporting, José Peseiro privilegiou a estrutura do seu plantel, apostando num onze que traduzia o trabalho desenvolvido nos últimos meses - o mesmo 4-1-3-2 adaptado que constitui aposta desde o início da época -, Ronald Koeman voltou a surpreender na escolha da sua formação.
Faço, aqui, um pequeno hiato para esclarecer algo que a generalidade dos analistas teima em não perceber: os leões mantêm o 4-1-3-2 que lhes serviu de base no último ano, embora seja possível observar que o comportamento da equipa se altera em função da transição ofensiva. Ou seja, a estrutura continua a ser a mesma - quatro defesas, um médio defensivo, uma linha de três centro-campistas e dois avançados - embora, depois da recuperação de bola, se possa desdobrar num 4-3-3, com total mobilidade para os homens da frente: Douala, Deivid e Liedson.
Assim, é totalmente absurdo que praticamente todos os órgãos de informação tenham apontado para a titularidade de Wender: nunca foi, sequer, equacionada. O 4-3-3 de base não será a solução, apenas a alternativa.
No que ao jogo diz respeito, parece-me que o resultado acaba por se ajustar àquilo que os contendores produziram (com o já referido grau de felicidade a favorecer os leões), pese embora o facto de nenhum dos dois ter logrado realizar grande exibição.
Importa, contudo, analisar a forma como o Benfica abordou o encontro. O técnico holandês voltou a insistir em três centrais, entregando os flancos a João Pereira e Nélson - as indicações sucederam-se durante a semana mas, confesso, não acreditava muito nesta opção - mas as surpresas estavam guardadas para outros sectores: no meio-campo, Karagounis foi titular e, na frente de ataque, Miccoli surgiu como (falso) ponta-de-lança - relegando Nuno Gomes para o banco - enquanto Carlitos garantia um lugar no onze à custa de Geovanni.
Independentemente de questionáveis do ponto de vista táctico, as escolhas de Ronald Koeman suscitam sérias dúvidas no que à gestão do plantel diz respeito.
Se, no caso de Miccoli, que trabalhou durante toda a semana com o grupo, existe alguma margem de manobra, a verdade é que as entradas de Karagounis e Carlitos são incompreensíveis e, do meu ponto de vista, graves.
Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador sem qualquer regularidade competitiva conquiste a titularidade num dérbi depois de participar num único treino?! Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador, cuja contribuição para a conquista do título foi praticamente nula e que, há poucos dias, era dado como excedentário, seja subitamente promovido a titular num confronto desta dimensão?!
Sou, como os mais assíduos saberão, defensor do trabalho prévio, realizado durante a semana, razão pela qual não valorizo muito as intervenções dos treinadores durante o jogo - o mais importante é, na minha óptica, o "plano A" -, mas não consigo disfarçar a minha surpresa perante algumas alterações promovidas pelo técnico encarnado: se a entrada de Nuno Gomes, ao intervalo, para o lugar de João Pereira, era previsível antes do apito inicial, a inclusão de Alcides numa altura em que o Benfica perdia por 2-1 deixou-me perplexo... Nem um eventual reequilíbrio do sector recuado, já conseguido com a entrada de Beto, justificaria a opção. O homem está muito "à frente"...
Em suma, creio que a vitória sorriu à equipa mais compacta, que dispôs das melhores - e em maior número - oportunidades. O Sporting chegou à vantagem quando ainda existia igualdade numérica, tendo sofrido o golo do empate num lance fortuito. Penso, porém, que o encontro foi condicionado pela expulsão de Ricardo Rocha. Sabendo já que os árbitros e a generalidade dos comentadores concordam com a decisão de Paulo Costa, à luz das mais recentes instruções da FIFA, confesso que a sanção me parece exagerada, sobretudo se tivermos em conta a forma leal como os atletas estavam a actuar até então.
Reconheço a intenção louvável das novas indicações mas, não tendo havido intenção de atentar contra a integridade física do adversário, afigura-se-me como excessiva a decisão de privar o espectáculo de um dos seus intervenientes.
PS - A resposta de José Veiga às declarações de Walter Marques, presidente do Conselho Fiscal dos encarnados, provocam-me uma estranha sensação de "déja vu". As palavras são graves e prometem sérios desenvolvimentos num futuro próximo...
sexta-feira, 9 de setembro de 2005
Fantasy League - Criticos da Bola
Para fazer concorrências as diveras ligas organizadas da Liga Record.
Podem aceder aqui à competição.
E o código da liga é
2358-1618
Podem aceder aqui à competição.
E o código da liga é
2358-1618
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
O novo Benfica
Como queria despachar esta história antes do dérbi, para evitar a influência sobrevalorizada que as prestações individuais sempre têm neste tipo de confrontos, aqui vai a análise encarnada. No que à apreciação individual diz respeito, limitar-me-ei aos recém chegados, remetendo para aqui os interessados em "conhecer" os restantes elementos do plantel.
As primeiras exibições do Benfica de Ronald Koeman têm sido algo incaracterísticas, consequência, a meu ver, inevitável, tendo em conta as diferenças "filosóficas" que separam o holandês do seu antecessor transalpino.
Não é impunemente - como, aliás, aqui pretendi frisar a quando da sua contratação - que se opta por um técnico tendo como critério exclusivo a dimensão da sua reputação. As diferentes formas de estruturar o jogo preconizadas por Camacho, Trapattoni ou Koeman obrigam a apurada sistematização, sendo necessário tempo para que este pobre grupo assimile mais uma mudança radical. Pela terceira vez em pouco mais de três anos, o plantel do Benfica tem de reaprender a jogar futebol.
DEFESA
Tratando-se de um dos mais equilibrados sectores do plantel que conquistou o título, temo que a versão 2005/06 venha a encontrar algumas dificuldades para manter os padrões de qualidade. Entre os postes, a gestão deverá ser o único problema, uma vez que Quim e Moreira oferecem garantias suficientes para todas as competições em que as águias estão envolvidas, conclusão extensível ao eixo da defesa, onde Luisão, Ricardo Rocha e Andersson - mais que Alcides - asseguram qualidade e complementaridade.
Realço aqui um aspecto que me parece importante: independentemente do valor do recém-chegado brasileiro, convém não subestimar a influência das características psicológicas do central português na intensidade do colectivo.
As dúvidas surgem apenas nas laterais: estou - há muito - convencido que Nélson tem tudo para ser um dos melhores laterais portugueses mas, por enquanto, está longe de ser Miguel, enquanto, no lado esquerdo, permaneço céptico no que à utilidade de Léo diz respeito.
Excepção feita aos centrais, a envergadura física é um problema.
Nélson - Sou, há muito, um admirador das qualidades deste jovem atleta. A sua versatilidade permite-lhe actuar em qualquer dos flancos - embora prefira vê-lo na direita. Rápido, possante e dotado no aspecto técnico, tem tudo para se impor de imediato numa equipa onde os padrões de exigência são elevados para os estreantes.
Léo - Foi "vendido" como internacional brasileiro mas, tal como a tantos outros, esse é um estatuto que só com muito boa vontade lhe pode ser atribuído. Não deverá constar do generoso lote de opções para a sua posição no "escrete" e, no Benfica, vai encontrar na sua baixa estatura um problema crónico, até porque a envergadura física do onze terá de ser uma preocupação de Koeman, tendo em conta as características dos restantes elementos do plantel. Note-se que não quero com isto dizer que não se trata de um bom jogador, apenas pretendo "avisar" aqueles que esperam que o lateral-esquerdo "faça a diferença". É rápido e evoluído tecnicamente.
MEIO-CAMPO
Vamos resolver, de uma vez por todas, uma questão que já me enerva. Desde Valdo e Rui Costa que os encarnados convivem com um fantasma: não há quem não garanta que o Benfica precisa de um "camisola 10". Não há pachorra! Alguém é capaz de me dizer que equipa, no "mundo ocidental", utiliza um elemento nessas funções?! E, já agora, quantos jogadores com essas características existem no mundo?! Assim de repente, só me lembro de três, e desses, só um exerce a missão com regularidade.
Aquilo de que o Benfica precisa, neste sector, é de alguém que contribua para a gestão da manobra ofensiva e aumente a qualidade da circulação de bola. Karagounis pode vir a ser uma solução para este problema, bem como Karyaka.
Karyaka - Sei que os apaniguados do emblema da águia não estão encantados com o russo, mas continuo convencido da sua qualidade. Não será, certamente, um fora-de-série, mas acredito que possui características que podem vir a ser muito úteis ao colectivo. Em 4-3-3, com um "triângulo" aberto, pode preencher o vértice esquerdo com um lote completo de soluções: qualidade de passe e ocupação do espaço ao centro ou preenchimento do corredor, em função das movimentações de Simão. Ao lado de Manuel Fernandes, ou mesmo de Karagounis, numa versão mais arrojada, oferece outra dimensão a uma tentativa de implementar um estilo de ataque continuado numa equipa há muito habituada a soluções mais directas.
Karagounis - Uma versão semelhante à anterior, onde ponderação e subtileza são substituídas por velocidade e determinação. Não sendo o "camisola 10" que tantos reclamavam, poderá vir a desempenhar uma tarefa fundamental na reconstrução do meio-campo encarnado. Muito forte na transição defensiva, o sector necessitava de alguém que, além de criar linhas de passe, alternasse o transporte de bola - opção primeira de Nuno Assis - com uma circulação eficaz, sem nunca descurar a segunda linha de pressão no momento da recuperação. A minha única dúvida está relacionada com o errático ritmo de utilização de que dispôs nas últimas temporadas.
ATAQUE
Mesmo evitando a piada fácil dos pontas-de-lança que não chegaram, é impossível fugir a uma realidade: a manifesta insuficiência das opções disponíveis para a função. Uma equipa que se prepara para disputar três competições de enorme exigência - Liga dos Campeões incluída - não pode depender apenas de dois elementos, sobretudo quando estes apresentam um preocupante historial clínico. Ainda assim, caso se mantenha saudável, acredito que Nuno Gomes poderá beneficiar muito da filosofia de jogo que Koeman pretende implantar.
Se, no eixo do sector, a escassez de soluções é um problema evidente, as alas mantêm um elevadíssimo padrão de qualidade, sendo obrigatório constatar o acréscimo provocado pela chegada de Miccoli.
Miccoli - Desde que empenhado nesta sua aventura por terras lusas, o italiano constitui uma inegável mais-valia. Pode actuar em qualquer posição na frente de ataque e tem uma natural empatia com as balizas adversárias. Longe de ser um jogador capaz de imprimir permanente intensidade, parece esperar pela ocasião ideal para "explodir": em poucos metros - e menos segundos - é capaz de conquistar o espaço necessário para fazer a diferença.
CONCLUSÃO
Apesar de manter inalterada grande parte da estrutura que lhe garantiu o título, será necessário aguardar algum tempo para aferir o real valor desta equipa. As novas ideias trazidas por Ronald Koeman necessitam de "sedimentação" mas, tudo indica, o holandês dispõe de um grupo mais equilibrado do que aquele que o seu antecessor orientou. Miccoli é um reforço de qualidade superior, mas a chegada de Nélson, Beto, Karyaka ou Karagounis não serão menos importantes, pois oferecem soluções diversas e complementares. Resta saber até quando a saúde de Nuno Gomes e Mantorras poderá aguentar. Uma última reserva: serão muitas as ocasiões em que o Benfica se apresentará com um onze de baixa estatura, o que lhe poderá valer alguns dissabores, principalmente em lances de bola parada.
PS - Peço desculpa pelo aparecimento tardio deste "post-scriptum" - cerca de 24 horas depois da publicação do post - mas vem colmatar um lapso imperdoável: a abortada transferência de Simão.
Independentemente de o negócio ter sido, numa determinada altura, dado por concluido - por 15 milhões de euros -, cenário que só a pressão de certos grupos veio alterar, parece-me que a permanência do camisola 20 é um indiscutível benefício para os encarnados.
Vender Simão por 3 milhões de contos seria um bom negócio, mas a relação custo/benefício levantava sérios problemas. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, à época da sua transferência para Manchester, ou mesmo de Rochemback ou Rui Costa, Simão é a principal referência deste Benfica. Além de ser o melhor elemento do plantel e a fundamental fonte de desequilíbrios ofensivos, é um símbolo cuja substituição seria praticamente impossível.
As primeiras exibições do Benfica de Ronald Koeman têm sido algo incaracterísticas, consequência, a meu ver, inevitável, tendo em conta as diferenças "filosóficas" que separam o holandês do seu antecessor transalpino.
Não é impunemente - como, aliás, aqui pretendi frisar a quando da sua contratação - que se opta por um técnico tendo como critério exclusivo a dimensão da sua reputação. As diferentes formas de estruturar o jogo preconizadas por Camacho, Trapattoni ou Koeman obrigam a apurada sistematização, sendo necessário tempo para que este pobre grupo assimile mais uma mudança radical. Pela terceira vez em pouco mais de três anos, o plantel do Benfica tem de reaprender a jogar futebol.
DEFESA
Tratando-se de um dos mais equilibrados sectores do plantel que conquistou o título, temo que a versão 2005/06 venha a encontrar algumas dificuldades para manter os padrões de qualidade. Entre os postes, a gestão deverá ser o único problema, uma vez que Quim e Moreira oferecem garantias suficientes para todas as competições em que as águias estão envolvidas, conclusão extensível ao eixo da defesa, onde Luisão, Ricardo Rocha e Andersson - mais que Alcides - asseguram qualidade e complementaridade.
Realço aqui um aspecto que me parece importante: independentemente do valor do recém-chegado brasileiro, convém não subestimar a influência das características psicológicas do central português na intensidade do colectivo.
As dúvidas surgem apenas nas laterais: estou - há muito - convencido que Nélson tem tudo para ser um dos melhores laterais portugueses mas, por enquanto, está longe de ser Miguel, enquanto, no lado esquerdo, permaneço céptico no que à utilidade de Léo diz respeito.
Excepção feita aos centrais, a envergadura física é um problema.
Nélson - Sou, há muito, um admirador das qualidades deste jovem atleta. A sua versatilidade permite-lhe actuar em qualquer dos flancos - embora prefira vê-lo na direita. Rápido, possante e dotado no aspecto técnico, tem tudo para se impor de imediato numa equipa onde os padrões de exigência são elevados para os estreantes.
Léo - Foi "vendido" como internacional brasileiro mas, tal como a tantos outros, esse é um estatuto que só com muito boa vontade lhe pode ser atribuído. Não deverá constar do generoso lote de opções para a sua posição no "escrete" e, no Benfica, vai encontrar na sua baixa estatura um problema crónico, até porque a envergadura física do onze terá de ser uma preocupação de Koeman, tendo em conta as características dos restantes elementos do plantel. Note-se que não quero com isto dizer que não se trata de um bom jogador, apenas pretendo "avisar" aqueles que esperam que o lateral-esquerdo "faça a diferença". É rápido e evoluído tecnicamente.
MEIO-CAMPO
Vamos resolver, de uma vez por todas, uma questão que já me enerva. Desde Valdo e Rui Costa que os encarnados convivem com um fantasma: não há quem não garanta que o Benfica precisa de um "camisola 10". Não há pachorra! Alguém é capaz de me dizer que equipa, no "mundo ocidental", utiliza um elemento nessas funções?! E, já agora, quantos jogadores com essas características existem no mundo?! Assim de repente, só me lembro de três, e desses, só um exerce a missão com regularidade.
Aquilo de que o Benfica precisa, neste sector, é de alguém que contribua para a gestão da manobra ofensiva e aumente a qualidade da circulação de bola. Karagounis pode vir a ser uma solução para este problema, bem como Karyaka.
