terça-feira, 7 de junho de 2005

FC Porto 2005/06

Depois de, nos últimos tempos, se ter dedicado à vertente financeira, à política desportiva e às convulsões na "cúpula dirigente" leonina, este blog regressa ao futebol propriamente dito.

Proponho-me a, nos próximos dias, fazer aqui uma primeira análise aos planteis dos três "grandes". Numa altura em que o mercado de transferências ainda permite muitas evoluções, importa verificar quais as necessidades dos crónicos candidatos ao título nacional.

Assim, por sectores e individualmente, com os dados de momento disponíveis, começo, hoje, pelo FC Porto.

Trata-se aqui de uma mistura de informação com opinião e, em relação a esta segunda vertente, não estou à espera que concordem comigo...

GUARDA-REDES

Sendo este um sector onde a qualidade dos elementos disponíveis era já uma garantia, o FC Porto optou por contratar mais dois "especialistas". Paulo Ribeiro deverá defender a baliza da equipa B, mas a chegada de Hélton não deixa de surpreender, uma vez que constitui um obstáculo à afirmação de um indiscutível talento. As mudanças, porém, não deverão obstar a que, uma vez mais, Baía seja "senhor" do lugar.

CONFIRMADOS

Vítor Baía - Será, provavelmente, o único dragão a poder reclamar uma boa prestação durante a temporada agora finda. Sobra-lhe em qualidade e experiência o que lhe poderá faltar em carácter e profissionalismo, sendo praticamente certa a sua permanência entre os postes, como indiscutível titular. Continua a ser uma garantia.

Hélton - Chegou numa altura em que Baía estava a ser aliciado pelos milhões russos, mas terá de se contentar com a sombra do "eterno" 99. Felino entre os postes - sobretudo nos jogos mais mediáticos - terá de apagar a imagem errática deixada pelos inúmeros exemplos de desconcentração. Tenho sérias dúvidas em relação à sua capacidade para defender a baliza de um grande.

Paulo Ribeiro - Chega para ocupar o terceiro lugar entre os candidatos à baliza e, entretanto, preencher a vaga deixada em aberto por Bruno Vale na equipa B.
Não me parece que venha acrescentar nada ao plantel azul e branco.

SAÍDAS POR CONFIRMAR

Nuno - Poucos conhecerão tão bem a sensação de ver uma partida a partir do banco de suplentes. Desempenhou o seu papel, mas já ninguém acredita que possa ser uma alternativa na sucessão a Vítor Baía. Deverá dizer o adeus definitivo ao dragão e, quem sabe, talvez consiga jogar antes de terminar a carreira...

Bruno Vale - "Conquistou" um lugar na ribalta do futebol português graças à falta de profissionalismo e bom senso do senhor Scolari, mas merecia muito mais. O titular dos Sub-21 é um guardião de enorme talento e, por ser um "produto" da casa, seria, a prazo, a melhor aposta para "exorcizar" o "fantasma" de Vítor Baía. Para já, precisa de jogar e o futuro imediato deverá passar pelo empréstimo.

DEFESA

Trata-se de um sector em remodelação, sobretudo no que ao lado direito diz respeito. A saída de Seitaridis obriga à contratação de um defesa-direito, enquanto, no eixo, a experiência de Jorge Costa e Pedro Emanuel servirá de apoio ao "crescimento" de Ricardo Costa. A principal lacuna identificável terá de ser um factor no momento de escolher os reforços: falta velocidade.

CONFIRMADOS

LATERAIS

Nuno Valente - Só mesmo Mourinho para fazer dele campeão europeu... Sujeitando-me às críticas dos seus defensores, confesso que a minha opinião sobre ele não mudou. Nuno Valente é um jogador banal que, na ausência do "mestre", revela as suas limitações - as suas prestações ao serviço da Selecção são disso um bom exemplo. Não quero com isto dizer que não possa desempenhar com aproveitamento razoável as suas funções, desde que enquadrado numa formação organizada. Apenas que não é, nem será nunca, uma referência na sua posição. Se as lesões o deixarem, deverá ser titular.

Leandro - Chegou com rótulo de reforço, mas não foi capaz de demonstrar as qualidades necessárias ao colmatar das lacunas existentes na ala esquerda da defesa. Fica por saber se terá mais e melhores oportunidades para convencer os adeptos durante a próxima temporada.


CENTRAIS

Jorge Costa - O "Bicho", tal como Baía, parece eterno. Sendo verdade que o estatuto que conquistou lhe concede os favores da arbitragem, o seu espírito competitivo, aliado à capacidade de liderança, fazem dele, ainda hoje, uma referência do futebol português. Dizia-se que estava acabado e apenas tinha sobrevivido "ao colo" de Jorge Andrade e Ricardo Carvalho, mas demonstrou que o saber acumulado ainda lhe garante um posto de destaque na defensiva portista.

Pedro Emanuel - As suas características permitiram-lhe personificar o espírito de um "jogador à Porto" e, beneficiando dessa atitude, conseguiu que muitas das suas limitações fossem negligenciadas pela crítica e pelos adeptos. "Vive" do sentido de posicionamento mas falta-lhe a sabedoria de Jorge Costa na utilização do poder físico para disfarçar a lentidão. Será sempre útil, mas o "Bicho" precisa de alguém mais rápido a seu lado.

Ricardo Costa - Convenceram-no de que seria o novo Fernando Couto mas, na minha modesta opinião, está a anos/luz da qualidade que este evidenciava na sua idade. Tem na polivalência um dos principais atributos mas terá de conquistar um lugar no centro da defesa para atingir todo o seu potencial. O futuro dependerá, porém, da forma como a sua personalidade se desenvolver. O que se passou no Europeu e nos Jogos Olímpicos não se pode repetir.

Pepe - Há quem diga que, no FC Porto, com a permissividade das arbitragens, qualquer defesa de destaca. Pepe é o melhor argumento contra este preconceito. Muito dotado do ponto de vista físico e senhor de razoável técnica individual, o brasileiro peca pelo deficiente posicionamento e pela incapacidade de gerir as emoções. Tem margem de progressão, mas só a poderá aproveitar se admitir os seus defeitos e demonstrar vontade de os corrigir.


SAÍDAS POR CONFIRMAR

Areias - Um verdadeiro erro de "casting". O "amigo" de Boloni permaneceu toda a temporada num plantel do qual Rossato foi dispensado. Incompreensível. Deverá sair para não mais voltar.

Bruno Alves - A melhor solução para o FC Porto poderá passar pelo aproveitamento do interesse que este central granjeou entre alguns clubes ingleses. Dá nas vistas pela forma aparatosa como disputa as bolas pelo ar e as perde rente à relva. Um "bluff" em que os dirigentes azuis e brancos não devem acreditar.

