domingo, 11 de setembro de 2005

Mais que três pontos

O Sporting venceu o dérbi de ontem que, como muitos fizeram questão de frisar, valeu bem mais que três pontos.

Em jogo estava, como sempre, uma rivalidade ancestral, que eleva a fasquia do confronto ao nível dos grandes "clássicos" do futebol mundial, mas também a primeira oportunidade de aferir da relação de forças entre dois dos principais candidatos ao título.

O desenrolar da partida permite, porém, um conjunto de conclusões que poderão estender a sua influência bem para além desta terceira jornada.

Os leões garantiram a totalidade dos pontos em disputa na presente edição do Campeonato, beneficiando de um grau de felicidade que lhes foi negado na pretérita temporada, mas conquistaram ainda benefícios que transcendem o imediato: na exibição de Tonel, o emblema verde e branco ganhou a tranquilidade de um central que, nos próximos tempos, em virtude da lesão de Beto, está "condenado" à titularidade.

A qualidade e, sobretudo, a serenidade da exibição do ex-dragão vêm mitigar a lacuna que a fissura no perónio do capitão poderia provocar.

Na perspectiva encarnada, um eventual desaire teria sempre como consequência um enorme grau de intranquilidade, já que o desperdiçar de oito dos primeiros nove pontos da competição - principalmente quando os mais directos rivais contam por vitórias todas as partidas - acarreta sempre um grau de pressão adicional para quem tem a obrigação de defender o título.

Infelizmente para os apaniguados do emblema da águia, a derrota em Alvalade encerra episódios de outra natureza: o técnico assumiu riscos que, mais do que o rendimento pontual do colectivo, afectam a identidade do grupo.

Enquanto, no Sporting, José Peseiro privilegiou a estrutura do seu plantel, apostando num onze que traduzia o trabalho desenvolvido nos últimos meses - o mesmo 4-1-3-2 adaptado que constitui aposta desde o início da época -, Ronald Koeman voltou a surpreender na escolha da sua formação.

Faço, aqui, um pequeno hiato para esclarecer algo que a generalidade dos analistas teima em não perceber: os leões mantêm o 4-1-3-2 que lhes serviu de base no último ano, embora seja possível observar que o comportamento da equipa se altera em função da transição ofensiva. Ou seja, a estrutura continua a ser a mesma - quatro defesas, um médio defensivo, uma linha de três centro-campistas e dois avançados - embora, depois da recuperação de bola, se possa desdobrar num 4-3-3, com total mobilidade para os homens da frente: Douala, Deivid e Liedson.

Assim, é totalmente absurdo que praticamente todos os órgãos de informação tenham apontado para a titularidade de Wender: nunca foi, sequer, equacionada. O 4-3-3 de base não será a solução, apenas a alternativa.

No que ao jogo diz respeito, parece-me que o resultado acaba por se ajustar àquilo que os contendores produziram (com o já referido grau de felicidade a favorecer os leões), pese embora o facto de nenhum dos dois ter logrado realizar grande exibição.

Importa, contudo, analisar a forma como o Benfica abordou o encontro. O técnico holandês voltou a insistir em três centrais, entregando os flancos a João Pereira e Nélson - as indicações sucederam-se durante a semana mas, confesso, não acreditava muito nesta opção - mas as surpresas estavam guardadas para outros sectores: no meio-campo, Karagounis foi titular e, na frente de ataque, Miccoli surgiu como (falso) ponta-de-lança - relegando Nuno Gomes para o banco - enquanto Carlitos garantia um lugar no onze à custa de Geovanni.

Independentemente de questionáveis do ponto de vista táctico, as escolhas de Ronald Koeman suscitam sérias dúvidas no que à gestão do plantel diz respeito.

Se, no caso de Miccoli, que trabalhou durante toda a semana com o grupo, existe alguma margem de manobra, a verdade é que as entradas de Karagounis e Carlitos são incompreensíveis e, do meu ponto de vista, graves.

Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador sem qualquer regularidade competitiva conquiste a titularidade num dérbi depois de participar num único treino?! Como poderá um grupo, campeão nacional, aceitar que um jogador, cuja contribuição para a conquista do título foi praticamente nula e que, há poucos dias, era dado como excedentário, seja subitamente promovido a titular num confronto desta dimensão?!

Sou, como os mais assíduos saberão, defensor do trabalho prévio, realizado durante a semana, razão pela qual não valorizo muito as intervenções dos treinadores durante o jogo - o mais importante é, na minha óptica, o "plano A" -, mas não consigo disfarçar a minha surpresa perante algumas alterações promovidas pelo técnico encarnado: se a entrada de Nuno Gomes, ao intervalo, para o lugar de João Pereira, era previsível antes do apito inicial, a inclusão de Alcides numa altura em que o Benfica perdia por 2-1 deixou-me perplexo... Nem um eventual reequilíbrio do sector recuado, já conseguido com a entrada de Beto, justificaria a opção. O homem está muito "à frente"...

Em suma, creio que a vitória sorriu à equipa mais compacta, que dispôs das melhores - e em maior número - oportunidades. O Sporting chegou à vantagem quando ainda existia igualdade numérica, tendo sofrido o golo do empate num lance fortuito. Penso, porém, que o encontro foi condicionado pela expulsão de Ricardo Rocha. Sabendo já que os árbitros e a generalidade dos comentadores concordam com a decisão de Paulo Costa, à luz das mais recentes instruções da FIFA, confesso que a sanção me parece exagerada, sobretudo se tivermos em conta a forma leal como os atletas estavam a actuar até então.