Karyaka - Sei que os apaniguados do emblema da águia não estão encantados com o russo, mas continuo convencido da sua qualidade. Não será, certamente, um fora-de-série, mas acredito que possui características que podem vir a ser muito úteis ao colectivo. Em 4-3-3, com um "triângulo" aberto, pode preencher o vértice esquerdo com um lote completo de soluções: qualidade de passe e ocupação do espaço ao centro ou preenchimento do corredor, em função das movimentações de Simão. Ao lado de Manuel Fernandes, ou mesmo de Karagounis, numa versão mais arrojada, oferece outra dimensão a uma tentativa de implementar um estilo de ataque continuado numa equipa há muito habituada a soluções mais directas.
Karagounis - Uma versão semelhante à anterior, onde ponderação e subtileza são substituídas por velocidade e determinação. Não sendo o "camisola 10" que tantos reclamavam, poderá vir a desempenhar uma tarefa fundamental na reconstrução do meio-campo encarnado. Muito forte na transição defensiva, o sector necessitava de alguém que, além de criar linhas de passe, alternasse o transporte de bola - opção primeira de Nuno Assis - com uma circulação eficaz, sem nunca descurar a segunda linha de pressão no momento da recuperação. A minha única dúvida está relacionada com o errático ritmo de utilização de que dispôs nas últimas temporadas.
ATAQUE
Mesmo evitando a piada fácil dos pontas-de-lança que não chegaram, é impossível fugir a uma realidade: a manifesta insuficiência das opções disponíveis para a função. Uma equipa que se prepara para disputar três competições de enorme exigência - Liga dos Campeões incluída - não pode depender apenas de dois elementos, sobretudo quando estes apresentam um preocupante historial clínico. Ainda assim, caso se mantenha saudável, acredito que Nuno Gomes poderá beneficiar muito da filosofia de jogo que Koeman pretende implantar.
Se, no eixo do sector, a escassez de soluções é um problema evidente, as alas mantêm um elevadíssimo padrão de qualidade, sendo obrigatório constatar o acréscimo provocado pela chegada de Miccoli.
Miccoli - Desde que empenhado nesta sua aventura por terras lusas, o italiano constitui uma inegável mais-valia. Pode actuar em qualquer posição na frente de ataque e tem uma natural empatia com as balizas adversárias. Longe de ser um jogador capaz de imprimir permanente intensidade, parece esperar pela ocasião ideal para "explodir": em poucos metros - e menos segundos - é capaz de conquistar o espaço necessário para fazer a diferença.
CONCLUSÃO
Apesar de manter inalterada grande parte da estrutura que lhe garantiu o título, será necessário aguardar algum tempo para aferir o real valor desta equipa. As novas ideias trazidas por Ronald Koeman necessitam de "sedimentação" mas, tudo indica, o holandês dispõe de um grupo mais equilibrado do que aquele que o seu antecessor orientou. Miccoli é um reforço de qualidade superior, mas a chegada de Nélson, Beto, Karyaka ou Karagounis não serão menos importantes, pois oferecem soluções diversas e complementares. Resta saber até quando a saúde de Nuno Gomes e Mantorras poderá aguentar. Uma última reserva: serão muitas as ocasiões em que o Benfica se apresentará com um onze de baixa estatura, o que lhe poderá valer alguns dissabores, principalmente em lances de bola parada.
PS - Peço desculpa pelo aparecimento tardio deste "post-scriptum" - cerca de 24 horas depois da publicação do post - mas vem colmatar um lapso imperdoável: a abortada transferência de Simão.
Independentemente de o negócio ter sido, numa determinada altura, dado por concluido - por 15 milhões de euros -, cenário que só a pressão de certos grupos veio alterar, parece-me que a permanência do camisola 20 é um indiscutível benefício para os encarnados.
Vender Simão por 3 milhões de contos seria um bom negócio, mas a relação custo/benefício levantava sérios problemas. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, à época da sua transferência para Manchester, ou mesmo de Rochemback ou Rui Costa, Simão é a principal referência deste Benfica. Além de ser o melhor elemento do plantel e a fundamental fonte de desequilíbrios ofensivos, é um símbolo cuja substituição seria praticamente impossível.
quarta-feira, 7 de setembro de 2005
Só mais um
A Selecção Nacional está a apenas um ponto da qualificação para o Mundial da Alemanha.
Num mundo ideal, a nação portuguesa estaria envergonhadamente agradecida ao guarda-redes suplente do Sporting Clube de Portugal...
PS - Força Eusébio. Se aguentares mais noventa minutos o recorde estará seguro!
Num mundo ideal, a nação portuguesa estaria envergonhadamente agradecida ao guarda-redes suplente do Sporting Clube de Portugal...
PS - Força Eusébio. Se aguentares mais noventa minutos o recorde estará seguro!
terça-feira, 6 de setembro de 2005
Inquérito "Criticos da Bola"
Ao que parece Beto, Edson e Custódio não vão recuperar para o derby. Deste modo, Tonel, Tello e Luis Loureiro vão ser titulares. Pelo (pouco) que vi do Sporting esta época, esta situação deixou-me a pensar na seguinte questão:
A que minuto será expulso Loureiro no próximo sábado?
Eu aposto no min. 41.
A que minuto será expulso Loureiro no próximo sábado?
Eu aposto no min. 41.
domingo, 4 de setembro de 2005
QUO VADIS?
(e não vale responder: "bem obrigadinho"...)
Tenho assistido, nos últimos tempos, a um fenómeno curioso que, confesso, me provoca alguma perplexidade.
Alvo de cerradas críticas na Comunicação Social, na blogosfera e nas bancadas de Alvalade, Ricardo foi entusiasticamente apoiado pelos adeptos da Selecção Nacional, quer nos trabalhos de preparação, quer no encontro frente ao Luxemburgo.
Ao que parece, o incentivo resultou.
Pelo contrário, para os lados do Campo Grande, o camisola 76 transformou-se na razão de todos os males e já não há quem não louve as "inúmeras" qualidades de Nélson...
Assim sendo, não posso deixar de me questionar: quem beneficia com os assobios e os apupos?
Qual será, afinal, a cor clubística de quem tanto critica o guardião leonino?
Saberão quem são? Quem apoiam? Para onde vão?
Tenho assistido, nos últimos tempos, a um fenómeno curioso que, confesso, me provoca alguma perplexidade.
Alvo de cerradas críticas na Comunicação Social, na blogosfera e nas bancadas de Alvalade, Ricardo foi entusiasticamente apoiado pelos adeptos da Selecção Nacional, quer nos trabalhos de preparação, quer no encontro frente ao Luxemburgo.
Ao que parece, o incentivo resultou.
Pelo contrário, para os lados do Campo Grande, o camisola 76 transformou-se na razão de todos os males e já não há quem não louve as "inúmeras" qualidades de Nélson...
Assim sendo, não posso deixar de me questionar: quem beneficia com os assobios e os apupos?
Qual será, afinal, a cor clubística de quem tanto critica o guardião leonino?
Saberão quem são? Quem apoiam? Para onde vão?
quinta-feira, 1 de setembro de 2005
O novo FC Porto
Chegou a altura de cumprir o prometido. Encerrado que está o período de transferências, regresso à análise dos plantéis dos três "grandes".
Para evitar conteúdos redundantes, limitarei a abordagem individual aos elementos que não constam do post de Junho.
A chegada de Co Adriaanse provocou uma pequena revolução no seio do dragão, fruto de uma nova abordagem aos princípios de jogo e de rígidos critérios disciplinares. O cunho da mudança fica bem expresso em algumas opções, das quais o afastamento de Jorge Costa e a tentativa de "domesticar" Ricardo Quaresma são paradigma.
DEFESA
Parece-me ser este o sector em que o FC Porto evidencia maiores debilidades. Na lateral direita, o desconhecido Sonkaya não apresentou ainda credenciais que lhe garantam o estatuto de indiscutível mas a presença de Bosingwa poderá conferir estabilidade ao flanco, bem como ajudar o jovem polivalente a encontrar, definitivamente, uma função específica. O principal problema, quanto a mim, estará no eixo, uma vez que dificilmente uma dupla formada por Pedro Emanuel e Ricardo Costa pode ser vista como complementar. Pepe, o único central rápido no grupo azul e branco, peca ainda por enorme imaturidade, pese embora possuir características que lhe poderiam conceder outra projecção. A incógnita paira sobre o lado esquerdo, onde o adaptado César Peixoto tem dado boa conta de si.
Fatih Sonkaya - Pouco ou nada conheço do percurso deste possante lateral e, tendo em conta aquilo que já foi possível observar, confesso que não fiquei muito impressionado. Terá, neste início de época, o benefício da dúvida.
Marek Cech - Aqui sou obrigado a confessar a minha ignorância. Fica apenas uma vaga impressão de um jogo da selecção de Sub-21, mas só o tempo me permitirá formar uma opinião.
MEIO-CAMPO
Se, no que aos nomes diz respeito, não se registam grandes novidades em relação à referida análise anterior, a verdade é que o técnico holandês promoveu mudanças estruturais importantes. Raul Meireles - para meu contentamento - tem sido uma forte aposta para o posto mais recuado enquanto Lucho González vai confirmando tudo o que dele se esperava. Esgotada que parece estar a ideia peregrina de transformar Postiga num organizador de jogo, Diego regressou ao comando de um sector que promete solidez e versatilidade.
ATAQUE
As saídas suplantaram em larga medida as entradas, mas ninguém poderá dizer que o ataque portista carece de opções. Jorginho tem sido utilizado nas alas, confirmando sempre o valor que há muito alguns lhe reconhecem, enquanto Lizandro López vai "conquistando" o lugar de Derlei, no terreno e no coração dos adeptos. O grau de motivação de McCarthy pode, porém, ser determinante para a capacidade de concretização de uma equipa na qual, para já, Ricardo Quaresma parece talhado a desempenhar um papel secundário.
CONCLUSÃO
Parece-me pacífico afirmar que o FC Porto parte mais forte para esta nova temporada. O plantel azul e branco é mais coeso e equilibrado do que na época transacta e os reajustes efectuados permitiram a chegada de atletas de indiscutível qualidade. Se Co Adriaanse conquistar a dedicação e a lealdade do grupo, serão fortíssimos.
Para evitar conteúdos redundantes, limitarei a abordagem individual aos elementos que não constam do post de Junho.
A chegada de Co Adriaanse provocou uma pequena revolução no seio do dragão, fruto de uma nova abordagem aos princípios de jogo e de rígidos critérios disciplinares. O cunho da mudança fica bem expresso em algumas opções, das quais o afastamento de Jorge Costa e a tentativa de "domesticar" Ricardo Quaresma são paradigma.
DEFESA
Parece-me ser este o sector em que o FC Porto evidencia maiores debilidades. Na lateral direita, o desconhecido Sonkaya não apresentou ainda credenciais que lhe garantam o estatuto de indiscutível mas a presença de Bosingwa poderá conferir estabilidade ao flanco, bem como ajudar o jovem polivalente a encontrar, definitivamente, uma função específica. O principal problema, quanto a mim, estará no eixo, uma vez que dificilmente uma dupla formada por Pedro Emanuel e Ricardo Costa pode ser vista como complementar. Pepe, o único central rápido no grupo azul e branco, peca ainda por enorme imaturidade, pese embora possuir características que lhe poderiam conceder outra projecção. A incógnita paira sobre o lado esquerdo, onde o adaptado César Peixoto tem dado boa conta de si.
Fatih Sonkaya - Pouco ou nada conheço do percurso deste possante lateral e, tendo em conta aquilo que já foi possível observar, confesso que não fiquei muito impressionado. Terá, neste início de época, o benefício da dúvida.
Marek Cech - Aqui sou obrigado a confessar a minha ignorância. Fica apenas uma vaga impressão de um jogo da selecção de Sub-21, mas só o tempo me permitirá formar uma opinião.
MEIO-CAMPO
Se, no que aos nomes diz respeito, não se registam grandes novidades em relação à referida análise anterior, a verdade é que o técnico holandês promoveu mudanças estruturais importantes. Raul Meireles - para meu contentamento - tem sido uma forte aposta para o posto mais recuado enquanto Lucho González vai confirmando tudo o que dele se esperava. Esgotada que parece estar a ideia peregrina de transformar Postiga num organizador de jogo, Diego regressou ao comando de um sector que promete solidez e versatilidade.
ATAQUE
As saídas suplantaram em larga medida as entradas, mas ninguém poderá dizer que o ataque portista carece de opções. Jorginho tem sido utilizado nas alas, confirmando sempre o valor que há muito alguns lhe reconhecem, enquanto Lizandro López vai "conquistando" o lugar de Derlei, no terreno e no coração dos adeptos. O grau de motivação de McCarthy pode, porém, ser determinante para a capacidade de concretização de uma equipa na qual, para já, Ricardo Quaresma parece talhado a desempenhar um papel secundário.
CONCLUSÃO
Parece-me pacífico afirmar que o FC Porto parte mais forte para esta nova temporada. O plantel azul e branco é mais coeso e equilibrado do que na época transacta e os reajustes efectuados permitiram a chegada de atletas de indiscutível qualidade. Se Co Adriaanse conquistar a dedicação e a lealdade do grupo, serão fortíssimos.
Calhaus
O último dia do período de transferências foi, como se previa, animado, mas mais duro do que eu poderia pensar.
Acabei por passar ao lado dessas emoções já que, enquanto se ultimavam as derradeiras transacções, preferiram transportar-me para o hosptital, não fosse eu exercer alguma má influência sobre os inúmeros negócios em curso...
Aparentemente, os meus rins têm tantos calhaus como o plantel dos três grandes e, acreditem, quando um deles tenta sair - só descobri isto hoje, com 30 anos -, é pior do que a venda do Figo ou do Rui Costa.
Percebo melhor as opiniões mais exaltadas de alguns leitores, plenas de dor pungente, que surgem sempre que se projecta a partida deste ou daquele "craque".
Eu, por mim, limito-me a desejar que o calhau que hoje expeli se chamasse Tello, João Pereira ou Cláudio Pitbull.
PS - Tenciono estar em melhor forma nos próximos dias, para analisar o que de importante se passou neste encerramento de mercado.
Acabei por passar ao lado dessas emoções já que, enquanto se ultimavam as derradeiras transacções, preferiram transportar-me para o hosptital, não fosse eu exercer alguma má influência sobre os inúmeros negócios em curso...
Aparentemente, os meus rins têm tantos calhaus como o plantel dos três grandes e, acreditem, quando um deles tenta sair - só descobri isto hoje, com 30 anos -, é pior do que a venda do Figo ou do Rui Costa.
Percebo melhor as opiniões mais exaltadas de alguns leitores, plenas de dor pungente, que surgem sempre que se projecta a partida deste ou daquele "craque".
Eu, por mim, limito-me a desejar que o calhau que hoje expeli se chamasse Tello, João Pereira ou Cláudio Pitbull.
PS - Tenciono estar em melhor forma nos próximos dias, para analisar o que de importante se passou neste encerramento de mercado.
quarta-feira, 31 de agosto de 2005
E no último dia... Muda tudo
Afinal, os grandes de Lisboa gostam mesmo de "suspense"...
O Benfica esperou pelo último dia do período de transferências para assegurar os reforços prometidos - e não só - enquanto, do outro lado da segunda circular, um plantel que se pretendia fechado está prestes a sofrer uma pequena... revolução.
Wender é apenas a face óbvia do que poderá ser um leão de cara renovada.
Resta saber se para melhor...
