domingo, 11 de dezembro de 2005

Arte Mínima

Em primeiro lugar, peço desculpa pela ausência prolongada e pela mania dos títulos pseudo-engraçados - deformação profissional.

Antes que tenham vontade de me esganar, passo a explicar a razão do actual: na semana que agora termina, o serviço mínimo marcou a prestação dos três grandes do futebol português - os adeptos encarnados podem continuar a ler, que já vão perceber o que quero dizer.

O FC Porto sofreu, no Leste da Europa, o castigo a que se habilitou no Dragão, depois dos incompreensíveis desaires ante Rangers e Artmedia. Em Bratislava, as deploráveis condições do terreno - e a não menos debilitada força anímica - conduziram a uma paupérrima demonstração do talento que inegavelmente possuem, "oferecendo" aos seus adeptos uma rara desilusão: em pleno Dezembro, estão arredados dos grandes palcos e, em casa, não podem aspirar a mais que um FC Porto - Braga...

Concedi, durante muito tempo, o benefício da dúvida a Co Adriaanse, por cuja atitude nutro, aliás, alguma simpatia. Não posso, porém, deixar de constatar o óbvio: se fosse português, já não estaria no comando técnico dos azuis e brancos.

Para o Benfica fica reservada uma análise semelhante, mas de sentido contrário: a águia agigantou-se e reduziu à mais ínfima expressão a "arte" de que se gabam os "Red Devils" de Manchester. O mérito cresce na directa proporção das circunstâncias, pois não se tratava de um encontro banal para os homens de Alex Ferguson, que também jogavam na Luz o apuramento. Posso não apreciar a forma como o feito foi alcançado, mas tiro o meu chapéu ao insuperável espírito de sacrifício evidenciado pelos jogadores que bateram o colosso inglês: isto de ter um gigante chamado Petit, acaba por se pegar...

O leão, há muito arredado destas lides, foi chamado a actuar na sexta-feira no primeiro de um conjunto de três compromissos que, em teoria, lhe poderiam permitir o sedimentar de uma posição entre os primeiros. Num festival de oportunidades falhadas - quem, há poucas semanas, poderia pensar que Deivid faria tanta falta, mesmo quando pelo relvado passeava um 31 sem Norte - o Sporting deixou-se surpreender por um Estrela da Amadora bem organizado.

Ocasiões de golo à parte, a formação verde e branca foi incapaz de produzir o volume ofensivo que se exigia a um conjunto obrigado a vencer um oponente mais débil, ficando no ar a ideia de que as opções do técnico não contribuíram para o inverter dos acontecimentos. Se, por um lado, não se pode exigir muito a quem tem Wender - um verdadeiro desastre - e Varela como opções mais ofensivas no banco de suplentes, a verdade é que a saída de João Moutinho votou ao ostracismo qualquer movimento de ruptura em progressão ou tentativa de organização da manobra ofensiva.

Neste jogo, umas notas finais para o que de melhor - e pior - se viu em Alvalade:

- mais uma demonstração de carácter e eficiência de Ricardo - sei que me estou a repetir, mas se tantos puderam apontar os erros, verdadeiros ou não, durante tanto tempo, também me considero livre de elogiar;

- o reafirmar das qualidades de Manu, extremo emprestado pelo Benfica que insiste nas exibições convincentes;

- a inacreditável postura de Amoreirinha que, tal como no passado, continua a preferir as quezílias e as agressões ao futebol. Prejudicou a equipa com um penálti ridículo - valeu Bruno Vale... e Liedson - e só por manifesta benevolência escapou de uma merecida expulsão sem ver, sequer, um cartão amarelo. Nem com os anos aprende.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Clubismos à parte, logo à noite sejamos patriotas

Força Cristiano!
Força Carlos!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

O estado de graça de Paulo Bento

É no minimo curioso que depois do Sporting empatar no estádio do Dragão, a capa de um dos três diários desportivos nacionais tenha escrito na capa "Deivid Resolve".
Então o Sporting não ganhou (ainda pior, esteve a ganhar e não ganhou) e o Deivid resolveu? Mas isto faz algum sentido?
Parece-me que o Paulo Bento está em alta na comunicação social e o Liedson em baixa, mas isto é um bocadinho demais, não?

sábado, 3 de dezembro de 2005

Consistência

O FC Porto dominou o clássico do Dragão, mas a verdade é que, superando as minhas expectativas, o Sporting deu mostras de uma consistência defensiva que há muito iludia os homens de Alvalade.