Reconheço a intenção louvável das novas indicações mas, não tendo havido intenção de atentar contra a integridade física do adversário, afigura-se-me como excessiva a decisão de privar o espectáculo de um dos seus intervenientes.

PS - A resposta de José Veiga às declarações de Walter Marques, presidente do Conselho Fiscal dos encarnados, provocam-me uma estranha sensação de "déja vu". As palavras são graves e prometem sérios desenvolvimentos num futuro próximo...

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Amanhã há derby




FORÇA SPORTING !!!!!

Fantasy League - Criticos da Bola

Para fazer concorrências as diveras ligas organizadas da Liga Record.

Podem aceder aqui à competição.

E o código da liga é
2358-1618

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

O novo Benfica

Como queria despachar esta história antes do dérbi, para evitar a influência sobrevalorizada que as prestações individuais sempre têm neste tipo de confrontos, aqui vai a análise encarnada. No que à apreciação individual diz respeito, limitar-me-ei aos recém chegados, remetendo para aqui os interessados em "conhecer" os restantes elementos do plantel.

As primeiras exibições do Benfica de Ronald Koeman têm sido algo incaracterísticas, consequência, a meu ver, inevitável, tendo em conta as diferenças "filosóficas" que separam o holandês do seu antecessor transalpino.

Não é impunemente - como, aliás, aqui pretendi frisar a quando da sua contratação - que se opta por um técnico tendo como critério exclusivo a dimensão da sua reputação. As diferentes formas de estruturar o jogo preconizadas por Camacho, Trapattoni ou Koeman obrigam a apurada sistematização, sendo necessário tempo para que este pobre grupo assimile mais uma mudança radical. Pela terceira vez em pouco mais de três anos, o plantel do Benfica tem de reaprender a jogar futebol.

DEFESA

Tratando-se de um dos mais equilibrados sectores do plantel que conquistou o título, temo que a versão 2005/06 venha a encontrar algumas dificuldades para manter os padrões de qualidade. Entre os postes, a gestão deverá ser o único problema, uma vez que Quim e Moreira oferecem garantias suficientes para todas as competições em que as águias estão envolvidas, conclusão extensível ao eixo da defesa, onde Luisão, Ricardo Rocha e Andersson - mais que Alcides - asseguram qualidade e complementaridade.
Realço aqui um aspecto que me parece importante: independentemente do valor do recém-chegado brasileiro, convém não subestimar a influência das características psicológicas do central português na intensidade do colectivo.
As dúvidas surgem apenas nas laterais: estou - há muito - convencido que Nélson tem tudo para ser um dos melhores laterais portugueses mas, por enquanto, está longe de ser Miguel, enquanto, no lado esquerdo, permaneço céptico no que à utilidade de Léo diz respeito.
Excepção feita aos centrais, a envergadura física é um problema.

Nélson - Sou, há muito, um admirador das qualidades deste jovem atleta. A sua versatilidade permite-lhe actuar em qualquer dos flancos - embora prefira vê-lo na direita. Rápido, possante e dotado no aspecto técnico, tem tudo para se impor de imediato numa equipa onde os padrões de exigência são elevados para os estreantes.

Léo - Foi "vendido" como internacional brasileiro mas, tal como a tantos outros, esse é um estatuto que só com muito boa vontade lhe pode ser atribuído. Não deverá constar do generoso lote de opções para a sua posição no "escrete" e, no Benfica, vai encontrar na sua baixa estatura um problema crónico, até porque a envergadura física do onze terá de ser uma preocupação de Koeman, tendo em conta as características dos restantes elementos do plantel. Note-se que não quero com isto dizer que não se trata de um bom jogador, apenas pretendo "avisar" aqueles que esperam que o lateral-esquerdo "faça a diferença". É rápido e evoluído tecnicamente.

MEIO-CAMPO

Vamos resolver, de uma vez por todas, uma questão que já me enerva. Desde Valdo e Rui Costa que os encarnados convivem com um fantasma: não há quem não garanta que o Benfica precisa de um "camisola 10". Não há pachorra! Alguém é capaz de me dizer que equipa, no "mundo ocidental", utiliza um elemento nessas funções?! E, já agora, quantos jogadores com essas características existem no mundo?! Assim de repente, só me lembro de três, e desses, só um exerce a missão com regularidade.
Aquilo de que o Benfica precisa, neste sector, é de alguém que contribua para a gestão da manobra ofensiva e aumente a qualidade da circulação de bola. Karagounis pode vir a ser uma solução para este problema, bem como Karyaka.

Karyaka - Sei que os apaniguados do emblema da águia não estão encantados com o russo, mas continuo convencido da sua qualidade. Não será, certamente, um fora-de-série, mas acredito que possui características que podem vir a ser muito úteis ao colectivo. Em 4-3-3, com um "triângulo" aberto, pode preencher o vértice esquerdo com um lote completo de soluções: qualidade de passe e ocupação do espaço ao centro ou preenchimento do corredor, em função das movimentações de Simão. Ao lado de Manuel Fernandes, ou mesmo de Karagounis, numa versão mais arrojada, oferece outra dimensão a uma tentativa de implementar um estilo de ataque continuado numa equipa há muito habituada a soluções mais directas.