MEIO-CAMPO

O sector intermédio foi alvo de uma verdadeira revolução. Depois de Deco e Pedro Mendes, o meio-campo dos campeões europeus sofre agora a derradeira transformação, confirmadas que estão as saídas de Costinha e Maniche. A qualidade dos intervenientes está, porém, assegurada, embora me seja impossível entender o teor de certas opções. Nas mãos de Co Adriaanse está a tarefa de configurar uma disposição táctica que permita enquadrar os atletas disponíveis. Para já, contudo, o desequilíbrio (por excesso) parece evidente, sobretudo no que ao posto de médio ofensivo diz respeito.

CONFIRMADOS

MÉDIOS DEFENSIVOS

Bosingwa - Voluntarioso e frequentemente sacrificado às necessidades do colectivo, o internacional Sub-21 estancou na sua evolução. A versatilidade deixou, no meu entender, de ser um trunfo pessoal para passar a constituir-se como um travão à definição das suas características. Hoje, poderá ser capaz de "desenrascar" em diversas posições - desde lateral a extremo, passando pelo centro do terreno - mas não me parece talhado para conquistar um lugar cativo em qualquer uma delas. Necessita de apoio urgente - e consequente definição de funções - para solidificar o seu futebol.

Raul Meireles - Sou um confesso admirador das suas qualidades, razão pela qual me surpreendeu que não tivesse merecido mais atenção de Vítor Fernandez. Voltou a ser opção com a chegada de Couceiro mas terá de adequar o seu futebol às exigências do FC Porto se quiser lutar por um lugar no onze, sob pena de não corresponder às expectativas em si depositadas. Talento não lhe falta.

Paulo Machado - Será, porventura, o atleta oriundo dos escalões de formação com maiores possibilidades de corresponder às exigências do futebol profissional. Jogador completo e inteligente, já granjeou um apreciável número de admiradores, entre os quais se conta... Ricardo Quaresma. Merece oportunidades.

Sandro - Entramos no campo das opções difíceis de entender. A saída de Costinha poderia aconselhar ao reforço da posição, mas as soluções disponíveis no plano interno parecem-me mais do que suficientes para suprir as necessidades. Trata-se de um jogador experiente, com qualidade, mas que, no meu entender, nada de novo traz ao plantel.

Lucho González - É, para já, o principal investimento azul e branco do defeso. Apontado como um dos futuros representantes da elite do futebol argentino, este médio poderoso ganhou notoriedade à custa da capacidade evidenciada entre as duas áreas, terrenos que galga com surpreendente facilidade. Mais do que um "trinco", Lucho personifica o moderno "box-to-box", sendo apenas necessário perceber se conseguirá fazer o mesmo "ao som" do mais intenso ritmo do futebol europeu. Apresenta-se como candidato a ser uma das novas referências do Campeonato.

Paulo Assunção - Os dirigentes azuis e brancos garantem que deverá fazer parte do plantel, mas dificilmente o médio "roubado" ao Sporting será capaz de ultrapassar a concorrência. A sua principal virtude estará na capacidade física.

MÉDIOS OFENSIVOS

Ibson - Poderia estar inserido na categoria anterior mas a preponderância que assumiu na construção da manobra ofensiva na segunda metade da temporada aconselhou-me a inclui-lo entre os "ofensivos", salvo seja... Veio no mesmo "barco" que trouxe nomes bem mais sonantes mas, depois da natural desconfiança de quem não o conhecia, demonstrou ser uma verdadeira mais-valia. Inteligente na gestão da posse de bola, abnegado na entrega ao jogo e bem mais disciplinado no plano táctico do que a esmagadora maioria dos seus compatriotas, o médio do Flamengo foi uma agradável surpresa e será um dos valores seguros no arranque da próxima época.

Diego - O facto de ter sido primeiro jogador desde Pelé a vestir a camisola 10 do "escrete" aos 17 anos catapultou-o para a ribalta do futebol mundial. Este fenómeno "nascido" no Santos - o mesmo clube do referido "Rei" - provocou, com o seu ex-companheiro Robinho, a cobiça dos maiores colossos do Velho Continente mas foi ao Dragão que os milhões da Liga dos Campeões o destinaram. É capaz de coisas que só estão ao alcance dos predestinados, mas ninguém se pode esquecer que se trata de um atleta muito jovem, com enorme margem de progressão, a quem não se pode pedir que "carregue" uma equipa como o FC Porto - como fez, e mal, Luiz Fernandez. Na Europa, é obrigado a jogar mais longe da baliza, com maiores responsabilidades no momento de recuperar a bola, sendo necessário tempo para que se possa adaptar e "crescer".

Leandro do Bonfim - Precedido pela reputação de "craque", não confirmou o estatuto nas raras aparições no onze, embora, em seu benefício, seja necessário dizer que estas se deram sobre a esquerda do ataque, que não é o seu terreno preferido. O problema pode passar mesmo por aí: médios organizadores, que preferem actuar soltos, à frente do sector intermédio, não têm muito espaço no futebol moderno, dado agravado pela coexistência com atletas com preferências semelhantes, como Diego, Jorginho, Hugo Leal ou Leo Lima. Muita gente para um posto onde, quando muito, só um poderá actuar (admito apenas, com reservas, uma eventual compatibilidade com Diego).

Jorginho - Há várias épocas que desejava ver Jorginho num clube com maiores ambições. Trata-se de um atleta de invulgar talento, que chegou a Portugal numa fase precoce da carreira, depois de ter representado, com assiduidade, os escalões jovens da selecção brasileira. No FC Porto, terá como obstáculo o "sobrepovoamento" da sua posição natural, razão pela qual poderá conhecer muitos minutos nas alas, ou numa zona mais próxima do ponta-de-lança. Rápido a pensar e a executar, possui os argumentos próprios de um jogador decisivo. Resta apenas saber se não passou demasiado tempo num clube de média dimensão.

DÚVIDAS

Leo Lima - Médio ofensivo de enorme capacidade técnica, falhou no Dragão, tal como já tinha fracassado em experiências semelhantes. A solidez psicológica e a postura profissional nem sempre acompanham o talento... Deverá sair sem glória.

Hugo Leal - Um favor a Jorge Mendes abriu-lhe as portas do Dragão mas, como em Madrid, o médio formado na Luz não esteve à altura das exigências. Duvido que alguém tenha ficado surpreendido...