PS - Acredito que os adeptos verde e brancos tenham um valente susto pela manhã, mas não sei quantos ataques cardíacos poderão acontecer entre os encarnados...
O Benfica esperou pelo último dia do período de transferências para assegurar os reforços prometidos - e não só - enquanto, do outro lado da segunda circular, um plantel que se pretendia fechado está prestes a sofrer uma pequena... revolução.
Wender é apenas a face óbvia do que poderá ser um leão de cara renovada.
Resta saber se para melhor...
PS - Acredito que os adeptos verde e brancos tenham um valente susto pela manhã, mas não sei quantos ataques cardíacos poderão acontecer entre os encarnados...
sábado, 27 de agosto de 2005
Será que a crise atravessou a segunda circular?
O Benfica perdeu em casa com o Gil Vicente, por 2-0, num encontro que poderia ter resolvido a seu favor, tranquilamente, nos primeiros vinte minutos.
À passagem da segunda jornada, os encarnados contabilizam apenas um magro pontinho, numa altura em que são obrigados a preparar a visita a Alvalade.
Não me parece que se trate de um problema grave, nem muito menos de uma crise, contudo, por "pecados" menores, os vizinhos de verde e branco - nomeadamente o seu treinador - seriam crucificados...
Não vou, certamente - e ainda bem -, ouvir pedidos para que um "período de reflexão" seja imposto a Simão ou Anderson, nem insinuações sobre a guilhotina que pende sobre a cabeça de um treinador que, em apenas dois encontros, deitou cinco pontos pela janela...
Haja bom senso... para todos!
À passagem da segunda jornada, os encarnados contabilizam apenas um magro pontinho, numa altura em que são obrigados a preparar a visita a Alvalade.
Não me parece que se trate de um problema grave, nem muito menos de uma crise, contudo, por "pecados" menores, os vizinhos de verde e branco - nomeadamente o seu treinador - seriam crucificados...
Não vou, certamente - e ainda bem -, ouvir pedidos para que um "período de reflexão" seja imposto a Simão ou Anderson, nem insinuações sobre a guilhotina que pende sobre a cabeça de um treinador que, em apenas dois encontros, deitou cinco pontos pela janela...
Haja bom senso... para todos!
quarta-feira, 24 de agosto de 2005
O insustentável peso de decidir
Acabo de chegar de Udine, monótona vila perdida num enclave entre Friuli e a Eslovénia e, confesso, não estou lá muito bem disposto...
Habituei-me, ao longo de muitos anos de experiência competitiva, a viver com intensidade os momentos decisivos, já que estes proporcionam sensações e emoções ímpares. Há poucas horas, quando as equipas entravam no relvado, as minhas mãos tremiam e, apesar de não ser o futebol a modalidade que pratiquei, verifiquei, mais uma vez, que isto me está no sangue: tal como em 2003/2004, no Benfica - Lázio, disputado no Estádio do Bessa, daria tudo para trocar de lugar com um daqueles tipos, para ter a oportunidade de voltar a viver um momento daqueles.
A responsabilidade pesa, sim, mas de forma diferente para cada um. Se, para alguns, serve de "combustível", de factor de superação, para outros constitui-se como insuportável fardo. O "triunfo" dos segundos incomoda-me. É um desperdício.
Irritação à parte, uma palavra para as causas do desastre leonino. Tenho, aqui e noutros locais, com assinalável regularidade, defendido o técnico do Sporting e a qualidade da sua equipa. Hoje, como não podia deixar de ser, reconheço os erros do primeiro e o fracasso da segunda.
Este binómio revela uma inquietante tendência para claudicar nos momentos decisivos - podem ler mais aqui, perdoando a recorrente publicidade - e os sintomas da "maleita" foram, em Udine, mais evidentes que nunca.
Ao contrário do que é habitual, José Peseiro condicionou a estratégia em função das características do adversário, optando por incluir Luís Loureiro num onze onde pontificava um meio-campo de "combate" - Sá Pinto, João Moutinho e Rochemback (na meia esquerda?!). Douala, esse, foi fazer companhia a Liedson na frente, procurando ocupar a faixa esquerda.
Apesar de conhecer os motivos que levaram à sua utilização, parece-me um claro equívoco a aposta em Loureiro, um atleta sem ritmo competitivo - não estou para discutir, a esta hora, a qualidade intrínseca do jogador - e pouco ou nada identificado com o elaborado modelo de jogo verde e branco. Os principais lances de perigo gerados pela Udinese no primeiro tempo não tiveram origem em contra-ataques, mas sim em recuperações de bola em pleno meio-campo adversário. À falta de elementos capazes de criar linhas de passe - e/ou utilizá-las -, as tentativas de ultrapassar a primeira linha de pressão dos italianos em progressão esbarravam em erros sistemáticos.
Compensará, num encontro decisivo em que a vitória é uma obrigação, proceder a tantas mudanças estruturais - Loureiro, Douala, Rochemback...? A meu ver, e diria o mesmo antes do apito inicial, a resposta é um rotundo não!
As alterações ao figurino não ficaram, contudo, por aqui. Perante as persistentes situações de igualdade - ou inferioridade - numérica no sector defensivo, Peseiro optou por uma solução que, como revelou no final da partida, já havia sido ensaiada: Luís Loureiro passou a desempenhar as funções de terceiro central, de forma a garantir a presença de três elementos para fazer face às incursões de Di Natale e Iaquinta, enquanto os laterais receberam "ordem de soltura". Conclusão: Rogério, Tello, Edson e, até, Deivid (?!) nunca foram capazes de alargar o futebol leonino e o meio-campo continuou órfão de um "pivot" defensivo que ajudasse ao equilíbrio e apoiasse as linhas de passe.
Ora, se o que mais admiro no que o técnico de Coruche conseguiu em Alvalade se prende com a criação de uma inequívoca identidade colectiva - na época transacta, os leões assumiram-na em terrenos tão difíceis como os de Feyenoord, Middlesbrough ou Newcastle - não posso deixar de ficar chocado com a esquizofrenia de Udine: ao fazer concessões ao adversário numa partida que precisava de vencer, perdeu a iniciativa e, consequentemente, a oportunidade de pressionar - no sentido figurado, bem como no literal. No confronto táctico e psicológico entre o carismático Serse Cosmi e José Peseiro... vantagem de lá...
Em suma, numa ocasião em que bastava vencer para - pelo menos - evitar a eliminação, a excessiva preocupação com as qualidades do oponente hipotecou a qualidade futebolística que tantas vezes aqui louvei.
Consciente que, depois do jogo, é fácil criticar e analisar, esta não deixa de ser uma boa ocasião para clarificar a minha opinião nesta matéria: posso ser o primeiro a apelar ao bom senso quando vejo que uma equipa fez tudo o que estava ao seu alcance para vencer e, até, o suficiente para o conseguir - como o Sporting na final da Taça UEFA ou o Benfica no empate em Leiria - mas não deixo de apontar os erros quando eles existem.
O Sporting não perdeu por ser ingénuo e privilegiar a hipotética qualidade do seu futebol, mas sim porque abdicou dessas características. Ao ignorar a sua identidade, permitiu que a Udinese fosse, efectivamente, melhor e a verdade é que os transalpinos conquistaram uma inédita presença na Liga dos Campeões com inteira justiça.
PS - Sou um confesso admirador das qualidades de Ricardo mas, como é óbvio, o montijense atravessa um período extremamente difícil. Sendo certo que, em dois jogos consecutivos, cometeu dois erros inacreditáveis - enormes "frangos", em bom "futebolês" - a verdade é que está longe de ser o responsável pela eliminação do Sporting. Espero, claro, a crucificação habitual...
Habituei-me, ao longo de muitos anos de experiência competitiva, a viver com intensidade os momentos decisivos, já que estes proporcionam sensações e emoções ímpares. Há poucas horas, quando as equipas entravam no relvado, as minhas mãos tremiam e, apesar de não ser o futebol a modalidade que pratiquei, verifiquei, mais uma vez, que isto me está no sangue: tal como em 2003/2004, no Benfica - Lázio, disputado no Estádio do Bessa, daria tudo para trocar de lugar com um daqueles tipos, para ter a oportunidade de voltar a viver um momento daqueles.
A responsabilidade pesa, sim, mas de forma diferente para cada um. Se, para alguns, serve de "combustível", de factor de superação, para outros constitui-se como insuportável fardo. O "triunfo" dos segundos incomoda-me. É um desperdício.
Irritação à parte, uma palavra para as causas do desastre leonino. Tenho, aqui e noutros locais, com assinalável regularidade, defendido o técnico do Sporting e a qualidade da sua equipa. Hoje, como não podia deixar de ser, reconheço os erros do primeiro e o fracasso da segunda.
Este binómio revela uma inquietante tendência para claudicar nos momentos decisivos - podem ler mais aqui, perdoando a recorrente publicidade - e os sintomas da "maleita" foram, em Udine, mais evidentes que nunca.
Ao contrário do que é habitual, José Peseiro condicionou a estratégia em função das características do adversário, optando por incluir Luís Loureiro num onze onde pontificava um meio-campo de "combate" - Sá Pinto, João Moutinho e Rochemback (na meia esquerda?!). Douala, esse, foi fazer companhia a Liedson na frente, procurando ocupar a faixa esquerda.
Apesar de conhecer os motivos que levaram à sua utilização, parece-me um claro equívoco a aposta em Loureiro, um atleta sem ritmo competitivo - não estou para discutir, a esta hora, a qualidade intrínseca do jogador - e pouco ou nada identificado com o elaborado modelo de jogo verde e branco. Os principais lances de perigo gerados pela Udinese no primeiro tempo não tiveram origem em contra-ataques, mas sim em recuperações de bola em pleno meio-campo adversário. À falta de elementos capazes de criar linhas de passe - e/ou utilizá-las -, as tentativas de ultrapassar a primeira linha de pressão dos italianos em progressão esbarravam em erros sistemáticos.
Compensará, num encontro decisivo em que a vitória é uma obrigação, proceder a tantas mudanças estruturais - Loureiro, Douala, Rochemback...? A meu ver, e diria o mesmo antes do apito inicial, a resposta é um rotundo não!
As alterações ao figurino não ficaram, contudo, por aqui. Perante as persistentes situações de igualdade - ou inferioridade - numérica no sector defensivo, Peseiro optou por uma solução que, como revelou no final da partida, já havia sido ensaiada: Luís Loureiro passou a desempenhar as funções de terceiro central, de forma a garantir a presença de três elementos para fazer face às incursões de Di Natale e Iaquinta, enquanto os laterais receberam "ordem de soltura". Conclusão: Rogério, Tello, Edson e, até, Deivid (?!) nunca foram capazes de alargar o futebol leonino e o meio-campo continuou órfão de um "pivot" defensivo que ajudasse ao equilíbrio e apoiasse as linhas de passe.
Ora, se o que mais admiro no que o técnico de Coruche conseguiu em Alvalade se prende com a criação de uma inequívoca identidade colectiva - na época transacta, os leões assumiram-na em terrenos tão difíceis como os de Feyenoord, Middlesbrough ou Newcastle - não posso deixar de ficar chocado com a esquizofrenia de Udine: ao fazer concessões ao adversário numa partida que precisava de vencer, perdeu a iniciativa e, consequentemente, a oportunidade de pressionar - no sentido figurado, bem como no literal. No confronto táctico e psicológico entre o carismático Serse Cosmi e José Peseiro... vantagem de lá...
Em suma, numa ocasião em que bastava vencer para - pelo menos - evitar a eliminação, a excessiva preocupação com as qualidades do oponente hipotecou a qualidade futebolística que tantas vezes aqui louvei.
Consciente que, depois do jogo, é fácil criticar e analisar, esta não deixa de ser uma boa ocasião para clarificar a minha opinião nesta matéria: posso ser o primeiro a apelar ao bom senso quando vejo que uma equipa fez tudo o que estava ao seu alcance para vencer e, até, o suficiente para o conseguir - como o Sporting na final da Taça UEFA ou o Benfica no empate em Leiria - mas não deixo de apontar os erros quando eles existem.
O Sporting não perdeu por ser ingénuo e privilegiar a hipotética qualidade do seu futebol, mas sim porque abdicou dessas características. Ao ignorar a sua identidade, permitiu que a Udinese fosse, efectivamente, melhor e a verdade é que os transalpinos conquistaram uma inédita presença na Liga dos Campeões com inteira justiça.
PS - Sou um confesso admirador das qualidades de Ricardo mas, como é óbvio, o montijense atravessa um período extremamente difícil. Sendo certo que, em dois jogos consecutivos, cometeu dois erros inacreditáveis - enormes "frangos", em bom "futebolês" - a verdade é que está longe de ser o responsável pela eliminação do Sporting. Espero, claro, a crucificação habitual...
terça-feira, 16 de agosto de 2005
Luís Campos
Bem sei que há muito não aparece por aqui um antigo "cliente habitual", mas não resisto a voltar a este tema.
A especulação sobre a duração do consulado dos vários treinadores da SuperLiga tem sido assunto privilegiado na blogosfera e nas redacções dos jornais - as apostas fervem -, mas há outro "mistério" que me parece merecedor de alguma atenção.
Aproveitando para mencionar a Liga Zandinga, louvável iniciativa dos nossos colegas do QQ2 - fui surpreendido pela ausência de acesso à Internet, o que impediu de proceder à minha inscrição - aqui deixo o meu "palpite" sobre os dois técnicos que poderão ter maior dificuldade em segurar o lugar: José Gomes (Leiria) e Norton de Matos (Setúbal).
De qualquer forma, eis o repto que pretendo lançar:
- acham que Luís Campos ainda vai orientar uma equipa da SuperLiga na temporada 2005/06?
A especulação sobre a duração do consulado dos vários treinadores da SuperLiga tem sido assunto privilegiado na blogosfera e nas redacções dos jornais - as apostas fervem -, mas há outro "mistério" que me parece merecedor de alguma atenção.
Aproveitando para mencionar a Liga Zandinga, louvável iniciativa dos nossos colegas do QQ2 - fui surpreendido pela ausência de acesso à Internet, o que impediu de proceder à minha inscrição - aqui deixo o meu "palpite" sobre os dois técnicos que poderão ter maior dificuldade em segurar o lugar: José Gomes (Leiria) e Norton de Matos (Setúbal).
De qualquer forma, eis o repto que pretendo lançar:
- acham que Luís Campos ainda vai orientar uma equipa da SuperLiga na temporada 2005/06?
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Lição holandesa
Bem sei que aquilo que me preparo para escrever não é pacífico, nem muito menos presumo estar na posse absoluta da razão. Pelo contrário, trata-se de um tema relativamente ao qual a opinião de cada um diverge em função de valores e princípios inteiramente legítimos, por serem pessoais.
Acredito, porém, que para os adeptos - e agentes - do futebol - e do desporto em geral - o progresso da modalidade deve ser a prioridade, independentemente dos objectivos pessoais ou dos interesses deste ou daquele clube. O que for melhor para a actividade no seu todo trará, inevitavelmente, benefícios aos emblemas nela envolvidos.
Este princípio ultrapassa, no meu entender, a esfera da gestão administrativa e financeira, estendendo-se à área da estratégia desportiva: a forma como uma equipa de um clube de grande dimensão joga não pode ser alheia ao bem-estar da modalidade.
Tenho lido e ouvido diversas opiniões sobre o futebol do Sporting que me deixam confundido, para não dizer chocado. Aos leões são apontadas fragilidades defensivas, problemas de organização e, simultaneamente, deficiências no capítulo da finalização. Ora, se qualquer destas observações é pertinente e legítima, as ilações que daí se retiram são, no mínimo, ridículas.