Karagounis - Uma versão semelhante à anterior, onde ponderação e subtileza são substituídas por velocidade e determinação. Não sendo o "camisola 10" que tantos reclamavam, poderá vir a desempenhar uma tarefa fundamental na reconstrução do meio-campo encarnado. Muito forte na transição defensiva, o sector necessitava de alguém que, além de criar linhas de passe, alternasse o transporte de bola - opção primeira de Nuno Assis - com uma circulação eficaz, sem nunca descurar a segunda linha de pressão no momento da recuperação. A minha única dúvida está relacionada com o errático ritmo de utilização de que dispôs nas últimas temporadas.

ATAQUE

Mesmo evitando a piada fácil dos pontas-de-lança que não chegaram, é impossível fugir a uma realidade: a manifesta insuficiência das opções disponíveis para a função. Uma equipa que se prepara para disputar três competições de enorme exigência - Liga dos Campeões incluída - não pode depender apenas de dois elementos, sobretudo quando estes apresentam um preocupante historial clínico. Ainda assim, caso se mantenha saudável, acredito que Nuno Gomes poderá beneficiar muito da filosofia de jogo que Koeman pretende implantar.
Se, no eixo do sector, a escassez de soluções é um problema evidente, as alas mantêm um elevadíssimo padrão de qualidade, sendo obrigatório constatar o acréscimo provocado pela chegada de Miccoli.

Miccoli - Desde que empenhado nesta sua aventura por terras lusas, o italiano constitui uma inegável mais-valia. Pode actuar em qualquer posição na frente de ataque e tem uma natural empatia com as balizas adversárias. Longe de ser um jogador capaz de imprimir permanente intensidade, parece esperar pela ocasião ideal para "explodir": em poucos metros - e menos segundos - é capaz de conquistar o espaço necessário para fazer a diferença.

CONCLUSÃO

Apesar de manter inalterada grande parte da estrutura que lhe garantiu o título, será necessário aguardar algum tempo para aferir o real valor desta equipa. As novas ideias trazidas por Ronald Koeman necessitam de "sedimentação" mas, tudo indica, o holandês dispõe de um grupo mais equilibrado do que aquele que o seu antecessor orientou. Miccoli é um reforço de qualidade superior, mas a chegada de Nélson, Beto, Karyaka ou Karagounis não serão menos importantes, pois oferecem soluções diversas e complementares. Resta saber até quando a saúde de Nuno Gomes e Mantorras poderá aguentar. Uma última reserva: serão muitas as ocasiões em que o Benfica se apresentará com um onze de baixa estatura, o que lhe poderá valer alguns dissabores, principalmente em lances de bola parada.

PS - Peço desculpa pelo aparecimento tardio deste "post-scriptum" - cerca de 24 horas depois da publicação do post - mas vem colmatar um lapso imperdoável: a abortada transferência de Simão.

Independentemente de o negócio ter sido, numa determinada altura, dado por concluido - por 15 milhões de euros -, cenário que só a pressão de certos grupos veio alterar, parece-me que a permanência do camisola 20 é um indiscutível benefício para os encarnados.

Vender Simão por 3 milhões de contos seria um bom negócio, mas a relação custo/benefício levantava sérios problemas. Ao contrário de Cristiano Ronaldo, à época da sua transferência para Manchester, ou mesmo de Rochemback ou Rui Costa, Simão é a principal referência deste Benfica. Além de ser o melhor elemento do plantel e a fundamental fonte de desequilíbrios ofensivos, é um símbolo cuja substituição seria praticamente impossível.

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Só mais um

A Selecção Nacional está a apenas um ponto da qualificação para o Mundial da Alemanha.

Num mundo ideal, a nação portuguesa estaria envergonhadamente agradecida ao guarda-redes suplente do Sporting Clube de Portugal...

PS - Força Eusébio. Se aguentares mais noventa minutos o recorde estará seguro!

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Inquérito "Criticos da Bola"

Ao que parece Beto, Edson e Custódio não vão recuperar para o derby. Deste modo, Tonel, Tello e Luis Loureiro vão ser titulares. Pelo (pouco) que vi do Sporting esta época, esta situação deixou-me a pensar na seguinte questão:

A que minuto será expulso Loureiro no próximo sábado?

Eu aposto no min. 41.

domingo, 4 de setembro de 2005

QUO VADIS?

(e não vale responder: "bem obrigadinho"...)

Tenho assistido, nos últimos tempos, a um fenómeno curioso que, confesso, me provoca alguma perplexidade.

Alvo de cerradas críticas na Comunicação Social, na blogosfera e nas bancadas de Alvalade, Ricardo foi entusiasticamente apoiado pelos adeptos da Selecção Nacional, quer nos trabalhos de preparação, quer no encontro frente ao Luxemburgo.

Ao que parece, o incentivo resultou.

Pelo contrário, para os lados do Campo Grande, o camisola 76 transformou-se na razão de todos os males e já não há quem não louve as "inúmeras" qualidades de Nélson...

Assim sendo, não posso deixar de me questionar: quem beneficia com os assobios e os apupos?

Qual será, afinal, a cor clubística de quem tanto critica o guardião leonino?