ATAQUE

Se, no meio-campo, se procedeu a uma "revolução", o ataque será alvo de um mais conservador "golpe de estado". Isto porque, apesar da garantida continuidade de elementos fundamentais - como Postiga ou Quaresma -, a iminente saída de Benny McCarthy assume inegável relevo. Com "Big Benny" a fazer as malas e Luís Fabiano a caminho de Sevilha - por este "Fabuloso" não se derramam lágrimas - a "face" ofensiva do dragão será, certamente, bem diferente: Lizandro Lópes e Alan são reforços.

EXTREMOS

Quaresma - Não se pode pedir demais... Não queriam, certamente, que, depois de lhe ter concedido tamanhos dotes futebolísticos, Deus lhe desse também um cérebro?! Ironias à parte, o "mustang" que Boloni lançou no Sporting e Mourinho gostaria de "domar" foi, nesta primeira época de azul e branco, fiel a si próprio. Decisivo quando aplica o seu fantástico talento de forma objectiva, mas errático e discreto quando as coisas não lhe correm de feição. Se algum dia descobrir a forma correcta de gerir criatividade e empenho, será imparável. Para já, não deixa de ser, confirmada que esteja a saída de McCarthy, o principal foco de desequilíbrios no ataque dos dragões.

Ivanildo - Veloz e dotado de boa técnica individual, foi aposta de José Couceiro na sua curta passagem pelo Dragão e despertou o interesse dos adeptos. O seu potencial é inegável, mas não me parece ainda preparado para este nível competitivo. Deverá dispor, progressivamente, de algumas oportunidades.

Bruno Gama - O minhoto que, no passado, já tinha sido dado como certo na Luz, começa a abrir a porta do plantel principal. Tendo na capacidade técnica e no drible os seus principais atributos, o extremo deverá, aos poucos, fazer algumas aparições entre os mais "graúdos". É um valor a seguir com muita atenção.

Alan - Ao serviço do Marítimo cedo deu nas vistas, criando desequilíbrios pelas alas, mas foi a consistência do seu rendimento que me alertou para a possibilidade de, um dia, chegar a um dos três grandes. O FC Porto foi quem nele apostou e, caso Co Adriaanse opte pelo 4-3-3, pode vir a revelar-se uma excelente aquisição.

César Peixoto - Mais um que estava distraído durante a divina distribuição dos neurónio... O futebol português espera há muito por um esquerdino que faça jus a uma ilustre linhagem de extremos de enorme qualidade e, apesar de ter as características necessárias ao preenchimento dessa lacuna. César Peixoto arrisca-se a passar ao lado da glória. Bem sei que Isabel Figueira pode ser uma poderosa distracção, mas a verdade é que aquela cabecinha continua a ser o maior obstáculo à concretização das promessas do seu talento...

PONTAS-DE-LANÇA

Hélder Postiga - Falando em neurónios... Ninguém questiona o seu potencial mas, por alguma razão a sua saída para o Tottenham foi "aplaudida" por José Mourinho. Tem qualidades para se tornar no melhor ponta-de-lança português mas tarda em explorá-las convenientemente. Na próxima época, sem a concorrência de "Big Benny", terá a sua prova de fogo.

Lizandro López - "Oferecido" a Benfica e Sporting, o avançado argentino só estava ao alcance da "bolsa" dos azuis e brancos. Apontado como esperança do futebol das Pampas, tem na mobilidade a sua principal arma e, apesar de não ser um verdadeiro "homem de área", pode vir a ser um reforço de peso, sempre e quando seja capaz de se adaptar ao "estilo" europeu.

Sokota - Na sequência da boa tradição portista, os "proscritos" na Luz encontram no Dragão um abrigo seguro. Assim, "O Melhor Ponta-de-Lança do Mundo Sem Calcanhares a Jogar de Costas Para a Baliza" já foi apresentado e é reforço para 2005/06. Excelente profissional e excelente pessoa, Tomo Sokota está condicionado por um problema crónico nos tendões de Aquiles mas poderá ser um elemento útil. Não esperem, porém, muitos golos do croata.

Hugo Almeida - Quando é que alguém irá apostar, com confiança e continuidade, neste avançado? A sua integração no plantel está longe de ser certa, mesmo quando se trata do único "produto" da formação lusa com características de verdadeiro ponta-de-lança. Impressionante presença física, forte no jogo aéreo e lesto no remate, Hugo Almeida já merecia mais e melhores oportunidades...

DÚVIDAS

Marco Ferreira - Um forte pontapé, uma fraca cabeça e um Ferrari... O extremo que o FC Porto foi buscar a Setúbal teima em não "crescer" e, tendo em conta o mau ambiente que faz questão de criar por onde passa, deve receber a "guia-de-marcha".

Bruno Moraes - A passagem por Setúbal permitiu-lhe uma significativa evolução mas é provável que o seu futuro passe por novo empréstimo. Tem potencial mas precisa de ganhar maior dimensão para ter lugar entre os dragões.

Jankauskas - Outro avançado com crónicos problemas físicos. Não conheço a intenção dos responsáveis azuis e brancos a seu respeito, mas dificilmente fará parte do plantel. É, no entanto, um ponta-de-lança muito útil e experiente.

McCarthy - É, a par de Liedson - com enorme distância para quaisquer outros -, o melhor ponta-de-lança da SuperLiga. Poucos possuem a sua capacidade para decidir, em segundos, o destino de uma partida. Parece estar de saída, o que, a confirmar-se, será uma baixa difícil de colmatar.

Cláudio Pitbull - Há um jogador, no plantel do FC Porto, que a ele se refere como "o oitavo anão da Branca de Neve"... Oitavo, porque nem entrou no filme... Se não fosse o dinheiro que pagaram por ele, seria uma anedota.

quinta-feira, 2 de junho de 2005

Política desportiva

Vamos então debruçar-nos sobre a política desportiva do leão.

Em primeiro lugar - para mal dos meus pecados, que estou farto de escrever sobre "pasta" - é necessário perceber que, hoje, é impossível dissociar a política desportiva das condicionantes financeiras, sendo que, muitas vezes, estas se sobrepõem, por pura necessidade, às teóricas prioridades da anterior.

Sendo certo que muitos são os erros que têm sido cometidos, convém desmistificar algumas ideias preconcebidas.

Por mais que, desportivamente, fosse aconselhável a manutenção dos grandes talentos provenientes da formação, a verdade é que a actual conjuntura económica do Sporting - e da actividade em si - não o permite. Nenhum clube português - vou repetir: nenhum clube! - pode recusar propostas milionárias por atletas oriundos dos escalões de formação. É, pura e simplesmente, impossível! Não é questão de opção!

Pode dizer-se que Cristiano Ronaldo, por exemplo, poderia ter feito mais uma época em Alvalade. Pois podia, e era suposto que tal acontecesse. Afirmar que, ficando, poderia depois ser vendido por 20 ou 30 milhões é, contudo, profundamente irrealista.