Paulo Bento está a construir a sua equipa com base na necessidade de organização e, se na construção da manobra ofensiva há ainda muito que evoluir, a verdade é que os alicerces de uma formação equilibrada estão lançados.

O mérito é mais colectivo que individual - excelente o desdobramento que permitia anular os desequilíbrios provocados, nas alas, por Quaresma e Lisandro Lopez - mas nem por isso posso deixar de destacar a ponderada exibição de Sá Pinto e a imperial confiança de Ricardo - não parece o guarda-redes que, há poucos meses, sucumbiu à crítica.

Sendo certo que, em Alvalade, não existem ainda armas que permitam discutir, de igual para igual, 90 minutos com os de azul e branco, é também indiscutível que, apesar do domínio exercido durante a quase totalidade do referido período, aqueles não foram capazes de criar oportunidades de golo dignas de nota - leia-se triunfo.

No Dragão, mais do que um ponto, Paulo Bento deu mais um passo para ganhar tempo e... uma equipa.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

E Deivid... resolve

Muitas serão as possíveis considerações a tecer sobre a ausência de Liedson - que até pode ser de duração indefinida - mas a verdade é que Paulo Bento recolheu a devida recompensa da sua atitude através da prestação de... Deivid.

Depois de exibições deprimentes, o técnico concedeu-lhe nova oportunidade - e enorme responsabilidade - e o 23... resolveu.

Merecido destaque ainda para Carlos Martins e Ricardo: o primeiro confirmou - principalmente na segunda parte - o potencial para desempenhar um papel fundamental neste Sporting enquanto, no caso do segundo, já se nota a influência da renovada equipa técnica. Uma exibição para calar alguns detractores...

A última nota não pode deixar de ir para a formação vimaranense: o Vitória tem um plantel recheado de qualidade e merece outro lugar na tabela classificativa.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

A verdadeira estória do gesto de Nuno Gomes

Tudo não passou de um mal entendido. De facto, o gesto de Nuno Gomes era para Ronald Koeman e fazia parte de uma conversa que os dois estavam a ter.

Diz RK: "Oh Nuno, que parvoíce foi aquela de ires a correr buscar a bola dentro da baliza, quando já tinhamos empatado? Achaste que podíamos ganhar? Não viste que os rapazes estavam a correr muito mais que nós e que empatámos por milagre?"

Ao que Nuno respondeu "Desculpe Mister, devo estar drogado para ter feito um disparate tão grande".

E pronto, está explicada a atitude do (na altura) capitão do Benfica. Ele nunca insinuaria que os jogadores do braga estavam dopados. Tal como Petit o ano passado não o fez no jogo contra o Rio Ave. Apenas elogiou o prepador fisico do clube de Vila do Conde por ter conseguido por os seus rapazes a correr durante 90 minutos.

sábado, 19 de novembro de 2005

José Veiga é que sabe

Depois de, na passada jornada, ter exigido com sucesso o regresso da proverbial "jarra" para os árbitros prevaricadores, o irrepreensível José Veiga irá agora, certamente, pedir para João Ferreira o mesmo destino que garantiu a Augusto Duarte e Paulo Pereira.

Razão tinha o inefável dirigente/empresário/proprietário/accionista em solicitar a pronta intervenção das instâncias reguladoras, uma vez que estas pareciam estar esquecidas das suas obrigações.

Agora que João Ferreira conseguiu ser a única pessoa no Municipal de Braga a "descobrir" um penálti no período de compensação, estou certo de que José Veiga não se irá coibir de criticar o juiz pelo... "off-side" milimétrico que ficou por assinalar no terceiro dos minhotos.

Só a mim é que ninguém me leva ao colo...

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Particulares

Os encontros de carácter particular disputados pela Selecção Nacional servem, aparentemente, para perceber quem não deve ir ao Mundial...