Saberão quem são? Quem apoiam? Para onde vão?

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

O novo FC Porto

Chegou a altura de cumprir o prometido. Encerrado que está o período de transferências, regresso à análise dos plantéis dos três "grandes".

Para evitar conteúdos redundantes, limitarei a abordagem individual aos elementos que não constam do post de Junho.

A chegada de Co Adriaanse provocou uma pequena revolução no seio do dragão, fruto de uma nova abordagem aos princípios de jogo e de rígidos critérios disciplinares. O cunho da mudança fica bem expresso em algumas opções, das quais o afastamento de Jorge Costa e a tentativa de "domesticar" Ricardo Quaresma são paradigma.

DEFESA

Parece-me ser este o sector em que o FC Porto evidencia maiores debilidades. Na lateral direita, o desconhecido Sonkaya não apresentou ainda credenciais que lhe garantam o estatuto de indiscutível mas a presença de Bosingwa poderá conferir estabilidade ao flanco, bem como ajudar o jovem polivalente a encontrar, definitivamente, uma função específica. O principal problema, quanto a mim, estará no eixo, uma vez que dificilmente uma dupla formada por Pedro Emanuel e Ricardo Costa pode ser vista como complementar. Pepe, o único central rápido no grupo azul e branco, peca ainda por enorme imaturidade, pese embora possuir características que lhe poderiam conceder outra projecção. A incógnita paira sobre o lado esquerdo, onde o adaptado César Peixoto tem dado boa conta de si.

Fatih Sonkaya - Pouco ou nada conheço do percurso deste possante lateral e, tendo em conta aquilo que já foi possível observar, confesso que não fiquei muito impressionado. Terá, neste início de época, o benefício da dúvida.

Marek Cech - Aqui sou obrigado a confessar a minha ignorância. Fica apenas uma vaga impressão de um jogo da selecção de Sub-21, mas só o tempo me permitirá formar uma opinião.

MEIO-CAMPO

Se, no que aos nomes diz respeito, não se registam grandes novidades em relação à referida análise anterior, a verdade é que o técnico holandês promoveu mudanças estruturais importantes. Raul Meireles - para meu contentamento - tem sido uma forte aposta para o posto mais recuado enquanto Lucho González vai confirmando tudo o que dele se esperava. Esgotada que parece estar a ideia peregrina de transformar Postiga num organizador de jogo, Diego regressou ao comando de um sector que promete solidez e versatilidade.

ATAQUE

As saídas suplantaram em larga medida as entradas, mas ninguém poderá dizer que o ataque portista carece de opções. Jorginho tem sido utilizado nas alas, confirmando sempre o valor que há muito alguns lhe reconhecem, enquanto Lizandro López vai "conquistando" o lugar de Derlei, no terreno e no coração dos adeptos. O grau de motivação de McCarthy pode, porém, ser determinante para a capacidade de concretização de uma equipa na qual, para já, Ricardo Quaresma parece talhado a desempenhar um papel secundário.

CONCLUSÃO

Parece-me pacífico afirmar que o FC Porto parte mais forte para esta nova temporada. O plantel azul e branco é mais coeso e equilibrado do que na época transacta e os reajustes efectuados permitiram a chegada de atletas de indiscutível qualidade. Se Co Adriaanse conquistar a dedicação e a lealdade do grupo, serão fortíssimos.

Calhaus

O último dia do período de transferências foi, como se previa, animado, mas mais duro do que eu poderia pensar.

Acabei por passar ao lado dessas emoções já que, enquanto se ultimavam as derradeiras transacções, preferiram transportar-me para o hosptital, não fosse eu exercer alguma má influência sobre os inúmeros negócios em curso...

Aparentemente, os meus rins têm tantos calhaus como o plantel dos três grandes e, acreditem, quando um deles tenta sair - só descobri isto hoje, com 30 anos -, é pior do que a venda do Figo ou do Rui Costa.

Percebo melhor as opiniões mais exaltadas de alguns leitores, plenas de dor pungente, que surgem sempre que se projecta a partida deste ou daquele "craque".

Eu, por mim, limito-me a desejar que o calhau que hoje expeli se chamasse Tello, João Pereira ou Cláudio Pitbull.

PS - Tenciono estar em melhor forma nos próximos dias, para analisar o que de importante se passou neste encerramento de mercado.

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

E no último dia... Muda tudo

Afinal, os grandes de Lisboa gostam mesmo de "suspense"...

O Benfica esperou pelo último dia do período de transferências para assegurar os reforços prometidos - e não só - enquanto, do outro lado da segunda circular, um plantel que se pretendia fechado está prestes a sofrer uma pequena... revolução.

Wender é apenas a face óbvia do que poderá ser um leão de cara renovada.

Resta saber se para melhor...

PS - Acredito que os adeptos verde e brancos tenham um valente susto pela manhã, mas não sei quantos ataques cardíacos poderão acontecer entre os encarnados...

sábado, 27 de agosto de 2005

Será que a crise atravessou a segunda circular?

O Benfica perdeu em casa com o Gil Vicente, por 2-0, num encontro que poderia ter resolvido a seu favor, tranquilamente, nos primeiros vinte minutos.

À passagem da segunda jornada, os encarnados contabilizam apenas um magro pontinho, numa altura em que são obrigados a preparar a visita a Alvalade.