Chegamos então ao segundo aspecto: como se convence um jogador que ganha, na melhor das hipóteses, 4 ou 5 mil contos por mês, a recusar os 20, 30 ou 40 mil com que lhe acenam os colossos do futebol europeu? Como se recusam hoje 10 ou 15 milhões, sem saber o que poderá acontecer amanhã?

Para quem pede exemplos, deixo o de Dani. O médio/avançado/modelo/actor/quero-gajas/quero-todas-as-que-conseguir-aguentar tinha, aos 17 anos, mais talento do que qualquer dos que eu vi com a sua idade - Quaresmas, Ronaldos, Figos e Ruis Costas incluídos - e, no ano em que foi lançado na equipa principal, levou à "loucura" olheiros dos maiores emblemas desta Europa. Os dirigentes do Sporting foram intransigentes, Dani ficou (contrariado) e, com o tempo, perdeu-se.

Outro facto que tem de ser analisado com algum equilíbrio está relacionado com os jogadores formados em Alvalade que, hoje, estão ao serviço de emblemas rivais. Compreendo que tais incidências provoquem uma reacção emocional, mas é preciso não perder a noção da realidade. Se falamos de Simão ou Quaresma, temos de recordar que foram vendidos por somas apreciáveis e que, se hoje estão no Benfica ou no FC Porto, é porque esses clubes pagaram valores astronómicos para os contratar - e lhes pagam salários que os cofres verde e brancos não poderiam suportar.

Não quero com isto dizer que a aposta na formação é fútil, pelo contrário. Quero apenas que se perceba o seguinte: os "produtos" da formação são, para já, indispensáveis à saúde financeira do clube.

Serão, também, fundamentais para a saúde desportiva. Claro que, por muito que a reputação da "cantera" esteja em alta, não se pode pensar que há "talento" disponível para introduzir quatro ou cinco atletas por ano na equipa principal.

Não se pode construir uma equipa competitiva - ou seja, capaz de discutir a vitória nas diversas competições - com jogadores como Saleiro, Varela, Santamaria ou Djaló.

Qual é, então, a solução?

Em parte, a estratégia que tem sido seguida em Alvalade responde a esta pergunta (apenas em parte, insisto):

- aposta progressivamente maior nos atletas provenientes da formação;

- cuidada avaliação do mercado, que permita a aquisição de atletas de qualidade em condições favoráveis;

- valorização e "capitalização" dos referidos activos.

Que quer isto dizer?

Tal como muitos de vocês, que têm expressado essa vontade, também os responsáveis leoninos pretendem uma maior presença de atletas oriundos da formação na equipa principal. Trata-se, porém, de uma tarefa que tem de se desenvolver de forma progressiva, de forma a não perder capacidade competitiva.

A ponderada intervenção no mercado passa pela aquisição dos direitos desportivos de jogadores como Polga, Rogério, Liedson, Enakarhire, etc. em condições favoráveis, o que permite a sua valorização e posterior rentabilização, quer desportiva, quer financeira. Assim, uma eventual venda de Liedson, por um valor muito superior ao que foi investido há dois anos, tem de ser vista como uma medida de gestão bem sucedida, sempre e quando os responsáveis do clube forem capazes de encontrar uma alternativa em condições semelhantes. Os "ciclos" a que se refere Kovacevic no quatroquatrodois não são, para já, possíveis, pois só estão ao alcance de organizações financeiramente equilibradas. Para já, resta ao Sporting ter uma relação flexível com o mercado.

Difícil? Sim, mas é, no meu entender, o único caminho possível. Convém aqui frisar a fundamental influência de Carlos Freitas na condução destes processos. Com a sua saída, ficam algumas dúvidas, legítimas, sobre o futuro.

Não se pode, por isso, falar de "desinvestimento" na equipa principal. O investimento tem sido feito - com o duplo objectivo de recolher benefícios financeiros e desportivos - e, apesar da progressiva redução do orçamento para o futebol, o Sporting permanece na disputa de todas as competições em que participa, como se provou na época agora finda.

Resta agora saber se, com a saída de Carlos Freitas e as acrescidas responsabilidades de Paulo Andrade e José Peseiro, os resultados da gestão não serão afectados.

Posto isto, passemos às críticas:

- apesar de continuar a ser considerada um exemplo a seguir, a formação do Sporting peca por enormes deficiências no que à gestão e capacidade técnica diz respeito. O sucesso do departamento passa, sobretudo, pelo fácil acesso aos melhores talentos juvenis (todos querem jogar no Sporting), mesmo quando não existem técnicos qualificados em número suficiente ou um modelo de gestão adequado;

- se é verdade que tem existido alguma evolução no processo de aproximação entre o departamento de futebol e uma estrutura de gestão técnica e impessoal, os erros sucedem-se quando se torna necessário enquadrar o factor humano. O incompreensível tratamento a que Rui Jorge foi sujeito (só hoje lhe foi comunicada a decisão da SAD) é disso o mais recente e exacto exemplo;

- a tantas vezes referida distância que existe entre muitos dos dirigentes e o fenómeno futebol cavou um "fosso" na comunicação entre a estrutura do clube e o grupo de trabalho, que frequentemente resulta em incidentes prejudiciais aos objectivos comuns;

- ausência de uma verdadeira estratégia de comunicação, que poderia permitir a aproximação entre clube e adeptos, evitando, simultaneamente, as aparentes incoerências detectadas em declarações de dirigentes, técnicos e jogadores.

quarta-feira, 1 de junho de 2005

Um "post" sobre "pasta"

Os comentários a um dos últimos posts originaram uma discussão interessante e especialmente pertinente no momento que o Sporting atravessa. Parece-me, tendo em conta o teor das observações feitas por alguns "clientes habituais", que se justifica uma abordagem mais aprofundada do assunto, mormente quando, nos referidos comentários, estão expressas as duas principais correntes de opinião (representadas aqui por Sector 32 - entre outros - versus Papagayo e Kovacevic).

Vou tentar resumir ao máximo um post que prevejo longo e que vou dividir em dois segmentos: o primeiro reporta-se a factos e o segundo à minha posição sobre esta matéria.

1. Tal como vocês, também os dirigentes leoninos se dividem em duas correntes de opinião. Há, em Alvalade, quem defenda a actual estrutura financeira do grupo empresarial, que corresponde à forma idealizada por Dias da Cunha e seus principais colaboradores, mas também quem prefira uma concepção teórica que, geralmente, se designa por "primado do futebol".