Quando se aponta a criatividade do sector intermédio e o estilo agradável que caracteriza a filosofia de jogo verde e branca como raiz de todos os males, o meu cérebro recorda instantaneamente as críticas que os mesmos protagonistas dirigiram ao futebol calculista e de contenção que levou a Grécia à vitória no Euro' 2004. Em que ficamos?
O problema do Sporting não é, nem nunca será, a mentalidade ofensiva da sua equipa ou a vontade de agradar ao público que, com assinalável lealdade, acorre às bancadas de Alvalade. Estes devem, aliás, ser parâmetros exigidos pelos dirigentes aos treinadores responsáveis por orientar clubes de topo - no seu universo particular, ou seja, Benfica, FC Porto e Sporting em Portugal, como Real Madrid e Barcelona em Espanha ou Ajax e PSV na Holanda.
A vontade de jogar futebol da forma como este extraordinário desporto deve ser praticado tem de ser mais importante que o imediato sucesso desportivo. Não quero com isto dizer que, perante um encontro decisivo, se sacrifique o resultado a um espectáculo agradável, apenas que, a médio/longo prazo, será sempre preferível construir uma equipa capaz de vencer e encher estádios com um estilo atractivo. Quanto maior for o número de formações a aderir a esta filosofia, maiores benefícios recolherá cada um dos intervenientes nesta actividade.
Utópico? Talvez, mas apenas devido à visão estreita e limitada que os agentes desta indústria - dirigentes, treinadores, empresários, jornalistas e... adeptos - insistem em sustentar.
Recordo-vos que uma das razões pela qual este desporto é capaz de provocar emoções ímpares se prende com a incerteza no resultado: com apenas um erro ou uma acção bem sucedida a separar uma derrota de um triunfo, torna-se possível e, até, frequente, que a melhor equipa não vença. Isto não quer dizer, contudo, que esse conjunto não continue a ser superior e, sobretudo, que o facto de produzir futebol de maior qualidade não lhe permita vencer mais vezes.
Ainda este sábado ouvi um dos técnicos com maior sucesso no futebol actual, Carlos Bianchi, afirmar, em resposta a uma crítica sobre a permeabilidade defensiva do seu Atlético de Madrid, que quem pretende implementar uma mentalidade ofensiva tem de estar preparado para sofrer golos.
Continuando no campo das referências, lembro-me também de uma máxima muito do agrado de um treinador holandês que deixou uma marca indelével no futebol mundial - e na minha forma de conceber esta modalidade: "Não me importo que a minha equipa sofra nove golos, desde que marque sempre mais um do que o adversário". Não me refiro, infelizmente, a nenhum dos representantes do País Baixo na nossa SuperLiga - embora, como eu, tenham sido por ele influenciados - , mas sim a Johann Cruyjff.
Acredito, porém, que para os adeptos - e agentes - do futebol - e do desporto em geral - o progresso da modalidade deve ser a prioridade, independentemente dos objectivos pessoais ou dos interesses deste ou daquele clube. O que for melhor para a actividade no seu todo trará, inevitavelmente, benefícios aos emblemas nela envolvidos.
Este princípio ultrapassa, no meu entender, a esfera da gestão administrativa e financeira, estendendo-se à área da estratégia desportiva: a forma como uma equipa de um clube de grande dimensão joga não pode ser alheia ao bem-estar da modalidade.
Tenho lido e ouvido diversas opiniões sobre o futebol do Sporting que me deixam confundido, para não dizer chocado. Aos leões são apontadas fragilidades defensivas, problemas de organização e, simultaneamente, deficiências no capítulo da finalização. Ora, se qualquer destas observações é pertinente e legítima, as ilações que daí se retiram são, no mínimo, ridículas.
Quando se aponta a criatividade do sector intermédio e o estilo agradável que caracteriza a filosofia de jogo verde e branca como raiz de todos os males, o meu cérebro recorda instantaneamente as críticas que os mesmos protagonistas dirigiram ao futebol calculista e de contenção que levou a Grécia à vitória no Euro' 2004. Em que ficamos?
O problema do Sporting não é, nem nunca será, a mentalidade ofensiva da sua equipa ou a vontade de agradar ao público que, com assinalável lealdade, acorre às bancadas de Alvalade. Estes devem, aliás, ser parâmetros exigidos pelos dirigentes aos treinadores responsáveis por orientar clubes de topo - no seu universo particular, ou seja, Benfica, FC Porto e Sporting em Portugal, como Real Madrid e Barcelona em Espanha ou Ajax e PSV na Holanda.
A vontade de jogar futebol da forma como este extraordinário desporto deve ser praticado tem de ser mais importante que o imediato sucesso desportivo. Não quero com isto dizer que, perante um encontro decisivo, se sacrifique o resultado a um espectáculo agradável, apenas que, a médio/longo prazo, será sempre preferível construir uma equipa capaz de vencer e encher estádios com um estilo atractivo. Quanto maior for o número de formações a aderir a esta filosofia, maiores benefícios recolherá cada um dos intervenientes nesta actividade.
Utópico? Talvez, mas apenas devido à visão estreita e limitada que os agentes desta indústria - dirigentes, treinadores, empresários, jornalistas e... adeptos - insistem em sustentar.
Recordo-vos que uma das razões pela qual este desporto é capaz de provocar emoções ímpares se prende com a incerteza no resultado: com apenas um erro ou uma acção bem sucedida a separar uma derrota de um triunfo, torna-se possível e, até, frequente, que a melhor equipa não vença. Isto não quer dizer, contudo, que esse conjunto não continue a ser superior e, sobretudo, que o facto de produzir futebol de maior qualidade não lhe permita vencer mais vezes.
Ainda este sábado ouvi um dos técnicos com maior sucesso no futebol actual, Carlos Bianchi, afirmar, em resposta a uma crítica sobre a permeabilidade defensiva do seu Atlético de Madrid, que quem pretende implementar uma mentalidade ofensiva tem de estar preparado para sofrer golos.
Continuando no campo das referências, lembro-me também de uma máxima muito do agrado de um treinador holandês que deixou uma marca indelével no futebol mundial - e na minha forma de conceber esta modalidade: "Não me importo que a minha equipa sofra nove golos, desde que marque sempre mais um do que o adversário". Não me refiro, infelizmente, a nenhum dos representantes do País Baixo na nossa SuperLiga - embora, como eu, tenham sido por ele influenciados - , mas sim a Johann Cruyjff.
quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Ui... dinese
Antes de mais, penitencio-me pela falta de aviso relativo a esta ausência prolongada, motivada por um (demasiado curto) período de férias. Tencionava manter-me em contacto com a blogosfera mas uma inesperada dificuldade de acesso à Internet não mo permitiu.
Regresso ao trabalho no dia seguinte à estreia do Sporting em encontros de carácter oficial apenas para verificar que, para já, pouco mudou entre os leões no que à relação qualidades/lacunas diz respeito.
Do muito que já tenho lido sobre a partida frente à Udinese e sobre o futuro desta pré-eliminatória, sinto-me inclinado a fazer alguns comentários.
Estava, desde o momento do sorteio, apreensivo quanto ao desfecho do embate que pode permitir o acesso à Liga dos Campeões mas, ao contrário do que muitos poderão pensar, não encaro com qualquer sombra de fatalismo o que falta disputar desta eliminatória.
Sendo verdade que, apesar de razoavelmente inofensiva durante os noventa minutos, a formação italiana garantiu uma vantagem importante para a segunda mão, a inoperância ofensiva dos homens de Udine, provocada pela pressão exercida pelos verde e brancos, deixa antever um interessante desafio às suas capacidades na condição de anfitriões.
Creio que todas as decisões estão ainda em aberto e, tendo em conta o volume ofensivo garantido pelo Sporting em Alvalade - mais de 70 por cento de posse de bola e inúmeras oportunidades de golo - será difícil aos transalpinos aguentar mais 90 minutos sem sofrer qualquer golo.
Uma palavra ainda para as ausências de Rochemback e Edson: ao contrário do que sucedia na época transacta, é no meio-campo - fundamentalmente sobre os flancos - que as opções são, de momento, limitadas, razão pela qual os dois brasileiros poderiam dar outra dimensão ao futebol do Sporting - com Edson, Tello (péssimo, ontem) seria opção para o "miolo" ou vice-versa.
Este dado é tão mais importante quanto se refere a dois elementos que desempenham um papel preponderante na execução de lances de bola parada. É, seguramente, difícil preparar tão importante disputa durante tanto tempo e, em cima da hora, perder opções fundamentais na estratégia montada.
A "hora da verdade", neste caso, são três - 180 minutos, para os mais distraídos - e só em Itália se ficará com a verdadeira imagem deste novo leão. O tempo para solidificar os processos, contudo, escasseia...
Regresso ao trabalho no dia seguinte à estreia do Sporting em encontros de carácter oficial apenas para verificar que, para já, pouco mudou entre os leões no que à relação qualidades/lacunas diz respeito.
Do muito que já tenho lido sobre a partida frente à Udinese e sobre o futuro desta pré-eliminatória, sinto-me inclinado a fazer alguns comentários.
Estava, desde o momento do sorteio, apreensivo quanto ao desfecho do embate que pode permitir o acesso à Liga dos Campeões mas, ao contrário do que muitos poderão pensar, não encaro com qualquer sombra de fatalismo o que falta disputar desta eliminatória.
Sendo verdade que, apesar de razoavelmente inofensiva durante os noventa minutos, a formação italiana garantiu uma vantagem importante para a segunda mão, a inoperância ofensiva dos homens de Udine, provocada pela pressão exercida pelos verde e brancos, deixa antever um interessante desafio às suas capacidades na condição de anfitriões.
Creio que todas as decisões estão ainda em aberto e, tendo em conta o volume ofensivo garantido pelo Sporting em Alvalade - mais de 70 por cento de posse de bola e inúmeras oportunidades de golo - será difícil aos transalpinos aguentar mais 90 minutos sem sofrer qualquer golo.
Uma palavra ainda para as ausências de Rochemback e Edson: ao contrário do que sucedia na época transacta, é no meio-campo - fundamentalmente sobre os flancos - que as opções são, de momento, limitadas, razão pela qual os dois brasileiros poderiam dar outra dimensão ao futebol do Sporting - com Edson, Tello (péssimo, ontem) seria opção para o "miolo" ou vice-versa.
Este dado é tão mais importante quanto se refere a dois elementos que desempenham um papel preponderante na execução de lances de bola parada. É, seguramente, difícil preparar tão importante disputa durante tanto tempo e, em cima da hora, perder opções fundamentais na estratégia montada.
A "hora da verdade", neste caso, são três - 180 minutos, para os mais distraídos - e só em Itália se ficará com a verdadeira imagem deste novo leão. O tempo para solidificar os processos, contudo, escasseia...
terça-feira, 9 de agosto de 2005
Pequena análise aos 3 grandes
Estou de volta. Após algum tempo de prolongada ausência, por motivos profissionais, volto com um pequeno post a analisar o estado dos três maiores clubes portugueses. Sei que não tenho a capacidade de análise e a excelência da escrita do meu amigo Jean, mas gosto de dizer uns disparates por isso aqui vai uma pequena análise aos três grandes após a pré-temporada.
Sporting
Pelo que tenho visto não está pior do que na época passada. As saídas não foram tantas como se esperavam e os poucos reforços que apareceram (principalmente Deivid e Edson) parecem ser bastante úteis. A minha maior preocupação está nos defesas centrais. O ano passado não estiveram bem e este ano sem Enakarihre temo o pior. Falta um jogador de classe para jogar ao lado de Beto. De resto, Edson parece ser um bom substituto para Rui Jorge (ainda por cima marca golos), o meio campo apesar das saídas continua com bastantes soluções, e o ataque está mais forte com a entra de Deivide (especialmente mais forte se deste modo não tiver que jogar o Sá Pinto).
Porto
Ainda é para mim uma incógnita, o potencial desta equipa. Parece ter muitas soluções do meio campo para a frente e por vez pratica bom futebol. No entanto não podem jogar todos, o que pode vir a trazer confusão no balneário, e a defesa não me parece ter a força de outros anos. Espero que quando as coisas começarem a correr mal comecem todos as cabeçadas e a equipa se destrua.
Benfica
O campeão nacional parece-me o mais forte dos três. Aproveitando a receita da venda de Miguel, contratou Tomasson e Kalou e tem agora um ataque temível. Juventus e Chelsea já sentiram bem o poderio ofensivo desta equipa. De resto, Beto parece uma boa (surpreendente) contratação e a defesa parece a mais segura dos três grandes, com várias alternativas, especialmente no centro da defesa, onde possuem 4 boas alternativas.
Bem, venham os jogos oficiais... FORÇA SPORTING!!!!!
Sporting
Pelo que tenho visto não está pior do que na época passada. As saídas não foram tantas como se esperavam e os poucos reforços que apareceram (principalmente Deivid e Edson) parecem ser bastante úteis. A minha maior preocupação está nos defesas centrais. O ano passado não estiveram bem e este ano sem Enakarihre temo o pior. Falta um jogador de classe para jogar ao lado de Beto. De resto, Edson parece ser um bom substituto para Rui Jorge (ainda por cima marca golos), o meio campo apesar das saídas continua com bastantes soluções, e o ataque está mais forte com a entra de Deivide (especialmente mais forte se deste modo não tiver que jogar o Sá Pinto).
Porto
Ainda é para mim uma incógnita, o potencial desta equipa. Parece ter muitas soluções do meio campo para a frente e por vez pratica bom futebol. No entanto não podem jogar todos, o que pode vir a trazer confusão no balneário, e a defesa não me parece ter a força de outros anos. Espero que quando as coisas começarem a correr mal comecem todos as cabeçadas e a equipa se destrua.
Benfica
O campeão nacional parece-me o mais forte dos três. Aproveitando a receita da venda de Miguel, contratou Tomasson e Kalou e tem agora um ataque temível. Juventus e Chelsea já sentiram bem o poderio ofensivo desta equipa. De resto, Beto parece uma boa (surpreendente) contratação e a defesa parece a mais segura dos três grandes, com várias alternativas, especialmente no centro da defesa, onde possuem 4 boas alternativas.
Bem, venham os jogos oficiais... FORÇA SPORTING!!!!!
quarta-feira, 27 de julho de 2005
Volta Dalau!
Além da evidente solidão - abandonaram-me na produção deste blog -, os pedidos de inúmeras famílias espalhadas pela blogosfera obrigam-me a esta humilde súplica:
Volta Dalau!!!
Os habituais leitores e todos aqueles que apreciam o sentido de humor cáustico aguardam impacientemente pelo regresso do fundador e administrador do Críticos da Bola.
Aparece, não tenhas medo, ninguém te vai fazer mal...
Volta Dalau!!!
Os habituais leitores e todos aqueles que apreciam o sentido de humor cáustico aguardam impacientemente pelo regresso do fundador e administrador do Críticos da Bola.
Aparece, não tenhas medo, ninguém te vai fazer mal...
domingo, 24 de julho de 2005
Protagonismo
Quem lê o que aqui - e noutros locais - costumo escrever sabe bem que não concordo com a postura da generalidade dos dirigentes dos clubes portugueses mas, também, que tenho sustentado a forma de agir dos responsáveis do Sporting.
Tenho mesmo sido "acusado" de defender a estrutura da SAD verde e branca, que tantas convulsões recentes sofreu, num momento em que constituíam um alvo fácil para a crítica.
Há, porém, coisas que dificilmente poderei entender e o processo de contratação de Deivid é, seguramente, uma delas.