Não me parece que se trate de um problema grave, nem muito menos de uma crise, contudo, por "pecados" menores, os vizinhos de verde e branco - nomeadamente o seu treinador - seriam crucificados...

Não vou, certamente - e ainda bem -, ouvir pedidos para que um "período de reflexão" seja imposto a Simão ou Anderson, nem insinuações sobre a guilhotina que pende sobre a cabeça de um treinador que, em apenas dois encontros, deitou cinco pontos pela janela...

Haja bom senso... para todos!

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

O insustentável peso de decidir

Acabo de chegar de Udine, monótona vila perdida num enclave entre Friuli e a Eslovénia e, confesso, não estou lá muito bem disposto...

Habituei-me, ao longo de muitos anos de experiência competitiva, a viver com intensidade os momentos decisivos, já que estes proporcionam sensações e emoções ímpares. Há poucas horas, quando as equipas entravam no relvado, as minhas mãos tremiam e, apesar de não ser o futebol a modalidade que pratiquei, verifiquei, mais uma vez, que isto me está no sangue: tal como em 2003/2004, no Benfica - Lázio, disputado no Estádio do Bessa, daria tudo para trocar de lugar com um daqueles tipos, para ter a oportunidade de voltar a viver um momento daqueles.

A responsabilidade pesa, sim, mas de forma diferente para cada um. Se, para alguns, serve de "combustível", de factor de superação, para outros constitui-se como insuportável fardo. O "triunfo" dos segundos incomoda-me. É um desperdício.

Irritação à parte, uma palavra para as causas do desastre leonino. Tenho, aqui e noutros locais, com assinalável regularidade, defendido o técnico do Sporting e a qualidade da sua equipa. Hoje, como não podia deixar de ser, reconheço os erros do primeiro e o fracasso da segunda.

Este binómio revela uma inquietante tendência para claudicar nos momentos decisivos - podem ler mais aqui, perdoando a recorrente publicidade - e os sintomas da "maleita" foram, em Udine, mais evidentes que nunca.

Ao contrário do que é habitual, José Peseiro condicionou a estratégia em função das características do adversário, optando por incluir Luís Loureiro num onze onde pontificava um meio-campo de "combate" - Sá Pinto, João Moutinho e Rochemback (na meia esquerda?!). Douala, esse, foi fazer companhia a Liedson na frente, procurando ocupar a faixa esquerda.

Apesar de conhecer os motivos que levaram à sua utilização, parece-me um claro equívoco a aposta em Loureiro, um atleta sem ritmo competitivo - não estou para discutir, a esta hora, a qualidade intrínseca do jogador - e pouco ou nada identificado com o elaborado modelo de jogo verde e branco. Os principais lances de perigo gerados pela Udinese no primeiro tempo não tiveram origem em contra-ataques, mas sim em recuperações de bola em pleno meio-campo adversário. À falta de elementos capazes de criar linhas de passe - e/ou utilizá-las -, as tentativas de ultrapassar a primeira linha de pressão dos italianos em progressão esbarravam em erros sistemáticos.

Compensará, num encontro decisivo em que a vitória é uma obrigação, proceder a tantas mudanças estruturais - Loureiro, Douala, Rochemback...? A meu ver, e diria o mesmo antes do apito inicial, a resposta é um rotundo não!

As alterações ao figurino não ficaram, contudo, por aqui. Perante as persistentes situações de igualdade - ou inferioridade - numérica no sector defensivo, Peseiro optou por uma solução que, como revelou no final da partida, já havia sido ensaiada: Luís Loureiro passou a desempenhar as funções de terceiro central, de forma a garantir a presença de três elementos para fazer face às incursões de Di Natale e Iaquinta, enquanto os laterais receberam "ordem de soltura". Conclusão: Rogério, Tello, Edson e, até, Deivid (?!) nunca foram capazes de alargar o futebol leonino e o meio-campo continuou órfão de um "pivot" defensivo que ajudasse ao equilíbrio e apoiasse as linhas de passe.

Ora, se o que mais admiro no que o técnico de Coruche conseguiu em Alvalade se prende com a criação de uma inequívoca identidade colectiva - na época transacta, os leões assumiram-na em terrenos tão difíceis como os de Feyenoord, Middlesbrough ou Newcastle - não posso deixar de ficar chocado com a esquizofrenia de Udine: ao fazer concessões ao adversário numa partida que precisava de vencer, perdeu a iniciativa e, consequentemente, a oportunidade de pressionar - no sentido figurado, bem como no literal. No confronto táctico e psicológico entre o carismático Serse Cosmi e José Peseiro... vantagem de lá...

Em suma, numa ocasião em que bastava vencer para - pelo menos - evitar a eliminação, a excessiva preocupação com as qualidades do oponente hipotecou a qualidade futebolística que tantas vezes aqui louvei.

Consciente que, depois do jogo, é fácil criticar e analisar, esta não deixa de ser uma boa ocasião para clarificar a minha opinião nesta matéria: posso ser o primeiro a apelar ao bom senso quando vejo que uma equipa fez tudo o que estava ao seu alcance para vencer e, até, o suficiente para o conseguir - como o Sporting na final da Taça UEFA ou o Benfica no empate em Leiria - mas não deixo de apontar os erros quando eles existem.