Em causa está a orientação das receitas geradas pelas empresas do grupo (não apenas pela SAD). A estrutura vigente privilegia as necessidades colectivas do universo empresarial, numa visão "descentralizadora" dos proveitos gerados. Ou seja, o fundamental é a solidez do conjunto, independentemente dos custos e proveitos que possam ser atribuídos à SAD. Note-se que isto não significa necessariamente o negligenciar das necessidades desportivas do futebol, facto atestado pela natureza competitiva da equipa profissional, pese embora a progressiva redução do orçamento.

Os defensores do "primado do futebol" - entre os quais Filipe Soares Franco assume posição de destaque (cuidado com o que pode suceder na próxima semana) - entendem que a SAD, por gerir a principal actividade do clube, deve ocupar o epicentro do universo leonino, centralizando os proveitos por este gerados.

Esta divergência assemelha-se aos diferentes pontos de vista expressos nos comentários que referi, mas encerra algumas "nuances" fundamentais.

Trata-se aqui de uma questão de visão estratégica, que em pouco difere no que à aplicação prática diz respeito. Isto é, mesmo a opção pela segunda alternativa - primado do futebol - não significa um exponencial aumento das verbas disponíveis para investimento - leia-se salários ou reforços. Pelo contrário, as margens de manobra são reduzidíssimas e estão definidas pelas obrigações contraídas junto de terceiros.

A leitura atenta das pertinentes observações de Papagayo, divididas em vários pontos, obriga, nesta fase, a alguns esclarecimentos.

Escreve, então, o nosso "leão" revoltado: "Os custos fixos, tinham obrigatoriamente de descer numa primeira fase, e controlados numa segunda fase. A primeira foi executada por Bettencourt e está terminada. Não será possível reduzi-la muito mais, a não ser que o orçamento para o futebol se torne idêntico ao do Boavista ou Braga por exemplo".

Na realidade, a fase de redução e controlo dos custos fixos está longe de concluída e vai continuar. O padrão, para já, não serão os outros clubes mas sim as receitas que o Sporting é capaz de gerar. Aliás, essa nem sequer é uma decisão dos actuais dirigentes, mas sim um dos critérios exigidos pelos bancos na execução do "project-finance": o universo empresarial terá de reduzir as despesas em 8 milhões de euros nos próximos três anos.

"Porque é que tem de ser a SAD a suportar exclusivamente as obrigações contraídas pelo clube? Porque é que tem de ser a SAD a suportar o equilíbrio de exploração das outras empresas do universo Sporting? É justo que seja a SAD a suportar as obrigações da dívida contraída para a construção do estádio por exemplo, e os proveitos da exploração comercial desse estádio (ainda por cima muito mal feita, diga-se!) serem creditados na EJA, Sa e na Sporting Comércio e Serviços?", interroga ainda, e bem, Papagayo.

A questão que importa reter é a seguinte: a criação do grupo Sporting não foi mais que a racionalização do clube, no seu todo, em sectores de actividade autónomos. O Sporting não é a SAD, mas sim o seu conjunto. Foi com esse "conjunto" que o tantas vezes referido "project-finance" foi negociado, em benefício do "clube" e, claro, da SAD, não sendo verdade que as obrigações financeiras sejam suportadas pelos proveitos da SAD. Está nas contas. Bettencourt, como, aliás, Ribeiro Telles e Soares Franco, defendem uma reorganização estratégica mas não negam esta realidade.

Igualmente referidos foram os negócios que envolveram as saídas de Cristiano Ronaldo ou Ricardo Quaresma. Os valores alcançados pela transferência do primeiro não podem, de forma alguma, ser comparados com os praticados na aquisição de Paulo Ferreira ou Ricardo Carvalho. O mercado está em recessão e os milhões do Chelsea ou do Dínamo de Moscovo são factores de distorção imprevisíveis. Pelo contrário, deve fazer-se o paralelo entre o negócio de Ronaldo com o Manchester e o de Deco para o Barcelona. Os catalães pagaram 15 milhões - mais Quaresma, eu sei, mas mesmo sem ele não teriam dado mais um tostão, que é como quem diz, para o Barcelona não teve influência na operação sem ser no plano contabilístico - por um dos três melhores jogadores do mundo, que acabava de se sagrar campeão europeu.

Outro factor de discussão foi a noção de "risco calculado". Poderá o Sporting assumir o risco do investimento em contratações de vulto - como, por exemplo, o exercício do direito de preferência sobre Ricardo Quaresma, conveniente e propositadamente "estabelecido" em 6 milhões de euros? O problema não está sequer no risco, está nos milhões. Pura e simplesmente não há dinheiro para isso e nem sequer são possíveis as habituais engenharias financeiras pois, mais uma vez, o "project-finance" não o permite.

2 Vamos então à minha posição.

Aceito sem pejo as duas correntes de opinião acima descritas, pois ambas obedecem ao conjunto de princípios que considero essenciais ao futuro deste ou qualquer outro clube, na actual conjuntura do futebol europeu.

O caminho passa, inevitavelmente, pelo adequar das despesas à realidade financeira do clube e do mercado, processo longo mas indispensável. O trajecto do Sporting não tem sido fácil, mas permite demonstrar que esta via é possível, sem excessivo sacrifício das ambições desportivas. Com custos incomparavelmente mais reduzidos que em épocas anteriores, os leões continuam a formar equipas competitivas e, recentemente, lograram mesmo o acesso à primeira final europeia em 40 anos.

Estou, sinceramente, convencido de que só o total saneamento das finanças do grupo, que passa pela "conquista" da independência face aos compromissos assumidos, pode permitir um crescimento sustentado. Acredito que, qualquer hesitação no rumo a seguir, como a que teve lugar com Luís Duque, nos idos loucos de 2000, apenas prejudica e/ou adia o objectivo final.

Quanto mais cedo esse dia chegar, maiores deverão ser as fundadas esperanças dos sportinguistas no futuro do emblema verde e branco. Aí sim, vai ser possível falar em risco e investimento.

terça-feira, 31 de maio de 2005

Final da Taça

Muito se tem falado ultimamente, neste blog, do Sporting.
Para mostrar que este blog não tem cor clubística definida decidi fazer um post para falar do Sport Lisboa e Benfica.

Esta semana achei estranho o prolongar da festa encarnada ao longo da semana, quando ainda faltava jogar um jogo importante (eu sei que agora os adeptos do benfica dizem que a taça não vale nada, mas apesar de valer pouco de facto, é a segunda competição mais valiosa em Portugal e era por isso um jogo importante). Segunda e terça feira, os jogadores do benfica foram festejando por Lisboa a conquista do título.
Comentei com amigos meus do benfica que achava estranho o que se estava a passar, que não era normal a 4 dias da final da Taça aquela quantidade de festejos, que o Vitória de Setubal se estava a preparar há meses para esta final e que ia ser um jogo díficil. Mas tal como os dirigentes encarnados, também os meus amigos falavam na dobradinha como um dado assumido.