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Manobras da Televisão

Os desenvolvimentos da tecnologia resultam em que a televisão mostre coisas que nunca existiram ou nunca foram ditas. Imagine-se que a televisão mostrou:
O Co Adriaanse a dizer que se ia embora se visse lenços brancos, que toda a gente sabe que ele não disse.
O Luis Filipe Vieira a dizer que se não tivesse 300 mil sócios em Outubro se ia embora, quando ele era incapaz de fazer uma coisa dessas aos sócios do Benfica.
O Ricardo Rocha a abraçar o Gaucho dentro da área de uma maneira que não se via na luz entre dois homens desde que o capitão Calado saiu do clube, quando toda a gente sabe que o RRocha é um jogador muito correcto e nem gosta de homens.
O Fábio Felicio a pisar o João Moutinho e a rasteirar o Liedson pelas costas, quando foi o Sá Pinto que agrediu os jogadores da própria equipa.

E depois disto tudo querem fazer crer que só porque a televisão mostrou a bola do Leiria dentro da baliza do Sporting devia ter sido golo. Claro que não foi. Foi só mais uma manobra televisiva para prejudicar a imagem do Ricardo.

sábado, 5 de novembro de 2005

Toda a gente sabe que...

... só é golo quando a bola bate na rede!

Produto dos Media

O ano passado os jornalistas portugueses devem ter decidido inventar um jogador de futebol. Juntaram-se todos e decidiram que a partir desse altura em todos (ou quase todos) os jogos do Sporting de Braga iriam dizer que o melhor jogodor em campo seria o João Alves.

Só isso pode justificar que um jogador tão elogiado na época passada, não faça uma coisa certa este ano.O rapaz em 10 jogos (mais coisa menos coisa, embora a maioria não completos) e tudo o que fez foi um remate ao poste contra o halmstads. Desde aí é uma completa nulidade. Não faz um passe decente, um remate perigoso, não corta bolas a meio campo, nada.

Parece que os jornalistas impingiram ao Sporting um barrete (quem é o responsável por ter sido enfiado?) de 5 milhões de Euros (penso que seja este o valor).
Ontem Scolari convocou-o novamente para a selecção. Cada vez mais acho que tenho razão.

Os iluminados

A incompetência não tem, definitivamente, qualquer limite.

O senhor Augusto Duarte deu, em Alvalade, um importante contributo para a evolução da ciência, só ao alcance dos verdadeiros iluminados - não confundir com as alarvidades de Dan Brown.

Aos 30', com a indispensável colaboração de António Neiva, seu assistente, demonstrou como os 25 046 espectadores - aos quais há que acrescentar dezenas de jornalistas, "stewards", polícias, 36 jogadores, equipas técnicas e, provavelmente, o outro assistente, José Ramalho, que se encontrava a mais de 50 metros do lance - não percebiam nada disto: um guarda-redes, deitado, de costas, no fundo da sua baliza, defendeu sem que a bola ultrapassasse a linha de golo.

Haja democracia: aqueles dois "profissionais" do apito foram os únicos a achar que Renato não tinha marcado... logo... qual golo, qual carapuça!

Sempre fui um defensor da utilização de tecnologia capaz de auxiliar ao trabalho dos árbitros mas, hoje, confesso a inutilidade de tal medida: com gente desta, não há milagre que nos salve!

Como se tal não bastasse, Augusto Duarte converteu em asneira a esmagadora maioria das suas intervenções, sobretudo no que ao capítulo disciplinar diz respeito. A título de exemplo, diga-se que Fábio Felício foi poupado a uma expulsão que se impunha em... TRÊS ocasiões...

Assim, não há quem aguente...

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

E o prémio "Monty Python" da semana vai para...

Raul Meireles.
Pela sua hilariante prestação no segundo golo do Inter.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Admirável mundo novo

Sabendo que me afasto um bocado do futuro antecipado por Aldous Huxley, não posso deixar de registar - com algum agrado - a invulgar conjuntura que marca a actualidade do futebol português.

À passagem da nona jornada, o Sporting de Braga lidera o Campeonato com cinco pontos de vantagem sobre o FC Porto, segundo classificado - Benfica, em quarto, está a seis pontos e o Sporting, a nove, no grupo dos quintos colocados - e demonstra, com regularidade, ser a formação mais consistente em competição.