O Sporting não perdeu por ser ingénuo e privilegiar a hipotética qualidade do seu futebol, mas sim porque abdicou dessas características. Ao ignorar a sua identidade, permitiu que a Udinese fosse, efectivamente, melhor e a verdade é que os transalpinos conquistaram uma inédita presença na Liga dos Campeões com inteira justiça.

PS - Sou um confesso admirador das qualidades de Ricardo mas, como é óbvio, o montijense atravessa um período extremamente difícil. Sendo certo que, em dois jogos consecutivos, cometeu dois erros inacreditáveis - enormes "frangos", em bom "futebolês" - a verdade é que está longe de ser o responsável pela eliminação do Sporting. Espero, claro, a crucificação habitual...

terça-feira, 16 de agosto de 2005

Luís Campos

Bem sei que há muito não aparece por aqui um antigo "cliente habitual", mas não resisto a voltar a este tema.

A especulação sobre a duração do consulado dos vários treinadores da SuperLiga tem sido assunto privilegiado na blogosfera e nas redacções dos jornais - as apostas fervem -, mas há outro "mistério" que me parece merecedor de alguma atenção.

Aproveitando para mencionar a Liga Zandinga, louvável iniciativa dos nossos colegas do QQ2 - fui surpreendido pela ausência de acesso à Internet, o que impediu de proceder à minha inscrição - aqui deixo o meu "palpite" sobre os dois técnicos que poderão ter maior dificuldade em segurar o lugar: José Gomes (Leiria) e Norton de Matos (Setúbal).

De qualquer forma, eis o repto que pretendo lançar:

- acham que Luís Campos ainda vai orientar uma equipa da SuperLiga na temporada 2005/06?

segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Lição holandesa

Bem sei que aquilo que me preparo para escrever não é pacífico, nem muito menos presumo estar na posse absoluta da razão. Pelo contrário, trata-se de um tema relativamente ao qual a opinião de cada um diverge em função de valores e princípios inteiramente legítimos, por serem pessoais.

Acredito, porém, que para os adeptos - e agentes - do futebol - e do desporto em geral - o progresso da modalidade deve ser a prioridade, independentemente dos objectivos pessoais ou dos interesses deste ou daquele clube. O que for melhor para a actividade no seu todo trará, inevitavelmente, benefícios aos emblemas nela envolvidos.

Este princípio ultrapassa, no meu entender, a esfera da gestão administrativa e financeira, estendendo-se à área da estratégia desportiva: a forma como uma equipa de um clube de grande dimensão joga não pode ser alheia ao bem-estar da modalidade.

Tenho lido e ouvido diversas opiniões sobre o futebol do Sporting que me deixam confundido, para não dizer chocado. Aos leões são apontadas fragilidades defensivas, problemas de organização e, simultaneamente, deficiências no capítulo da finalização. Ora, se qualquer destas observações é pertinente e legítima, as ilações que daí se retiram são, no mínimo, ridículas.

Quando se aponta a criatividade do sector intermédio e o estilo agradável que caracteriza a filosofia de jogo verde e branca como raiz de todos os males, o meu cérebro recorda instantaneamente as críticas que os mesmos protagonistas dirigiram ao futebol calculista e de contenção que levou a Grécia à vitória no Euro' 2004. Em que ficamos?

O problema do Sporting não é, nem nunca será, a mentalidade ofensiva da sua equipa ou a vontade de agradar ao público que, com assinalável lealdade, acorre às bancadas de Alvalade. Estes devem, aliás, ser parâmetros exigidos pelos dirigentes aos treinadores responsáveis por orientar clubes de topo - no seu universo particular, ou seja, Benfica, FC Porto e Sporting em Portugal, como Real Madrid e Barcelona em Espanha ou Ajax e PSV na Holanda.

A vontade de jogar futebol da forma como este extraordinário desporto deve ser praticado tem de ser mais importante que o imediato sucesso desportivo. Não quero com isto dizer que, perante um encontro decisivo, se sacrifique o resultado a um espectáculo agradável, apenas que, a médio/longo prazo, será sempre preferível construir uma equipa capaz de vencer e encher estádios com um estilo atractivo. Quanto maior for o número de formações a aderir a esta filosofia, maiores benefícios recolherá cada um dos intervenientes nesta actividade.

Utópico? Talvez, mas apenas devido à visão estreita e limitada que os agentes desta indústria - dirigentes, treinadores, empresários, jornalistas e... adeptos - insistem em sustentar.

Recordo-vos que uma das razões pela qual este desporto é capaz de provocar emoções ímpares se prende com a incerteza no resultado: com apenas um erro ou uma acção bem sucedida a separar uma derrota de um triunfo, torna-se possível e, até, frequente, que a melhor equipa não vença. Isto não quer dizer, contudo, que esse conjunto não continue a ser superior e, sobretudo, que o facto de produzir futebol de maior qualidade não lhe permita vencer mais vezes.

Ainda este sábado ouvi um dos técnicos com maior sucesso no futebol actual, Carlos Bianchi, afirmar, em resposta a uma crítica sobre a permeabilidade defensiva do seu Atlético de Madrid, que quem pretende implementar uma mentalidade ofensiva tem de estar preparado para sofrer golos.