O que se viu no domingo, no entanto, confirmou o que se tinha passado durante a semana. Os jogadores do benfica não podiam com as pernas e o Setubal ganhou e bem.
Depois disto, Trapattoni passou de bestial a besta (fazendo o inverso do que tinha feito nas duas semanas anteriores) e agora estão todos muito contentes com a sua saída. Mas terá sido culpa de Trapattoni a ida a Camara? o Passeio por Lisboa? O jantar nas Docas? A gala da Superliga? Eu acho que não...

O que se passou foi que...

NINGUEM PÁRA O VITÓRIA, NINGUEM PÁRA O VITÓRIA,
NINGUEM PÁRA O VÍTÓRIA, OH, EH, OH!!!!!!

segunda-feira, 30 de maio de 2005

A Taça

Não vou tecer muitos comentários sobre a final da Taça de Portugal pois não me foi possível assistir ao jogo. As raras folgas ao fim-de-semana implicam, quando acontecem, algumas "obrigações" familiares.

Há, porém, dois aspectos que me parecem interessantes:

- o primeiro não deixa de ser irónico, ilustrando as peculiares características deste desporto. O Benfica, depois de vencer o Campeonato, competição durante a qual tudo fez para não perder - atenção que não está em causa o mérito com que o conquistou, ao qual já por várias vezes me referi - caiu na final da Taça, porventura a competição onde mais fez por merecer o triunfo;

- o Vitória regressou, com décadas de atraso, ao restrito clube dos detentores de títulos importantes. O clube e a cidade merecem. Trata-se de um dos poucos emblemas portugueses com identidade própria e verdadeira implantação, provavelmente um dos maiores. A conquista dos sadinos é um momento importante para todos os que têm o Vitória no coração (que, confesso, nem sequer é o meu caso), mas também para o futebol português.

sexta-feira, 27 de maio de 2005

Um Record de disparates

Façam-me um favor. Leiam jornais, mas utilizem espírito crítico e apliquem uma dose mínima de bom senso.

Há quem acredite que José Peseiro é um completo atrasado mental? Terá os seus defeitos, mas não me parece que alguém possa dizer que nada percebe de futebol.

Assim, mesmo quem não possua informações privilegiadas ou fontes internas, deve perguntar-se o seguinte: "Faz algum sentido a contratação de Ávalos? Será que o Sporting quer mesmo um central com 31 anos, de qualidade duvidosa?"

A resposta do espírito crítico e do bem senso será inequívoca: "Não!". Isto, apesar de alguns jornais estarem a tentar bater o Record de disparates...

Se não confiarem no vosso bom senso, acreditem em mim: Ávalos está tão próximo de assinar pelo Sporting como o Ronaldinho Gaúcho...

quinta-feira, 26 de maio de 2005

Rui Jorge

Sei que, por diversas vezes, neste blog, tenho assumido a defesa dos dirigentes "leoninos" ou procurado explicar as suas acções.

Há, porém, atitudes que, por mais que tente, não consigo entender.

Rui Jorge chegou ao Sporting há 7 anos, apontado pela generalidade da crítica como o melhor lateral-esquerdo português. Na bagagem trouxe, para além das suas características como atleta, uma respeitável colecção de troféus.

Integrado numa equipa que há 15 anos não conquistava o título nacional, o seu espírito competitivo foi um factor fundamental na transformação da mentalidade colectiva, ajudando, no relvado e fora dele, ao regresso às vitórias.

Injustiçado como poucos pela crítica, foi sempre imune às condicionantes exteriores, defendendo acima de tudo a camisola que envergava e o grupo que tornou "seu". A sua atitude revelou sempre um único propósito: vencer.

Indiferente àqueles que o criticavam, para quem aquelas que tinham sido as suas maiores qualidades eram agora defeitos, tudo fez para que o Sporting voltasse à elite do futebol nacional e europeu, sem nada pedir em troca. Nunca o ouviram pedir melhores contratos, benefícios adicionais ou privilégios de estrela.

Para todos os que diziam que faltava liderança no balneário "leonino", deixo duas imagens:

- quando, nos quartos-de-final do Euro' 2004, ante a Inglaterra, Ricardo se preparava para o desempate por pontapés da marca de grande penalidade, Rui Jorge, que esteve no banco durante 120', disse-lhe: "A minha vida estás nas tuas mãos. Já ganhámos."

. em 2003/04, depois do empate com o FC Porto, em Alvalade, o Sporting foi jogar à Madeira, com o Nacional - desastre de Quiroga - e estava em desvantagem no marcador. A poucos minutos do final, Lourenço falhou um golo fácil. A mais de 70 metros da baliza insular, estava um jogador do Sporting com lágrimas nos olhos, de joelhos, a dar socos no relvado...

Agora, com o seu contrato a chegar ao fim, Rui já sabe que não vai continuar, mas continua à espera que a decisão do clube lhe seja comunicada... Isto depois se ter recusado a ouvir propostas que lhe iam chegando de clubes interessados.

Admitindo que a não renovação do contrato seja uma decisão de gestão, é inaceitável que ninguém tenha tido a decência de conversar com um atleta que, durante 7 anos, foi um exemplo insuperável de profissionalismo e dedicação. Nem uma palavra...

Rui Jorge merecia (e merece) respeito, merecia (e merece) a admiração de dirigentes e adeptos, quer do Sporting, quer do futebol enquanto desporto. Merecia (e merece), sobretudo, uma despedida digna e a saída pela porta maior.

Por tudo aquilo que foste (e és) como jogador e por todas as qualidades que sempre evidenciaste como pessoa, obrigado, Rui.

Eu, pelo menos, vou ter saudades.

terça-feira, 24 de maio de 2005

Leões e responsabilidades

Repito aqui, por entender que merece outra forma, o essencial de uma resposta aos comentários relativos ao "post" anterior.

No que diz respeito à convulsão "leonina", acredito que todos deverão aguardar com calma os desenvolvimentos, uma vez que, de momento, nem no seio do clube houve tempo para assimilar os acontecimentos.

Para já, será necessário encontrar uma alternativa válida a Carlos Freitas na gestão do futebol.

O "fenómeno futebol" vive, essencialmente, das emoções que provoca e estimula, mas temos de compreender que, em qualquer clube, as decisões de quem assume os destinos da entidade têm de ser tomadas com base em critérios racionais.

Sendo certo que, como é habitual, existe uma "corte" fútil e inútil em torno da "cúpula" dirigente, penso que devem acreditar que as pessoas que orientam os destinos do Sporting o fazem com verdadeiro empenho e dedicação, facto comprovado pelos importantes passos que promoveram rumo à recuperação do emblema verde e branco.