Como se tal não bastasse - note-se que não pretendo retirar qualquer mérito à equipa de Jesualdo Ferreira, apenas assinalar algo que, apesar de natural, dificilmente poderia ter ocorrido em anos recentes -, na última ronda, os minhotos sedimentaram a vantagem pontual enquanto os teóricos "grandes" empatavam, em encontros marcados por erros de arbitragem.

No FC Porto - Setúbal ficou por assinalar uma clara grande-penalidade sobre Jorginho, no Naval - Benfica o lance do golo dos anfitriões pecou por posição irregular - ainda que marginal - de Bruno Fogaça e, no Bessa, João Ferreira voltou a brindar o público com uma exibição ridícula.

Assim, e desde que os equívocos dos juízes se distribuam democraticamente entre os "grandes" e os "outros", podemos ter esperança de que se faça história na principal competição lusa.

Haja Fé, minhotos!

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Contribuição para uma boa causa

Segundo esta notícia do Jornal "A Bola", Bruno Alves e Ricardo Costa estão a renovar até 2010.
Pinto da Costa deverá publicar em breve, no site do clube, o NIB da conta para a qual deveremos fazer a nossa contribuição.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

A festa da Taça

Anderson Polga em mais um momento de rara inteligência (momentos aliás que tem sido muito frequentes nas últimas 2 épocas) conseguiu ser expulso em tempos de desconto num jogo contra uma equipa da segunda divisão, que estava a jogar com 10, num jogo em que o Sporting estava a ganhar por 2-0.

Obrigado Anderson!

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Brincar aos sumarissimos

Após 2 semanas a pensar, decidiram punir Petit com um jogo de suspensão.
O médio do benfica fica assim afastado do importante embate com o..... Leixões.
Nem vale a pena dizer mais nada.

Guerra por um lugar no Campeonato do Mundo

Interessante esta luta que os guarda redes do benfica estão a fazer por um lugar na selecção.

Primeiro foi Moreira, com uma (aparentemente) pequena lesão que o afastou do jogo do Dragão, cedendo a titularidade a Moreira.
A seguir responde Quim, magoando-se no jogo com o Villareal.
Mas Moreira responde rápido, e com uma lesão de 6 meses, entrega de mão beijada a titularidade a Quim, ficando com um pé na Alemanha.
Quim não desarma. E foi agora operado, parando 3 semanas. Parece insuficiente para perder a titualidade e dificilmente vai assegurar a presença no Mundial com esta lesão. Mas aguardam-se as cenas dos próximos capitulos....

sábado, 22 de outubro de 2005

refundar um CONCEITO ...

que grande azar ! ontem à tarde sem querer estava a ver a rtpn quando de repente ligam a alvalade (passo rapidamente os canais porque não queria perder pitada e vejo que não era o único a testemunhar - sic notícias também - o facto surreal que se seguiu e sobretudo a trágica reflexão que o meu mau feitio originou!)

bolas, pensei, estão tramados os leitores do "críticos da bola", como é que os vou convencer daquilo que parece ter sido encoberto até agora no scp, tem servido para encher tantas e tantas "bocas", incluindo neste blog, páginas de jornais e outros espaços de domínio público, e que está completamente errado ...

como é que eu os vou convencer que esta conferênca de imprensa (será?) teve o condão de por a nu algo que nunca foi falado a propósito dos "quadros" do clube das riscas ! sensacional a forma bem conseguida com que passaram a ideia de família, de pessoas humanas (todos pediram desculpas a todos e apelaram à compreensão de todos, que bonito, senti-me tocado, não queria dizer publicamente, mas fiquei lamechas, até me esqueci que os praticantes daquela modalidade mais violenta ainda fazem parte do plantel, uppss, tinha prometido não mais falar nisto mas puxam por mim ...no fundo, um evento que disfarçou o excesso de profissionalismo sempre evocado no scp (comunicado e por isso tornado verdade!) ... porque foi brilhante na forma como roçou o provincianismo (viram a excelência com que o actor principal simulou ter-se esquecido de avançar mais dois pormenores aos amigos jornalistas - um deles era só o novo ex director desportivo!)...

como é que eu os vou convencer que a "crème de la crème" dos gestores que passaram no scp não conseguiram até agora (como de resto nos outros clubes todos, com a diferença que sempre tiveram a fama de mafiosos - incluindo slb e fcp) impor um modelo que levasse ao saneamento, senão atentem no passivo do clube e na conta de exploração, onde claro está o primeiro tem sido uma vítima acumulada do segundo !)...