Independentemente das considerações possíveis sobre a oportunidade de adquirir o avançado brasileiro - sugiro, para uma mais aprofundada discussão sobre o assunto, uma visita ao Sector B32 - importa aqui analisar o que se passou nos dias que antecederam a chegada do novo leão.
Li, em vários locais da blogosfera, elogios à discrição que envolveu o negócio, opinião da qual não posso partilhar. Ainda na quarta-feira, à partida para a Escócia, Paulo Andrade, administrador-executivo da SAD, fez, perante os microfones dos jornalistas presentes no aeroporto de Lisboa, alusões à iminente contratação de "um nome sonante", sem que sobre tal tivesse sido, sequer, questionado. As considerações relativas ao mesmo tema prosseguiram em Glasgow, tendo mesmo sido divulgado o nome do jogador em causa, numa altura em que o vínculo não tinha ainda sido assinado. Aliás, não deixa de ser curioso que a hora agendada para a apresentação de Deivid tenha sido alterada de forma a que alguém pudesse aparecer na fotografia...
Parece-me, no mínimo, pouco prudente, quando o caso recente da contratação falhada de Tomasson por parte dos rivais da segunda circular estava ainda bem fresco na memória do público, tomar a iniciativa de promover uma transferência eventual, a menos que quem o faça tenha interesse em assegurar que o seu nome fica, aos olhos dos adeptos, vinculado ao do novo reforço.
Qual deverá ser, afinal, a principal prioridade de um administrador de uma SAD? A sua visibilidade pessoal ou o sucesso colectivo da empresa?
Expressei, no passado, a minha opinião sobre os aspectos negativos na gestão desportiva da SAD verde e branca durante a passada temporada, relativos à ausência de uma presença forte junto do plantel, que fosse capaz de sair publicamente em defesa deste, nos momentos de maior dificuldade. Ora, se me parece que Carlos Freitas, então director-geral para o futebol profissional, deveria ter desempenhado com maior frequência esse papel - salvaguardando condicionantes ou melindres internos que, ignorando, não posso avaliar -, por maioria de razão a crítica se estende ao administrador-executivo.
As intervenções sorridentes, que coincidiam com as vitórias ou com qualquer nova contratação prometedora, não substituem a necessidade de dar a cara na hora da derrota - ou da dispensa de jogadores com longo e rico percurso.
A verdade é que ninguém poderá acusar o antigo director-geral de chamar a si o protagonismo que a sua acção na construção dos planteis lhe poderia garantir, nem muito menos de publicitar as suas intervenções no mercado, muito pelo contrário. Há coisas que não vale a pena mudar...
Tenho mesmo sido "acusado" de defender a estrutura da SAD verde e branca, que tantas convulsões recentes sofreu, num momento em que constituíam um alvo fácil para a crítica.
Há, porém, coisas que dificilmente poderei entender e o processo de contratação de Deivid é, seguramente, uma delas.
Independentemente das considerações possíveis sobre a oportunidade de adquirir o avançado brasileiro - sugiro, para uma mais aprofundada discussão sobre o assunto, uma visita ao Sector B32 - importa aqui analisar o que se passou nos dias que antecederam a chegada do novo leão.
Li, em vários locais da blogosfera, elogios à discrição que envolveu o negócio, opinião da qual não posso partilhar. Ainda na quarta-feira, à partida para a Escócia, Paulo Andrade, administrador-executivo da SAD, fez, perante os microfones dos jornalistas presentes no aeroporto de Lisboa, alusões à iminente contratação de "um nome sonante", sem que sobre tal tivesse sido, sequer, questionado. As considerações relativas ao mesmo tema prosseguiram em Glasgow, tendo mesmo sido divulgado o nome do jogador em causa, numa altura em que o vínculo não tinha ainda sido assinado. Aliás, não deixa de ser curioso que a hora agendada para a apresentação de Deivid tenha sido alterada de forma a que alguém pudesse aparecer na fotografia...
Parece-me, no mínimo, pouco prudente, quando o caso recente da contratação falhada de Tomasson por parte dos rivais da segunda circular estava ainda bem fresco na memória do público, tomar a iniciativa de promover uma transferência eventual, a menos que quem o faça tenha interesse em assegurar que o seu nome fica, aos olhos dos adeptos, vinculado ao do novo reforço.
Qual deverá ser, afinal, a principal prioridade de um administrador de uma SAD? A sua visibilidade pessoal ou o sucesso colectivo da empresa?
Expressei, no passado, a minha opinião sobre os aspectos negativos na gestão desportiva da SAD verde e branca durante a passada temporada, relativos à ausência de uma presença forte junto do plantel, que fosse capaz de sair publicamente em defesa deste, nos momentos de maior dificuldade. Ora, se me parece que Carlos Freitas, então director-geral para o futebol profissional, deveria ter desempenhado com maior frequência esse papel - salvaguardando condicionantes ou melindres internos que, ignorando, não posso avaliar -, por maioria de razão a crítica se estende ao administrador-executivo.
As intervenções sorridentes, que coincidiam com as vitórias ou com qualquer nova contratação prometedora, não substituem a necessidade de dar a cara na hora da derrota - ou da dispensa de jogadores com longo e rico percurso.
A verdade é que ninguém poderá acusar o antigo director-geral de chamar a si o protagonismo que a sua acção na construção dos planteis lhe poderia garantir, nem muito menos de publicitar as suas intervenções no mercado, muito pelo contrário. Há coisas que não vale a pena mudar...
segunda-feira, 18 de julho de 2005
Jon Dahl
As razões que levaram Jon Dahl Tomasson não terão sido muito bem explicadas. Houve quem tivesse mesmo insinuado que o jogador não tinha vindo para o SLB por questões financeiras. Para mim parece-me obvio que o que levou Tomasson a não vir para o Benfica foi o seu desejo de permanecer em Itália, perto da sua familia...
domingo, 10 de julho de 2005
Valha-nos Deus...
Sendo certo que, durante muito tempo, os clubes exerceram uma injusta tirania sobre os seus funcionários - leia-se jogadores -, a verdade é que, nos dias que correm, a entidade patronal corre enormes riscos no que aos direitos desportivos dos seus atletas diz respeito.
As situações de ruptura entre atletas e os emblemas aos quais estão contratualmente ligados são cada vez mais frequentes e, por mais estranho que pareça, com a total cumplicidade da todo-poderosa organização que tutela o futebol - a FIFA. As instâncias superiores, responsáveis pela regulamentação da modalidade, tomaram o partido dos atletas e preferem ignorar a relação contratual ou, pelo menos, evitar as justas e juridicamente adequadas indemnizações. Como se tal não bastasse, numa postura inaceitável, desaconselham e penalizam (?!) o recurso a tribunais civis, os únicos que, no plano teórico, teriam a independência e a competência necessárias ao juízo destes litígios.
Assim, a inaceitável postura de atletas como Miguel ou Enakarhire - chegou, mas nem por isso alterou a inconcebível atitude, devendo mesmo abandonar Alvalade - poderá tornar-se a regra, pois a via litigiosa apresenta-se como privilegiada quando as ofertas provenientes do exterior são demasiado tentadoras.
Por estas e outras razões, a chegada de milionários com fortunas de origem duvidosa - e a correspondente distorção do mercado de transferências - ameaça uma estrutura internacional que, fruto da evolução da conjuntura económica, estava em fase de adaptação a novas realidades.
Com uma limitada visão do fenómeno, a cúpula que dirige a modalidade nada faz para travar a inversão da tendência racional que, nos últimos anos, tinha atingido os principais campeonatos do Velho Continente. Em risco está a independência e a própria identidade dos clubes que, quer se queira quer não, são os "geradores" da emoção que faz do futebol o desporto-rei.
As situações de ruptura entre atletas e os emblemas aos quais estão contratualmente ligados são cada vez mais frequentes e, por mais estranho que pareça, com a total cumplicidade da todo-poderosa organização que tutela o futebol - a FIFA. As instâncias superiores, responsáveis pela regulamentação da modalidade, tomaram o partido dos atletas e preferem ignorar a relação contratual ou, pelo menos, evitar as justas e juridicamente adequadas indemnizações. Como se tal não bastasse, numa postura inaceitável, desaconselham e penalizam (?!) o recurso a tribunais civis, os únicos que, no plano teórico, teriam a independência e a competência necessárias ao juízo destes litígios.
Assim, a inaceitável postura de atletas como Miguel ou Enakarhire - chegou, mas nem por isso alterou a inconcebível atitude, devendo mesmo abandonar Alvalade - poderá tornar-se a regra, pois a via litigiosa apresenta-se como privilegiada quando as ofertas provenientes do exterior são demasiado tentadoras.
Por estas e outras razões, a chegada de milionários com fortunas de origem duvidosa - e a correspondente distorção do mercado de transferências - ameaça uma estrutura internacional que, fruto da evolução da conjuntura económica, estava em fase de adaptação a novas realidades.
Com uma limitada visão do fenómeno, a cúpula que dirige a modalidade nada faz para travar a inversão da tendência racional que, nos últimos anos, tinha atingido os principais campeonatos do Velho Continente. Em risco está a independência e a própria identidade dos clubes que, quer se queira quer não, são os "geradores" da emoção que faz do futebol o desporto-rei.
quinta-feira, 30 de junho de 2005
Amor à camisola
A relação entre clubes e jogadores (ou outros funcionários) tem sido muito discutida nos últimos tempos, fruto de acontecimentos recentes. Entre considerações de índole empresarial e as inevitáveis referências ao mítico "amor à camisola", parece-me importante lançar algumas ideias.
Há um aspecto que é claro. Entre um atleta e o clube que representa existe uma ligação contratual, explícita, que estabelece as obrigações entre as partes. Ou seja, a relação entre a entidade patronal e o funcionário é regulamentada por um vínculo que determina o papel de cada um: o funcionário compromete-se a participar nas sessões de treino e a jogar, mediante o pagamento de um salário previamente estipulado e de eventuais prémios relacionados com objectivos, durante o período correspondente à duração do contrato.
Podíamos ficar por aqui...
Hoje, contudo, esta análise é demasiado redutora, mesmo quando se trata de uma empresa que exerce outro tipo de actividade. Qualquer organização eficiente conhece a necessidade de motivar os seus funcionários, de modo a que seja possível extrair da sua produção mais-valias que o simples vencimento não garante. Quem de nós possuir experiência profissional, em qualquer ramo, conhece esta realidade: é bem diferente o rendimento de um "assalariado" que se limite ao estrito cumprimento das suas obrigações do daquele que se sinta vinculado ao sucesso da empresa/organização, quer por ter participação activa na forma como esta é gerida, quer por esta lhe proporcionar algo mais do que o mero salário.
Quero, com isto, dizer o seguinte: se esta máxima foi já compreendida no teoricamente impessoal "corporate world", na prática desportiva, na sua vertente competitiva, é essencial que os intervenientes se sintam motivados e envolvidos nos objectivos da sua entidade patronal, bem para além das suas obrigações contratuais.
Posso mesmo acrescentar: nenhuma equipa, em qualquer modalidade colectiva, na qual a entidade patronal e os seus funcionários cumpram escrupulosamente - apenas e só - as suas obrigações contratuais, terá hipótese de ser campeã.
Para formar um grupo vencedor é indispensável que existam factores transcendentes, ou seja, elementos capazes de criar uma identidade própria, com a qual todos se identifiquem. "Transcendência" será mesmo a palavra-chave: dela dependem as vitórias, no deporto como em qualquer actividade exercida ao mais alto nível.
Claro que este princípio não é fácil de gerir, nem muito menos de aplicar. Em Portugal, ou melhor, no futebol português, apenas um clube tem sido capaz de assegurar aos seus atletas a tal identidade colectiva - à qual não são alheios os indispensáveis conceitos de lealdade e protecção: o FC Porto.
Dito isto, importa desmistificar outra ideia: o "amor à camisola", na sua versão original, é uma espécie extinta. A ligação emocional que se forma entre um clube e um jogador já não obedece ao tradicional "clubismo", mas sim a uma prática reiterada de respeito mútuo e a uma trajectória comum.
Então em que é que ficamos?
A entidade patronal deve ao seu funcionário algo para além do estipulado no contrato? O funcionário tem alguma obrigação para com a sua entidade patronal que ultrapasse o compromisso estabelecido no vínculo?
A resposta é simples: depende...
Para vencer é indispensável impor um elevado grau de exigência. Para que essa imposição seja assimilada pelo grupo é necessário que, no seio desse grupo, haja quem assuma a liderança, numa perspectiva de sentido de urgência. Por outras palavras, um ou mais "funcionários" têm de personificar a mentalidade e a identidade do clube que representam.
Os que o fizerem, de acordo com os princípios e valores defendidos pela entidade patronal, ultrapassam a mera obrigação contratual e, por isso, merecem desta um tratamento diferenciado, que garanta o prolongar da "aura" de respeito mútuo e dedicação.
Este vínculo, mais profundo que qualquer contrato e, até, do que o tradicional "amor à camisola", é "sagrado". Quem lhe for fiel ganha o respeito de todos e incute nos restantes "funcionários" a sensação de "identidade corporativa". Traduzindo, os jogadores que ficam desejam estabelecer o mesmo tipo de ligação porque se sentem parte de uma comunidade de objectivos e valores. Todos (os bons), no futebol ou na vida, querem deixar a sua marca, querem garantir a "imortalidade" dos seus feitos. Isso só é possível se estivermos ligados a algo maior que nós: um clube, uma empresa, um país, uma família, uma comunidade.
Isto pouco tem de emocional, é apenas lógico e "certificado" pela esmagadora maioria das correntes de opinião dedicadas à gestão de recursos humanos.
Claro que, no futebol, por definição umbilicalmente ligado à emoção, estes factores assumem ainda maior relevo. Quem não o perceber...
Há um aspecto que é claro. Entre um atleta e o clube que representa existe uma ligação contratual, explícita, que estabelece as obrigações entre as partes. Ou seja, a relação entre a entidade patronal e o funcionário é regulamentada por um vínculo que determina o papel de cada um: o funcionário compromete-se a participar nas sessões de treino e a jogar, mediante o pagamento de um salário previamente estipulado e de eventuais prémios relacionados com objectivos, durante o período correspondente à duração do contrato.
Podíamos ficar por aqui...
Hoje, contudo, esta análise é demasiado redutora, mesmo quando se trata de uma empresa que exerce outro tipo de actividade. Qualquer organização eficiente conhece a necessidade de motivar os seus funcionários, de modo a que seja possível extrair da sua produção mais-valias que o simples vencimento não garante. Quem de nós possuir experiência profissional, em qualquer ramo, conhece esta realidade: é bem diferente o rendimento de um "assalariado" que se limite ao estrito cumprimento das suas obrigações do daquele que se sinta vinculado ao sucesso da empresa/organização, quer por ter participação activa na forma como esta é gerida, quer por esta lhe proporcionar algo mais do que o mero salário.
Quero, com isto, dizer o seguinte: se esta máxima foi já compreendida no teoricamente impessoal "corporate world", na prática desportiva, na sua vertente competitiva, é essencial que os intervenientes se sintam motivados e envolvidos nos objectivos da sua entidade patronal, bem para além das suas obrigações contratuais.
Posso mesmo acrescentar: nenhuma equipa, em qualquer modalidade colectiva, na qual a entidade patronal e os seus funcionários cumpram escrupulosamente - apenas e só - as suas obrigações contratuais, terá hipótese de ser campeã.
Para formar um grupo vencedor é indispensável que existam factores transcendentes, ou seja, elementos capazes de criar uma identidade própria, com a qual todos se identifiquem. "Transcendência" será mesmo a palavra-chave: dela dependem as vitórias, no deporto como em qualquer actividade exercida ao mais alto nível.