No que à minha participação neste blog diz respeito, acrescento algumas considerações (tecidas, mais uma vez, na sequência de um dos referidos comentários ao post anterior):

- acredito que a blogosfera é um espaço privilegiado de debate de ideias, de opinião livre e independente, constituindo-se hoje como uma das principais garantias da liberdade de expressão à escala mundial. Aqui, como em outros momentos da sua História, o Homem encontrou uma forma de fazer circular informação e opinião que não depende dos poderes instituídos, sejam eles sociais, económicos ou políticos;

- possuo uma enorme paixão pelo desporto e pela minha profissão. Entenda-se aqui como lata a referência ao desporto e ao jornalismo. Perante a falência de causas políticas, morais ou religiosas, é no desporto que a humanidade encontra os seus novos heróis: os relvados, os pavilhões, as pistas de atletismo ou as piscinas são hoje os únicos palcos de elevação e superação constante do ser humano. É possível, através da observação do fenómeno, fazer um exacto paralelo com as dúvidas, certezas e decisões que marcam a vida de todos nós. O desporto é, assim, uma espécie de "espelho" onde estão concentrados os factores essenciais do nosso processo de crescimento enquanto indivíduos. O jornalismo, seja, ou não, exercido na área do desporto, é a minha profissão e o acordo com os princípios que regem (ou deveriam reger) o exercício da actividade são para mim fundamentais;

- participo, sem reservas, neste blog, com uma limitação apenas: as minhas obrigações para com as regras da minha profissão - e para com quem me paga. Espero, através da minha opinião e da maior proximidade com esta realidade, poder contribuir para uma maior e mais exacta compreensão do fenómeno.

E em vez de Polga...

Vai Beto...

É forte, neste momento, a possibilidade do sub-capitão rumar a Espanha, o que, em parte, ajuda a explicar a decisão de segurar Polga.

Olá Polga

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Afinal, Anderson Polga deverá permanecer em Alvalade.

O brasileiro pediu desculpa a José Peseiro e à SAD que, por sua vez, em conjunto, decidiram convocar o jogador para o jogo de Paris.

Polga será severamente multado mas ficará no clube, até porque os valores de um possível negócio não satisfaziam as pretensões da SAD.

Reforço (?) leonino

O Sporting acabou de contratar o primeiro reforço para a próxima temporada:

Manoel, avançado que representava o Moreirense.

Sem comentários...

segunda-feira, 23 de maio de 2005

Verde revolução

Definitivamente, em Alvalade, os finais de temporada têm de ser vividos com uma desnecessária dose de dramatismo.

Não vos posso ainda dizer o que está prestes a acontecer (ou que já aconteceu), mas asseguro que, durante o dia de amanhã - e não estou a falar do que vai sair nos jornais, que já por si seria suficiente - vão surgir novidades devastadoras no que à estabilidade do emblema verde e branco diz respeito.

Certo é que, mais uma vez, o Sporting demonstra uma estranha dificuldade em lidar com os acontecimentos de final de época, sendo incapaz de escapar a desnecessárias e contraproducentes revoluções.

A partir de amanhã, nada será igual...

Quem são os mais inteligentes?

1- Os adeptos do Porto, que avisaram que iam para a Avenida dos Aliados bater nos adeptos do benfica, se o benfica fosse campeão e cumpriram a promessa.
2- Os adeptos do benfica, que sabendo disto foram à mesma e por isso levaram.
3- Os Policias, que sabendo da ameaça e prevendo que os adeptos do slb fossem para lá à mesma, não estavam em número suficiente na avenida dos Aliados no final dos jogos.

Obviamente, acho reprovável que se passou na Avenida dos Aliados. Mas não deixo de achar muito estranho como é que uma situação tão prevísivel aconteceu de facto.

Obrigado Capitão!

Penso que ontem tenha sido o último jogo da carreira do capitão do Sporting (confirmas, Jean?), Pedro Barbosa. Infelizmente, o Sr. António Costa não permitiu que ele saísse em alta. Depois da sua entrada parecia que o sporting iria dar uma brilhante reviravolta, mas o Sr. árbitro decidiu que a carreira de Pedro Barbosa devia acabar antes dos 90 minutos. Foi pena!

Caso se venha a confirmar o fim da sua carreira, quer agradecer tudo o que Pedro Barbosa fez nos anos que esteve no Sporting. OBRIGADO CAPITÃO!!!!

A pior arbitragem do ano

Ontem decidi deslocar-me ao Estádio Alvalade XXI pensando que iria, pela primeira vez esta época, assisitir a um jogo aberto, descontraído, uma vez que este jogo pouco interessava a ambas as equipas. Isto porque não me passava pela cabeça que o Porto não ganhasse à Académica. Enganei-me redondamente e irritei-me ainda mais.

O Sr. António Costa (depois da brilhante arbitragem no jogo na Luz para a Taça) fez a pior arbitragem que eu me lembro de ter visto. Dos primeiros três golos, dois são em foras de jogo claríssimos e o outro tenho dúvidas. O primeiro fora de jogo foi preciso ter coragem para não marcar de tão evidente que foi. Para além disso, este senhor ainda conseguiu não ver um penalty escandoloso sobre o Liedson, uma agressão ao Custódio, e decidiu expulsar o nosso capitão incompreensivelmente. Sendo este um jogo tão pouco relevante, porquê esta roubalheira?

Adeus Polga?

O Sporting já equacionava a possibilidade de permitir a saída de um dos centrais, mas a atitude de Anderson Polga no jogo com o Nacional pode precipitar a decisão.

O brasileiro recusou-se a alinhar na última partida do Campeonato, facto que poderá contribuir decisivamente para o fim da sua etapa como "leão".

Com Liedson prestes a deixar o clube, Polga poderá ser o próximo brasileiro a "experimentar" o mercado...

domingo, 22 de maio de 2005

Parabéns ao campeão

O Benfica acaba de se sagrar campeão nacional, pela primeira vez em 11 anos.

Parabéns à equipa que, independentemente dos factores externos, melhor uso fez da regularidade.

Os encarnados conquistam com mérito o tão desejado título, naquela que foi a concretização de um sonho que o pragmatismo e a experiência de Giovanni Trapattoni ajudaram a transformar em realidade.

A importância de Simão neste êxito é indiscutível e não precisa de ser recordada, mas não posso deixar de reiterar a minha admiração por dois elementos insuperáveis no que à avaliação do sucesso diz respeito: Manuel Fernandes e Petit. Se o primeiro é já um dos grandes talentos do futebol europeu, o segundo é um exemplo inquestionável de permanente superação e de espírito vencedor.