Continuando no campo das referências, lembro-me também de uma máxima muito do agrado de um treinador holandês que deixou uma marca indelével no futebol mundial - e na minha forma de conceber esta modalidade: "Não me importo que a minha equipa sofra nove golos, desde que marque sempre mais um do que o adversário". Não me refiro, infelizmente, a nenhum dos representantes do País Baixo na nossa SuperLiga - embora, como eu, tenham sido por ele influenciados - , mas sim a Johann Cruyjff.

quinta-feira, 11 de agosto de 2005

Ui... dinese

Antes de mais, penitencio-me pela falta de aviso relativo a esta ausência prolongada, motivada por um (demasiado curto) período de férias. Tencionava manter-me em contacto com a blogosfera mas uma inesperada dificuldade de acesso à Internet não mo permitiu.

Regresso ao trabalho no dia seguinte à estreia do Sporting em encontros de carácter oficial apenas para verificar que, para já, pouco mudou entre os leões no que à relação qualidades/lacunas diz respeito.

Do muito que já tenho lido sobre a partida frente à Udinese e sobre o futuro desta pré-eliminatória, sinto-me inclinado a fazer alguns comentários.

Estava, desde o momento do sorteio, apreensivo quanto ao desfecho do embate que pode permitir o acesso à Liga dos Campeões mas, ao contrário do que muitos poderão pensar, não encaro com qualquer sombra de fatalismo o que falta disputar desta eliminatória.

Sendo verdade que, apesar de razoavelmente inofensiva durante os noventa minutos, a formação italiana garantiu uma vantagem importante para a segunda mão, a inoperância ofensiva dos homens de Udine, provocada pela pressão exercida pelos verde e brancos, deixa antever um interessante desafio às suas capacidades na condição de anfitriões.

Creio que todas as decisões estão ainda em aberto e, tendo em conta o volume ofensivo garantido pelo Sporting em Alvalade - mais de 70 por cento de posse de bola e inúmeras oportunidades de golo - será difícil aos transalpinos aguentar mais 90 minutos sem sofrer qualquer golo.

Uma palavra ainda para as ausências de Rochemback e Edson: ao contrário do que sucedia na época transacta, é no meio-campo - fundamentalmente sobre os flancos - que as opções são, de momento, limitadas, razão pela qual os dois brasileiros poderiam dar outra dimensão ao futebol do Sporting - com Edson, Tello (péssimo, ontem) seria opção para o "miolo" ou vice-versa.

Este dado é tão mais importante quanto se refere a dois elementos que desempenham um papel preponderante na execução de lances de bola parada. É, seguramente, difícil preparar tão importante disputa durante tanto tempo e, em cima da hora, perder opções fundamentais na estratégia montada.

A "hora da verdade", neste caso, são três - 180 minutos, para os mais distraídos - e só em Itália se ficará com a verdadeira imagem deste novo leão. O tempo para solidificar os processos, contudo, escasseia...

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Pequena análise aos 3 grandes

Estou de volta. Após algum tempo de prolongada ausência, por motivos profissionais, volto com um pequeno post a analisar o estado dos três maiores clubes portugueses. Sei que não tenho a capacidade de análise e a excelência da escrita do meu amigo Jean, mas gosto de dizer uns disparates por isso aqui vai uma pequena análise aos três grandes após a pré-temporada.

Sporting
Pelo que tenho visto não está pior do que na época passada. As saídas não foram tantas como se esperavam e os poucos reforços que apareceram (principalmente Deivid e Edson) parecem ser bastante úteis. A minha maior preocupação está nos defesas centrais. O ano passado não estiveram bem e este ano sem Enakarihre temo o pior. Falta um jogador de classe para jogar ao lado de Beto. De resto, Edson parece ser um bom substituto para Rui Jorge (ainda por cima marca golos), o meio campo apesar das saídas continua com bastantes soluções, e o ataque está mais forte com a entra de Deivide (especialmente mais forte se deste modo não tiver que jogar o Sá Pinto).

Porto
Ainda é para mim uma incógnita, o potencial desta equipa. Parece ter muitas soluções do meio campo para a frente e por vez pratica bom futebol. No entanto não podem jogar todos, o que pode vir a trazer confusão no balneário, e a defesa não me parece ter a força de outros anos. Espero que quando as coisas começarem a correr mal comecem todos as cabeçadas e a equipa se destrua.

Benfica
O campeão nacional parece-me o mais forte dos três. Aproveitando a receita da venda de Miguel, contratou Tomasson e Kalou e tem agora um ataque temível. Juventus e Chelsea já sentiram bem o poderio ofensivo desta equipa. De resto, Beto parece uma boa (surpreendente) contratação e a defesa parece a mais segura dos três grandes, com várias alternativas, especialmente no centro da defesa, onde possuem 4 boas alternativas.

Bem, venham os jogos oficiais... FORÇA SPORTING!!!!!

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Volta Dalau!

Além da evidente solidão - abandonaram-me na produção deste blog -, os pedidos de inúmeras famílias espalhadas pela blogosfera obrigam-me a esta humilde súplica:

Volta Dalau!!!

Os habituais leitores e todos aqueles que apreciam o sentido de humor cáustico aguardam impacientemente pelo regresso do fundador e administrador do Críticos da Bola.

Aparece, não tenhas medo, ninguém te vai fazer mal...

domingo, 24 de julho de 2005

Protagonismo

Quem lê o que aqui - e noutros locais - costumo escrever sabe bem que não concordo com a postura da generalidade dos dirigentes dos clubes portugueses mas, também, que tenho sustentado a forma de agir dos responsáveis do Sporting.