Claro que este princípio não é fácil de gerir, nem muito menos de aplicar. Em Portugal, ou melhor, no futebol português, apenas um clube tem sido capaz de assegurar aos seus atletas a tal identidade colectiva - à qual não são alheios os indispensáveis conceitos de lealdade e protecção: o FC Porto.
Dito isto, importa desmistificar outra ideia: o "amor à camisola", na sua versão original, é uma espécie extinta. A ligação emocional que se forma entre um clube e um jogador já não obedece ao tradicional "clubismo", mas sim a uma prática reiterada de respeito mútuo e a uma trajectória comum.
Então em que é que ficamos?
A entidade patronal deve ao seu funcionário algo para além do estipulado no contrato? O funcionário tem alguma obrigação para com a sua entidade patronal que ultrapasse o compromisso estabelecido no vínculo?
A resposta é simples: depende...
Para vencer é indispensável impor um elevado grau de exigência. Para que essa imposição seja assimilada pelo grupo é necessário que, no seio desse grupo, haja quem assuma a liderança, numa perspectiva de sentido de urgência. Por outras palavras, um ou mais "funcionários" têm de personificar a mentalidade e a identidade do clube que representam.
Os que o fizerem, de acordo com os princípios e valores defendidos pela entidade patronal, ultrapassam a mera obrigação contratual e, por isso, merecem desta um tratamento diferenciado, que garanta o prolongar da "aura" de respeito mútuo e dedicação.
Este vínculo, mais profundo que qualquer contrato e, até, do que o tradicional "amor à camisola", é "sagrado". Quem lhe for fiel ganha o respeito de todos e incute nos restantes "funcionários" a sensação de "identidade corporativa". Traduzindo, os jogadores que ficam desejam estabelecer o mesmo tipo de ligação porque se sentem parte de uma comunidade de objectivos e valores. Todos (os bons), no futebol ou na vida, querem deixar a sua marca, querem garantir a "imortalidade" dos seus feitos. Isso só é possível se estivermos ligados a algo maior que nós: um clube, uma empresa, um país, uma família, uma comunidade.
Isto pouco tem de emocional, é apenas lógico e "certificado" pela esmagadora maioria das correntes de opinião dedicadas à gestão de recursos humanos.
Claro que, no futebol, por definição umbilicalmente ligado à emoção, estes factores assumem ainda maior relevo. Quem não o perceber...
sábado, 25 de junho de 2005
Revolução no covil do leão
Para quem se queixava da falta de actividade da SAD verde e branca, as próximas horas - e os próximos dias - serão uma novidade. Algo está a mudar no reino do leão...
sexta-feira, 24 de junho de 2005
O peso da pasta
Por mais que se pretenda o contrário, a verdade é que poucas coisas pesarão tanto como a "pasta"...
Não me refiro aqui aos desgraçados que invariavelmente carregam o acessório junto ao corpo, suando nos sobrelotados transportes públicos, nem àqueles que sofrem por uma bela pratada de lasagna...
Hoje, o que move o mundo - e o futebol está longe de ser excepção - é outro tipo de pasta: o carcanhol, o arame, o guito, o papel... Enfim, o dinheiro.
Assim vivem os grandes clubes, assim sobrevivem os mais modestos.
No que diz respeito aos rivais da capital - na Invicta, "dinero no es problema" -, a relação entre as expectativas financeiras e as ambições desportivas convive de forma diversa.
No Sporting, dois jogadores agitam as mesas de negociação. Liedson está a um passo de regressar ao Cortinthians, sempre e quando o "Timão" ceda às exigências "capitais" dos responsáveis verde e brancos - ou, em alternativa, envolva no negócio um ponta-de-lança que faz as delícias de Peseiro -, e Enakarhire insiste em cativar o interesse do Dínamo de Moscovo.
Apesar de, para já, os processos parecerem semelhantes, há que compreender o essencial das duas realidades:
Há muito que equipa técnica e dirigentes se conformaram com a possível partida do goleador, eventualidade, garantem-me, devidamente acautelada - o Sporting terá uma lista de quatro pontas-de-lança, ordenada em função do grau de prioridade, capazes de render o 31 - mas poderão ser forçados a abdicar do central nigeriano, algo que preferiam não fazer. Aqui, o que conta são as ambições de atletas seduzidos por vencimentos que o clube não pode suportar. Ninguém quer jogadores contrariados e, no caso de ambos rumarem a outras paragens, os leões poderão encaixar cerca de 14 milhões de euros... A verba é tentadora e permite que, no final da próxima temporada, não sejam obrigados a vender ninguém.
Já para os lados da Luz, a relação com o tema é substancialmente diferente. Os encarnados pretendem adquirir mais quatro ou cinco reforços, reservando para o efeito um verdadeiro camião de... pasta. O Benfica está disposto a pagar salários no valor de quatro milhões de euros anuais aos novos elementos do plantel. Em números redondos, estamos a falar de cerca de um milhão para cada um...
Não me refiro aqui aos desgraçados que invariavelmente carregam o acessório junto ao corpo, suando nos sobrelotados transportes públicos, nem àqueles que sofrem por uma bela pratada de lasagna...
Hoje, o que move o mundo - e o futebol está longe de ser excepção - é outro tipo de pasta: o carcanhol, o arame, o guito, o papel... Enfim, o dinheiro.
Assim vivem os grandes clubes, assim sobrevivem os mais modestos.
No que diz respeito aos rivais da capital - na Invicta, "dinero no es problema" -, a relação entre as expectativas financeiras e as ambições desportivas convive de forma diversa.
No Sporting, dois jogadores agitam as mesas de negociação. Liedson está a um passo de regressar ao Cortinthians, sempre e quando o "Timão" ceda às exigências "capitais" dos responsáveis verde e brancos - ou, em alternativa, envolva no negócio um ponta-de-lança que faz as delícias de Peseiro -, e Enakarhire insiste em cativar o interesse do Dínamo de Moscovo.
Apesar de, para já, os processos parecerem semelhantes, há que compreender o essencial das duas realidades:
Há muito que equipa técnica e dirigentes se conformaram com a possível partida do goleador, eventualidade, garantem-me, devidamente acautelada - o Sporting terá uma lista de quatro pontas-de-lança, ordenada em função do grau de prioridade, capazes de render o 31 - mas poderão ser forçados a abdicar do central nigeriano, algo que preferiam não fazer. Aqui, o que conta são as ambições de atletas seduzidos por vencimentos que o clube não pode suportar. Ninguém quer jogadores contrariados e, no caso de ambos rumarem a outras paragens, os leões poderão encaixar cerca de 14 milhões de euros... A verba é tentadora e permite que, no final da próxima temporada, não sejam obrigados a vender ninguém.
Já para os lados da Luz, a relação com o tema é substancialmente diferente. Os encarnados pretendem adquirir mais quatro ou cinco reforços, reservando para o efeito um verdadeiro camião de... pasta. O Benfica está disposto a pagar salários no valor de quatro milhões de euros anuais aos novos elementos do plantel. Em números redondos, estamos a falar de cerca de um milhão para cada um...
sábado, 18 de junho de 2005
Sporting 2005/06
Depois de um pequeno interregno, regresso à análise dos plantéis dos três grandes, com o post dedicado aos leões. Refira-se que, no que ao capítulo das contratações diz respeito, o Sporting está condicionado pela total ausência de disponibilidade financeira. O objectivo passa pela contratação de um extremo-esquerdo, sendo certo que qualquer outra aquisição ficará dependente de eventuais saídas. Ou seja, mediante as possíveis transferências de activos, o emblema verde e branco apenas fará as correspondentes "reposições".
GUARDA-REDES
A composição de um sector onde não há certezas depende do futuro de Ricardo. Ao contrário de muitos, acredito que o camisola 76 dá todas as necessárias garantias de qualidade, mas a sua saída continua a ser uma possibilidade. Caso venha a acontecer, será engraçado assistir, mais uma vez, à mudança de opinião dos seus actuais detractores: daqui a um ano, voltará a ser, indiscutivelmente, o melhor guarda-redes português. Os responsáveis do clube continuam a tentar convencer Nélson a sair. Ganha dinheiro a mais e nunca será um guarda-redes capaz de assegurar a titularidade. Caso Ricardo deixe Alvalade, Marcos, do Marítimo, deverá ser o sucessor.
DÚVIDAS
Ricardo - Sucumbiu ao infortúnio de uma época ingrata. Depois das hesitações da temporada de estreia, exibiu-se, com regularidade, a um nível elevado e, excepção feita a dois erros ocasionais, foi decisivo na conquista de muitos pontos. Assumiu-se como factor de segurança, fez a diferença em momentos importantes, mas tudo caiu por terra na Luz. Nunca ninguém irá esquecer o erro que ditou o adeus ao título. Agora, com o Arsenal interessado nos seus serviços, poderá estar prestes a deixar Alvalade, isto caso os "Gunners" estejam dispostos a abrir os cordões à bolsa. Bastar-lhe-á uma época sofrível em Inglaterra para encantar a crítica que, enquanto o viu de leão ao peito, sempre o crucificou.
Nélson - Há uma imagem que o define. Num jogo contra o FC Porto, ainda Jorge Andrade se preparava para cabecear, a poucos metros da baliza, já o camisola 1 erguia os braços no ar, em sinal de confiança: "Se não for à baliza não é golo". Com um ordenado milionário e um joelho de vidro, a sua saída é uma prioridade para a SAD, mas a falta de vontade de jogar - e o amor ao dinheiro - fazem com que Nélson seja difícil de convencer.
Tiago - Tem algumas vantagens em relação a Nélson: tem um perfil adequado à filosofia do clube e, geralmente, quando lhe acertam não é golo - com o camisola 1 isso está longe de ser uma garantia. Pode ser um bom suplente, mas o salário elevado também é difícil de suportar.
Mário Felgueiras - Terá, provavelmente, o seu lugar no plantel. Apesar de não possuir a envergadura física aconselhável à sua posição no terreno, exibe argumentos técnicos e psicológicos que lhe garantem margem de progressão.
Nuno Santos - Confesso que, depois de ter acompanhado a sua prestação ao serviço do Estrela da Amadora, na Liga de Honra, fiquei convencido de que não mais seria capaz de evoluir. Foi, pois, com algum espanto, que segui o seu bom desempenho com a camisola do Penafiel. Melhorou, demonstrou que não estancou a sua progressão e recebeu, como prémio, a renovação. Não acredito, porém, que atinja o nível exigido a uma primeira opção num emblema com as responsabilidades do verde e branco.
DEFESA
A falta de definição afecta as alternativas para o quarteto defensivo, mas numa dimensão mais reduzida. A eventual saída de Enakarhire pode implicar uma diferença de registo no que à solidez do conjunto diz respeito mas, caso Polga consiga atingir o nível exibido em 2003/04, fará com Beto uma dupla capaz de rivalizar com qualquer outra. A promoção de Miguel Veloso abre a porta de saída a Hugo, faltando apenas saber quem chegará para colmatar a saída de "Enak", caso esta se concretize: Zé Castro, Nunes ou João Paulo são as soluções em carteira.
CONFIRMADOS
LATERAIS
Miguel Garcia - Um jogador medíocre que, num segundo de merecida felicidade - golo frente ao Alkmaar - conquistou o estatuto de herói. Lateral-direito-que-começou-por-ser-central-mas-que-queria-mesmo-era-jogar-como-trinco, Miguel Garcia evoluiu muito durante o último terço da temporada mas será sempre encarado como solução de recurso perante eventuais ausências de Rogério.
Rogério - Nem parece brasileiro. Extremamente inteligente na forma como potencia as suas qualidades e anula os seus defeitos, o antigo capitão do Corinthians impressiona pela gestão do jogo, do qual faz, permanentemente, uma leitura perfeita. A polivalência evidenciada joga a seu favor mas a verdade é que foi no lado direito da defesa que conseguiu fazer a diferença. É um líder.
Edson - Tem a responsabilidade de render o melhor lateral-esquerdo português (sim, isto é opinião e está é a minha. Se encontrarem algum melhor que Rui Jorge avisem-me) que era, também, um elemento fundamental no balneário verde e branco. Mais alto e mais rápido que o seu antecessor - características pretendidas por José Peseiro - acrescenta ao seu arsenal um forte pontapé e eficácia na execução de lances de bola parada. Cá estaremos para apreciar a sua integração no conjunto.
André Marques - A relativa experiência de Edson servirá de "almofada" à sua progressiva integração na equipa. A invejável envergadura física, aliada a uma apreciável capacidade técnica, fizeram dele a mais forte e recente aposta dos responsáveis leoninos. Terá espaço e tempo para evoluir, mas esperam-se rápidos progressos.
CENTRAIS
Beto - Aqui irei, certamente, entrar em rota de colisão com a maioria dos leitores. Trata-se, para mim, (insisto) do segundo melhor central português. Depois de Ricardo Carvalho, o 22 do Sporting é o mais completo dos que actuam nesta posição e, se jogasse noutro clube, os seus méritos já teriam sido, certamente, reconhecidos. Sentido de posicionamento, visão de jogo, capacidade física, técnica individual e classe são argumentos que fazem dele uma mais-valia. Com o recuo do Villareal, deverá permanecer no plantel.
Polga - O deficiente rendimento evidenciado durante largos períodos da temporada agora finda representa para mim um verdadeiro mistério. Casos há, e muitos, de centrais que, durante curtos períodos, exibem qualidades que, porém, são incapazes de sustentar com regularidade (Quiroga e Contreras, entre outros, estarão ainda na memória de todos). Essa não é, contudo, uma análise que se possa fazer às características deste campeão do mundo já que, em 2003/04, patenteou, com impressionante consistência, um elevado nível de rendimento. Terá de ultrapassar os problemas que o afectaram mas, se o conseguir, o Sporting volta a contar com um excelente elemento.
Miguel Veloso - A segunda aposta nos escalões de formação deverá garantir o posto de "quarto" central. Não lhe reconheço grandes qualidades e não aprecio a sua personalidade. Caber-lhe-á, através do seu rendimento futuro, alterar a opinião de quem pensa como eu.
DÚVIDAS
Paíto - Possui todas as características físicas e técnicas necessárias a um grande lateral-esquerdo mas foi sistematicamente traído pela fragilidade psicológica. Com profundos defeitos na sua formação, não demonstrou suficiente aplicação na tarefa de debelar a completa ignorância táctica e deverá pagar o erro com a saída.
Mário Sérgio - O golo de Miguel Garcia em Alkmaar "roubou-lhe" o espaço que ainda esperava ocupar. Continuo a pensar que se trata de um excelente lateral-direito em potência - um jogador que, nessa posição, ao serviço do Paços de Ferreira, se consagra como o segundo melhor "assistente" do Campeonato, atrás apenas de... Deco, tem de ter qualidade - e, agora, com uma eventual cedência, terá ocasião de o provar.
Enakarhire - Foi uma das revelações da última edição da SuperLiga. Chegou ao Sporting sem que grandes expectativas o rodeassem, mas cedo se assumiu como um central poderoso. Intratável na marcação e consciente das suas limitações no capítulo técnico, foi o mais forte argumento defensivo do leão, excepção feita à final da Taça UEFA. Pode estar a caminho de Moscovo, até porque é essa a sua vontade.
Hugo - Disse-se, em sua defesa, que é um excelente profissional. Respeito o argumento mas, apesar de tudo, ser jogador de futebol num clube da dimensão do Sporting não é o mesmo que trabalhar numa fábrica de sapatos: não chega chegar a horas, é preciso ter alguma aptidão para a coisa. Ora, nitidamente, esse não é o caso. Prefiro não dizer mais nada, até porque deve deixar o clube.