PS- Não assisti ao Boavista - Benfica, pois estava, em trabalho, a fazer o Sporting - Nacional. Uma(s) palavra(s), portanto, para a actuação da equipa de arbitragem liderada por António Costa:

- sede de protagonismo
- total ausência de critério no capítulo disciplinar
- graves erros técnicos
- deplorável exibição do assistente Venâncio Tomé

Em suma, o juiz de Setúbal esteve ao nível a que já nos habituou, no que foi bem acompanhado pelos seus auxiliares: dois golos do Nacional apontados a partir de posição irregular em apenas 14 minutos e uma clara grande-penalidade por assinalar, a favor do Sporting... E isto partindo do princípio de que o remate de Niculae, aos 66', não entrou na baliza de Hilário...

sábado, 21 de maio de 2005

Selecção a saque

Tenho andado muito cordato e conciliador nos meus comentários, facto que, por ser contrário à minha natureza, me pode provocar um sério desequilíbrio emocional.

Movido pela indignação - e pela saudade de um belo "rasganço" - viro as minhas atenções para a Selecção Nacional, que é como quem diz, para o senhor Luiz Felipe Scolari.

Mesmo sabendo que, para a opinião pública - e publicada - esse senhor continua em "estado de graça" por causa do Euro' 2004, o permanente desrespeito pelo cargo obriga-me a algumas chamadas de atenção.

Por trinta mil contos por mês (150 mil euros, para os mais modernos), foi atribuída a este senhor a responsabilidade de gerir os destinos da equipa das Quinas.

Com ano e meio para preparar o Euro' 2004, esse senhor preferiu "fabricar" uma equipa na qual nem ele acreditava, optando por sacrificar jogadores que poderiam desempenhar um papel fundamental.

Bafejado pela sorte, foi ultrapassando os obstáculos que o separavam da final, antes de cair, de forma inglória, ante a Grécia, nesse dia de má memória para todos nós.

Então, com reforçada imagem de "vencedor", vingou o descaramento e foi-se a vergonha.

Desde a referida final, o senhor Scolari assistiu apenas a um jogo entre equipas portuguesas: o Belenenses - Académica.

Sem desenvolver qualquer esforço para acompanhar ou auxiliar o desenvolvimento de novos talentos, esse senhor tornou as convocatórias em exercícios políticos, de relações públicas ou, mesmo, de engenharia financeira.

Tal como sucedia (e, aparentemente, ainda sucede) no Brasil, onde Nike e Gilmar Veloz desempenhavam um papel fundamental nas opções de Scolari (atenção ao Post Scriptum), as convocatórias da selecção lusa estão agora "empenhadas" a outro empresário: Jorge Mendes.

Ora vejamos: Ricardo Costa, Nuno Valente, Jorge Ribeiro, Frechaut... E não estamos a falar dos consagrados...


Ricardo Costa é um excelente exemplo da escola do FC Porto, quer no que à formação de centrais diz respeito, quer nos defeitos comportamentais, revelados durante o Europeu de Sub-21 e durante os Jogos Olímpicos. Não é difícil descobrir defesas-centrais em melhor condição, até porque Ricardo Costa não tem jogado.

Nuno Valente está lesionado.

Frechaut e Jorge Ribeiro estão no Dínamo de Moscovo, equipa que tem arrebatado a Europa de Leste com a sua excelente forma. Especial destaque para o segundo que, além de ser desprovido de cérebro, já deu inúmeras demonstrações da sua (falta de) qualidade.

Em contrapartida, temos a chamada de Alex. Sendo igualmente absurda, a opção não está relacionada com Jorge Mendes, uma vez que o jogador é representado por José Veiga.

Estamos no bom caminho...

PS - Sabiam que, apesar de se recusar a assistir a encontros da SuperLiga, Luiz Felipe Scolari esteve presente na final da Taça UEFA... Para observar os jogadores portugueses que participavam na partida, perguntam vocês? Pois... Mas não... Foi apenas para entrar em contacto com Daniel Carvalho, a fim de lhe explicar que o caminho para a selecção brasileira lhe poderia ser facilitado, desde que este se comprometesse com o seu "amigo" Gilmar Veloz...

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Adeus Liedson

O mercado já mexe.

Como tantos queriam, há uma forte probabilidade de assistir, durante este defeso, à saída de Ricardo. Regozijem-se, pois talvez venham a ter um guarda-redes fresquinho de quem dizer mal. A acontecer, fico à espera de, daqui a um ano, ouvir as mesmas queixas e, quem sabe, até, manifestações de saudade...

Liedson está mesmo a caminho do Corinthians... O melhor marcador do Campeonato vai regressar ao Brasil mas "reforça" generosamente os cofres de Alvalade.

Hugo Viana vai mesmo deixar o Newcaslte mas, ao contrário do que parecia provável, o seu destino não deverá ser o Sporting...

E o Campeonato ainda nem acabou...

O final de uma semana terrível

Quarta-feira foi o culminar de uma semana de grandes desilusões.
Depois de um grande balde de água fria no jogo com o Benfica, mais um grande tristeza no nosso próprio estádio numa final europeia. Foi pena!

Concordo com o meu amigo Jean que devemos estar orgulhosos da prestação do nosso clube na taça Uefa, e em particular nesta final. O Sporting fez uma grande primeira parte e, infelizmente, não teve condição física para aguentar a segunda. Penso que esta foi a razão principal que levou o Sporting a perder as duas competições em que se via envolvido neste final de época, cansaço. Já aqui há uns tempos, num outro post, o Jean tinha avisado que ia ser difícil lutar em duas competições, e isto veio, infelizmente, a confirmar-se. Apesar de ter, penso eu, o maior número de soluções da Super Liga, o Sporting não teve capacidade física para aguentar o desgaste das duas competições e, principalmente, apanhando uma equipa fresca e muito perigosa no contra-ataque, não aguentou.

Não concordo, no entanto, que o único erro de Peseiro tenha sido a inclusão de Rodrigo Tello. Penso que houve mais. Rogério não fez uma mau jogo, mas penso que só na primeira jornada ganhámos com Rogério no meio campo. O Sporting na segunda parte não tinha um meio campo combativo (como necessitava) e o Peseiro não mexeu. Custódio não jogou e não se percebeu porque. Poderia não estar a 100% mas para entrar aos 60 minutos devia dar. De resto, tivemos ainda o azar do Enak fazer, provavelmente, o seu pior jogo com a camisola do Sporting, do Ricardo não ter feito uma única defesa e do Rogério ter acertado no sítio mais difícil.

Apesar de tudo, como já disse estou orgulhoso do jogo de quarta.
VIVA O SPORTING!!!!