como é que eu os vou convencer numa atitude desesperada de sobriedade de que aquilo que se tem dito e escrito sobre a estrutura (então não é que uma das grandes mais valias passa a ser o miguel ribeiro telles estar disponível para ajudar! claro, dentro das limitações de tempo e profissionais - aqui na verdadeira acepção da palavra !)e sobre os gestores (então não é que numa atitude magnanime vão dar uma oportunidade ao "coitadinho" do paulo bento - até me fez pena!), não se enquadra na minha visão de profissionalismo (já sei que sou picuinhas, mas o mais recente exemplo também não me entra na cabeça - o número dois do "plantel" passa a assinar e a ostentar a braçadeira de número um !)


como é que eu os vou convencer de que nada do que se tem passado no scp (infelizmente para uns e felizmente para outros) corresponde aquilo que consta de um qualquer modesto manual de teoria organizacional: nem no que toca a pessoas nem no que toca a estrutura !


só eu sei porque que é que não os vou convencer de que podem estar a ficar presos na sua própria teia ...

o conceito está vendido, o equívoco está comprado, as bases são de areia ... profissionalismo !

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Dias da Cunha

Começo a ganhar o hábito de proceder aqui a sucessivas "despedidas".

Ao contrário do que alguns podem pensar, nunca tive qualquer espécie de relação pessoal com Dias da Cunha, pessoa com quem apenas mantive alguns contactos no exercício da minha actividade profissional.

Confesso, porém, que admiro as qualidades do agora ex-presidente do Sporting. Determinado na defesa dos seus princípios, intransigente - por vezes até demasiado - no sustentar das suas convicções, enfrentou com coragem notável desafios homéricos e, na maioria das vezes, soube encontrar forma de atingir os objectivos essenciais.

A construção do novo estádio, bem como da Academia Sporting, dotou o clube de infraestruturas de vanguarda, que se constituem como obra fundamental para o futuro dos leões. Fê-lo, com a colaboração de muitos outros, é certo, ultrapassando colossais dificuldades, mas dotou o emblema verde e branco de excelentes condições - de trabalho e evolução - apesar do difícil panorama financeiro.

"Herdeiro" dos valores preconizados pelo "projecto Roquette", procedeu ao saneamento financeiro do universo leonino e trabalhou para o equilíbrio, sempre com a perspectiva de devolver aos sócios aquilo que hoje depende da colaboração com os bancos.

Pelo caminho ficaram erros nos vários modelos de gestão que implantou na SAD, mas também alguns dos maiores sucessos desportivos das últimas décadas. Hoje apontam-se os equívocos e a responsabilidade no afastamento de Miguel Ribeiro Telles ou José Eduardo Bettencourt, mas já ninguém se lembra que foi Dias da Cunha quem os "recrutou" para o serviço do Sporting.

Não menos importante foi o combate travado pela regeneração do futebol português. Incansável na luta contra o edifício dos poderes estabelecidos, logrou provocar mudanças que muitos julgavam impossíveis. Mesmo se deixa a presidência sem ter alcançado todos os objectivos que, neste campo, estabeleceu, ficam as propostas concretas que apresentou para a reorganização das estruturas que regem o futebol profissional.

Naquele que deveria ser o ano de consagração do seu percurso como "comandante" da "nau" verde e branca, abrilhantado pelas comemorações do Centenário, Dias da Cunha renuncia ao cargo em litígio com uma franja de adeptos. Sairá sem o reconhecimento que, no meu entender, lhe seria devido, mas não tenho dúvidas que nesta, como em tantas outras ocasiões, a História se encarregará de lhe fazer merecida justiça.

Da mesma forma como aqui repugnei a forma como, em Alvalade, se abdicou dos serviços de Pedro Barbosa e Rui Jorge, sem que lhes fosse prestada a devida homenagem, chamo agora a atenção de todos aqueles que então apontaram o dedo ao presidente: não cometam o mesmo erro com quem, com dignidade e abnegação, serviu o vosso clube.

PS - Estará para breve o regresso de um dos "desejados".