MEIO-CAMPO
O modelo de jogo instituído por José Peseiro confere ao sector intermédio um papel fundamental. É no desempenho dos elementos que o compõem que se centra o essencial da filosofia de jogo: zona pressionante sem bola, mobilidade e circulação na posse da mesma. Hugo Viana e Pedro Barbosa são as baixas, mas só a do segundo será difícil de colmatar. Contudo, com apenas seis elementos para oito posições, torna-se indispensável proceder a um reforço: apenas Rodrigo Tello se apresenta como solução natural para interior-esquerdo.
MÉDIOS DEFENSIVOS
Custódio - A sua prestação ao longo da temporada dissipou a sensação de desilusão que me provocou o desempenho em 2003/04, sob o comando de Fernando Santos. Disciplinado no plano táctico e pragmático na abordagem ao jogo, conquistou um espaço de destaque na organização leonina. A sua acção assume um papel preponderante na missão de conferir equilíbrio à equipa.
Rochemback - Poderia estar inscrito na categoria seguinte mas a ausência de alternativa a Custódio e as suas características aconselham-me a apelidá-lo assim, mesmo se raras foram as vezes em que desempenhou tais funções em 2004/05. Com os índices físicos condicionados pela lesão que o impediu de fazer o trabalho de pré-época, José Peseiro optou por resguardá-lo do confronto directo e preferiu utilizá-lo em terrenos mais adiantados, que não correspondem por inteiro às suas características. Sendo certo que nunca alcançou o nível exibido na temporada anterior, não é menos verdade que o espírito competitivo e a vontade de vencer ajudaram o grupo em momentos difíceis. Chegou a jogar em condições físicas que impediriam de andar o comum mortal. Espera-se que, para a próxima edição da SuperLiga, se apresente no pleno das suas capacidades.
Labarthe - Aqui fica provado o meu insuperável conhecimento do futebol internacional. Ao contrário de muitos outros, estou disposto a revelar tudo o que sei sobre o primeiro reforço oficial para a temporada 2004/05: absolutamente nada! Marcelo Labarthe foi incluído no negócio da transferência de Tinga como um factor acessório e ninguém em Alvalade alimenta grandes expectativas em torno das suas capacidades. As minhas fontes no Brasil dizem-me que se trata de um médio com qualidades técnicas, que poderá evoluir para se tornar num jogador razoável. Espero para ver.
MÉDIOS OFENSIVOS
Carlos Martins - Está a meio neurónio de ser um "craque". Que pena não ter nenhum... Possui extraordinária visão de jogo - é, provavelmente, um dos melhores do mundo na gestão do contra-ataque - , notável facilidade e eficácia no remate, com qualquer dos pés - característica inata e rara num jogador português - e condições físicas para explanar a sua técnica. Se conseguisse ultrapassar a falta de maturidade e as condicionantes psicológicas, poderia tornar-se numa referência do futebol português, o que, no entanto, me parece muito improvável.
João Moutinho - Foi o próprio José Peseiro quem o confessou: "Se é verdade que há pessoas que nascem para jogar à bola, o João é certamente uma delas." A disponibilidade física que lhe permite recuperar bolas frente a adversários do "dobro" do seu tamanho e a forma inteligente como as endossa aos seus companheiros, muitas vezes em passes de ruptura, só são superadas pela invulgar maturidade competitiva. Se, na estreia como titular nas competições europeias, "encheu" a "banheira" de Roterdão, o impressionante nível exibido em todas as partidas em que participou garantiu-lhe um lugar entre os melhores da temporada, mesmo se só disputou um número reduzido de encontros. Já despertou a cobiça dos gigantes europeus e, se nada de anormal suceder, com Manuel Fernandes a seu lado (sei que me estou a repetir, mas eles merecem a insistência), a Selecção Nacional terá meio-campo para os próximos dez anos.
Tello - O Sporting não chegou a pagar por ele os valores que foram então divulgados mas não deixa de ser, tendo em conta a relação preço/qualidade, um dos jogadores mais caros do mundo. Com o 4-1-3-2 de José Peseiro teve oportunidade de actuar na posição que mais lhe convém (interior esquerdo), mas apenas conseguiu provar que... pode fazer parte do plantel. Útil, embora nada mais que isso, desde que não seja primeira opção.
ATAQUE
Aqui, tal como na baliza, tudo depende da continuidade de um único elemento: Liedson. O melhor marcador da SuperLiga poderá condicionar a política de contratações do leão, bem como o nível das aspirações do clube na próxima época, no caso de não ser possível colmatar uma eventual saída com um avançado de semelhante produtividade. Certo é que o Sporting pretende adquirir, independentemente da evolução do mercado, um extremo-esquerdo, de forma a oferecer ao treinador a possibilidade de contar com o 4-3-3 como alternativa.
CONFIRMADOS
EXTREMOS
Douala - Não haverá, certamente, ninguém mais rápido que ele na SuperLiga. O rapaz corre os 100 metros em menos de 11 segundos, sobre a relva!!! O que não faria em pista, com equipamento apropriado? Pena é que à velocidade estonteante não seja capaz de aliar a conveniente eficácia (falta inteligência e capacidade técnica), pelo menos com consistência. Provou, porém, aos mais cépticos (entre os quais eu me incluía) que pode ser útil e, até, por vezes, fundamental, na tentativa de criar desequilíbrios na defensiva adversária. O seu pior defeito prende-se com uma irritante tendência para a hipocondria... Qualquer sprint lhe provoca "uma dor" e qualquer dor o impede de jogar...
Varela - A boa prestação com as camisolas do Casa Pia e das selecções nacionais garantiu-lhe um lugar no plantel, pelo menos durante a pré-temporada. Veloz e tecnicamente evoluído, pode actuar em qualquer posição no ataque mas é nas alas que deverá ter a sua oportunidade. Mantenho algumas reservas relativamente ao seu potencial, mas aguardo por mais dados para formular uma opinião definitiva.
AVANÇADOS
Pinilla - Foi o campeão do azar. Depois do medíocre desempenho do início da temporada, que o atirou para o banco de suplentes (ou para a bancada), regressou ante o Moreirense para marcar um golo portentoso e... sair lesionado. O penoso caminho rumo à recuperação do ritmo competitivo obrigou-o a esperar, paciência recompensada pelo tento apontado na meia-final da Taça UEFA, imediatamente seguido de um "hat trick" frente ao Braga. De anedota passou a "Pinigol" mas, na véspera da final de Alvalade, voltou a sucumbir a uma lesão grave. Terá, na próxima época, a oportunidade de clarificar todas as dúvidas sobre a sua qualidade. Estou convencido que se trata de um bom jogador, só não sei se será um verdadeiro ponta-de-lança.
Sá Pinto - Foi, para mim (e para ele também), a grande surpresa da temporada. Ninguém esperava que, após quase quatro anos de profundo calvário, fosse capaz de regressar à competição, muito menos ao nível exigido num clube da dimensão do Sporting. Constituiu-se mesmo como um importante "reforço" de Inverno, adicionando capacidade de pressão, classe e linhas de passe à frente de ataque. Beneficiou da paciência votada à sua recuperação e do facto de lhe ter sido dada a oportunidade de jogar na sua posição: a equipa beneficia da sua polivalência, mas é no ataque que melhor rendimento garante. A ingratidão e a "memória selectiva" sempre me provocaram irritação. Muitos tinham já esquecido - ou feito por esquecer - que Sá Pinto, sem nunca ter sido um fora-de-série, foi um dos melhores da sua geração. Aos mais "distraídos", lembro a forma como carregou aos ombros uma medíocre equipa do Sporting até ao segundo posto do Campeonato (e à Liga dos Campeões), sob o comando do inenarrável Octávio Machado, e aconselho uma passagem pelo canal memória, que tem transmitido jogos da selecção nos quais se destacou bem mais do que a maioria. Só é pena não ser bom da cabeça...
Liedson - Que dizer do melhor marcador da SuperLiga? O 31 é o melhor e mais decisivo avançado a pisar os relvados portugueses desde Jardel e, apesar de não possuir as características de "SuperMário", garante mais golos que qualquer outro. Incansável dentro das quatro linhas, sem nunca abdicar de pressionar os defensores adversários, provocando e acreditando no erro, tem, porém, no instinto de matador a sua arma fundamental. Sendo pouco provável que o Corinthians esteja disposto a gastar os milhões que os leões exigem para dar o acordo a uma eventual transferência, a sua continuidade é, para já, o cenário plausível. Deste facto em muito poderá depender a ambição do emblema verde e branco.
Manoel - Foi a primeira contratação da era "pós-Freitas", o que, sem dúvida, desiludiu quem esperava a chegada de atletas com nomes sonantes. Apesar de se tratar de um avançado móvel e rápido, adquirido em final de contrato, terá dificuldades em conquistar o seu espaço na equipa. Não me parece que tenha qualidade ou estrutura mental para se tornar um valor acrescentado, mas tem um facto a seu favor: as expectativas de crítica e adeptos são tão baixas, que tudo o que fizer será visto como positivo. Houve quem achasse o mesmo de Douala (a começar por mim) e tenha sido obrigado a mudar de opinião...
DÚVIDAS
Lourenço - Vou tentar ser breve, para evitar alguma crítica mais violenta. A sua falta de inteligência no plano táctico aproxima-se do absurdo: qualquer semelhança entre Lourenço e um jogador de futebol não é coincidência, é um erro de cálculo! Limitado tecnicamente e dotado de uma personalidade incompatível com a prática de uma modalidade colectiva, a sua presença no quadro profissional é para mim um mistério. Como se tal não bastasse, ainda é capaz de criar mau ambiente em qualquer balneário que frequente... Enfim, chega de criticar um atleta em final de carreira...
Silva - O "Pistoleiro" que, em Guimarães, defrontou o Sporting e apontou dois golos seria um jogador importante em qualquer equipa portuguesa. Infelizmente para ele e para quem lhe paga, a incapacidade de exibir regularmente um nível elevado impedem-no de se tornar num factor decisivo. Acredito, porém, que poderá ter a sua utilidade no plantel, desde que não seja enquanto opção prioritária.
Niculae - Perseguido pelo azar - leia-se lesões - o jovem e promissor ponta-de-lança que, em 2001/02, deslumbrou a Europa do futebol, tornou-se num atleta banal que há muito procura, sem sucesso, encontrar a chama de outrora. Não sendo, hoje, uma sombra do jogador em que prometia tornar-se, vai deixar o Sporting por não aceitar a redução de vencimento que lhe foi proposta. É, até ao final do mês, o jogador que mais elevado salário cobra em Alvalade.
Edgar Marcelino - Foi, durante muito tempo, a principal aposta da formação leonina. Rápido a executar e muito forte no um-contra-um, este extremo dextro que (como Simão) prefere actuar sobre a esquerda do ataque tem qualidade suficiente para merecer a oportunidade que o seu temperamento imprevisível até agora lhe negou. Deverá fazer a pré-temporada com o plantel principal, na tentativa de tentar conquistar a confiança do treinador. É agora, ou nunca...
GUARDA-REDES
A composição de um sector onde não há certezas depende do futuro de Ricardo. Ao contrário de muitos, acredito que o camisola 76 dá todas as necessárias garantias de qualidade, mas a sua saída continua a ser uma possibilidade. Caso venha a acontecer, será engraçado assistir, mais uma vez, à mudança de opinião dos seus actuais detractores: daqui a um ano, voltará a ser, indiscutivelmente, o melhor guarda-redes português. Os responsáveis do clube continuam a tentar convencer Nélson a sair. Ganha dinheiro a mais e nunca será um guarda-redes capaz de assegurar a titularidade. Caso Ricardo deixe Alvalade, Marcos, do Marítimo, deverá ser o sucessor.
DÚVIDAS
Ricardo - Sucumbiu ao infortúnio de uma época ingrata. Depois das hesitações da temporada de estreia, exibiu-se, com regularidade, a um nível elevado e, excepção feita a dois erros ocasionais, foi decisivo na conquista de muitos pontos. Assumiu-se como factor de segurança, fez a diferença em momentos importantes, mas tudo caiu por terra na Luz. Nunca ninguém irá esquecer o erro que ditou o adeus ao título. Agora, com o Arsenal interessado nos seus serviços, poderá estar prestes a deixar Alvalade, isto caso os "Gunners" estejam dispostos a abrir os cordões à bolsa. Bastar-lhe-á uma época sofrível em Inglaterra para encantar a crítica que, enquanto o viu de leão ao peito, sempre o crucificou.
Nélson - Há uma imagem que o define. Num jogo contra o FC Porto, ainda Jorge Andrade se preparava para cabecear, a poucos metros da baliza, já o camisola 1 erguia os braços no ar, em sinal de confiança: "Se não for à baliza não é golo". Com um ordenado milionário e um joelho de vidro, a sua saída é uma prioridade para a SAD, mas a falta de vontade de jogar - e o amor ao dinheiro - fazem com que Nélson seja difícil de convencer.
Tiago - Tem algumas vantagens em relação a Nélson: tem um perfil adequado à filosofia do clube e, geralmente, quando lhe acertam não é golo - com o camisola 1 isso está longe de ser uma garantia. Pode ser um bom suplente, mas o salário elevado também é difícil de suportar.
Mário Felgueiras - Terá, provavelmente, o seu lugar no plantel. Apesar de não possuir a envergadura física aconselhável à sua posição no terreno, exibe argumentos técnicos e psicológicos que lhe garantem margem de progressão.
Nuno Santos - Confesso que, depois de ter acompanhado a sua prestação ao serviço do Estrela da Amadora, na Liga de Honra, fiquei convencido de que não mais seria capaz de evoluir. Foi, pois, com algum espanto, que segui o seu bom desempenho com a camisola do Penafiel. Melhorou, demonstrou que não estancou a sua progressão e recebeu, como prémio, a renovação. Não acredito, porém, que atinja o nível exigido a uma primeira opção num emblema com as responsabilidades do verde e branco.
DEFESA
A falta de definição afecta as alternativas para o quarteto defensivo, mas numa dimensão mais reduzida. A eventual saída de Enakarhire pode implicar uma diferença de registo no que à solidez do conjunto diz respeito mas, caso Polga consiga atingir o nível exibido em 2003/04, fará com Beto uma dupla capaz de rivalizar com qualquer outra. A promoção de Miguel Veloso abre a porta de saída a Hugo, faltando apenas saber quem chegará para colmatar a saída de "Enak", caso esta se concretize: Zé Castro, Nunes ou João Paulo são as soluções em carteira.
CONFIRMADOS
LATERAIS
Miguel Garcia - Um jogador medíocre que, num segundo de merecida felicidade - golo frente ao Alkmaar - conquistou o estatuto de herói. Lateral-direito-que-começou-por-ser-central-mas-que-queria-mesmo-era-jogar-como-trinco, Miguel Garcia evoluiu muito durante o último terço da temporada mas será sempre encarado como solução de recurso perante eventuais ausências de Rogério.
Rogério - Nem parece brasileiro. Extremamente inteligente na forma como potencia as suas qualidades e anula os seus defeitos, o antigo capitão do Corinthians impressiona pela gestão do jogo, do qual faz, permanentemente, uma leitura perfeita. A polivalência evidenciada joga a seu favor mas a verdade é que foi no lado direito da defesa que conseguiu fazer a diferença. É um líder.