Tenho mesmo sido "acusado" de defender a estrutura da SAD verde e branca, que tantas convulsões recentes sofreu, num momento em que constituíam um alvo fácil para a crítica.

Há, porém, coisas que dificilmente poderei entender e o processo de contratação de Deivid é, seguramente, uma delas.

Independentemente das considerações possíveis sobre a oportunidade de adquirir o avançado brasileiro - sugiro, para uma mais aprofundada discussão sobre o assunto, uma visita ao Sector B32 - importa aqui analisar o que se passou nos dias que antecederam a chegada do novo leão.

Li, em vários locais da blogosfera, elogios à discrição que envolveu o negócio, opinião da qual não posso partilhar. Ainda na quarta-feira, à partida para a Escócia, Paulo Andrade, administrador-executivo da SAD, fez, perante os microfones dos jornalistas presentes no aeroporto de Lisboa, alusões à iminente contratação de "um nome sonante", sem que sobre tal tivesse sido, sequer, questionado. As considerações relativas ao mesmo tema prosseguiram em Glasgow, tendo mesmo sido divulgado o nome do jogador em causa, numa altura em que o vínculo não tinha ainda sido assinado. Aliás, não deixa de ser curioso que a hora agendada para a apresentação de Deivid tenha sido alterada de forma a que alguém pudesse aparecer na fotografia...

Parece-me, no mínimo, pouco prudente, quando o caso recente da contratação falhada de Tomasson por parte dos rivais da segunda circular estava ainda bem fresco na memória do público, tomar a iniciativa de promover uma transferência eventual, a menos que quem o faça tenha interesse em assegurar que o seu nome fica, aos olhos dos adeptos, vinculado ao do novo reforço.

Qual deverá ser, afinal, a principal prioridade de um administrador de uma SAD? A sua visibilidade pessoal ou o sucesso colectivo da empresa?

Expressei, no passado, a minha opinião sobre os aspectos negativos na gestão desportiva da SAD verde e branca durante a passada temporada, relativos à ausência de uma presença forte junto do plantel, que fosse capaz de sair publicamente em defesa deste, nos momentos de maior dificuldade. Ora, se me parece que Carlos Freitas, então director-geral para o futebol profissional, deveria ter desempenhado com maior frequência esse papel - salvaguardando condicionantes ou melindres internos que, ignorando, não posso avaliar -, por maioria de razão a crítica se estende ao administrador-executivo.

As intervenções sorridentes, que coincidiam com as vitórias ou com qualquer nova contratação prometedora, não substituem a necessidade de dar a cara na hora da derrota - ou da dispensa de jogadores com longo e rico percurso.

A verdade é que ninguém poderá acusar o antigo director-geral de chamar a si o protagonismo que a sua acção na construção dos planteis lhe poderia garantir, nem muito menos de publicitar as suas intervenções no mercado, muito pelo contrário. Há coisas que não vale a pena mudar...

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Jon Dahl

As razões que levaram Jon Dahl Tomasson não terão sido muito bem explicadas. Houve quem tivesse mesmo insinuado que o jogador não tinha vindo para o SLB por questões financeiras. Para mim parece-me obvio que o que levou Tomasson a não vir para o Benfica foi o seu desejo de permanecer em Itália, perto da sua familia...

domingo, 10 de julho de 2005

Valha-nos Deus...

Sendo certo que, durante muito tempo, os clubes exerceram uma injusta tirania sobre os seus funcionários - leia-se jogadores -, a verdade é que, nos dias que correm, a entidade patronal corre enormes riscos no que aos direitos desportivos dos seus atletas diz respeito.

As situações de ruptura entre atletas e os emblemas aos quais estão contratualmente ligados são cada vez mais frequentes e, por mais estranho que pareça, com a total cumplicidade da todo-poderosa organização que tutela o futebol - a FIFA. As instâncias superiores, responsáveis pela regulamentação da modalidade, tomaram o partido dos atletas e preferem ignorar a relação contratual ou, pelo menos, evitar as justas e juridicamente adequadas indemnizações. Como se tal não bastasse, numa postura inaceitável, desaconselham e penalizam (?!) o recurso a tribunais civis, os únicos que, no plano teórico, teriam a independência e a competência necessárias ao juízo destes litígios.

Assim, a inaceitável postura de atletas como Miguel ou Enakarhire - chegou, mas nem por isso alterou a inconcebível atitude, devendo mesmo abandonar Alvalade - poderá tornar-se a regra, pois a via litigiosa apresenta-se como privilegiada quando as ofertas provenientes do exterior são demasiado tentadoras.

Por estas e outras razões, a chegada de milionários com fortunas de origem duvidosa - e a correspondente distorção do mercado de transferências - ameaça uma estrutura internacional que, fruto da evolução da conjuntura económica, estava em fase de adaptação a novas realidades.

Com uma limitada visão do fenómeno, a cúpula que dirige a modalidade nada faz para travar a inversão da tendência racional que, nos últimos anos, tinha atingido os principais campeonatos do Velho Continente. Em risco está a independência e a própria identidade dos clubes que, quer se queira quer não, são os "geradores" da emoção que faz do futebol o desporto-rei.