Edson - Tem a responsabilidade de render o melhor lateral-esquerdo português (sim, isto é opinião e está é a minha. Se encontrarem algum melhor que Rui Jorge avisem-me) que era, também, um elemento fundamental no balneário verde e branco. Mais alto e mais rápido que o seu antecessor - características pretendidas por José Peseiro - acrescenta ao seu arsenal um forte pontapé e eficácia na execução de lances de bola parada. Cá estaremos para apreciar a sua integração no conjunto.
André Marques - A relativa experiência de Edson servirá de "almofada" à sua progressiva integração na equipa. A invejável envergadura física, aliada a uma apreciável capacidade técnica, fizeram dele a mais forte e recente aposta dos responsáveis leoninos. Terá espaço e tempo para evoluir, mas esperam-se rápidos progressos.
CENTRAIS
Beto - Aqui irei, certamente, entrar em rota de colisão com a maioria dos leitores. Trata-se, para mim, (insisto) do segundo melhor central português. Depois de Ricardo Carvalho, o 22 do Sporting é o mais completo dos que actuam nesta posição e, se jogasse noutro clube, os seus méritos já teriam sido, certamente, reconhecidos. Sentido de posicionamento, visão de jogo, capacidade física, técnica individual e classe são argumentos que fazem dele uma mais-valia. Com o recuo do Villareal, deverá permanecer no plantel.
Polga - O deficiente rendimento evidenciado durante largos períodos da temporada agora finda representa para mim um verdadeiro mistério. Casos há, e muitos, de centrais que, durante curtos períodos, exibem qualidades que, porém, são incapazes de sustentar com regularidade (Quiroga e Contreras, entre outros, estarão ainda na memória de todos). Essa não é, contudo, uma análise que se possa fazer às características deste campeão do mundo já que, em 2003/04, patenteou, com impressionante consistência, um elevado nível de rendimento. Terá de ultrapassar os problemas que o afectaram mas, se o conseguir, o Sporting volta a contar com um excelente elemento.
Miguel Veloso - A segunda aposta nos escalões de formação deverá garantir o posto de "quarto" central. Não lhe reconheço grandes qualidades e não aprecio a sua personalidade. Caber-lhe-á, através do seu rendimento futuro, alterar a opinião de quem pensa como eu.
DÚVIDAS
Paíto - Possui todas as características físicas e técnicas necessárias a um grande lateral-esquerdo mas foi sistematicamente traído pela fragilidade psicológica. Com profundos defeitos na sua formação, não demonstrou suficiente aplicação na tarefa de debelar a completa ignorância táctica e deverá pagar o erro com a saída.
Mário Sérgio - O golo de Miguel Garcia em Alkmaar "roubou-lhe" o espaço que ainda esperava ocupar. Continuo a pensar que se trata de um excelente lateral-direito em potência - um jogador que, nessa posição, ao serviço do Paços de Ferreira, se consagra como o segundo melhor "assistente" do Campeonato, atrás apenas de... Deco, tem de ter qualidade - e, agora, com uma eventual cedência, terá ocasião de o provar.
Enakarhire - Foi uma das revelações da última edição da SuperLiga. Chegou ao Sporting sem que grandes expectativas o rodeassem, mas cedo se assumiu como um central poderoso. Intratável na marcação e consciente das suas limitações no capítulo técnico, foi o mais forte argumento defensivo do leão, excepção feita à final da Taça UEFA. Pode estar a caminho de Moscovo, até porque é essa a sua vontade.
Hugo - Disse-se, em sua defesa, que é um excelente profissional. Respeito o argumento mas, apesar de tudo, ser jogador de futebol num clube da dimensão do Sporting não é o mesmo que trabalhar numa fábrica de sapatos: não chega chegar a horas, é preciso ter alguma aptidão para a coisa. Ora, nitidamente, esse não é o caso. Prefiro não dizer mais nada, até porque deve deixar o clube.
MEIO-CAMPO
O modelo de jogo instituído por José Peseiro confere ao sector intermédio um papel fundamental. É no desempenho dos elementos que o compõem que se centra o essencial da filosofia de jogo: zona pressionante sem bola, mobilidade e circulação na posse da mesma. Hugo Viana e Pedro Barbosa são as baixas, mas só a do segundo será difícil de colmatar. Contudo, com apenas seis elementos para oito posições, torna-se indispensável proceder a um reforço: apenas Rodrigo Tello se apresenta como solução natural para interior-esquerdo.
MÉDIOS DEFENSIVOS
Custódio - A sua prestação ao longo da temporada dissipou a sensação de desilusão que me provocou o desempenho em 2003/04, sob o comando de Fernando Santos. Disciplinado no plano táctico e pragmático na abordagem ao jogo, conquistou um espaço de destaque na organização leonina. A sua acção assume um papel preponderante na missão de conferir equilíbrio à equipa.
Rochemback - Poderia estar inscrito na categoria seguinte mas a ausência de alternativa a Custódio e as suas características aconselham-me a apelidá-lo assim, mesmo se raras foram as vezes em que desempenhou tais funções em 2004/05. Com os índices físicos condicionados pela lesão que o impediu de fazer o trabalho de pré-época, José Peseiro optou por resguardá-lo do confronto directo e preferiu utilizá-lo em terrenos mais adiantados, que não correspondem por inteiro às suas características. Sendo certo que nunca alcançou o nível exibido na temporada anterior, não é menos verdade que o espírito competitivo e a vontade de vencer ajudaram o grupo em momentos difíceis. Chegou a jogar em condições físicas que impediriam de andar o comum mortal. Espera-se que, para a próxima edição da SuperLiga, se apresente no pleno das suas capacidades.
Labarthe - Aqui fica provado o meu insuperável conhecimento do futebol internacional. Ao contrário de muitos outros, estou disposto a revelar tudo o que sei sobre o primeiro reforço oficial para a temporada 2004/05: absolutamente nada! Marcelo Labarthe foi incluído no negócio da transferência de Tinga como um factor acessório e ninguém em Alvalade alimenta grandes expectativas em torno das suas capacidades. As minhas fontes no Brasil dizem-me que se trata de um médio com qualidades técnicas, que poderá evoluir para se tornar num jogador razoável. Espero para ver.
MÉDIOS OFENSIVOS
Carlos Martins - Está a meio neurónio de ser um "craque". Que pena não ter nenhum... Possui extraordinária visão de jogo - é, provavelmente, um dos melhores do mundo na gestão do contra-ataque - , notável facilidade e eficácia no remate, com qualquer dos pés - característica inata e rara num jogador português - e condições físicas para explanar a sua técnica. Se conseguisse ultrapassar a falta de maturidade e as condicionantes psicológicas, poderia tornar-se numa referência do futebol português, o que, no entanto, me parece muito improvável.
João Moutinho - Foi o próprio José Peseiro quem o confessou: "Se é verdade que há pessoas que nascem para jogar à bola, o João é certamente uma delas." A disponibilidade física que lhe permite recuperar bolas frente a adversários do "dobro" do seu tamanho e a forma inteligente como as endossa aos seus companheiros, muitas vezes em passes de ruptura, só são superadas pela invulgar maturidade competitiva. Se, na estreia como titular nas competições europeias, "encheu" a "banheira" de Roterdão, o impressionante nível exibido em todas as partidas em que participou garantiu-lhe um lugar entre os melhores da temporada, mesmo se só disputou um número reduzido de encontros. Já despertou a cobiça dos gigantes europeus e, se nada de anormal suceder, com Manuel Fernandes a seu lado (sei que me estou a repetir, mas eles merecem a insistência), a Selecção Nacional terá meio-campo para os próximos dez anos.
Tello - O Sporting não chegou a pagar por ele os valores que foram então divulgados mas não deixa de ser, tendo em conta a relação preço/qualidade, um dos jogadores mais caros do mundo. Com o 4-1-3-2 de José Peseiro teve oportunidade de actuar na posição que mais lhe convém (interior esquerdo), mas apenas conseguiu provar que... pode fazer parte do plantel. Útil, embora nada mais que isso, desde que não seja primeira opção.
ATAQUE
Aqui, tal como na baliza, tudo depende da continuidade de um único elemento: Liedson. O melhor marcador da SuperLiga poderá condicionar a política de contratações do leão, bem como o nível das aspirações do clube na próxima época, no caso de não ser possível colmatar uma eventual saída com um avançado de semelhante produtividade. Certo é que o Sporting pretende adquirir, independentemente da evolução do mercado, um extremo-esquerdo, de forma a oferecer ao treinador a possibilidade de contar com o 4-3-3 como alternativa.
CONFIRMADOS
EXTREMOS
Douala - Não haverá, certamente, ninguém mais rápido que ele na SuperLiga. O rapaz corre os 100 metros em menos de 11 segundos, sobre a relva!!! O que não faria em pista, com equipamento apropriado? Pena é que à velocidade estonteante não seja capaz de aliar a conveniente eficácia (falta inteligência e capacidade técnica), pelo menos com consistência. Provou, porém, aos mais cépticos (entre os quais eu me incluía) que pode ser útil e, até, por vezes, fundamental, na tentativa de criar desequilíbrios na defensiva adversária. O seu pior defeito prende-se com uma irritante tendência para a hipocondria... Qualquer sprint lhe provoca "uma dor" e qualquer dor o impede de jogar...
Varela - A boa prestação com as camisolas do Casa Pia e das selecções nacionais garantiu-lhe um lugar no plantel, pelo menos durante a pré-temporada. Veloz e tecnicamente evoluído, pode actuar em qualquer posição no ataque mas é nas alas que deverá ter a sua oportunidade. Mantenho algumas reservas relativamente ao seu potencial, mas aguardo por mais dados para formular uma opinião definitiva.
AVANÇADOS
Pinilla - Foi o campeão do azar. Depois do medíocre desempenho do início da temporada, que o atirou para o banco de suplentes (ou para a bancada), regressou ante o Moreirense para marcar um golo portentoso e... sair lesionado. O penoso caminho rumo à recuperação do ritmo competitivo obrigou-o a esperar, paciência recompensada pelo tento apontado na meia-final da Taça UEFA, imediatamente seguido de um "hat trick" frente ao Braga. De anedota passou a "Pinigol" mas, na véspera da final de Alvalade, voltou a sucumbir a uma lesão grave. Terá, na próxima época, a oportunidade de clarificar todas as dúvidas sobre a sua qualidade. Estou convencido que se trata de um bom jogador, só não sei se será um verdadeiro ponta-de-lança.
Sá Pinto - Foi, para mim (e para ele também), a grande surpresa da temporada. Ninguém esperava que, após quase quatro anos de profundo calvário, fosse capaz de regressar à competição, muito menos ao nível exigido num clube da dimensão do Sporting. Constituiu-se mesmo como um importante "reforço" de Inverno, adicionando capacidade de pressão, classe e linhas de passe à frente de ataque. Beneficiou da paciência votada à sua recuperação e do facto de lhe ter sido dada a oportunidade de jogar na sua posição: a equipa beneficia da sua polivalência, mas é no ataque que melhor rendimento garante. A ingratidão e a "memória selectiva" sempre me provocaram irritação. Muitos tinham já esquecido - ou feito por esquecer - que Sá Pinto, sem nunca ter sido um fora-de-série, foi um dos melhores da sua geração. Aos mais "distraídos", lembro a forma como carregou aos ombros uma medíocre equipa do Sporting até ao segundo posto do Campeonato (e à Liga dos Campeões), sob o comando do inenarrável Octávio Machado, e aconselho uma passagem pelo canal memória, que tem transmitido jogos da selecção nos quais se destacou bem mais do que a maioria. Só é pena não ser bom da cabeça...
Liedson - Que dizer do melhor marcador da SuperLiga? O 31 é o melhor e mais decisivo avançado a pisar os relvados portugueses desde Jardel e, apesar de não possuir as características de "SuperMário", garante mais golos que qualquer outro. Incansável dentro das quatro linhas, sem nunca abdicar de pressionar os defensores adversários, provocando e acreditando no erro, tem, porém, no instinto de matador a sua arma fundamental. Sendo pouco provável que o Corinthians esteja disposto a gastar os milhões que os leões exigem para dar o acordo a uma eventual transferência, a sua continuidade é, para já, o cenário plausível. Deste facto em muito poderá depender a ambição do emblema verde e branco.
Manoel - Foi a primeira contratação da era "pós-Freitas", o que, sem dúvida, desiludiu quem esperava a chegada de atletas com nomes sonantes. Apesar de se tratar de um avançado móvel e rápido, adquirido em final de contrato, terá dificuldades em conquistar o seu espaço na equipa. Não me parece que tenha qualidade ou estrutura mental para se tornar um valor acrescentado, mas tem um facto a seu favor: as expectativas de crítica e adeptos são tão baixas, que tudo o que fizer será visto como positivo. Houve quem achasse o mesmo de Douala (a começar por mim) e tenha sido obrigado a mudar de opinião...
DÚVIDAS
Lourenço - Vou tentar ser breve, para evitar alguma crítica mais violenta. A sua falta de inteligência no plano táctico aproxima-se do absurdo: qualquer semelhança entre Lourenço e um jogador de futebol não é coincidência, é um erro de cálculo! Limitado tecnicamente e dotado de uma personalidade incompatível com a prática de uma modalidade colectiva, a sua presença no quadro profissional é para mim um mistério. Como se tal não bastasse, ainda é capaz de criar mau ambiente em qualquer balneário que frequente... Enfim, chega de criticar um atleta em final de carreira...
Silva - O "Pistoleiro" que, em Guimarães, defrontou o Sporting e apontou dois golos seria um jogador importante em qualquer equipa portuguesa. Infelizmente para ele e para quem lhe paga, a incapacidade de exibir regularmente um nível elevado impedem-no de se tornar num factor decisivo. Acredito, porém, que poderá ter a sua utilidade no plantel, desde que não seja enquanto opção prioritária.
Niculae - Perseguido pelo azar - leia-se lesões - o jovem e promissor ponta-de-lança que, em 2001/02, deslumbrou a Europa do futebol, tornou-se num atleta banal que há muito procura, sem sucesso, encontrar a chama de outrora. Não sendo, hoje, uma sombra do jogador em que prometia tornar-se, vai deixar o Sporting por não aceitar a redução de vencimento que lhe foi proposta. É, até ao final do mês, o jogador que mais elevado salário cobra em Alvalade.
Edgar Marcelino - Foi, durante muito tempo, a principal aposta da formação leonina. Rápido a executar e muito forte no um-contra-um, este extremo dextro que (como Simão) prefere actuar sobre a esquerda do ataque tem qualidade suficiente para merecer a oportunidade que o seu temperamento imprevisível até agora lhe negou. Deverá fazer a pré-temporada com o plantel principal, na tentativa de tentar conquistar a confiança do treinador. É agora, ou nunca...
sexta-feira, 17 de junho de 2005
Saudades
Em primeiro lugar, espero que me desculpem pela ausência prolongada, mas o trabalho tem sido muito...
Não podia, porém, deixar de registar um facto interessante.
Giovanni Trapattoni saiu do Benfica por motivos pessoais, uma vez que não queria estar longe de Itália e da sua família. Razões nobres, que correspondem a valores que o presidente dos encarnados garantiu compreender.
Só há uma coisa que não percebo...
Pelos vistos, as saudades de "Trap" eram tão pungentes que acabou por assinar... pelo Estugarda... É que é já ali...
Não podia, porém, deixar de registar um facto interessante.
Giovanni Trapattoni saiu do Benfica por motivos pessoais, uma vez que não queria estar longe de Itália e da sua família. Razões nobres, que correspondem a valores que o presidente dos encarnados garantiu compreender.
Só há uma coisa que não percebo...
Pelos vistos, as saudades de "Trap" eram tão pungentes que acabou por assinar... pelo Estugarda... É que é já ali...
Subscrever:
Comment Feed (RSS)
